foodieteller

Comemos mal. E ainda gostamos.

Ignorei, propositadamente todas as opções saudáveis que vou partilhando no Instagram.

Escolhi hamburgers. Muitos hamburgers. E croissants. E muffins. Batatas fritas. Coisas com muita gordura. Com hidratos. Daqueles que nos fazem mal. Que se transformam em açúcar no processo de digestão e se acumulam no organismo, sem qualquer valor nutricional. Há também os conservantes e intensificadores de sabor que tornam certos alimentos mais apelativos e supostamente saborosos. Nada bom.

Calorias a mais, nutrientes a menos.

Diz o artigo publicado no Expresso que cada Português come por dois. Dizia-se (diz-se?...) muitas vezes a uma grávida que deveria comer por dois. Na verdade, uma grávida deve comer para dois. O que é radicalmente diferente. Também não precisamos comer muito para ficar satisfeitos. Precisamos comer bem. Acusamos a falta de tempo ou dinheiro para justificar as nossas escolhas e preferimos encher a barriga a comer. Há uma diferença muito grande entre matar a fome e ter uma alimentação cuidada. Estamos cada vez mais preocupados em matar a fome sem pensar muito nisso. As consequências começam quase imperceptíveis, revelando-se no nosso comportamento, no aspecto do cabelo, das unhas ou da pele. Estas, vão gradualmente assumindo outras proporções e são responsáveis por várias doenças (graves) que o Expresso enuncia.

Preocupo-me com a minha alimentação, o quando e o como. Onde compro, e a origem dos produtos. Já escrevi sobre canela e a sua suposta capacidade para nos emagrecer, a lei das compensações, a carne processada e o açúcar. O terrível açúcar. Na verdade, estou sempre a confrontar-me com a alimentação. Sem obsessões, compreendendo que não existem dietas mas sim, opções alimentares.

A minha é uma opção saudável com desvios à rotina que me dão prazer.

Os #guiltypleasures que todos temos e dos quais não devemos abdicar, porque nos fazem felizes. Moderação, será a opção correcta.

Eu respondo à pergunta: porque as leguminosas excelentes não são baratas e não estão nas grandes superfícies, os melhores morangos estão vendidos antes de serem colhidos, as melhores folhas não chegam à cidade ou, quando chegam, não chegam a todos.  Entre outros, de menor dimensão, existem excepções, como a fruta feia ou os mercados biológicos aos sábados de manhã. Mas não chegam. Por vezes, não chega o que levamos na carteira. O mal não está nos produtos. Estás nas carteiras cada vez mais vazias.

Há também o marketing agressivo das grandes cadeias de fast food e os aditivos que estes alimentos têm, provocando uma certa adição insconsciente que leva muitas pessoas a preferir pagar exactamente o mesmo, por uma refeição de menor qualidade. Como se escreve no Expresso, há uma insuficiente educação para a saúde e a economia familiar tende a ser responsável por estes hábitos, uma vez que como também refere o Expresso, são os mais pobres que se alimentam pior. E isso, não é bom.

Dietas? Façam-nas vocês.

Sai com uma missão: encontrar inspiração para novas receitas, reinventar pratos e formas de cozinhar alimentos. Depois de várias semanas num registo entre o gourmet e o alarve, as consequências são visíveis e sentem-se a cada vez que coloco um pé no Studio... Quando entro já sei que estou cansada e quando acabo, venho de rastos. O ritmo é o mesmo, eu é que estou enfartada em hidratos e açúcares. Not good. Prejudicam muito o rendimento. E não consigo voltar ao registo do equilíbrio com proteína e vegetais em predomínio e hidratos compostos para acompanhar porque... Não. 

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Entrei numa livraria porque sim. Não procurava nada disto mas quem resiste a um livro de dietas com pão de hambúrguer na capa? Será, no mínimo, divertido, pensei...

Diz a autora, com razão, que as dietas não são divertidas. Está provado que uma dieta demasiado restritiva tem resultados a curto prazo e consequências no médio prazo, além do indesejável efeito iô-iô. 

Afirma que ninguém quer passar o resto da vida só a comer alface. Eu sei que não quero. Mas preciso de inovar a minha cozinha que oscila entre o muito saudável e intragável e o muito apetitoso mas impossível de comer todos os dias. Quero coisas apetitosas, fáceis de preparar e apelativas todos os dias. Contrato o Jamie Oliver!?

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A ideia de petiscar substituindo o almoço não me parece coerente porque me arrisco a um ataque de fome ao fim da tarde para enfardar aqueles hidratos que, mal entram, transformam-se em açúcar, mas que sabem mesmo bem. Não sei. Fiquei com dúvidas...

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Do outro lado da bancada, a Ella, que tem uma doença que a obrigou a reinventar a sua alimentação, é uma inspiração. Não sei quanto tempo passa na cozinha e já tinha lido a sua história e algumas das suas receitas numa revista. O livro é lindo. Mas isso não significa que me convença a cozinhar. As receitas parecem saborosas. E tempo para isto?

O tempo é o que fazemos dele, pensei. Folheei o livro e, na ânsia de encontrar o que procurava tirei fotografias tremidas mas voltei inspirada. perdi uns minutos na sua conta do Instagram e vou fazer experiências. Dietas?! Façam-nas vocês. Eu quero é comer bem, sentir-me melhor e estar saudável.

Salada e outras coisas assim para o saudável

Mistura Ibérica com mozarela, pesto, tomate e presunto (assim-assim saudável...) 

Mistura Ibérica com mozarela, pesto, tomate e presunto (assim-assim saudável...) 

Emagrecer sem fome. Emagrecer com fome. Emagrecer com hidratos. Emagrecer sem hidratos.

Os bons. Os maus. Os terríveis. Os doces. Decidi voltar ao modo saudável. Não é que necessite de me impor muitas regras porque, no essencial, já pratico a ideologia das papas de aveia, dos sumos, das sementes e de outras coisas que subitamente ascenderam à ribalta, tornando-se nos must do dos adeptos de um estilo de vida saudável. Parece que encontrámos todos, agora, o último Graal, evangelizando outros para esta espécie de religião através dos sites de redes sociais. Com o Instagram a liderar. 

Mea culpa. Também lá coloco fotografias de sumos, sementes e saladas. Compensadas com outras que dão (mesmo) água na boca. As regras servem para serem quebradas e não há regra que se preze que não possa dar-se a esse luxo que é o prazer de comer. Gosto de comer mas sou muito preguiçosa. E selectiva. Não havendo o que quero ou o que gosto, não como. E perseverante. Se é para saltar a sobremesa, salto. Se é para comer salada, como. Mas custa-me horrores. Não sei quanto a vocês, mas verdes no Inverno, só espinafres. Ou rúcula. Da que vem a enfeitar o prato. Tudo o resto me sabe a papel e dá azia. Depois, apetece comer um doce para compensar aquele mau estar no estômago. Mas, assim, lá se vai o efeito saudável da alface. Ou da mistura de alfaces. E do tomate. E do que os acompanha.

Estas coisas têm de ser feitas devagar, em pequenas doses até não sermos capazes de comer um cheeseburger. O problema é que somos sempre capazes de dar cabo de um cheeseburger. Ou de um bolo de chocolate. Mas tentamos. E começamos por uma salada apetitosa, mesmo que tenha presunto e pesto, contrariando subliminarmente a ideia da escolha saudável. Mas tentamos.

Amanhã tento outra vez. Mais um bocadinho. Devagarinho, para me esquecer das waffles, das frites, dos burgers, das pastas, dos donuts. Porque é que o pecado é tão bom?

a malta gosta é..

... de comer.

Disso não tenhamos dúvidas. Comer e conversar, está no começar. E sim, tudo o que aqui aparece, comi. Ou provei. Não publico nada que não saiba o que é, que não possa descrever, que não conheça o paladar. Deveria engordar? E engordo. Mas, depois, voltamos ao início: à Lei das Compensações. "Mas isso é porque não tens tendência para engordar". Seja. Se vos faz sentir melhor, com inveja ou qualquer outro sentimento, pois que seja. Este artigo é sobre comida. Não sobre como a enganar para não nos engordar.

Nos Estados Unidos comi muito, com muita variedade, embora Itália tenha dominado as opções.

Por isso, os detalhes actualizados desse artigo, para ler aqui.

Hoje, a versão belga dos acontecimentos que nos juntam à mesa. As frites estão em quase todos os pratos e as waffles em cada esquina. A cozinha resulta de um fluxo de influências, dominado pela cozinha francesa. Será que hoje podemos verdadeiramente falar em gastronomias locais? Não estaremos todos demasiado ligados para garantir a uniformidade de um determinado tipo de cozinha? Há, efectivamente, locais que preservam a gastronomia de acordo com as suas origens. Alguns em Lisboa. Mas prefiro os fluxos e fusões que me trazem à mesa uma mistura por vezes difícil de decifrar, como este brunch, num restaurante japonês que decidiu experimentar abrir ao Domingo para servir uma refeição que tem tudo de original. Como qualquer brunch, mistura o pequeno-almoço com o almoço, numa abordagem oriental, com saladas baseadas na gastronomia japonesa, couscous que lembram o mediterrâneo, tsukimi soba, ramen de galinha ou arroz com legumes e frango, acompanhados de um pão de mirtilos ou, simplesmente, ovo mexido. Para além das waffles, este brunch...

Un jour à Antwerpen

Antuérpia não é a Bélgica. Na verdade, é. Mas não sei bem o que é a Bélgica - e tenho para mim que eles também não. Um dia conheci Bruxelas. A suposta capital da Europa, como a maior parte das capitais não é exemplo de um país. Depois, Leuven e pensei que era muito diferente da capital. A seguir aquele cantinho especial que é Ghent onde se fala mais neerlandês do que francês, no qual fiz mal figura expressando-me em francês para me responderem em Inglês. Por momentos enfiei-me num buraco pensando que a minha pronúncia seria para lá de má. Nunca tal me tinha acontecido em França. Mas há sempre uma primeira vez para nos meterem no lugar a que cada língua pertence, pensei. Ainda os achei arrogantes e insisti na prática, para depois perceber que falam melhor inglês do que francês e que o francês é uma coisa pouco praticada por aqui. Agora, em Antuérpia, confirmei o que já devia saber. Deixar o francês no bolso e sacar do meu melhor inglês, que todos falam e entendem. Porque neerlandês ainda não explorei. Não entendo e o que leio parece sempre algo que na realidade não é. Talvez um dia.

Neste dia em Antuérpia não vi muito mas gostei. Voltarei, certamente, porque é daqueles locais que nos acolhe sussurrando que devemos voltar para conhecer melhor. Não sou a melhor pessoa para o habitual sightseeing e já perdi a paciência para correr os pontos turísticos, tirar fotografias para as quais só voltarei a olhar quando arrumar pastas de fotografias (que nunca acontece, certo?) e selfies sem selfiestick que nos mostram em ponto grande, escondendo o cenário. Por isso, há muito que adoptei duas opções: guardar na memória o que vejo e ser romana em cada local que visito. Actuar e agir como os locais, percorrendo os seus percursos, frequentando os seus locais e as suas lojas é o melhor que podemos fazer. Naturalmente que nem sempre é possível mas, as partilhas na rede, as recomendações e os sites que contam os segredos das cidades são uma grande ajuda. Talvez por isso vá encontrando muitos (alguns) turistas em alguns locais supostamente "locals only" em Lisboa. É o preço a pagar. Eu pago.

Contam alguns belgas que Antuérpia é para compras. Venho convencida. Lojas maravilhosas,  algumas, de cadeias internacionais, só supostamente são iguais às nossas: escolheram imóveis históricos e mantiveram a traça original. O que lhes dá um toque muito especial, porque entramos para ver duas coisas, a arquitectura e as futilidades que têm para vender. Há bons saldos e variedade, apesar da afluência. Novamente, o preço a pagar. Há que partilhar, mesmo que alguns entrem naquela loucura dos saldos e invadam lojas como se o mundo fosse acabar e precisassem mesmo daquele par de sapatos. Não precisam. Mas o mundo pensa que sim.

Gosto sobretudo da descontracção destes países. Quanto mais a norte melhor. Menos presunção e mais individualismo, menos água benta e mais variedade. Comer na rua não tem a sombra do fantasma da ASAE - era mais perigoso e menos saudável, mas éramos um bocadinho, nem que fosse só um bocadinho, mais felizes antes desta agência tentar tornar as nossas vidas totalmente assépticas, não éramos? Eu acho que eles são. As waffles que se vendem na rua são maravilhosas e nos cafés, patisseries ou boulangeries, não sinto aquela pressão que existe sobre nós das regras e higienização. Para além de que em qualquer lugar podemos optar por "emporter" e acompanhar o nosso passeio de um saboroso cappuccino. Quente. Para aquecer as mãos.

Não é tudo bom e há muitas coisas que funcionam de forma diferente. Não necessariamente mal, mas diferente dos hábitos nacionais que não serão todos criticáveis. Seja como for... Antuérpia é local para estar muito mais do que um dia. Dos museus aos locais históricos, há muito para ver e pontos maravilhos para parar e comer. Não serei foodie, mas tenho uma veia de teller que me faria contar muitas estórias de comida. Porque aquilo que encontramos fora de portas é sempre diferente e digno de registo. Amanhã, estórias de fazer crescer água na boca, com sabor belga.

Comer e conversar...

É sempre a mesma coisa. Muita efusidade com a aproximação do final do ano e o começo de outro como se não fosse, concretamente, a passagem de um dia para o outro. Resoluções e grandes decisões para começar no ano seguinte (que é, concretamente, o dia seguinte), dietas prometidas, actividade física até cair de rastos, cigarros no lixo e álcool nas prateleiras. Sempre igual. Agora é que vai ser como se o que sempre foi não fosse o de sempre e o de sempre fosse o que virá a ser. Não é e todos sabemos. Gostamos é desta ideia romântica da mudança porque, mudar, ninguém gosta. Exige uma decisão, persistência e perseverança. E isso, perde-se ao longo dos dias. Não é? Hail aos que respondem "não, não é".

Por cá é assim mesmo. Como até fartar em Dezembro e entro o ano apertada nas calças, faço compras tão saudáveis que só de olhar para a despensa esmoreço, quando abro o frigorífico fecho-o novamente. Sinto fome e continuo a comer porcarias porque o corpo facilmente se habitua ao doce e ao salgado, comida apurada que apela aos sentidos, que se instala nas ancas e nos persegue à frente e atrás. Especialmente atrás.

Certo. Para aqueles e aquelas que realmente engordam nesta altura - ou em qualquer altura, desde que não vivam monasticamente - cometo uma heresia ao queixar-me. Não se nota. Afirmarão. Noto eu. Importo eu. Importa-me a mim. Um mês a comer mais castanhas do que qualquer outra peça de fruta, fritos gourmet e toda a espécie de delicacies, umas mais fast do que as outras, tem consequências. Se a isso juntarmos uma prática errática, com umas corridas aqui e a li para fazer de conta que me mantenho em forma, então sim, é tempo de cortar com o que faz mal: hidratos fora de horas, salgados quando apetece, vinho e sobremesas. Como já aqui fiz referência antes, é a lei das compensações sendo que quem não queima, reserva. E quem reserva...

Este é o relato de quinze dias na terra do fast food onde se come melhor do que fast. Há uma diversidade qua não acaba e uma ausência de moderação que vai do fast ao gourmet e, deste, ao excessivamente caro. Mas garanto que os Estados Unidos serem apenas fast food é um mito. Mesmo numa lógica fast pode comer-se de forma equilibrada a preços razoáveis, em cadeias que também existem na Europa e outras vocacionadas para uma alimentação (mais) saudável. Afinal, não há só Mac's, Wendy's, Kings, Bells, Johns ou Queens... Au Bon Pain, Panera Bread, Prêt-a-Manger, Chipotle, Einstein Bros Bagels ou Jamba Jiuce também se encontram com muita facilidade. Mas, de facto, há uma razão para cada agente da lei ter um donuts na mão. Chama-se Dunkin' Donuts e, confesso, não lhes resisto.


PS: Quando me pergunta se comi tudo aquilo, a resposta verdadeira é esta "comi, pois. E, se não comi, provei ou partilhei". Pois.


O mar

Down there, the Atlantic

Down there, the Atlantic

Este artigo nada tem a ver com o mar, mas nada mais me ocorre quando estou há várias horas a sobrevoá-lo.
Ia escrever uma nova frase quando reflecti melhor porque, de facto, não viajo muito. Desloco-me muito, quase sempre para os mesmos locais, durações curtas e incisivas, bagagem de cabine, rapidez e leveza nas pernas. Não é isto, viajar. E, porque raramente viajo, feita turista, carregada de bagagem e tempo a perder, contamino todos à minha volta com estes hábitos eficientes, embora terríveis para quem não os tem. Ou quem não precisa deles. Sobram para mim as escolhas, os detalhes dos produtos de higiene, as dobras na manga  da camisola, a separação entre o essencial, o acessório e aquilo que gostávamos mas abdicamos.
Viajar é abdicar para conquistar. Abdicar dos que ficam para nos concentrarmos nos que vão, do que temos ou gostamos para ficarmos com o que realmente importa, porque a mala é só uma. Há sempre mais um par de calças ou sapatos. Aqueles que deveriam ter ficado para garantir o lugar dos outros que encontramos e nos deixam a bagagem a ponto de não fechar.
Viajar é perder para ganhar. Perdemos tempo na ida mas conquistamos um outro tempo que não tem preço, aquele que só quem vai conhece, porque voltamos sempre mais do que fomos. Mais abertos ao mundo, tolerantes, capazes de apreciar o que antes não víamos. Porque ainda não havíamos visto. Experientes, repletos de novos sabores, que conhecíamos apenas dos filmes.
Viajar é mais do que isto e começa no momento em que pensamos ir. As escolhas são múltiplas e infindáveis. Já não nos limitamos a comprar um bilhete e uma estadia, levamos daqui um roteiro que esteve nos livros e passou a estar no bolso.

A internet mudou o que fazemos e como fazemos, mudando principalmente a forma como viajamos. Procuro o hotel e quero saber o que dizem os outros sobre as instalações e o pequeno almoço, coloco-me na rua, à porta, para concretizar a sua localização, defino roteiros em função dos locais que quero visitar, sabendo que demoro 10 minutos a pé de um ponto ao outro e selecciono, ao detalhe, onde janto, criando pequenas experiências gourmet que antes eram quase impossíveis. Havia sempre quem pudesse recomendar mas, agora, sei quais são os restaurantes e joints que quero visitar porque os encontro num mapa, com fotografias e descrições. Perde-se na descoberta, no local, ganha-se tempo e a (quase) certeza de que vamos comer bem. Estou a caminho de um daqueles locais com pouca reputação gastronómica, por ter adoptado a gastronomia de outros, criando uma nova, um pouco indiferenciada. Mas estou, sem dúvida, cada vez mais a transformar as minhas viagens - aquelas longas, com tempo e mala de porão - em pequenos roteiros gourmet, para descobrir os detalhes que fazem a diferença. Saboreá-los.

Com o tempo que os turistas têm.

Entre (III)

Nos Açores ouvi as mais encantadoras histórias sem, contudo, se tratarem de estórias de encantar. Na Horta, que todos conhecem pelo Peter Café Sport descobri a história de um espaço feito de pequenas estórias dos que cruzam os mares. Esses aventureiros, como ficam conhecidos no Faial. Tudo começou no século passado, uma loja de produtos artesanais que depois também vendia bebidas. Que cresceu para passar  a ser uma espécie de entreposto para navegadores e que se assumiu como Peter por razões que apenas o coração pode conhecer.

O Peter nunca se chamou Peter mas foi assim que se tornou conhecido. A história, contou-me pessoalmente José Henrique, o seu filho e a terceira geração a conduzir o espaço mais famoso do oceano Atlântico, no qual o bife e o gin&tonic fazem as honras da casa. Acima de tudo, o que distingue este Peter é a amabilidade acolhedora com que nos recebe, mesmo tendo atravessado o mar num avião. Isso não importa para quem se orgulha da sua história e gosta de a partilhar.

Há muito que não conversava com alguém com apontamentos de história tão interessantes, com tantos pequenos segredos e detalhes como o José Henrique, actual proprietário do Peter Café Sport e do museu Scrimshaw (*) cujo espólio depende unicamente de uma seleção estética feita ao longo do tempo.

A sua narração visual levou-me atrás no tempo, situando-me num Faial centenário, no tempo da instalação de cabos submarinos, caça à baleia e em que este era um dos mais importantes portos do mundo. Não faltavam navios, companhias inglesas, alemãs e norte-americanas que criaram um movimento de gentes e ideias, bem como estórias de baleeiros e da importância da caça à baleia para a economia local. O Peter, que sempre ajudou o pai no negócio e também trabalhava num navio estacionado no Faial para reparação durante a II Guerra Mundial, na verdade era Português e não se chamava assim. Tornou-se conhecido como Peter por ser parecido com o filho do comandante do navio no qual trabalhava. A saudade, juntamente com a aparência do jovem José transformou-o em Peter a pedido do comandante. Para a vida. Enquanto Peter, ajudava o negócio familiar tendo-o transformado naquilo que é hoje: um ponto de encontro e de apoio aos navegadores. Começou por tentar ajudar os que aportavam e que, por razões de saúde não podiam abandonar os veleiro antes de um atestado de saúde ser certificado pelo médico local o qual, por razões que se entenderão, só se deslocava ao Porto quando navios cheios de gente aportavam. Pobres navegadores que chegavam a estar semanas ancorados sem poderem vir a terra. Verdadeiro percursor do marketing de serviços e do marketing relacional, era o Peter quem os ajudava, visitando-os e assegurando ao médico que estariam de boa saúde, levando-lhes os atestados assinados e carimbados, convidando-os igualmente a conhecerem o seu café e oferendo ajuda pararesolver qualquer problema mecânico ou técnico na embarcação. Ligava pessoas entre si e passou a ser a posta restante na ilha, transformando a forma de comunicação entre navegadores, bem como com os que estavam em terra. As cartas passaram a ser enviadas para o Peter Café Sport e o painel superior do balcão ficava recheado de recados, para transmissão de mensagens entre navegadores. Único. Brilhante.

Hoje, a sua relevância para a comunicação no mar é menor, mas não desprezível. Continua a ser o ponto de encontro que sempre foi, com bifes tenros como nunca antes comi, um creme de batata doce de raspar o prato e o gin que dispensa qualquer comentário...

Resta apenas perceber a designação Sport, que tem uma explicação muito simples. Influenciado por ingleses e norte americanos, foi Peter o percursor do desporto na ilha, como adepto e praticante, razão pela qual também esse aspecto da sua vida ficou reflectida na designação deste local, mais pequeno do que imaginamos e, no entanto, enorme na sua dimensão, estendendo-se, por via marítima, a todo o globo.


(*) Scrimshaw é a arte de gravar imagens nos dentes de cachalote, num processo minucioso que exige precisão e abstracção para trabalhar em negativo, ou seja, os traços que são gravados no marfim serão depois cobertos de tinta. O que permanece branco será o contrário daquilo que estaríamos a ver sem tinta. Complexo? Sim, até para explicar. Mas não para apreciar, porque a colecção merece ser vista ao vivo.


Entre (II)

Fui aos Açores mas, de todo, conheço os Açores. Se comparados a uma grande metrópole, nada acontece nas ilhas. Marasmo total. Mas os Açores estão a mudar e para além de uma dinâmica própria, revelam um novo arrojo, com um certo movimento artístico e cultural. Sem o roteiro incessante de Lisboa, acontecem coisas nos Açores, provavelmente de forma mais selectiva, demonstrando que as ilhas não são apenas o verde dos pastos e as vacas que os circundam. Na verdade, nunca vi tantas vacas, mesmo não tendo fotografado nenhuma, e nunca vi um verde tão verde. Há vacas por todo o lado, pastando calmamente, tão perto e tão longe do bulício da vida moderna.

Os Açores estão modernos, sem os aspectos negativos que a modernidade aporta. Sem a pressa das grandes cidades, o barulho das coisas ou a interferência que este ritmo nos impõe. Estranhamente, apeteceu-me ficar. Não para sempre, porque o sempre é longe demais, mas deixar-me estar só porque sim. Porque também senti que os Açores poderiam precisar de mim, como eu senti precisar desta calma e afectividade que aqui encontrei. Não me admira que grandes vultos da literatura nacional tenham raízes aqui ou que figuras actualmente relevantes no panorama internacional, resultado da emigração, sejam açoreanos de alma e coração.

Há algo aqui que não encontrei em nenhuma outra região do nosso país a qual, lamento, não sei explicar... Não sei se resultará da insularidade, da distância, da dimensão de cada ilha ou da relação entre essa dimensão - pequena - e a grandiosidade que aparentam as ilhas que visitei. Ouvi das estórias mais bonitas de sempre, conheci pessoas cuja simpatia excedia a obrigação e vi locais que não têm equivalente. Não podem ter. Não há outro verde assim.

Elogiar refeições em Portugal é comum, mais ainda nas ilhas, especialmente, nos Açores.

Peixe fresco que sabe a mar, legumes com um sabor intenso e carne que se desfaz na boca. Tudo verdade. Não hesitaria em voltar para um roteiro gourmet. A proximidade entre as pessoas é maior, típica de localidades pequenas em que todos se conhecem e a recepção a quem vem de fora excede todas as expectativas. Não é uma simpatia forçada pelo negócio mas antes pelo prazer de bem receber. De mostrar o que tem de melhor cada local e dar a conhecer as especialidades da casa, que não encontramos no continente.

Provei uma mistura de cerveja e laranjada da qual terei muitas saudades. Nem a cerveja é a mesma e muito menos encontrarei a laranjada Melo Abreu.

As lapas, que já temos em Lisboa, são outras. Mais frescas e carnudas. Sabor melhorado. Comia-as a cada refeição. Sem hesitar. As cracas... Um pouco do mar à mesa, extraídas da rocha são mesmo um pedaço de mar porque o que se come está em pequenos buracos, o que quer dizer que a apanha implica estar debaixo de água para partir pequenos pedaços da rocha. Único, sem dúvida. Cozinhadas com a água do mar que se bebe,  para provarmos isso mesmo: o sabor do mar. Que não é o mesmo que engolir um pirulito quando mergulhamos.

Experimentei peixe que não conhecia e legumes cozinhados ao vapor num papelote de alumínio, provocando uma experiência de sabores e texturas que se apenas entendem na sua intensa suavidade. Descobrir é bom, mas descobrir guiados por aqueles que conhecem o local permite-nos navegar no encantamento da descoberta. Temperadas com alho e limão, acompanhadas com batata doce e arrematadas com canela, as refeições nos Açores despertam-nos os sentidos, levam-nos de volta a tradições perdidas e estimulam o nosso imaginário em torno da ideia de felicidade na imensidão do mundo e do oceano.

Apetecia-me voltar já e repetir, agora.

Comer. (ad)orar. chorar...

Quando foi que nos tornámos todos parvos? Quando foi que deixamos de conseguir raciocinar, relacionar, interpretar? Quando foi que esquecemos tudo o que já sabíamos - ou deveríamos saber - para absorver notícias sem as questionar, melhor, sem questionar os elementos do seu conteúdo? Ficámos ensalsichados entre palavras sem saber o que significam? Ou simplesmente assustados com as palavras, sem discernir sobre o seu sentido? Que amibas são estas que transformam simples factos em discussões estéreis sobre aquilo que sempre soubemos, mas estávamos alegremente esquecidos?

Cancro. CAN CRO.

Assusta. Muito. Porque nos pode destruir a vida e despedaçar a dos que nos são mais próximos. Cruel e quase aleatória, a doença integrou o nosso léxico instalando-se da mesma forma que passou a fazer parte das nossas vidas. Mesmo com os avanços na medicina, sabemos todos que, para quem escapa, nunca nada volta a ser como antes. Transformada, em casos felizes, numa doença crónica, razoavelmente controlada e, nos casos muito felizes, erradicada, não deixa, contudo, de matar. Destroçar. Aterrorizar. É das piores sentenças que alguém pode receber. E alguém que goste desse alguém. Soa sempre a impossível. A uma mentira tornada instantaneamente verdade. Ninguém quer ouvir e todos queremos ignorar, como optamos por não querer saber sobre os comportamentos de risco que nos podem empurrar para este diagnóstico.

As páginas dos jornais, as notícias na rádio e na TV são apenas o reflexo do nosso medo, da desinformação deliberada, da ignorância que preferimos manter, mesmo quando sabemos tudo. Vamos aos factos: É novidade que alimentos processados podem contribuir para a incidência de cancro? É novidade que as carnes vermelhas contribuem para aumentar o risco de doenças várias e, mesmo, o cancro, fruto da sobrecarga do organismo? Não sabíamos que alimentos processados, carne ou qualquer outro, são ricos em químicos e conservantes e que estes são prejudiciais ao corpo humano, consequentemente podem contribuir para o desenvolvimento de várias doenças e, mesmo, cancro? Também não sabíamos que as técnicas modernas de produção animal pouco ou nada têm a ver com a criação ao ar livre, portanto, eventualmente nocivas para cada um de nós ?

Nenhuma destas questões é nova. Mas noticiarem-no assim, sem aviso, isso não. É atentar contra a nossa paz de espírito e deliberada ignorância, enquanto barramos as torradas com manteiga e colocamos mais uma fatia de fiambre em cima do pão. Se sabe bem, não deveria fazer mal. Mas faz. Como tudo o que é excessivo nos prejudica. Mesmo que seja o melhor para a nossa saúde, qualquer insistência, repetição ou excesso acaba por nos fazer mal. O corpo humano depende de um equilíbrio único para funcionar na perfeição e a nossa principal tarefa é quebrar esse equilíbrio. Fomos talhados para isso, para desafiar os limites e esperar que corra bem. Nem sempre corre e, por sabermos isso, não queremos ouvir os avisos que o corpo emite ou os que a comunicação social apresenta. Porque é mais fácil assim.

A notícia confirma, entre outras coisas, os resultados do relatório da OMS (organização mundial de saúde) relativamente ao consumo de carnes processadas e a incidência de cancro. Inclui também as carnes vermelhas, recomendando a sua substituição por carnes brancas e peixe. Em lado nenhum se diz para eliminar, recomendando-se a diminuição do consumo. Quoi de neuf?...

Quando vou às compras, não sei o que colocar no cesto. Dos alimentos processados à fruta que foi congelada e que, quando chega a casa não amadurece com o ar e a temperatura ambiente, apodrecendo lentamente, aos pacotes de alimentos prontos a cozinhar, carregados de conservantes, limito-me ao que é, aparentemente, natural, não preparado e provavelmente não processado. Escolho a variedade e a cor em detrimento da facilidade, mas também me deixo seduzir pelo vermelho de um bife ou um fumado tradicional. E se fumar um cigarro ou beber um copo de vinho quando me apetece, o mundo não pára de girar. Não podemos é fazê-lo a ponto de perder o equilíbrio, ficando a girar enquanto o mundo, o nosso mundo, de alguma forma pára.

#caarnevermelha #alimentação #foodieteller

Um bitoque, sff. "Não temos"

 

Adoro esta tendência de alimentação saudável que começa a estender-se do centro de Lisboa a Cascais. Só tenho uma dúvida: como é que convenço os miúdos de que estes pratos são mesmo saborosos? 

É que mesmo fazendo escolhas saudáveis, há coisas que rejeitam só de olhar...

http://newintown.pt/article/08-05-2015-uma-esplanada-so-com-comida-saudavel-no-estoril

http://newintown.pt/article/08-05-2015-uma-esplanada-so-com-comida-saudavel-no-estoril

Eu tentei evitar os "bifes e as batatas fritas" mas o mundo está cheio disso...

Contaram-me que  o Organic Caffé, no Estoril tem um conceito muito diferente (e, ao que parece, muito mais realista) em relação à alimentação, aos benefícios versus malefícios de certos alimentos e ao que fazem ao nosso organismo. É uma cozinha que deixa de lado o glúten, os produtos lácteos ou o café, entre outros alimentos com justificações credíveis para o seu não consumo. Um grande gosto à ideia.

Conta a NiT que o "cuidado com a saúde começa logo no couvert" e enumera alguns pratos, como a "corvina com sementes de sésamo e puré de couve flor (...) peito de frango com pesto e arroz integral ou o strogonoff de frango com courgette, quinoa e tomate".

Agora vou ali encher-me de coragem e inventar bons argumentos para a criançada embarcar na ideia de que a quinoa é melhor do que a batata frita. E não me venham com a eterna questão do hábito e mais não sei o quê, que tenho uma lá em casa que é muito selectiva e pouco dada a "hábitos"...

#urbanistagoesorganic #healthychoices #healthyfood #urbanista

Pequenos almoços assim, todos os dias?

Ontem foi Domingo e, com ou sem férias, domingo que é domingo começa tarde e calmamente. Mesmo com crianças que nos acordem cedo e não cedam pela nossa atenção. Ontem não publiquei. estive demasiado preocupada - e ocupada - a gastar todos os minutos desse dia da semana que serve para isso mesmo: termos tempo.

Era bom. Mas não é possível. Até porque iria retirar metade do prazer que é antecipar um pequeno almoço no Choupana caffe, na Av. da República. Para além do cappuccino, que não me canso de elogiar, é tudo bom. O brunch é conhecido pela relação preço-qualidade. O resto é conhecido por ser... Excelente.

Adoro quando o Mr. Cappuccino himself tem o cuidado de o preparar. Venceria qualquer batalha cega pelo meu cappuccino preferido. Com leite de soja, uma espuma densa, mas leve, das que não fazem bigodes, sabor suave, apenas para rematar a mistura perfeita entre o café e o leite. Desenganem-se os que pensam que um cappuccino é café e espuma de leite. Não é. Se quiserem saber como é, experimentem este. Há outro, em Lisboa, igualmente bom, mas diferente. Porque a torrefacção do café não é a habitual. Mas este... Para um domingo de manhã ou um sábado à tarde de chuva... Não tem igual.

Depois? Os croissants. Folhados e ligeiramente greasy como deve ser um croissant. Ou não estaríamos a comer um dos maiores atentados à saúde. Com prazer. Hoje, escolhi um simples, ao qual adicionei requeijão. O croissant não precisa de mais nada. Mas é domingo e eu mereço. Mais um iogurte biológico com framboesas e morangos. Coberto com chocolate em pó. É um pão de sementes, também com requeijão.

E o cappuccino. What a sunday kick off!...

#breakfast #cappuccino #choupanacaffe

Recovery to feel alive (again)

Late wake up. Ronronar na cama mais uma hora. Torradas em pão de centeio, biológico e caseiro, ainda mais tarde. Esticar as pernas. Beber um chá, também biológico, o sabor mais intenso e puro do Darjeling. Escandalizar-me com a política Americana ficcionada (ou não) na televisão. Almoçar (para além do brunch, o que chamar a algo que acontece depois das quatro da tarde?) ao ar livre. Não pensar, não articular. Fingir que somos single again, estando juntos, porque quando as crianças ficam com os avós, somos só tu e eu, adultos boémios, desregrados e sem horas. Não sentir culpa e aproveitar cada instante para poder dar o melhor de mim quando a Rita chegar. Pizza. Pasta. Salati. Tiramisu. 

You and me, by the river. What else?

Foi ontem. Podemos repetir qualquer dia?

Cogumelos recheados

Cogumelos recheados

Rúcula e parmegiano  

Rúcula e parmegiano  

Diavola  

Diavola  

Tiramisu

Tiramisu

at home. Sushi...

Sushi apetece sempre. Sabe sempre bem. Excepto quando o sushi é mau. Que não é o caso. Olho as fotos na página do Sushi at Home e fico sempre com vontade de comer sushi. Muito sushi. Quando chega, é quase igual ao que está na página ou no Instagram.

O sabor é excelente, mas o facto das peças serem enfiadas nas caixinhas faz toda a diferença. Só que ao contrário. Umas peças ficam quase coladas, outras demasiado encostadas, outras apertadas. Continuam a ser peças saborosas de sushi, mas sem o glamour das que nos chegam à mesa no restaurante. É o preço a pagar para comer sushi no sofá, não é?... E vale a pena!...

#sushiathome #sushi #foodieteller

Fatty Paris. Paris fatty. Ou Fatty in Paris?

Não se pode comer e não engordar em Paris. Assunto arrumado.

Les fromages, les pains au chocolate, le vin, le velouté aux champignons de Paris, les petis pains et les baguettes... Les crêpes, les patisseries et boulangeries. Les bagels... Tudo acompanhado com salada é certo, que lhe dá um certo toque saudável, mas não impede a gordura das principais delícias que me fazem sempre, ter saudades desta cidade mágica. No fundo, é igual a todas as outras, com caos no trânsito, no metro e na rua. Com barulho e veículos que não páram nas passadeiras. Com pseudo franceses que falam mal francês, com franceses que falam tão bem, a ponto de desprezarem quem faz um esforço. Com francesas baixas, feias e gordas e la parisiene que degusta tudo o que descrevi e preenche o nosso imaginário da típica francesa: esguia, despreocupada, impecável, a ponto do seu estilo fazer inveja e ser mundialmente comentado. E copiado. E sim, comem queijo e bebem vinho. Todas as tardes. Só não sei para onde isso vai porque não as vejo a fazer jogging. Será tudo consequência da bicicleta?


#parisgourmet #cyclechic #patisserie

pequenos segredos

A verdade é que gosto de comer. Mas não sou boa boca. Não como de tudo. Tenho um olfacto apurado e uma visão que despista muito facilmente o que não me agrada. E não, nem sempre é preciso provar. Porque gosto de comer, o corpo acusa-se. E segue o caminho inverso ao das medidas da roupa. Há, portanto, duas opções: inverter a marcha ou comprar roupa nova. Como não sou de ir às compras, inverto a marcha.

Há muito que aprendi as vantagens de uma alimentação saudável. Porque tem de ser. Tento convencer-me sobre as suas vantagens mas é difícil. Alguns nutricionistas dizem que é possível controlar as compulsões alimentares. Não sei como, porque não as tenho. Ou talvez tenha, apenas uma, em situações muito particulares. Não será compulsão, antes reacção. 

Dizem esses nutricionistas que pode parecer difícil trocar uma pizza por uma sopa (seriously?!) mas é possível (double seriously?!...). Talvez seja. Obviamente que é. Basta querermos. Mas custa-me a acreditar que a longo prazo o cérebro associe os alimentos saudáveis a recompensa, rejeitando os outros. Acrescentam que a proteína e as fibras ajudam no processo. Obviamente que sim. Só temos de aprender a cozinhar de forma saudável, saborosa e que nos mantenha saciados. O problema é que, quanto batem as seis da tarde depois de um dia de trabalho, não há nada à mão e as pastelarias da zona só tem bolos e outros produtos demasiado refinados. Duro?... Nada!! Basta querermos (triple seriously?!...). Ou levarmos de casa. 

Vou continuar a apostar na minha Lei das Compensações. Por hoje, ataco esta aparente dose de saúde entre duas fatias de pão e uma grande porção de saturated fat na sobremesa. Amanhã?... Wait and see...