fashionable

A epopeia do estilo: 5 disparates muito comuns, mesmo depois dos 40 (válido para ELES, também).

O estilo - e a falta dele - é algo muito próprio é inimitável, mesmo quando copiamos. O problema do estilo, o nosso estilo, é que por mais que queiramos fugir dele, cola-se a nós de tal forma que, mesmo quando trocamos tudo, o nosso estilo continua a ser nosso. Para o bem e para mal.

Andamos anos (décadas?) a tentar encontrar o nosso estilo, a definir aquilo que somos e como nos sentimos bem. Durante esse tempo fazemos todo o tipo de disparates, incluindo o da cópia, da imitação que parece sempre uma imitação barata do original, mesmo quando o original foi mais barato do que o nosso esforço. Em vão. Não somos nós. Somos a tentativa de sermos nós. A cópia só resulta em teoria. Melhor: resulta na teoria porque muitas vezes, mais detalhe, menos detalhe, um professor terá muito trabalho para provar que um aluno não decorou um conceito para o debitar num exame. Mais do que o tempo merece e mais do que o esforço investido para que as pessoas percebam e não decorem. É também uma questão de estilo e, sobre esse não me pronuncio.

Em relação ao estilo, aquele que vos trouxe até aqui, não há cabula que nos valha ou regras impostas que consigamos dominar. Por muito que nos possamos inspirar no que se passa no mundo - e não apenas na moda porque o estilo vai muito além do que vestimos - o estilo tem de ser nosso, reflectindo o que somos. Porque quando tal não acontece, assumimos uma identidade que não é a nossa e projectamos uma imagem que está muito longe do que queremos parecer. Mesmo que tenhamos múltiplas identidades visuais - que temos sempre porque mudamos em função do contexto - somos sempre a mesmas pessoa com reflexo naquilo que vestimos por isso, mesmo quando tentamos parecer outra coisa, há sempre algo que nos denúncia. Normalmente, uma mexa de cabelo rebelde contra um vestido formal ou um cabelo demasiado alinhado num look descontraidamente wild. Só resulta se formos quem somos e, quanto a isso, não há moda. Há opções que são nossas e que se adaptam em função das tendências da moda, a nossa fisionomia e idade. Como as leggings que não são para todas, ou sendo, desde que se sigam regras simples, também tudo o resto depende da nossa auto confiança e atitude. Nenhuma está à venda, mas podem conquistar-se!

Por isso, numa espécie de continuação de artigos anteriores e, especialmente o de ontem, people unite: vistam-se de acordo com a vossa personalidade, ignorando as regras que ditam as revistas ou a moda que está nas montras. A indústria da moda existe para nos servir e para dela nos servirmos. Não o contrário. A moda é aquilo que cada um usa por isso, vamos evitar os 5 erros mais comuns sem, contudo, deixarmos de ser quem somos e, acima de tudo,s em deixarmos de usar o que queremos mesmo quando já passamos a barreira dos 40.

Se o problema fossem os saltos... From heels to flats in style....

(...) If fictional women like Murphy Brown did not need high heels to reach through the glass ceiling, and real women didn't catwalk into the workplace wiggling in her stilettos, where did they come from, and why have they become married to the way we think of feminine power?

- Huffington Post

 

O problema não são os saltos altos ou bolhas nos calcanhares. O problema é sempre o mesmo, aplicando-se aos sapatos, aos vestidos e às calças justas, à despensa vazia, a quem cozinha o jantar ou outros predicados tipicamente femininos que apenas alguns homens conseguem assimilar. E adoptar. O problema também não são as compras ou quem as carrega mas aquela preocupação pequenina, que fica lá ao fundo, no nosso interior, a repetir-se, para que não nos esqueçamos de pormenores domésticos em função das outras preocupações que nos enchem o dia. Até podem ser eles a ir comprar mas somos (quase) sempre nos a verificar se ainda há leite no frigorífico. E o leite não é o problema. O problema é maior.

O problema é uma sociedade patriarcal que aceitou a nossa emancipação e valoriza a igualdade desde que isso não se aplique ao dia a dia. O problema, portanto, é que a sociedade vai dizendo que sim para ficar bem na fotografia, obrigando-nos a lutar diariamente, nas coisas mais pequenas, por essa paridade. Umas meias caídas no chão são um pormenor? São. Mas provam que ainda há quem pense que as podemos apanhar por si. Não custa nada. De facto, não custa. É simbólico.

Eu não abdico. 

 

O problema não são os saltos. Muito embora tenham sido os saltos a fazê-la saltar dali para fora.

O que fariam no seu lugar?

Aceitariam?

Muitas vezes aceitamos por falta de opção. Por medo e necessidade do pão em cima da mesa. E se, um dia, deixássemos todos de aceitar? Sim, todos. Porque se para nós o problema são os saltos, para eles outros problemas existirão. Porque um homem pode ser pai, mas e se dividir a licença de maternidade com a mãe? Ainda são os mariquinhas que ficam em casa. Um pai dificilmente pode argumentar em relação aos horários para ir buscar os filhos à escola. Afinal, numa sociedade machista (como ainda somos, e este artigo prova-o), o pai garante o sustento de uma família matriarcal, na qual a mãe cuida dos filhos... Entre as suas múltiplas tarefas diárias, porque já são mais as mães que se multiplicam do que as que optam pela maternidade a tempo inteiro. Correcção: são menos as mães que podem optar pela maternidade a tempo inteiro. 

E se, um dia, disséssemos todos NÃO ao preconceito?

Se respondêssemos NÃO aceito e lutássemos mais pelos nossos direitos sociais e laborais? Não seria tão bom?... 

When London-based Nicola Thorp was sent home from her temp job at financial company PwC for not wearing high heels, she started a petition online to bring attention to the ludicrous expectation that women be physically uncomfortable throughout the length of the workday.

- Huffington Post

I'm pro-sneakers, pro-flats, pro-ballerinas. Most of all, I'm pro-freedom to feel, do and wear what we want, according to the context we're in and good sense. Dress codes are a simple way to organize social and professional situations. I'm not against dress codes, but I'm against unreasoning demands. Like wearing heels at PwC. Like wearing heels anywhere, because I can't remember any professional situation that can't be handled in flats. Why the heels? They make us look taller, with more slender legs. It's about elegance. But it's also about seduction. Our bodies are forced to tilt, emphasising bottoms, waist and boobs. We look more elegant, confident and maybe more authoritative. Besides that, just knee stress, lower back pain, agonising feet.

Dear Nicola, you did good. Very good!

 

 

 

 

 

Un jour à Antwerpen

Antuérpia não é a Bélgica. Na verdade, é. Mas não sei bem o que é a Bélgica - e tenho para mim que eles também não. Um dia conheci Bruxelas. A suposta capital da Europa, como a maior parte das capitais não é exemplo de um país. Depois, Leuven e pensei que era muito diferente da capital. A seguir aquele cantinho especial que é Ghent onde se fala mais neerlandês do que francês, no qual fiz mal figura expressando-me em francês para me responderem em Inglês. Por momentos enfiei-me num buraco pensando que a minha pronúncia seria para lá de má. Nunca tal me tinha acontecido em França. Mas há sempre uma primeira vez para nos meterem no lugar a que cada língua pertence, pensei. Ainda os achei arrogantes e insisti na prática, para depois perceber que falam melhor inglês do que francês e que o francês é uma coisa pouco praticada por aqui. Agora, em Antuérpia, confirmei o que já devia saber. Deixar o francês no bolso e sacar do meu melhor inglês, que todos falam e entendem. Porque neerlandês ainda não explorei. Não entendo e o que leio parece sempre algo que na realidade não é. Talvez um dia.

Neste dia em Antuérpia não vi muito mas gostei. Voltarei, certamente, porque é daqueles locais que nos acolhe sussurrando que devemos voltar para conhecer melhor. Não sou a melhor pessoa para o habitual sightseeing e já perdi a paciência para correr os pontos turísticos, tirar fotografias para as quais só voltarei a olhar quando arrumar pastas de fotografias (que nunca acontece, certo?) e selfies sem selfiestick que nos mostram em ponto grande, escondendo o cenário. Por isso, há muito que adoptei duas opções: guardar na memória o que vejo e ser romana em cada local que visito. Actuar e agir como os locais, percorrendo os seus percursos, frequentando os seus locais e as suas lojas é o melhor que podemos fazer. Naturalmente que nem sempre é possível mas, as partilhas na rede, as recomendações e os sites que contam os segredos das cidades são uma grande ajuda. Talvez por isso vá encontrando muitos (alguns) turistas em alguns locais supostamente "locals only" em Lisboa. É o preço a pagar. Eu pago.

Contam alguns belgas que Antuérpia é para compras. Venho convencida. Lojas maravilhosas,  algumas, de cadeias internacionais, só supostamente são iguais às nossas: escolheram imóveis históricos e mantiveram a traça original. O que lhes dá um toque muito especial, porque entramos para ver duas coisas, a arquitectura e as futilidades que têm para vender. Há bons saldos e variedade, apesar da afluência. Novamente, o preço a pagar. Há que partilhar, mesmo que alguns entrem naquela loucura dos saldos e invadam lojas como se o mundo fosse acabar e precisassem mesmo daquele par de sapatos. Não precisam. Mas o mundo pensa que sim.

Gosto sobretudo da descontracção destes países. Quanto mais a norte melhor. Menos presunção e mais individualismo, menos água benta e mais variedade. Comer na rua não tem a sombra do fantasma da ASAE - era mais perigoso e menos saudável, mas éramos um bocadinho, nem que fosse só um bocadinho, mais felizes antes desta agência tentar tornar as nossas vidas totalmente assépticas, não éramos? Eu acho que eles são. As waffles que se vendem na rua são maravilhosas e nos cafés, patisseries ou boulangeries, não sinto aquela pressão que existe sobre nós das regras e higienização. Para além de que em qualquer lugar podemos optar por "emporter" e acompanhar o nosso passeio de um saboroso cappuccino. Quente. Para aquecer as mãos.

Não é tudo bom e há muitas coisas que funcionam de forma diferente. Não necessariamente mal, mas diferente dos hábitos nacionais que não serão todos criticáveis. Seja como for... Antuérpia é local para estar muito mais do que um dia. Dos museus aos locais históricos, há muito para ver e pontos maravilhos para parar e comer. Não serei foodie, mas tenho uma veia de teller que me faria contar muitas estórias de comida. Porque aquilo que encontramos fora de portas é sempre diferente e digno de registo. Amanhã, estórias de fazer crescer água na boca, com sabor belga.

Mãos

 aviso à navegação masculina: este artigo contém detalhes extraordinariamente fúteis e femininos. Já sabem...

 

É só a mim que acontece ou a manicure tem prazo de validade? É só comigo ou, mesmo com truques e artifícios, ao bater das 24 horas do sétimo dia, estalam uma atrás da outra como milho a saltar quando fazemos pipocas?

Manicure... Um daqueles momentos que condiciona a semana toda... 

Tudo começa no momento em que nos levantamos da cadeira para pagar, pegamos na mala e demais acessórios que carregamos diariamente... O medo. O pânico. O horror...

A manicure fita-nos como as mães olhavam para nós, com aquele ar que cada um interpreta à sua maneira mas que tem apenas um significado: "não vais fazer m****, pois não?!" 

Pagamos. Saímos em confiança, com as mãos naquela posição ridícula e que se mantém durante um par de horas, como a boca - que ninguém nota, mas que sabemos que está esquisita - depois de um ligeiro adormecimento no dentista. As mãos vão assim meio no ar, a tentar não tocar em nada, para não estragar. Porque afinal, verniz normal demora mesmo a secar...

No dia seguinte... A vaidade. O prazer de umas mãos impecavelmente arranjadas, cor à maneira. Até encontramos maneira do outfit combinar, um pendant aparentemente negligé (que todas sabemos ser do mais pensado que possa haver)... Terceiro dia... Continuamos a acreditar que desta vez é que vai ser, que o verniz não vai estalar, que a manicure é espectacular e que com jeitinho, a coisa até dura mais de uma semana...

No dia seguinte olhamos bem para as mãos e pensamos que é melhor ter cuidado. Evitamos usá-las (às unhas) para tarefas arriscadas. Está a correr tão bem que não queremos que o verniz salte de uma delas. Não há pior do que nove dedos impecáveis e uma unha estragada. Não há. E só quem arranja as unhas, as pinta com frequência, pode entender. Além de que isto é uma renda. Há que esticar a corda ao limite do que a unha e o verniz possam aguentar.

No outro dia continuamos em estado de graça. Se o fim de semana estiver à porta ninguém escapa a pensar que, se tiver mesmo muito cuidado, aquilo aguenta o fim de semana inteirinho... Há quem reze. 

Dia seguinte: olho para as unhas e penso que elas, as manicures, devem pensar que somos parvas e não descobrimos o segredo da coisa... Usam frascos sem rótulos, mezinhas amareladas, em tom rosa ou transparente para nos criarem dependência. As unhas pintadas lá, ficam bonitas e brilhantes... até estalarem. E estalam ainda a brilhar, como se tivessem sido acabadas de pintar. Vá... Pintadas no dia anterior... Para quem não sabe, inventaram um acabamento "estilo gel". É a última camada que nos colocam, actualmente e em alguns locais, antes do óleo para as cutículas. De facto, a unha brilha e aguenta mais. Mas, ao sétimo  dia... Descaca como sempre descascou. Pipocas, portanto. Sou eu que tenho unhas de sete dias ou isto é mesmo assim?!...

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Sim, tudo isto entre as 17:00 e as 22:00. Definitivamente, isto tem prazo de validade! 

Homens: quadrados e azuis.

On the Road With Fashionable Father John Misty:  Father John Has Button-Up Dysmorphia. On the road with the musician who'd like to see the world in pajamas. Photographs by Erik Madigan

Não estou a dizer que gosto assim. Não estou a afirmar que quero assim. Mas, na verdade, a maior parte dos homens, especialmente os heterossexuais e que fazem questão de mostrar que o são, ou que não têm, sequer, qualquer reminiscência de outra coisa qualquer (if you know what I mean...) são muito boring no que respeita à roupa. E quanto mais conservadores, quanto menos arejados ou arrojados, mais boring me parecem. Chatos. Mesmo, e em bom português.

A moda, as tendências, as cores, cortes e tecidos são de extrema riqueza e variedade para as mulheres. Para eles, a diversidade é menor e o problema começa no berço. As secções de roupa nas lojas para meninos e meninas têm dimensões diferentes porque há mais opções para elas. Quando crescem, o estilo, no caso deles, varia entre o formal, o descontraído, casual chic ou o desportivo. E pouco mais. Misturar formalidade com apontamentos de um look desportivo já acontece. Excepcionalmente. Nós fazêmo-lo mais vezes e parece sempre bem. No caso deles, às vezes corre mal. Muito mal. 

Não quero aqui dizer que os homens devam arriscar e mudar tudo de uma vez, ou seguir tendências se não se identificarem com cada uma delas. É válido para os dois lados. A moda, dizia Oscar Wilde "is what one wears oneself" porque o que está fora de moda é o que as outras pessoas usam, numa defesa do eu, em relação ao outro. Saint Laurent ou Chanel não tinham dúvidas sobre o estilo em detrimento da moda que rapidamente, passa de moda. Se tivermos estilo, estaremos sempre na moda. Mesmo que não tenhamos as últimas tendências em sobreposição.

Street Style. Em caqui. E azul. Com jeans e blazers. Blusões de cabedal e pequenos detalhes que fazem toda a diferença.

Para os homens, calças caqui, camisa branca e blazer azul estão sempre bem e servem para (quase) tudo. Uma t-shirt preta, um blusão de cabedal e uns jeans, também. Só isso? Eu sei que muitos deles querem mais mas, ou não conseguem, ou não admitem lidar com os olhares críticos quando circulam entre os seus pares, mesmo que várias mulheres tenham lançado olhares lânguidos à hora de almoço, virado a cabeça no metro ou fitado intencionalmente no parque de estacionamento. Se isso vos acontece quando estão fora da vossa zona de conforto do modelo testado e aprovado, estão no caminho certo. Transformem esse aparente desconforto no vosso conforto e ignorem os outros gajos. Como nós temos de ignorar muitas gajas. ♡

#fashion #streetstyle #guys

we'll always have a cliché

Paris. 

The kind of cliché you can't miss. Because Paris is just... Paris. And we all love it. 

Antes de aterrar achamos sempre que é ali que nos vamos apaixonar. Apaixono-me sempre que estou em Paris. Porque a paixão não tem de envolver uma pessoa, as minhas paixões têm sempre algo de parisiense. Porque aqui tenho muitas ideias. Porque posso dar-me a esse luxo que é caminhar junto ao Sena, num jardim ou nas inúmeras ruas repletas de montras sem correr contra o tempo. O tempo é o meu maior aliado em Paris porque o tempo aqui, não sendo mais lento tem, para mim, uma duração diferente. Lisboa é linda, mas gosto de fugir para Paris quando me sinto encurralada. Tenho a sorte de precisarem de mim em diferentes cidades e Paris ser, repetidamente, uma delas. 

Tenho uma espécie de lugar reservado no segundo piso da Torre Eiffel, esse lugar acessível aos corajosos que sobem os dois pisos a pé, cobardes que não conseguem enfrentar o céu no topo da torre ou os impacientes que não aceitam esperar nas filas intermináveis por esse prazer que é sentarmo-nos no ar, ver o mundo mais pequeno, partilhá-lo com também com o mundo que se cruza neste lugar. São tantas as pessoas que por aqui circulam que parece impossível estarmos sozinhos. Mas não é. Depois da praia do Guincho com o mar a trepar as rochas e a roubar a areia, Paris. No segundo piso da Torre Eiffel. Cliché? Se não fosse, não seria Paris, essa cidade das baguettes e dos croissants, dos pains au chocolat e dos parfaits, perfeitos em cada vitrine.  

O maior cliché  é a própria ideia de Paris. Do seu romantismo exacerbado. Não há um pedido de casamento em cada ponte, embora continuemos a pensar que sim. Também não há enamoramento e amor em casa esquina e o clássico beijo de Henri Cartier Bresson é apenas uma fotografia que faz parte do nosso imaginário. Mas elas usam sabrinas e muitos flats, porque a mulher em Paris tem um perfil tão próprio, tão dependente da sua personalidade e noção de estilo que estão sempre bem. Na verdade, este é o maior dos clichés porque me atreveria a dizer que "há com cada matrona em Paris que só visto". No entanto, o mundo é igual em todos os lados, está cheio de mulheres bonitas desde que as queiramos ver. E, em Paris, uma coisa é certa, as mulheres não se incomodam com o que vêem ao espelho porque não se preocupam com o que os outros estão a... ou possam ver, apenas com a imagem que cada uma reflecte de si. Chama-se auto confiança, amor próprio, auto estima. Acima de tudo, a atitude blasé de quem não se importa com o que pensam os outros. Como em Londres. Ou Estocolmo. Ou tantos outros locais do mundo com mais mundo. Hail to that.

Como se não existissem tantas razões para gostarmos de Paris, há uma promoção em cada loja, cada vez que me apresento à cidade. Acabo sempre por comprar, fora de época, com preço de saldos os indispensáveis em qualquer guarda roupa, sempre a precisar de renovação. Porque o mercado é muito maior, a mesma loja está em diversos pontos da cidade. Em cada arrondissement, portanto. Ou quase. Não estou a falar de marcas Inditex porque essas, até neste mercado de esquina têm uma loja em cada cruzamento de ruas. Marcas que ainda não estão implantadas em Portugal - porque o mercado é pequeno, porque ninguém ainda se lembrou de as trazer para cá ou porque o investimento e retorno poderão não compensar - estão em diversos pontos da cidade, enfiando-me olhos dentro as palavras promoção ou desconto especial, aos quais não posso resistir. São t-shirts, malhas e algodões ao preço das Primark que nos invadiram (talvez não ao mesmo preço, mas quase) com superior a qualidade e design. Este não é um cliché. É um segredo de Paris. Se procurarmos bem, a diferença no nível de vida desce vertiginosamente e podemos voltar com um guarda roupa que não se renova, mas que se alegra com peças a estrear.

Este é o lado consumista de Pais do qual pouco se fala. Sim. Paris é a cidade Luz, a cidade da semana da Moda, a cidade dos grandes lançamentos e apresentações de marcas de estilo e design. Mas eu estou a falar da moda da rua, das roupas que usamos todos os dias e que estão muito distantes destas abordagens mais conceptuais à ideia de vestir uma peça. 

Embora Lisboa esteja muito diferente, há muito que sinto um prazer especial em fazer a mala. Porque guardo combinações altamente improváveis que se transformam em outfits inesperados que, aqui, raramente uso. Por tudo e por nada. Mas especialmente porque o nosso Outono é tudo menos frio e o Inverno é, na maior parte dos dias, ameno. As sobreposições impossíveis tomam forma, com chapéus e casacos raramente usados em Lisboa. Porque uma coisa são as sandálias, unhas vermelho sangue e os cutoffs para os dias de sol e calor. Outra são as lãs que nos aquecem por cima das alças dos de tops de seda, as skinny justas com botas altas, os casacões a três quartos, gola levantada, amarrados à cintura para não deixarem passar o frio e a atitude cliché de Paris: o paradoxo que se encerra num temperamento difícil mas que faz com que tudo pareça simples, sem esforço e muito gracioso. Paris.

 

Com meias ou sem meias

Não restam dúvidas. Esta é a questão que se impõe:

"The million-dollar fashion question (...) the date from which it is socially acceptable to wear black opaques".

Gosto de os usar, mas significam Inverno. Puro e duro.

Adoro o Verão. As sandálias pretas de salto alto, verniz vermelho bem pincelado nas unhas dos pés, calções de todas as cores, formas e feitios. Confesso, contudo, que saias muito curtas, no Verão, só mesmo na praia. Já no Inverno, com collants pretas, são um must.

Como a senhora, "I wear black tights, when it gets really cold". Nos outros dias, para vestidos demasiado curtos, leggings e sabrinas. 

O tema é tão blasé que ainda me questiono sobre a sua pertinência numa publicação como o The Guardian. Na verdade, a questão não são os collants pretos opacos, mas a diferença entre mulheres que aguentam circular sem meias nas pernas durante o Inverno e as outras, os seres supostamente normais, cuja pele se transforma na famosa pele de galinha à mais leve brisa. 

Nunca senti frio nas pernas. Ou talvez tenha sentido, mas é algo que nunca me incomodou. Lembro-me dos tempos do liceu, com menos de 10 graus às 8 da manhã, quando chegava à porta da escola de saia e meias até ao joelho. Não gozem. Houve um período histórico da moda em Portugal em que as meias até ao joelho foram qualquer coisa... Existiam umas, terríveis de aguentar, porque escorregavam como tudo, que ultrapassavam o joelho. Eram meias altas que nos tapavam as pernas até ao limite da saia, que se queria uns delicados centímetros acima das meias. Mas ninguém as aguentava e havia, até, quem colocasse uns elásticos, na dobra da meia, para que estas se mantivessem estoicamente acima do joelho sem escorregarem perna abaixo ao menor movimento. Eram tempos de saias de bombazina em cores vibrantes, tempos em que olhava, ao longe, as miúdas mais velhas do liceu, alunas de 12º ano, com as suas meias altas e batom vermelho nos lábios. Não queria ser igual, mas as meias eram as mesmas.

Talvez por isto o frio nas pernas seja, para mim, algo suportável. Talvez por isto goste genuinamente de usar sabrinas sem meias em pleno Inverno sem que o frio me incomode. Mas não dispenso umas collants pretas totalmente opacas com um vestido curto e, na maior parte do tempo, desejo secretamente que chegue o Inverno para não arriscar sair à rua naquela estranha figura em que as collants pretas são uma verdadeira aberração... Porque outra aberração é sair de vestido, ou saia, sem collants. Eu não acho, mas os olhares petrificam as pernas. Também por isto, ao contrário da Jess, nada morre em mim quando seguro as collants pretas opacas para as usar. E, ao contrário dos unicórnios que descreve, não é preciso muito para usar sabrinas sem meias durante os meses mais frios, especialmente se estivermos numa cidade como Lisboa.

Porque sabrinas com collants,  mini-meia de micro-fibra ou as famosas meias de vidro é que não. Isso não.

#fashion #blackthighs #winter

 

Moda Lisboa (a)

Pois. Ainda a Moda Lisboa. Fui. É isso. 

E acaba mais uma publicação sobre a Moda Lisboa. 

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Deveria escrever de forma deslumbrada, extasiada, totalmente rendida ao grande momento da Moda em Lisboa. Mas não aconteceu. Não me causou o impacto que esperava. Provavelmente tinha expectativas demasiado elevadas, provavelmente deixei-me iludir pelo glamour das imagens, provavelmente não fui capaz de interpretar os detalhes em cada fotografia ou palavra sobre a Moda Lisboa.

Sendo um evento sobre moda, o momento em que a indústria e os seus criadores se apresentam ao público e à comunicação social, esperava maior sofisticação, menos exclusividade e, no entanto, maior exclusividade. Ou estive nas zonas erradas, ou é tudo muito normal, pouco glamouroso, pouco sofisticado. Sem aquele toque único que um evento desta natureza poderia ter. É difícil arranjar convite, por isso, fiquei sem perceber a razão pela qual tantas pessoas normais, como eu e como quem quer que esteja desse lado, a ler, têm acesso à Moda Lisboa. Nada contra pessoas normais, porque sendo uma pessoa normal, ou seja, não fazendo parte da indústria (ou desta indústria) e não sendo figura pública, também gosto de assistir a eventos como este. Mas assuma-se isso mesmo. Que não é preciso fazer parte de uma pseudo-elite, de um grupo fechado, trabalhar na área ou ser amiga das pessoas certas para poder entrar na Moda Lisboa. Normal não é o mesmo que banal, sendo que a banalidade e a bonomia me entediaram. Muito.

Não acho que um evento de moda seja uma passagem de modelos (comuns), uma exposição de aves raras, menos ainda que tenha de ser um momento de orgasmo individual quando nos olhamos ao espelho. Mas, pelo menos, usar de um dress code que corresponda ao evento. Ou que se aproxime. É também não estou a falar do negligé provocado, ou do desleixado sofisticado. Estou a falar do banal. Do desleixado, pindérico e sem gosto. Das marcas e da activação de marcas que não se empenham ou destacam. Mais, do mesmo. Estou também a falar da forma entusiástica, mas muito desorganizada e cheia de atropelos, que as pessoas adoptam para entrar nos desfiles. O salve-se quem puder não faz o meu estilo, mesmo que não haja lugar para todos. Não há? Overbooking não é bonito.

Adorei os desfiles, todos os que vi. Muito, muito mesmo, do Ricardo Preto e da competência de Carlos Gil, que exalta a mulher. Em entrevista explicou que as mulheres se querem bonitas e confiantes, criando, para o efeito, uma colecção para uma mulher poderosa, pelas mãos do The New Sartorial, um alfaiate com uma técnica aprimorada que se assume como um escultor, arquitecto ou, se preferirmos, um pintor que embeleza a mulher.

The Time(rs) is now

Sim. É a minha primeira vez na Moda Lisboa e não, não me envergonho de admitir que nunca antes me haviam oferecido um convite.

So what?...

Adiante.

Nunca fui e não posso dizer que é como se tivesse lá estado, porque não é. Mas sei tanto sobre a Moda Lisboa que parece que estive sempre lá. Mesmo não tendo estado. Há 24 anos, eu tinha 16. Assisti, na bancada, à criação da Moda Lisboa. Um arrojo, na altura. Nesse tempo, revistas como a Máxima contavam tudo o que era preciso saber sobre a criação deste projecto de Moda Portuguesa.

Primeiro número da revista Máxima (1988)

Primeiro número da revista Máxima (1988)

As imagens da primeira edição, publicadas nas revistas femininas serviram para forrar uma pasta que usava para guardar folhas soltas, transportando-a, todos os dias, numa mala que me acompanhava para o liceu. Simulava uma certa emancipação, algures entre o olhem-que-rebelde-não-trago-cadernos e o já-não-uso-mochila na escola. Muito embora a mala transportasse livros, folhas, blocos, canetas e coisas para estudar ou escrever, era mais do que isso. Não era, acima de tudo, uma pasta ou mochila para usar na escola. O que fazia toda a diferença. 

Fez sucesso junto da crowd surfista ou entre a orda de betos com quem me rodeava na altura, algures numa espécie de subúrbio com ares de Califórnia mal engendrada. Uma west coast à nossa maneira.

As revistas femininas eram novidade em por isso, poucas miúdas as compravam. Colecionei-as todas, uma a uma, do primeiro número ao momento da desilusão, substituição ou aquele instante em que achamos que tanto papel não irá fazer-nos falta para nada. Foi assim que durante anos enganei a ignorância sobre este evento que faz mexer os guarda-fatos em Lisboa e que, este ano, irá também, fazer mexer o meu. Não vou vestir as três primeiras peças que agarrar, como já sugeriram, ou elaborar em cima do elaborado porque isso, não sou eu. Mas vou ver, ao vivo, aquilo que sempre vi no papel e, mais recentemente, no ecrã.

Vou ter o prazer de descobrir a way to mars, ou seja, um modelo online de plataforma disruptiva, AwayToMars, que procura formatos alternativos de interacção no sistema de moda. Ou seja, uma ideia que procura criar um novo sistema de relações na cadeia de valor da indústria, num processo colaborativo, democrático e inclusivo. Pois. De facto não é o mesmo que dizer que um criador irá apresentar a sua colecção. Mas vale a pena descobrir.

Vou também ver ao vivo e a cores, Ricardo Preto, verdadeiro arquitecto do corte e costura, aquele que se faz com tesouras e linhas, não o outro, que não interessa a ninguém. Vou ver, de perto, Carlos Gil e eventualmente, Miguel Vieira. Mais?... Vou ver tudo. E contarei, aqui, com a hashtag #UrbanistaRocksModaLisboa

The Time(rs) is now. And I'm not gonna waste it.

#modalisboa #lisboafashionweek #urbanistarocksmodalisboa



Tão, mas tão isto...

Não são só sete, deverão ser mais mas, estes, servem que nem uma luva. 

A quem mais coube a carapuça?...

Não me servem todas, mas...

1. comprei em saldos por que o preço estava óptimo

e depois não serviu para nada. Ou serviu para muito pouco. Porque não combinava com mais nada. Porque o corte era mau. Porque a cor era duvidosa. Porque, afinal, naquele dia parecia muito diferente do que realmente era...

2. gastei uma (pequena) fortuna numa única peça, que acabou por passar de moda

Só uma? Só uma vez? Várias vezes. E também com aquelas peças que parecem, na loja, que serão para a vida inteira para depois percebermos que, afinal, só servem para aquele dia. Aquela vez.

3. investi em peças "clássicas", mas que não eram exactamente o meu estilo

porque me queriam formatar e eu decidi deixar. Porque achava que fazia parte do processo de crescimento e queria corresponder ao que os outros esperavam de mim. Porque as situações e os contextos exigiam (ou não) aquele estilo clássico, mesmo que o tenha tentado, sempre, adequar a quem eu era. A quem eu sou. Toques de rebeldia. Apontamentos alternativos.

Essa roupa acabou numa caixa. Serve para dias ou situações noblesse oblige e nada mais. Fui colocando essa roupa de lado, ao canto do roupeiro. Depois, numa gaveta, até ter tido a coragem de assumir  que aquela roupa, aquelas peças, não eram para mim. São bonitas, de qualidade, os clássicos nos quais vale a pena investir e que dificilmente passam de moda. Mas são tão boring quanto isso. Alguém quer vestir-se hoje e ver fotografias daqui a vinte anos usando o mesmo, ainda que possa ser uma outra peça, mas com um estilo igual? Eu quero ver fotografias e perceber que evolui. Que mudei. Que acompanhei os tempos, mesmo que à minha maneira.

Um dia, avancei com uma t-shirt e um blazer, e estranharam. Depois, arrisquei uns chucks com um blazer e chamaram-me roqueira. Curti. A seguir arrisquei uns boyfriend jeans e disseram-me que estava muito magra, que as calças eram muito largas. Atirei-lhes com umas ripped jeans e criticaram-me. Expliquei que era estilo. Também olharam de lado para uns polka dot Vans e, nesse dia, passei a ignorar. Shame on you!

Porque isto da moda é muito a "nossa" moda. Ou a moda adaptada a cada um de nós.

Uma t-shirt nunca chega a blusa de seda e uma blusa de seda não se transforma numa descontraída peça de algodão. Nem nós nos transformamos naquilo que os outros insistem em querer ver. Não podemos. Faltar-nos-ia o estilo. E tudo o resto.

Não sou eu em nenhuma das fotos. Mas poderia muito bem vestir-me da mesma forma  (Kate Moss e Caroline de Maigret)

#beyourself #bodyloving #fashionable