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Beyoncé no Coachella. O que significa isso, para nós?

Mais do que possamos imaginar e queremos admitir. Significa que, finalmente, uma mulher volta a ser cabeça de cartaz num dos eventos musicais com maior notoriedade mundial, depois de Bjork, em 2002 e 2007, ter tocado em Coachella. Não há artistas femininas ou estamos perante o patriarcado machista que mina boa parte das indústrias?

Coachella é lá longe e pode significar pouco para quem, em Portugal, escuta Beyoncé ou vibra nos nossos festivais de Verão. Mas e se revertermos o facto e pensarmos nas artistas nacionais cabeças de cartaz dos nossos eventos musicais? Coachella começa a fazer mais - ou menos, dependendo da perspectiva - sentido.

Se recordarmos M.I.A. (SBSR, 2012) ou Florence and the Machine (SBRS, 2015) não vamos longe na análise porque a maior parte das mulheres - portuguesas incluídas - faz parte de uma banda ou não é cabeça de cartaz. No Rock in Rio acontece o contrário, com várias mulheres (Ivete Sangalo em 2014, Daniela Mercury em 2004; Shakira em 2006 e Miley Cyrus em 2010) como cabeças de cartaz e muitas outras artistas no palco principal. Será o toque da Roberta Medina no RiR?... Muito embora não pensemos muito nisso, não foi à toa que se começou apelidar Coachella de Brochella, do inglês bro (brother, forma de tratamento masculino). Em Coachella, no ano passado, menos de um quarto do total das actuações foram de artistas femininas. Nos anos anteriores o cartaz foi ainda mais masculino, o que quer dizer que as poucas mulheres que aparecem não estão no topo da lista.

Para quem não conhece, Coachella não tem comparação com o que acontece em Portugal. É maior, tem mais concertos e pessoas por metro quadrado, tem impacto mundial, é no meio do deserto (welcome dust...) e a sua notoriedade compromete agendas ao nível da música, moda e lifestyle. Há tanto de música como de desfile de estilo e exibição nos sites de redes sociais com o instagram a liderar as imagens made in Coachella. 

Contudo, importa pensar na representação de género nos cartazes dos festivais. Não creio tratar-se de uma acção concertada para deixar as artistas femininas de fora, mas de uma cultura de tal forma inculcada, em quem faz as escolhas nem percebe que "elas" acabam sempre no fim da lista. Tal como em outras indústrias, o poder está nas mãos de homens que interiorizaram esta cultura sexista que também nós, mulheres defendemos. Não culpo ninguém porque também somos responsáveis pelo estado das coisas. Fomos calando demasiado tempo. Sempre discretas e (bastante) subservientes. A mudança está lentamente a acontecer e não é tão silenciosa quanto se pensa, no sentido do apoio ao artista independente do seu género. O cor. Ou qualquer coisa que se possa interpor entre a decisão e o público.

Independentemente de questões feministas ou de igualdade de género, a presença da Queen Bey nesta edição do Coachella faz todo o sentido. Não só nunca actuou (apareceu em actuações de outros artistas) neste festival, como marcou pontos com o seu Lemonade afastando-se (ainda mais) da conotação de fake pop star que a perseguia. Lemonade não é apenas mais uma colecção de canções, assumindo-se como um trabalho conceptual, que liga artisticamente a música e o vídeo, sem deixar de elogiar a música pop que lhe deu fama e notoriedade. Simultaneamente Coachella cresce num sentido mais mainstream descolando-se da imagem hippie que lhe deu origem. Ainda que sejam os mais jovens em maior percentagem, os festivais de música fazem, actualmente, parte da cena musical e do estilo de vida da maior parte das pessoas, independentemente da idade. A cultura festivaleira está a mudar e, em Portugal e no resto do mundo, os grandes eventos têm uma responsabilidade acrescida porque estabelecem o padrão a seguir: na escolha dos artistas, na qualidade das infra-estruturas, na segurança, na alimentação e, sobretudo, na relação música e estilo de vida, altamente valorizada nesta era de instant likes e instagram pics. Either way, Coachella's music will be fire!

The dream is real

@iurbanista

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Poderia continuar a falar sobre o sonho de Portugal tornado realidade. Um sonho colectivo, merecido ao fim de tanto tempo. E de todos os outros, com menor visibilidade, dos atletas portugueses. Agora falo de outro sonho, aquele que a música ano permite e o NOS Alive concretiza, numa altura em que entre o Goldman Durão e a vitória da selecção, Portugal está oficialmente em stand by até Setembro, mantendo-se alive através da música: primeiro o NOS Alive, depois outros festivais, em Lisboa e por todo o país. 

Todos sabemos que o NOS Alive é um mundo, representa o mundo e a sua grande, enorme, diversidade. Sei-o porque andei vários anos no terreno e não me limitei a observar. Recolhi dados com equipas fantásticas de pessoas que inquiriam tantos quantos conseguiam, até ao limite da sobriedade - d'eles - e do poder da música para abafar as vozes. Por isso, sei que o NOS Alive é muito mais do que um mundo de marcas e festivaleiros que dançam, bloggers que desfilam ou instagrammers em poses que garantem likes. O NOS Alive é, à semelhança de outros eventos de música que animam o nosso Verão, um desfile de bandas e artistas com poder transformador.

A música tem essa capacidade única de nos juntar, ignorando origens, raças, credos ou estatuto social. Ultrapassa as barreiras da língua e amplia a nossa visão. Nunca, como antes, ouvi e dancei tanto ao som dos Portugueses, neste contexto absolutamente internacional. Foi quando olhei para o horário dos concertos que percebi que seleccionei principalmente bandas portuguesas e que não troquei nenhum dos seus espectáculos por conversa com amigos, como aconteceu com algumas bandas estrangeiras. Não será certamente uma mudança apenas do meu comportamento, nem curiosidade profissional mas, principalmente, uma alteração de atitude e actuação destes artistas que me agarraram - e a muitos dos que lá estiveram - do início ao fim do espectáculo. Depois do Globaile, que marcou o fim da invenção de uma sonoridade única - a dos Buraka - e o início de uma outra que irá misturar, para apresentar, a irreverência e inovação musical, Lisboa abraçou vários artistas em três dias esgotados, de géneros e estilos, pessoas e características.

Foto: José Fernandes (cortesia NOS Alive)

Foto: José Fernandes (cortesia NOS Alive)

Para mim, o NOS Alive começou com Branko, cuja criatividade já conhecíamos dos Buraka Som Sistema e cujo Atlas, o trabalho que o apresenta a solo, é uma viagem por sons, géneros e estilos que transportou para o palco NOS Clubbing na primeira noite do NOS Alive. Mais tarde, no Coreto, Alex D'Alva, mesmo teimando não ser um Dj, conseguiu por todas as pessoas a dançar. Se isto não é ser Dj, não sei o que será.

Branko tocou durante uma hora provando que a electrónica de cá é tão boa - ou melhor - do que a de lá, e que a cenografia também não lhe fica atrás. Com projecções visuais que acompanhavam os ritmos com origens que ultrapassam a nossa noção de espaço, Branko inspirou-se em África, Brasil e um pouco por todo o mundo para criar um conceito sonoro com tradução visual, num espectáculo de alto nível que correspondeu e, mesmo, ultrapassou as expectativas, especialmente depois de ter escutado parte do seu soundcheck.

@iurbanista

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No dia seguinte apressei o passo para chegar a horas ao concerto de Carlão, sem saber se não me deveria dividir entre este, e o palco do lado, para acompanhar os HMB, integrados na curadoria de Dj Kamala. A ideia NOS Alive e os nossos, ainda que possa ser interpretada como um recurso, é uma ideia genial, dá visibilidade aos nossos no dia em que o evento esteve mais concorrido. Carlão contextualizou cada momento que era também, um momento da sua própria história até aos quarenta. Não sei se fruto daquilo que os quarenta representam, senti que não poderia deixar de ouvir as suas rimas num hip hop que grita a raiva de quem sempre quis ser apenas ele próprio. Same here. Com direito a palavras feias, aquelas que em inglês (até) soam bem. Do outro lado, o ambiente era de festa com misturas altamente improváveis, quando a soul se encontra com hip hop ou fado. Foram os HMB e seus convidados surpresa (Carminho e Agir), num Clubbing sempre composto e muito animado.

@iurbanista

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Finalmente, no último dia fiz aquilo que muitos não ousarão afirmar, mas poderão ter feito. Espreitei o Agir para confirmar tratar-se de uma escolha só aparentemente "ao lado". Se ainda não o consideram, estará muito perto de ser muito bom em palco. Comunica bem, dá-nos vontade de ficar. Venceu um fim de tarde muito quente, para abrir o palco principal. Apresentou-se sem make up e deixou o  sonho tornar-se realidade, agarrando o público, que dançou e cantou os seus maiores sucessos. Aqueles que tocam na rádio e que nem sempre reconhecemos. Ou fingimos não conhecer. Porque tudo o que dá ares de pop não é para nós. Mas, depois, é ver salas cheias. Ou braços no ar... A seguir deixei-me embalar pela pop electrónica de Isaura, num estilo radicalmente diferente, que garantiu as escolhas da tarde. Tímida, mas feliz, cantou e encantou com os seus dois sucessos. Na verdade, também assisti aos concertos de artistas estrangeiros mas fiquei de alma cheia com os Portugueses, estes Portugueses, cujo nível de empenho, profissionalismo, modernidade e musicalidade compete pela nossa atenção.

@iurbanista

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Coisas que fazem pensar III

Estive em Bruxelas e trouxe a notícia comigo. Ainda não tinha escrito sobre este tema e, há uns dias, logo pela manhã, enquanto misturava cereais no leite, com a outra mão liguei a rádio, sintonizada, como habitualmente, numa estação de palavra e notícias. Ouvi música. Parecia-me Tony  Carreira. Fitei a frequência. Antena 1. Deixei-me estar a ouvir. Reconheci, com segurança, a voz de David Ferreira e pensei: quem melhor do que ele para comentar esta coisa - não merece sequer o epíteto de polémica - da nega da embaixada portuguesa em frança, a propósito da atribuição da medalha de Cavaleiro da Ordem das Artes e das Letras a Toni Carreira, pelo governo francês. Hoje, enquanto saltitava entre podcasts, cruzei-me novamente com esta questão, quase a morrer. Porque a actualidade renova-se instantaneamente, mesmo que as acções fiquem. Para quem as pratica, diz-se.

Não oiço Tony Carreira, não tenho as suas músicas nas minhas playlists mas reconheço-lhe o trabalho e profissionalismo. Estamos no domínio altamente subjectivo das questões de gosto e das noções de qualidade pelo que, como já antes o fiz, não me pronuncio sobre a sua música, mas sobre atitudes altamente preconceituosas de quem fecha as portas da representação de Portugal num outro país - que reconhece o trabalho de um artista nacional - e de quem comenta, com presunção tribalesca, que sonha com o dia em que irá assistir a um espectáculo de Toni Carreira, numa perspectiva sociológica. Como quem observa gorilas na savana, portanto.

A quem cabe a decisão de definir a alta e a baixa cultura? A embaixadores? Ministros? Parece-me que não. Como também me parece que o protocolo não terá costas suficientemente largas para justificar esta decisão.

Gostemos ou não da música do artista, achemos pimba ou menos pimba, trata-se de um self made man, produtor e profissional reconhecido por quem sabe ultrapassar o limite do preconceito. E David Ferreira explica-o, e bem, neste episódio de David Ferreira a Contar.

Chiq? Não!! Da Chick!

Palácio Foz

Palácio Foz

Os grandes, são sempre grandes. Os que se espera que sejam grandes raramente desiludem. Foi o caso de Benjamin Clementine que, na Sexta-feira, foi enorme. Maior do que si próprio, gigante na humildade e na voz que encheu não só o Coliseu mas os corações de quem o ovacionou até às lágrimas. Mas são igualmente grandes muitas das promessas que se fizeram ouvir em duas noites cheias de grandes surpresas e grandes pequenos concertos, palcos improvisados que fazem do espectáculo, um espectáculo maior. Salas intimistas e cheias de história que deveriam, mais vezes, dar lugar à cultura e encherem-se de vida, como aconteceu nestes dois dias em que locais como a Sociedade de Geografia, o Palácio Foz ou a casa do Alentejo mexeram como raramente mexem. Assim foi Castello Branco. Genuíno. Ele, o violão, a sua voz, as palavras de amor e o detalhe dos acordes simples, mais bonitos que o rococó de uma sala por natureza fria, que derreteu suavemente com a voz quente deste brasileiro que não engana, um estilo clássico-moderno que ecoou em Lisboa e que apetece (vai apetecer) sempre ouvir.

Castello Branco

Castello Branco

O Vodafone Mexefest é também palco de miúdas giras que invadem uma piscina e agitam uma audiência morna. Gira, mesmo, foi só uma...

Da Chick aqueceu à medida que o ritmo acelerou, a ponto da audiência levar os braços ao ar em movimentos compassados, ritmados com a força do funk electrónico que animou um tanque inicialmente vazio, mas que encheu mais do que alguma vez esteve, clapping hands as they love to party. Isto é Da Chick no seu melhor, sem erros, com um tom que lhe é característico e que faz desta, uma artista pronta a encher outros palcos. Super. Atitude ao máximo. Audiência ao rubro.

Numa outra sala, cheia de história, faltou tempo às emoções psicadélicas que nos transportariam, em definitivo, para o universo de um certo imaginário alternativo cabo-verdiano. Foi mais psicadélico do que Cabo-verdiano. Não necessariamente o que eu esperava. Sai e continuei, mexendo aqui e ali, ainda entoando o refrão das duas que ficam sempre que ouvimos Da Chick, agitando-me ao ritmo de uma fest que, sem dúvida, mexe a baixa lisboeta.

Cachupa Psicadélica

Cachupa Psicadélica

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Benjamim

Benjamim

É música? Mexeu.

Quando mais esquisito mais eu gosto. Quanto mais pop mais eu danço. Quando mais difícil, mais eu insisto.

Umas mexem à primeira. Outras implicam uma segunda ou terceira... Insistência para aprender a gostar. Outras, nunca chegam a mexer. A música é assim. Mexe e faz mexer. Essa sublime capacidade de ser mais do que aquilo que está a tocar, criando contextos diferentes em cada momento e em cada um de nós. Difícil é não ouvir música.

Desconfio sempre dos que afirmam não gostar de música. Respeito os que não conhecem e procuro dar-lhes a conhecer. Aborrecem-me os que ignoram. Não sei explicar a razão pela qual gosto tanto de música. Faz parte daquelas coisas que não se explicam ou têm de explicar. Produz dopamina que nos aumenta a sensação de prazer. Por isso, não entendo os que dizem não gostar desta sensação de prazer. Mesmo que musical.

Oiço, danço, canto. Por favor páre de ler quem não o faz porque, daqui até ao fim, o texto vai mexer. Com a música. Como a música! 

Não faltam eventos musicais, concertos e festivais. Esta semana Lisboa mexe ao som da fest que a Vodafone e a Música no Coração organizam. Não é um evento, mas também não é um festival, menos ainda um concerto, porque são vários, em diferentes pontos da baixa da cidade. Este, que é o seu maior defeito - as localizações - é também a sua maior virtude, porque nos faz descobrir locais que, de outra forma, passariam despercebidos. Melhor ainda, mostra-nos música nova, tão nova que às vezes a descoberta começa quando os primeiros nomes são anunciados, cruzando fronteiras, estilos e épocas numa linguagem única, que é a linguagem musical. Novo é bom, descongestiona a alma, introduz sons que antes ignorávamos e que correspondem à ansiedade do novo. Do inesperado.

Inesperados são também alguns dos locais por onde vou passar na Sexta e no Sábado, para ouvir Tó Trips (Sociedade de Geografia), LA Priest ou Villagers, Roots Manuva (estação do Rossio), Ducktails ou Benjamin Clementine, terminando a noite num tanque, para dançar ao som de San Holo (Tanque), agitando uma piscina sem água. Vou à Casa do Alentejo para ouvir Selma Uamusse e mergulho outra vez no tanque para um som muito funky e muito electrónico de Da Chick para, depois, continuar a pairar com Nicolas Godin (ex-Air). O Palácio Foz  não voltará a ser o mesmo depois de ouvirmos Cachupa Psicadélica. Nem o Tanque, que irá, certamente, abanar ao ritmo da electrónica africana do colectivo Meu Kamba Live. 

 

 

#music #love #VodafoneMexeFest

 

 

 

Logo à noite...

...Dave Mathews Band. Uma daquelas bandas para ouvir. Ouvir. Não para deixar a tocar. Porque não serve para ouvir a toda a hora, ou a qualquer hora, menos ainda em repetição durante o dia, mas produzem aquele tipo de música que é tão bom que se torna intemporal.

Sabe bem escutar, com calma, mesmo que isso implique a atenção que raramente damos ao que toca. Não toca na rádio ou, se toca é uma excepção. O que os torna ainda melhores. Tudo o que é raro (do espanhol, para significar excelente, singular, extraordinário) provoca-nos sensações que o banal não consegue.

Não me lembro da primeira vez que ouvi estes sul-africanos, mas lembro-me de pensar que seriam norte-americanos, enquanto segurava um dos seus primeiros discos na mão.

Depois, apaixonei-me em Red Rocks porque sempre que na rádio escolhia um destes temas para tocar, olhava a capa do disco e imaginava-me lá, em Red Rocks, numa noite quente de Verão...

Gosto muito de Dave Matthews Band e não sei explicar exactamente porquê. Acho que é assim com as coisas das quais gostamos muito. Limitamo-nos a gostar, sem pensar nas razões. Como no amor a sério, aquele que acontece entre as pessoas, quando a explicação é óbvia ou fácil, é capaz de ser outra coisa. Não amor. As questões de pele não se explicam e há músicas que certamente vão tocar esta noite que me fazem arrepiar. Porquê? Não sei, arrepiam. 

🎶 urbanista meets sapato para bailar 🎶

A maior ou, antes, a melhor gratificação desta vida associada ao ensino, não acontece nas aulas. Está sempre fora delas e, especialmente, quando os alunos passam a ex-alunos. 

Tive sempre boas relações com aqueles a quem ensinei alguma coisa. Ao que sei, não costuma haver meio termo. Ou gostam, ou detestam. Depois há os que não sabem. Porque não conhecem. E preferem não gostar. Their loss, costumo dizer a quem me confidencia estas coisas.

O melhor da Universidade acontece fora dela, todos sabemos. Não falo das festas, mas sim das relações que se criam. Ao longo dos anos fui criando várias relações com alguns que são bem mais do que meus ex-alunos, muito embora a maioria continue a tratar-me por Professora. Nada que impeça boas gargalhadas nos mais variados contextos.

Todas estas pessoas são, de facto, importantes para mim. Já o fiz, por inexperiência e insegurança, mas há muito que deixei de debitar conteúdos. O meu único objectivo é conseguir que o grupo que está à minha frente aprenda algo do que posso transmitir e do que tenho para dar. Boa parte não está no programa, embora seja através deste, que atinjo outros objectivos. E, no final de cada aula, há os que falam comigo. Mesmo correndo o risco de levarem com o rótulo de graxistas. Raramente são os que têm as melhores notas. Mas são corajosos. 

Orgulho-me de ter dado pequenos empurrões a muitas destas pessoas. Não me esqueço dos empurrões que também eles me deram, mesmo inconscientemente. Um desses "empurrões" resultou no URBANISTA. Só por isso, o projecto merece respeito. A ideia foi minha. Inflamada, contudo, por uma frase simples, que ficou durante dias a ecoar-me no espírito. Obrigada por, sem saberem, fazerem disparar um novo projecto.

Porque tenho em muitos desses ex-alunos, bons amigos, convidei uma delas (que ninguém se encha de ciúmes...) para dar música ao Urbanista. O projecto é pessoal. Mostra sapatos e dá-nos música. Sempre boa. Não é apenas a música que nos une. Há mais. Por isso, é sempre um prazer almoçar com a Rita. Conversar com a Rita. Admirar os seus pequenos grandes feitos. Que os tem.

Esta semana, a música é nossa. A duas mãos.

Uma selecção que cruza duas idades mas resulta no mesmo: from Angola to Brasil, vamos bailar. Enjoy!!!

#loadsoffun #soundsurbanista #sapatoparabailar

#soundsalive. Sounds accidentally happy.

Gosto de música. Correcção: gosto muito (mesmo muito) de música. Mas estou longe de me sentir especialista ou, sequer, capaz de produzir crítica musical. Embora, por acidente, por vezes aconteça. Fico genuinamente contente quando antecipo os hits e, melhor, quando estou a curtir um concerto, a pensar naquilo que está a acontecer para, depois, perceber que a minha crítica seria igual às dos que se especializam na crítica musical. Great!!

Nisto de concertos e festivais há, para mim, duas posturas: aquela mais comum e descontraída, de quem vai para passar um bom bocado, ouvir a música de que gosta, tocada e cantada por um artista que aprecia; e a outra, menos frequente, de quem vai para apreciar criticamente, ouvir com atenção e desfrutar. Não são exactamente a mesma coisa. 

Por defeito de profissão ou simples awarkdness, não me lembro da última vez que fui descontraidamente a um concerto. Mas também não me lembro de ter ido a um festival para apreciar criticamente. Devo ser, por isso, o público mais difícil de contentar. Porque quero, simultaneamente, surpreender-me e ser surpreendida, apreciar, dançar e cantar a plenos pulmões. Curtir. Por isso entendo, mas enquanto lá estou, não consigo entender que os artistas apresentem álbuns em festivais. Que os explorem e nos deixem, até à última música, à espera do seu maior hit. Que deixem o público amolecer, dispersar e conversar, enquanto cantam, mesmo que aguerridamente, os seus futuros êxitos. Porque ninguém gosta do que não conhece. Só os que, com a sua awkwardness, lá estão com apurado sentido crítico. Ou a trabalhar. Os outros, entre the booze e outras coisas, querem apenas saltar e dançar, cantar (ou tentar), fazer os chorus quando o artista pede. Numa palavra, querem divertir-se. E isso não acontece quando não sabemos, de cor, a canção. Mas eu percebo. O que não quer dizer que seja uma cena cool...

Para saberem como foram os concertos, leiam. Não faltam artigos e notícias. Eu limito-me a dizer o que penso sobre o que vi, ou ouvi, com atenção. Porque não estou em todos ao mesmo tempo. Nem quero. E sei que os HMB lhe deram bem, com um público pronto para aquecer, ou que Crows encheram o coração de um público mais revivalista, a ponto - e não acredito e coincidências - de uma avioneta passar pelo recinto, na zona do palco principal, enquanto ouvíamos accidentally in love.

Que a Symoney e quem lhe enviou a mensagem sejam accidentally happy 💙

Passei pelos Dead Combo no momento da Lisboa Mulata e deixei-me render. Ao contrário do dia anterior, não parei no Clubbing (se calhar devia) e concentrei-me no palco principal para comprovar que o upgrade não poderia ter sido mais acertado: Sam Smith encheu o recinto e conquistou mesmo aqueles que o poderão achar demasiado pop. Ou lamechas. Abre o coração para contar a sua vida. As pessoas gostam disso. Na verdade, tem uma voz única, canta bem e brinca com as canções.

O cair da noite repetiu Chet Faker que esteve no Coliseu na passada semana. Pena Stromae ter cancelado, embora Chet tenha dado bem conta do recado na transição do dia para a noite. De volta ao Heineken, para ver, do início ao fim, Azaelia Banks. Há duas músicas que me prendem, que me fazem dançar e cantar como se o amanhã não existisse. Já a vi em outras ocasiões e, muito embora tenha dominado o palco, com a sua suave agressividade (talvez a postura feminina, o sorriso e as palavras carinhosas sejam o que basta para quebrar alguma violência nos gestos, nas palavras e no seu rap radiante, mas sonoro), nem sempre agarrou o público que, com a proximidade da hora dos Disclosure foi abandonando a área. Ainda bem. Prefiro estar entre os que gostam verdadeiramente. Não estranham os gritos, os chorus, os saltos e o movimento. Pelo contrário, acompanham!

Finalmente, Disclosure (outro upgrade de palco) numa abordagem que oscilou entre o quase- rave, diferente de outros sets que já conhecia e que estão em todos os suportes em modo repeat, e o tomem-lá-o-que-estavam-à-espera. Ou eu estava cansada, ou já me faltavam as pernas ou não consegui acompanhar uns Disclosure frenéticos. O espectáculo visual e a participação do Kwabs, contudo, encheram-me o coração....

#nosestamosalive

#nosalive também é em Português e isso é motivo de orgulho 💙

Não é louca (sereia louca), mas (quase) levou à loucura os que encheram (lotaram) o palco Clubbing. Capicua poderia ter estado em qualquer outro palco. Este seria sempre pequeno para a poesia e a força desta rapper do Norte. Mais a sul, com os ritmos africanos no corpo e a palavra como arma de intervenção, Batida encheram-me o coração. Dj Kamala, também em Português, com dois sets entre Capicua e Batida, que cederam o palco a Moulinnex, para nos levar  Elsewhere. A produção é boa, a música também, mas a voz às vezes desafina.

Ao lado, Future Islands. Keep it simple. Foi assim. Porque também é assim o #nosalive.

Beauty (as always) is in the details... Especialmente quando são #organic e sem gluten! 

#lookingalive #thecru_healthyfood #nosalive

#lookingalive

Um dos maiores e melhores da Europa. Aquele ao qual a maior parte das pessoas vai pelo cartaz, com os melhores headliners da Europa e um sol fantástico. Sim, that's #nosalive

#mustlistento

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must listen to desta semana não é meu, não foi feito por mim, mas fui eu que o escolhi, por isso, fica aqui.

São os Disclosure. O full set no Pitchfork Music Festival em Paris.

Meia hora (mais do que eu vos dou todas as semanas) de uma certa electrónica que, de repente, apareceu e se instalou. Ainda bem.O próximo disco está on the making e já temos uma amostra (está também numa das últimas playlists, podem ouvir aqui). No entretanto... Dancem. Muito. Dançar faz bem. Muito bem...

#mustlistento #songstheradioforgottoplay #disclosure

(ao) espelho

Invariavelmente, o que vemos ao espelho é o nosso reflexo e não tanto a imagem que projectamos nos outros. Essa, depende de inúmeros aspectos que não controlamos e que resultam, em grande medida, da roupa, do que vestimos, do estilo predominante. Os gestos e modos, as palavras e as frases que usamos, o que ouvimos e cantarolamos também nos determinam perante os outros.

Quem me conhece sabe que novelas e afins só por mero acaso, a ponto da televisão passar dias desligada. Perco-me na música, nos livros, na web, a ouvir rádio... E foi na rádio que ouvi uma música que pouco tem a ver comigo mas que me ficou no ouvido. Daquelas que nos ficam e que acordamos a trautear sem saber a letra ou o ritmo, menos ainda o artista. Chama-se Diogo Piçarra. Não sei se está na moda. Se não está, devia. Canta bem. E, porque não vejo televisão, não fui alvo do preconceito que, entretanto me apercebi existir, por ser "made in Idolos". So what? O programa não existe para descobrir talentos? Mal é quando são fabricados. E não me parece que seja o caso, pois para além daquela-de-que-todos-já-devem-saber-que-estou-a-falar porque está numa das novelas da noite, o disco tem outras tão boas ou melhores. Não é pior do que muitos artistas estrangeiros que idolatramos e cujas canções ouvimos de mão dada ao fim da tarde, na praia, ou enrolados num carro de vidros embaciados, bocas unidas numa só com a música a embalar os beijos que teimam em não acabar...

Logo à noite vou comprovar se, ao vivo, o Sopro é Verdadeiro para nos oferecer um concerto Perfeito. Será este "alguém que (me) conquiste sem"?... 

Para já, conquistou-me a sua simplicidade, amabilidade e simpatia. A calma e a paciência para conversar. O tempo roubado ao ensaio para descobrirmos que, afinal, até temos o sushi, a moda e a música em comum. Alguém a quem a vida sorriu quando decidiu dedicar-se ao que o apaixona. Esse, é o maior ensinamento que daqui podemos retirar: quando estamos apaixonados, tudo o que fazemos, fazemos bem. Entre bateria, piano e guitarra desafiei-o a responder às hashtags do urbanista. O resultado não poderia ter sido melhor...

#Espelho #DiogoPicarra #music

cool kids

Para além de locais muito cool como o Lux, nunca tinha visto um Dj actuar. Os live acts não eram uma cena dos meus tempos de adolescente. As bandas davam concertos. Os Dj’s raramente saíam da cabina.

Também antigamente, quando os meus pais eram pais e eu era filha, não era nada cool os pais fazerem o mesmo que nós, adolescentes, fazíamos. Era uma regra. Os pais eram velhos e faziam coisas chatas. Os outros, menos chatos, eram raros e eram os pais hippies, artistas ou excêntricos. Mas, como a geração seguinte reage sempre à que a precedeu, criou-se uma certa tendência para fazer os filhos acompanhar os pais. E não estou a falar de jantares em família. Os pais de hoje tem um estilo de vida tão ou mais cool do que o dos seus tweenies ou adolescentes. A diferença está no poder de compra: é muito comum vermos pais e filhos, ou os pais e os filhos dos outros nos mesmos eventos. Não sei se nos recusamos a envelhecer ou se os 40 são mesmo os novos 20, gozados com mais estilo. Bons restaurantes de sushi enquanto eles vão aos de all You can eat e zonas VIP nos concertos enquanto eles estão na molhada. Comecei por estar na molhada e ainda gosto. Mas já me sabe ficar confortavelmente a curtir a música numa zona mais recatada. 

Só não entendo alguns pais que vejo nos concertos, sentados. Não conhecem a música, estão no Facebook e até o resumo do jogo de futebol conseguem a ver. No meu tempo o pai de alguém trazia dois ou três e o pai de outro vinha buscar. Agora ficam. Mas não curtem. Ou curtem à sua maneira… Há, de facto, uma razão para os putos terem migrado para o instagram e snapchat... Estão todos no Hardwell, com pais ao lado, mas em mundos diferentes....

#music #Hardwell #dance