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Somos 103. E sou a 3ª na minha categoria ツ

© Revista VIP

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Todos os dias me questiono sobre as minhas opções. Todos os dias oiço aquela vozinha interior dizer que não vale a pena. Tantas outras vezes oiço outras vozes, pequeninas, dizerem-me que não é possível. Que escrevo em inglês para os meus amigos estrangeiros e que isso é arrogância. Talvez seja. Ou talvez eles, os amigos e os outros, também mereçam a minha atenção. Não é arrogância. É viver além dos limites da nossa fronteira. 

Nós por cá temos esse estranho hábito de apreciar o que vem de fora e valorizar os que tiveram sucesso por lá. Talvez tenham sido as décadas de isolamento salazarista que nos fazem pensar e agir assim. A música vinha de fora, as novidades eram introduzidas à socapa, quem podia viajar tinha a oportunidade de ver coisas e conhecer pessoas que de outra forma não era possível. Depois, uns fugiram, outros emigraram e alguns exilaram-se. Novamente, lá fora. Nessa extensa Europa e nas Américas, que se transformaram numa espécie de destino aspiracional para quem queria fazer o que aqui era proibido ou estava limitado.

Há muito que esse tempo acabou, embora perdurem em todos nós tiques e traumas de uma época que marcou, de forma indelével, a História do país. Também eu me deixei atrair. Mercados maiores e com outro grau de sofisticação, personalidades marcantes e uma dinâmica que nos faz sempre sentir que sabemos pouco, ou que precisamos de ser melhores. Ser bom não chega. A excelência é difícil atingir porque há muitos que são bons e não faltam os muito bons. Ser reconhecida entre 103 mulheres neste sector em todo o mundo enche-me de orgulho. Ser a única portuguesa prova que não me enganei nas opções e que este perfil, tantas vezes criticado por combinar a Academia com a prática profissional pode, e deve, ser valorizado. Ser a 3ª na minha categoria demonstra aquilo que todos sabemos. Raramente o problema dos portugueses é a capacidade de trabalho. Muitas vezes o problema é a liderança. Ou a falta dela. 

Não sou mal agradecida e nunca esquecerei oportunidades, apoio, entre-ajuda, companheirismo e partilha com alguns profissionais e académicos Portugueses que respeito muito e sei que ambém me consideram bastante.

Perdoem-me os haters do costume mas deixei de esconder as minhas conquistas. Estou certa de que há mais profissionais e colegas na Academia felizes com a noticia (e que a valorizam) do que os que se deixam asfixiar pela inveja. Afinal, se eu não gostar de mim, quem gostará? 

Mad Men? Sorry folks, we're bigger than that. 

Women have been for long poorly represented in public events with male panels dominating the scene. The lack of gender diversity is evident and journalism.co.uk noticed that. To help raising the voice on this issue they have just published a list of the 103 most influential women in media all over the world. This is a a list of women and gender non-conforming journalists, editors and executives who are among the best in their field and I am proud (very proud, indeed) to be part of it!

Take that fellow haters!...

rádio? RÁDIO.

No dia mundial da rádio de que poderia eu falar? Isso. Rádio. Essa paixão me nos move a qualquer hora do dia ou da noite, para nos fecharmos num estúdio e comunicar com o mundo. Pode não ser o mundo no seu sentido literal. É certamente uma parte do mundo ou um mundo que construímos para nós e aqueles com quem partilhamos aquela emissão de rádio. Só quem faz ou já fez rádio sabe do que estou a falar. Dessa espécie de vírus que se instala e, mesmo adormecido, está presente, em estado latente, à espera de ser despertado. 

Não conheço quem tenha passado pela rádio sem se apaixonar. Mesmo quando abandonam a rádio - e há muitos e diferentes motivos para tal acontecer - continuam a sentir-se da rádio. Proclamam a quem quiser ouvir que esse é o meio que os define. Já o ouvi várias vezes e tenho muita pena das razões que levam tantos profissionais a abandonar a rádio. Nenhum tem a ver com esta paixão ou o seu desempenho profissional, mas com uma estrutura de mercado que não garante espaço para todos. Sequer para todas as estações de rádio. Dimensão do mercado.  Nada mais.

Hoje é o dia mundial da rádio e eu sinto-me feliz por isso. Não estou a fazer uma emissão de rádio mas escrevi três artigos diferentes sobre a rádio e ontem lancei um livro que (também) fala de rádio. Impossível negar que a rádio é, também, a minha impressão digital.

 

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