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The dream is real

@iurbanista

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Poderia continuar a falar sobre o sonho de Portugal tornado realidade. Um sonho colectivo, merecido ao fim de tanto tempo. E de todos os outros, com menor visibilidade, dos atletas portugueses. Agora falo de outro sonho, aquele que a música ano permite e o NOS Alive concretiza, numa altura em que entre o Goldman Durão e a vitória da selecção, Portugal está oficialmente em stand by até Setembro, mantendo-se alive através da música: primeiro o NOS Alive, depois outros festivais, em Lisboa e por todo o país. 

Todos sabemos que o NOS Alive é um mundo, representa o mundo e a sua grande, enorme, diversidade. Sei-o porque andei vários anos no terreno e não me limitei a observar. Recolhi dados com equipas fantásticas de pessoas que inquiriam tantos quantos conseguiam, até ao limite da sobriedade - d'eles - e do poder da música para abafar as vozes. Por isso, sei que o NOS Alive é muito mais do que um mundo de marcas e festivaleiros que dançam, bloggers que desfilam ou instagrammers em poses que garantem likes. O NOS Alive é, à semelhança de outros eventos de música que animam o nosso Verão, um desfile de bandas e artistas com poder transformador.

A música tem essa capacidade única de nos juntar, ignorando origens, raças, credos ou estatuto social. Ultrapassa as barreiras da língua e amplia a nossa visão. Nunca, como antes, ouvi e dancei tanto ao som dos Portugueses, neste contexto absolutamente internacional. Foi quando olhei para o horário dos concertos que percebi que seleccionei principalmente bandas portuguesas e que não troquei nenhum dos seus espectáculos por conversa com amigos, como aconteceu com algumas bandas estrangeiras. Não será certamente uma mudança apenas do meu comportamento, nem curiosidade profissional mas, principalmente, uma alteração de atitude e actuação destes artistas que me agarraram - e a muitos dos que lá estiveram - do início ao fim do espectáculo. Depois do Globaile, que marcou o fim da invenção de uma sonoridade única - a dos Buraka - e o início de uma outra que irá misturar, para apresentar, a irreverência e inovação musical, Lisboa abraçou vários artistas em três dias esgotados, de géneros e estilos, pessoas e características.

Foto: José Fernandes (cortesia NOS Alive)

Foto: José Fernandes (cortesia NOS Alive)

Para mim, o NOS Alive começou com Branko, cuja criatividade já conhecíamos dos Buraka Som Sistema e cujo Atlas, o trabalho que o apresenta a solo, é uma viagem por sons, géneros e estilos que transportou para o palco NOS Clubbing na primeira noite do NOS Alive. Mais tarde, no Coreto, Alex D'Alva, mesmo teimando não ser um Dj, conseguiu por todas as pessoas a dançar. Se isto não é ser Dj, não sei o que será.

Branko tocou durante uma hora provando que a electrónica de cá é tão boa - ou melhor - do que a de lá, e que a cenografia também não lhe fica atrás. Com projecções visuais que acompanhavam os ritmos com origens que ultrapassam a nossa noção de espaço, Branko inspirou-se em África, Brasil e um pouco por todo o mundo para criar um conceito sonoro com tradução visual, num espectáculo de alto nível que correspondeu e, mesmo, ultrapassou as expectativas, especialmente depois de ter escutado parte do seu soundcheck.

@iurbanista

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No dia seguinte apressei o passo para chegar a horas ao concerto de Carlão, sem saber se não me deveria dividir entre este, e o palco do lado, para acompanhar os HMB, integrados na curadoria de Dj Kamala. A ideia NOS Alive e os nossos, ainda que possa ser interpretada como um recurso, é uma ideia genial, dá visibilidade aos nossos no dia em que o evento esteve mais concorrido. Carlão contextualizou cada momento que era também, um momento da sua própria história até aos quarenta. Não sei se fruto daquilo que os quarenta representam, senti que não poderia deixar de ouvir as suas rimas num hip hop que grita a raiva de quem sempre quis ser apenas ele próprio. Same here. Com direito a palavras feias, aquelas que em inglês (até) soam bem. Do outro lado, o ambiente era de festa com misturas altamente improváveis, quando a soul se encontra com hip hop ou fado. Foram os HMB e seus convidados surpresa (Carminho e Agir), num Clubbing sempre composto e muito animado.

@iurbanista

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Finalmente, no último dia fiz aquilo que muitos não ousarão afirmar, mas poderão ter feito. Espreitei o Agir para confirmar tratar-se de uma escolha só aparentemente "ao lado". Se ainda não o consideram, estará muito perto de ser muito bom em palco. Comunica bem, dá-nos vontade de ficar. Venceu um fim de tarde muito quente, para abrir o palco principal. Apresentou-se sem make up e deixou o  sonho tornar-se realidade, agarrando o público, que dançou e cantou os seus maiores sucessos. Aqueles que tocam na rádio e que nem sempre reconhecemos. Ou fingimos não conhecer. Porque tudo o que dá ares de pop não é para nós. Mas, depois, é ver salas cheias. Ou braços no ar... A seguir deixei-me embalar pela pop electrónica de Isaura, num estilo radicalmente diferente, que garantiu as escolhas da tarde. Tímida, mas feliz, cantou e encantou com os seus dois sucessos. Na verdade, também assisti aos concertos de artistas estrangeiros mas fiquei de alma cheia com os Portugueses, estes Portugueses, cujo nível de empenho, profissionalismo, modernidade e musicalidade compete pela nossa atenção.

@iurbanista

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Chiq? Não!! Da Chick!

Palácio Foz

Palácio Foz

Os grandes, são sempre grandes. Os que se espera que sejam grandes raramente desiludem. Foi o caso de Benjamin Clementine que, na Sexta-feira, foi enorme. Maior do que si próprio, gigante na humildade e na voz que encheu não só o Coliseu mas os corações de quem o ovacionou até às lágrimas. Mas são igualmente grandes muitas das promessas que se fizeram ouvir em duas noites cheias de grandes surpresas e grandes pequenos concertos, palcos improvisados que fazem do espectáculo, um espectáculo maior. Salas intimistas e cheias de história que deveriam, mais vezes, dar lugar à cultura e encherem-se de vida, como aconteceu nestes dois dias em que locais como a Sociedade de Geografia, o Palácio Foz ou a casa do Alentejo mexeram como raramente mexem. Assim foi Castello Branco. Genuíno. Ele, o violão, a sua voz, as palavras de amor e o detalhe dos acordes simples, mais bonitos que o rococó de uma sala por natureza fria, que derreteu suavemente com a voz quente deste brasileiro que não engana, um estilo clássico-moderno que ecoou em Lisboa e que apetece (vai apetecer) sempre ouvir.

Castello Branco

Castello Branco

O Vodafone Mexefest é também palco de miúdas giras que invadem uma piscina e agitam uma audiência morna. Gira, mesmo, foi só uma...

Da Chick aqueceu à medida que o ritmo acelerou, a ponto da audiência levar os braços ao ar em movimentos compassados, ritmados com a força do funk electrónico que animou um tanque inicialmente vazio, mas que encheu mais do que alguma vez esteve, clapping hands as they love to party. Isto é Da Chick no seu melhor, sem erros, com um tom que lhe é característico e que faz desta, uma artista pronta a encher outros palcos. Super. Atitude ao máximo. Audiência ao rubro.

Numa outra sala, cheia de história, faltou tempo às emoções psicadélicas que nos transportariam, em definitivo, para o universo de um certo imaginário alternativo cabo-verdiano. Foi mais psicadélico do que Cabo-verdiano. Não necessariamente o que eu esperava. Sai e continuei, mexendo aqui e ali, ainda entoando o refrão das duas que ficam sempre que ouvimos Da Chick, agitando-me ao ritmo de uma fest que, sem dúvida, mexe a baixa lisboeta.

Cachupa Psicadélica

Cachupa Psicadélica

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Benjamim

Benjamim

#soundsalive. Sounds accidentally happy.

Gosto de música. Correcção: gosto muito (mesmo muito) de música. Mas estou longe de me sentir especialista ou, sequer, capaz de produzir crítica musical. Embora, por acidente, por vezes aconteça. Fico genuinamente contente quando antecipo os hits e, melhor, quando estou a curtir um concerto, a pensar naquilo que está a acontecer para, depois, perceber que a minha crítica seria igual às dos que se especializam na crítica musical. Great!!

Nisto de concertos e festivais há, para mim, duas posturas: aquela mais comum e descontraída, de quem vai para passar um bom bocado, ouvir a música de que gosta, tocada e cantada por um artista que aprecia; e a outra, menos frequente, de quem vai para apreciar criticamente, ouvir com atenção e desfrutar. Não são exactamente a mesma coisa. 

Por defeito de profissão ou simples awarkdness, não me lembro da última vez que fui descontraidamente a um concerto. Mas também não me lembro de ter ido a um festival para apreciar criticamente. Devo ser, por isso, o público mais difícil de contentar. Porque quero, simultaneamente, surpreender-me e ser surpreendida, apreciar, dançar e cantar a plenos pulmões. Curtir. Por isso entendo, mas enquanto lá estou, não consigo entender que os artistas apresentem álbuns em festivais. Que os explorem e nos deixem, até à última música, à espera do seu maior hit. Que deixem o público amolecer, dispersar e conversar, enquanto cantam, mesmo que aguerridamente, os seus futuros êxitos. Porque ninguém gosta do que não conhece. Só os que, com a sua awkwardness, lá estão com apurado sentido crítico. Ou a trabalhar. Os outros, entre the booze e outras coisas, querem apenas saltar e dançar, cantar (ou tentar), fazer os chorus quando o artista pede. Numa palavra, querem divertir-se. E isso não acontece quando não sabemos, de cor, a canção. Mas eu percebo. O que não quer dizer que seja uma cena cool...

Para saberem como foram os concertos, leiam. Não faltam artigos e notícias. Eu limito-me a dizer o que penso sobre o que vi, ou ouvi, com atenção. Porque não estou em todos ao mesmo tempo. Nem quero. E sei que os HMB lhe deram bem, com um público pronto para aquecer, ou que Crows encheram o coração de um público mais revivalista, a ponto - e não acredito e coincidências - de uma avioneta passar pelo recinto, na zona do palco principal, enquanto ouvíamos accidentally in love.

Que a Symoney e quem lhe enviou a mensagem sejam accidentally happy 💙

Passei pelos Dead Combo no momento da Lisboa Mulata e deixei-me render. Ao contrário do dia anterior, não parei no Clubbing (se calhar devia) e concentrei-me no palco principal para comprovar que o upgrade não poderia ter sido mais acertado: Sam Smith encheu o recinto e conquistou mesmo aqueles que o poderão achar demasiado pop. Ou lamechas. Abre o coração para contar a sua vida. As pessoas gostam disso. Na verdade, tem uma voz única, canta bem e brinca com as canções.

O cair da noite repetiu Chet Faker que esteve no Coliseu na passada semana. Pena Stromae ter cancelado, embora Chet tenha dado bem conta do recado na transição do dia para a noite. De volta ao Heineken, para ver, do início ao fim, Azaelia Banks. Há duas músicas que me prendem, que me fazem dançar e cantar como se o amanhã não existisse. Já a vi em outras ocasiões e, muito embora tenha dominado o palco, com a sua suave agressividade (talvez a postura feminina, o sorriso e as palavras carinhosas sejam o que basta para quebrar alguma violência nos gestos, nas palavras e no seu rap radiante, mas sonoro), nem sempre agarrou o público que, com a proximidade da hora dos Disclosure foi abandonando a área. Ainda bem. Prefiro estar entre os que gostam verdadeiramente. Não estranham os gritos, os chorus, os saltos e o movimento. Pelo contrário, acompanham!

Finalmente, Disclosure (outro upgrade de palco) numa abordagem que oscilou entre o quase- rave, diferente de outros sets que já conhecia e que estão em todos os suportes em modo repeat, e o tomem-lá-o-que-estavam-à-espera. Ou eu estava cansada, ou já me faltavam as pernas ou não consegui acompanhar uns Disclosure frenéticos. O espectáculo visual e a participação do Kwabs, contudo, encheram-me o coração....

#nosestamosalive

#nosalive também é em Português e isso é motivo de orgulho 💙

Não é louca (sereia louca), mas (quase) levou à loucura os que encheram (lotaram) o palco Clubbing. Capicua poderia ter estado em qualquer outro palco. Este seria sempre pequeno para a poesia e a força desta rapper do Norte. Mais a sul, com os ritmos africanos no corpo e a palavra como arma de intervenção, Batida encheram-me o coração. Dj Kamala, também em Português, com dois sets entre Capicua e Batida, que cederam o palco a Moulinnex, para nos levar  Elsewhere. A produção é boa, a música também, mas a voz às vezes desafina.

Ao lado, Future Islands. Keep it simple. Foi assim. Porque também é assim o #nosalive.

Beauty (as always) is in the details... Especialmente quando são #organic e sem gluten! 

#lookingalive #thecru_healthyfood #nosalive

#lookingalive

Um dos maiores e melhores da Europa. Aquele ao qual a maior parte das pessoas vai pelo cartaz, com os melhores headliners da Europa e um sol fantástico. Sim, that's #nosalive