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não brinques a brincar...

Li, há dias uma crónica em que se dizia que brincar é importante. E que as crianças não brincam. 

A minha brinca. Nem que eu tenha de fazer um braço de ferro com a escola, apologista dos TPC para consolidar conhecimentos que também se consolidam fazendo contas com os trocos do pão, lendo palavras difíceis nos livros da mãe, brincando ao faz de conta com aparentes pormenores que se aprendem na escola. Esta é a consolidação de que necessitam e não dos exercícios feitos maquinalmente, com métodos e processos decorados à exaustão, escritos sem brio porque esse, foi-se algures entre as quatro e as quatro e meia. Brio que sobra quando se senta a desenhar ou a criar estórias de príncipes e princesas em folhas de papel. Afinal?...

Olho para a folha de avaliação da minha criança. Percebo que lhe  exigem melhor comportamento, porque fala, canta, participa. Bem sei que qualquer escola tem regras e que temos todos de saber estar em grupo, numa sala. Ficaria preocupada se me dissessem que não participa, que está sempre calada. É curiosa, activa e  argumentativa. Não se fica com um "sim" ou um "não". Ainda bem.

Diz o Observador, com base num estudo publicado na Time que é óptimo ter filhos teimosos, porque as "crianças que quebram as regras e desafiam os pais tendem a tornar-se excelentes alunos e mais bem pagos". Ninguém disse que educar era fácil. 

Verifico faltas de TPC. Da vez em que a levei ao estrangeiro e aprendeu mais numa semana do que em três meses de aulas. Ainda bem. Verifico também uma certa incongruência entre a "atitude na sala de aula" e o "bom trabalho". Olho para a lista de disciplinas. Não me admiro. Também eu - qualquer um de nós - teria estes resultados. E pergunto-me quantas vezes o problema não está nos professores que insistem em fazer-nos gostar do que não gostamos, sem nos ensinarem a aprender a gostar? Quantos nos impõem um conteúdo sem negociarem essa aprendizagem? O problema não são as crianças, somos nós. Porque aceitamos um sistema de ensino desajustado da realidade, escolas que não se adaptam à vida moderna, ou empresas que nos impõem uma rotina - a da tal vida moderna - que não nos deixa tempo para mais nada. E as crianças ficam com a agenda cheia, horas a mais na escola, nos ATL's ou nas actividades desportivas para preencher o nosso dia que acaba muito tarde. Eu também andei na escola. Com regras e imposições. Praticava desporto. Provavelmente não tinha muito tempo, mas podia brincar. Não me lembro de muitas coisas, mas lembro-me de brincar. Por isso, brincar. 




Endless Summer 💙

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Algures, numa praia, um menino dá à costa enquanto, aqui, nos dividimos entre o que queremos e o que tem de ser. Entre os que nos pedem e o que nos exigem, com a culpa de não aproveitar cada minuto e cada instante, como se não houvesse amanhã. Porque o que aconteceu ali, pode muito bem acontecer aqui...

Mesmo que pensemos sempre que não...

Estas são pequenas estórias daqueles dias que não são uma coisa nem outra. Que trabalhamos com uma mãozinha que nos puxa a camisola para brincar, que usamos e abusamos do telefone para escapar ao computador. Que somos mães, que queremos ser apenas mães e gozar o tempo com eles, aqueles dias em que ainda não há escola e, alguém do outro lado, os pergunta porque razão o relatório ainda não está pronto... 

Ser mãe não é apenas isto, mas é muito isto. Não conheço académicos ou freelancers que partilhem estados semelhantes. Talvez não partilhem. Talvez seja apenas isso e estejam, também, entre uma coisa e outra sem serem nenhuma de verdade.  São sempre elas. Talvez porque elas gostem mais de falar. De se expressar.

Porque quando a atenção se dispersa, não estamos - não somos - nem uma coisa nem outra, com toda a ansiedade e más vibrações que isso acarreta. E, tudo o que queremos, é apenas o melhor de dois mundos...

 #workingmom #summertimebyurbanista #love 

Brincar. É um direito!

"Já não brinco. Já não solto uma gargalhada. Acho as pequenas brincadeiras muito parvas. Não percebo como se pode brincar quando há tantas coisas sérias e que nos preocupam na vida".

Infelizmente, parte dos adultos é assim. Eu também já não brinco. Ao faz de conta. À apanhada. Às escondidas. À macaca (com pena...). Mas não deixei de brincar. Acho mesmo que o pior que pode acontecer a um adulto é perder a vontade de brincar, de se rir de si próprio, da gargalhada solta a doer a barriga. Deixar de ter essa capacidade de abstracção que o faz viajar por mundos nunca antes explorados e regressar vitorioso. De pegar num monte de peças e fazer uma cidade, do nada inventar instrumentos e tocar, com um lenço fazer uma princesa e com um lençol um castelo.

É tudo muito bonito mas somos corrompidos por esse estado a que chamam idade adulta, que é tudo menos divertida. Cilindrados por aquilo a que chamam rotina, que se instala e cristaliza em cada um de nós afastando tudo o que antes gostávamos de fazer. Piora se tivermos filhos e não formos capazes de sair da nossa zona de conforto, falar a sua linguagem e brincar à sua maneira. Ou, pelo menos, atingir o limiar da adaptação que nos faz brincar cheios de vontade e os deixa felizes por lhes darmos atenção. Total. Sem telefones. Televisão. Jornais ou qualquer outra forma de entretenimento que os adultos simplesmente não dispensam.

Não brinco a tudo, confesso. E devia brincar mais. Todos os dias. Às princesas. Às viagens. Às fadas. Às escolas. A fugir das ondas. A contar as estrelas. Ao faz de conta. Faço de conta que gosto e acabo a arrumar-lhe o quarto. Quando me apetece mesmo brincar, brinco. Construo casas e carros e cidades com Lego. Dança(mos) e escolhemos músicas como estrelas pop. Vestimos roupas e experimentamos vários estilos nas lojas. Fazemos pulseiras, colares e pintamos as unhas de vermelho. Desenho este mundo e o outro que ainda não conhecemos e pinto-o com muitas cores. É tão bom...