foodtrucks

Foooood. Street Food!

I know... I know... Parolice achar que street food é o máximo. Piroseira ficar excitada porque alguém decide juntar vários veículos que vendem comida. Provincianismo querer experimentar.

Longe vão os tempos em que comer torresmos numa roulotte era o que se entendia por street food. À porta dos estádios, em dia de futebol. Depois, as bifanas e pão com chouriço. Cerveja. Muita. Nos estádios, em dias de concertos. Mais recentemente, hambúrgueres e pita shoarma. Em roullotes à saída das discotecas ou estrategicamente posicionadas na Marginal, perto da praia. Ponto de encontro, para petiscar e conversar. Passar o tempo. Íam(mos) àquela roullote porque era melhor do que as outras. Não sei. Não me lembro de alguma vez ter comido nessas roullotes. Talvez o tenha feito. Não sei. Presunção? Chamem-lhe o que quiserem, na verdade não sou de comer bifanas, shoarma ou hambúrgueres. Especialmente quando me parecem feitos de tudo menos carne. Hambúrgueres gourmet eram coisa desconhecida, nessa altura. Vivíamos os loucos anos noventa...

Depois comecei a viajar. Mais e melhor. Cada vez com maior frequência. A perceber que ainda havia muito para fazer ou descobrir e que não era aqui que iria encontrar. Comer na rua, em andamento é algo que não nos entra. Tomamos um pequeno almoço (mesmo pequeno) em pé, apertados num balcão para beber uma bica e trincar um croquete (um pastel de nata, uma sandes mista, ambos clássicos) mas não somos capazes de sair à hora do almoço, comprar um sumo de fruta, escolher uma bagel rica em ingredientes pouco Portugueses e terminar com um balde de café (ou cappuccino para ser mais exquisite), num copo com tampa, para levar para o local de trabalho. Não. Almoçamos de prato, naquelas tascas junto ao trabalho, novamente apertados, com conversas que se misturam, cheiros intensos que nos seguem o resto da tarde, agarrados à roupa. Depois, a biquinha. Para alguns, o cigarrinho. Tudo a acabar em inho(a) em oposição à tendência ampliadora de outros países, nos quais a street food é tão banal quanto o nosso torresmo.

Não fui estrear, mas não vou deixar de ir antes que termine o Street Food Festival em Oeiras. As opções são muitas, para comer, na rua, ainda que não seja exatamente NY style... 

Comer. Orar? Amar.

A ordem talvez não seja exactamente esta... 

O que comi em quantidade perdeu-se em qualidade. Por prazer. Pura vontade. Muito açúcar. Hidratos. Muita gordura. Decidi acabar ontem à tarde no #Estorilstreetfood15, o primeiro festival de street food em Portugal.

Gosto de comer bem, mas sobretudo gosto de ir comendo. E de ter a possibilidade de ir experimentando, on the go.

Quando visitamos uma cidade, passamos parte do tempo na rua, caminhando. Numa esquina crepes. Mais à frente, piadina. Depois, waffles.  Sumos de fruta. Cachorros. Guacamole. Pizza a Pezzi. Gelado. Coffee to go... 

Clockwise: Belgian style waffles (com chocolate Belga) WAFFLERIA; Gnocco com salami MOZAO; Cappuccino, Copenhagen Coffee Lab; Gnocco Carbonara com pancetta.

Na Europa e Estados Unidos é comum comer-se na rua. Na América Latina também. Por cá, somos ainda demasiado conservadores para viver assim, descontraidamente. Pode mudar. Tem de mudar.

Quando anunciaram o Street Food European Festival fiquei pronta. Depois, vi tantos comentários negativos, tantas críticas à organização, tantas queixas no Facebook que estive quase a desistir. Mas foi também isso que me motivou a espreitar. Não seria possível tanto amadorismo. E não era. Foi uma infeliz coincidência que juntou novidade + gente + fome + uma tarde de sol. Estive ontem, ao final da tarde, nos Jardins do Casino e gostei muito. Há pormenores que certamente serão melhorados no futuro mas, para já, comi muito bem. E não é por isso que lá vamos, para comer?...