fashion

O dia em que decidi ceder às tendências: vestido comprido e calças de ganga...

Podia dedicar-me a seguir tendências, fazer aquelas fotos cheias de estilo e encher o Instagram com imagens que nos fazem querer viver com um filtro permanente. Se a moda é passageira, o estilo é intemporal e o pior que nos pode acontecer é fazer scroll down e pensar que aquela imagem tem de desaparecer porque já não corresponde ao nosso estilo. O que partilho inspira-me e raramente a roupa é apenas um conjunto de peças. Atenção: adoro perfis repletos de imagens que esbanjam estilo! No entanto, o estilo ultrapassa a moda e porque a moda também é o que decidido usar, inspirei-me aqui, aqui e aqui para tentar imitar uma tendência cujo verdadeiro sentido não entendo:

vestido comprido com jeans 

Primeiro fomos às lojas. depois pensámos em formas instagram friendly para contar  este episódio. A seguir saímos à rua a fazer que fazíamos um editorial de moda e a conclusão é simples: desculpem a ignorância mas qual é a cena de usar um vestido comprido com umas calças de ganga por baixo? Parece que estamos confortável e desmazeladamente em casa, num domingo frio de chuva e, a meio da tarde, enquanto assistimos à comédia miseravelmente romântica, vestimos umas calças por baixo do vestido porque tínhamos frio. Not!

Ninguém tem frio no Verão! A não ser que estejamos na Escandinávia e, mesmo assim... Tenho dúvidas. Não há quem aguente sobreposições quando o termómetro ultrapassa os vinte graus. E sim, lá para aqueles lados, o Verão ultrapassa estas temperaturas... 

Os gajos comentam dizendo que acham ridículo e eu, que posso ser muito gaja e pensar com cabeça de gajo, fiz um esforço. Do vestido semi-transparente num tule esquisito que não é mais do que poliéster, a um camiseiro gigante que parece um saco ambulante, passando pelo vestido made in zara que não fica bem a ninguém e está entre o abat-jour e o bibe da escola, para terminar cheia de flores com um daqueles maxi dresses que só servem a mulheres de perna comprida, experimentei (quase) tudo.

Valeu-nos (a mim e à Marta Cavaleiro) umas valentes gargalhadas numa tarde fria (thank God!) de Verão com o céu pouco nublado numa Lisboa que, definitivamente, não está preparada para estas modernices. Porque, afinal de contas, fartei-me de suar. Vivam as pernas ao léu. Obrigada!

A epopeia do estilo: 5 disparates muito comuns, mesmo depois dos 40 (válido para ELES, também).

O estilo - e a falta dele - é algo muito próprio é inimitável, mesmo quando copiamos. O problema do estilo, o nosso estilo, é que por mais que queiramos fugir dele, cola-se a nós de tal forma que, mesmo quando trocamos tudo, o nosso estilo continua a ser nosso. Para o bem e para mal.

Andamos anos (décadas?) a tentar encontrar o nosso estilo, a definir aquilo que somos e como nos sentimos bem. Durante esse tempo fazemos todo o tipo de disparates, incluindo o da cópia, da imitação que parece sempre uma imitação barata do original, mesmo quando o original foi mais barato do que o nosso esforço. Em vão. Não somos nós. Somos a tentativa de sermos nós. A cópia só resulta em teoria. Melhor: resulta na teoria porque muitas vezes, mais detalhe, menos detalhe, um professor terá muito trabalho para provar que um aluno não decorou um conceito para o debitar num exame. Mais do que o tempo merece e mais do que o esforço investido para que as pessoas percebam e não decorem. É também uma questão de estilo e, sobre esse não me pronuncio.

Em relação ao estilo, aquele que vos trouxe até aqui, não há cabula que nos valha ou regras impostas que consigamos dominar. Por muito que nos possamos inspirar no que se passa no mundo - e não apenas na moda porque o estilo vai muito além do que vestimos - o estilo tem de ser nosso, reflectindo o que somos. Porque quando tal não acontece, assumimos uma identidade que não é a nossa e projectamos uma imagem que está muito longe do que queremos parecer. Mesmo que tenhamos múltiplas identidades visuais - que temos sempre porque mudamos em função do contexto - somos sempre a mesmas pessoa com reflexo naquilo que vestimos por isso, mesmo quando tentamos parecer outra coisa, há sempre algo que nos denúncia. Normalmente, uma mexa de cabelo rebelde contra um vestido formal ou um cabelo demasiado alinhado num look descontraidamente wild. Só resulta se formos quem somos e, quanto a isso, não há moda. Há opções que são nossas e que se adaptam em função das tendências da moda, a nossa fisionomia e idade. Como as leggings que não são para todas, ou sendo, desde que se sigam regras simples, também tudo o resto depende da nossa auto confiança e atitude. Nenhuma está à venda, mas podem conquistar-se!

Por isso, numa espécie de continuação de artigos anteriores e, especialmente o de ontem, people unite: vistam-se de acordo com a vossa personalidade, ignorando as regras que ditam as revistas ou a moda que está nas montras. A indústria da moda existe para nos servir e para dela nos servirmos. Não o contrário. A moda é aquilo que cada um usa por isso, vamos evitar os 5 erros mais comuns sem, contudo, deixarmos de ser quem somos e, acima de tudo,s em deixarmos de usar o que queremos mesmo quando já passamos a barreira dos 40.

Homens: quadrados e azuis.

On the Road With Fashionable Father John Misty:  Father John Has Button-Up Dysmorphia. On the road with the musician who'd like to see the world in pajamas. Photographs by Erik Madigan

Não estou a dizer que gosto assim. Não estou a afirmar que quero assim. Mas, na verdade, a maior parte dos homens, especialmente os heterossexuais e que fazem questão de mostrar que o são, ou que não têm, sequer, qualquer reminiscência de outra coisa qualquer (if you know what I mean...) são muito boring no que respeita à roupa. E quanto mais conservadores, quanto menos arejados ou arrojados, mais boring me parecem. Chatos. Mesmo, e em bom português.

A moda, as tendências, as cores, cortes e tecidos são de extrema riqueza e variedade para as mulheres. Para eles, a diversidade é menor e o problema começa no berço. As secções de roupa nas lojas para meninos e meninas têm dimensões diferentes porque há mais opções para elas. Quando crescem, o estilo, no caso deles, varia entre o formal, o descontraído, casual chic ou o desportivo. E pouco mais. Misturar formalidade com apontamentos de um look desportivo já acontece. Excepcionalmente. Nós fazêmo-lo mais vezes e parece sempre bem. No caso deles, às vezes corre mal. Muito mal. 

Não quero aqui dizer que os homens devam arriscar e mudar tudo de uma vez, ou seguir tendências se não se identificarem com cada uma delas. É válido para os dois lados. A moda, dizia Oscar Wilde "is what one wears oneself" porque o que está fora de moda é o que as outras pessoas usam, numa defesa do eu, em relação ao outro. Saint Laurent ou Chanel não tinham dúvidas sobre o estilo em detrimento da moda que rapidamente, passa de moda. Se tivermos estilo, estaremos sempre na moda. Mesmo que não tenhamos as últimas tendências em sobreposição.

Street Style. Em caqui. E azul. Com jeans e blazers. Blusões de cabedal e pequenos detalhes que fazem toda a diferença.

Para os homens, calças caqui, camisa branca e blazer azul estão sempre bem e servem para (quase) tudo. Uma t-shirt preta, um blusão de cabedal e uns jeans, também. Só isso? Eu sei que muitos deles querem mais mas, ou não conseguem, ou não admitem lidar com os olhares críticos quando circulam entre os seus pares, mesmo que várias mulheres tenham lançado olhares lânguidos à hora de almoço, virado a cabeça no metro ou fitado intencionalmente no parque de estacionamento. Se isso vos acontece quando estão fora da vossa zona de conforto do modelo testado e aprovado, estão no caminho certo. Transformem esse aparente desconforto no vosso conforto e ignorem os outros gajos. Como nós temos de ignorar muitas gajas. ♡

#fashion #streetstyle #guys

Com meias ou sem meias

Não restam dúvidas. Esta é a questão que se impõe:

"The million-dollar fashion question (...) the date from which it is socially acceptable to wear black opaques".

Gosto de os usar, mas significam Inverno. Puro e duro.

Adoro o Verão. As sandálias pretas de salto alto, verniz vermelho bem pincelado nas unhas dos pés, calções de todas as cores, formas e feitios. Confesso, contudo, que saias muito curtas, no Verão, só mesmo na praia. Já no Inverno, com collants pretas, são um must.

Como a senhora, "I wear black tights, when it gets really cold". Nos outros dias, para vestidos demasiado curtos, leggings e sabrinas. 

O tema é tão blasé que ainda me questiono sobre a sua pertinência numa publicação como o The Guardian. Na verdade, a questão não são os collants pretos opacos, mas a diferença entre mulheres que aguentam circular sem meias nas pernas durante o Inverno e as outras, os seres supostamente normais, cuja pele se transforma na famosa pele de galinha à mais leve brisa. 

Nunca senti frio nas pernas. Ou talvez tenha sentido, mas é algo que nunca me incomodou. Lembro-me dos tempos do liceu, com menos de 10 graus às 8 da manhã, quando chegava à porta da escola de saia e meias até ao joelho. Não gozem. Houve um período histórico da moda em Portugal em que as meias até ao joelho foram qualquer coisa... Existiam umas, terríveis de aguentar, porque escorregavam como tudo, que ultrapassavam o joelho. Eram meias altas que nos tapavam as pernas até ao limite da saia, que se queria uns delicados centímetros acima das meias. Mas ninguém as aguentava e havia, até, quem colocasse uns elásticos, na dobra da meia, para que estas se mantivessem estoicamente acima do joelho sem escorregarem perna abaixo ao menor movimento. Eram tempos de saias de bombazina em cores vibrantes, tempos em que olhava, ao longe, as miúdas mais velhas do liceu, alunas de 12º ano, com as suas meias altas e batom vermelho nos lábios. Não queria ser igual, mas as meias eram as mesmas.

Talvez por isto o frio nas pernas seja, para mim, algo suportável. Talvez por isto goste genuinamente de usar sabrinas sem meias em pleno Inverno sem que o frio me incomode. Mas não dispenso umas collants pretas totalmente opacas com um vestido curto e, na maior parte do tempo, desejo secretamente que chegue o Inverno para não arriscar sair à rua naquela estranha figura em que as collants pretas são uma verdadeira aberração... Porque outra aberração é sair de vestido, ou saia, sem collants. Eu não acho, mas os olhares petrificam as pernas. Também por isto, ao contrário da Jess, nada morre em mim quando seguro as collants pretas opacas para as usar. E, ao contrário dos unicórnios que descreve, não é preciso muito para usar sabrinas sem meias durante os meses mais frios, especialmente se estivermos numa cidade como Lisboa.

Porque sabrinas com collants,  mini-meia de micro-fibra ou as famosas meias de vidro é que não. Isso não.

#fashion #blackthighs #winter

 

Moda Lisboa (a)

Pois. Ainda a Moda Lisboa. Fui. É isso. 

E acaba mais uma publicação sobre a Moda Lisboa. 

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Deveria escrever de forma deslumbrada, extasiada, totalmente rendida ao grande momento da Moda em Lisboa. Mas não aconteceu. Não me causou o impacto que esperava. Provavelmente tinha expectativas demasiado elevadas, provavelmente deixei-me iludir pelo glamour das imagens, provavelmente não fui capaz de interpretar os detalhes em cada fotografia ou palavra sobre a Moda Lisboa.

Sendo um evento sobre moda, o momento em que a indústria e os seus criadores se apresentam ao público e à comunicação social, esperava maior sofisticação, menos exclusividade e, no entanto, maior exclusividade. Ou estive nas zonas erradas, ou é tudo muito normal, pouco glamouroso, pouco sofisticado. Sem aquele toque único que um evento desta natureza poderia ter. É difícil arranjar convite, por isso, fiquei sem perceber a razão pela qual tantas pessoas normais, como eu e como quem quer que esteja desse lado, a ler, têm acesso à Moda Lisboa. Nada contra pessoas normais, porque sendo uma pessoa normal, ou seja, não fazendo parte da indústria (ou desta indústria) e não sendo figura pública, também gosto de assistir a eventos como este. Mas assuma-se isso mesmo. Que não é preciso fazer parte de uma pseudo-elite, de um grupo fechado, trabalhar na área ou ser amiga das pessoas certas para poder entrar na Moda Lisboa. Normal não é o mesmo que banal, sendo que a banalidade e a bonomia me entediaram. Muito.

Não acho que um evento de moda seja uma passagem de modelos (comuns), uma exposição de aves raras, menos ainda que tenha de ser um momento de orgasmo individual quando nos olhamos ao espelho. Mas, pelo menos, usar de um dress code que corresponda ao evento. Ou que se aproxime. É também não estou a falar do negligé provocado, ou do desleixado sofisticado. Estou a falar do banal. Do desleixado, pindérico e sem gosto. Das marcas e da activação de marcas que não se empenham ou destacam. Mais, do mesmo. Estou também a falar da forma entusiástica, mas muito desorganizada e cheia de atropelos, que as pessoas adoptam para entrar nos desfiles. O salve-se quem puder não faz o meu estilo, mesmo que não haja lugar para todos. Não há? Overbooking não é bonito.

Adorei os desfiles, todos os que vi. Muito, muito mesmo, do Ricardo Preto e da competência de Carlos Gil, que exalta a mulher. Em entrevista explicou que as mulheres se querem bonitas e confiantes, criando, para o efeito, uma colecção para uma mulher poderosa, pelas mãos do The New Sartorial, um alfaiate com uma técnica aprimorada que se assume como um escultor, arquitecto ou, se preferirmos, um pintor que embeleza a mulher.

The Time(rs) is now

Sim. É a minha primeira vez na Moda Lisboa e não, não me envergonho de admitir que nunca antes me haviam oferecido um convite.

So what?...

Adiante.

Nunca fui e não posso dizer que é como se tivesse lá estado, porque não é. Mas sei tanto sobre a Moda Lisboa que parece que estive sempre lá. Mesmo não tendo estado. Há 24 anos, eu tinha 16. Assisti, na bancada, à criação da Moda Lisboa. Um arrojo, na altura. Nesse tempo, revistas como a Máxima contavam tudo o que era preciso saber sobre a criação deste projecto de Moda Portuguesa.

Primeiro número da revista Máxima (1988)

Primeiro número da revista Máxima (1988)

As imagens da primeira edição, publicadas nas revistas femininas serviram para forrar uma pasta que usava para guardar folhas soltas, transportando-a, todos os dias, numa mala que me acompanhava para o liceu. Simulava uma certa emancipação, algures entre o olhem-que-rebelde-não-trago-cadernos e o já-não-uso-mochila na escola. Muito embora a mala transportasse livros, folhas, blocos, canetas e coisas para estudar ou escrever, era mais do que isso. Não era, acima de tudo, uma pasta ou mochila para usar na escola. O que fazia toda a diferença. 

Fez sucesso junto da crowd surfista ou entre a orda de betos com quem me rodeava na altura, algures numa espécie de subúrbio com ares de Califórnia mal engendrada. Uma west coast à nossa maneira.

As revistas femininas eram novidade em por isso, poucas miúdas as compravam. Colecionei-as todas, uma a uma, do primeiro número ao momento da desilusão, substituição ou aquele instante em que achamos que tanto papel não irá fazer-nos falta para nada. Foi assim que durante anos enganei a ignorância sobre este evento que faz mexer os guarda-fatos em Lisboa e que, este ano, irá também, fazer mexer o meu. Não vou vestir as três primeiras peças que agarrar, como já sugeriram, ou elaborar em cima do elaborado porque isso, não sou eu. Mas vou ver, ao vivo, aquilo que sempre vi no papel e, mais recentemente, no ecrã.

Vou ter o prazer de descobrir a way to mars, ou seja, um modelo online de plataforma disruptiva, AwayToMars, que procura formatos alternativos de interacção no sistema de moda. Ou seja, uma ideia que procura criar um novo sistema de relações na cadeia de valor da indústria, num processo colaborativo, democrático e inclusivo. Pois. De facto não é o mesmo que dizer que um criador irá apresentar a sua colecção. Mas vale a pena descobrir.

Vou também ver ao vivo e a cores, Ricardo Preto, verdadeiro arquitecto do corte e costura, aquele que se faz com tesouras e linhas, não o outro, que não interessa a ninguém. Vou ver, de perto, Carlos Gil e eventualmente, Miguel Vieira. Mais?... Vou ver tudo. E contarei, aqui, com a hashtag #UrbanistaRocksModaLisboa

The Time(rs) is now. And I'm not gonna waste it.

#modalisboa #lisboafashionweek #urbanistarocksmodalisboa



Tão, mas tão isto...

Não são só sete, deverão ser mais mas, estes, servem que nem uma luva. 

A quem mais coube a carapuça?...

Não me servem todas, mas...

1. comprei em saldos por que o preço estava óptimo

e depois não serviu para nada. Ou serviu para muito pouco. Porque não combinava com mais nada. Porque o corte era mau. Porque a cor era duvidosa. Porque, afinal, naquele dia parecia muito diferente do que realmente era...

2. gastei uma (pequena) fortuna numa única peça, que acabou por passar de moda

Só uma? Só uma vez? Várias vezes. E também com aquelas peças que parecem, na loja, que serão para a vida inteira para depois percebermos que, afinal, só servem para aquele dia. Aquela vez.

3. investi em peças "clássicas", mas que não eram exactamente o meu estilo

porque me queriam formatar e eu decidi deixar. Porque achava que fazia parte do processo de crescimento e queria corresponder ao que os outros esperavam de mim. Porque as situações e os contextos exigiam (ou não) aquele estilo clássico, mesmo que o tenha tentado, sempre, adequar a quem eu era. A quem eu sou. Toques de rebeldia. Apontamentos alternativos.

Essa roupa acabou numa caixa. Serve para dias ou situações noblesse oblige e nada mais. Fui colocando essa roupa de lado, ao canto do roupeiro. Depois, numa gaveta, até ter tido a coragem de assumir  que aquela roupa, aquelas peças, não eram para mim. São bonitas, de qualidade, os clássicos nos quais vale a pena investir e que dificilmente passam de moda. Mas são tão boring quanto isso. Alguém quer vestir-se hoje e ver fotografias daqui a vinte anos usando o mesmo, ainda que possa ser uma outra peça, mas com um estilo igual? Eu quero ver fotografias e perceber que evolui. Que mudei. Que acompanhei os tempos, mesmo que à minha maneira.

Um dia, avancei com uma t-shirt e um blazer, e estranharam. Depois, arrisquei uns chucks com um blazer e chamaram-me roqueira. Curti. A seguir arrisquei uns boyfriend jeans e disseram-me que estava muito magra, que as calças eram muito largas. Atirei-lhes com umas ripped jeans e criticaram-me. Expliquei que era estilo. Também olharam de lado para uns polka dot Vans e, nesse dia, passei a ignorar. Shame on you!

Porque isto da moda é muito a "nossa" moda. Ou a moda adaptada a cada um de nós.

Uma t-shirt nunca chega a blusa de seda e uma blusa de seda não se transforma numa descontraída peça de algodão. Nem nós nos transformamos naquilo que os outros insistem em querer ver. Não podemos. Faltar-nos-ia o estilo. E tudo o resto.

Não sou eu em nenhuma das fotos. Mas poderia muito bem vestir-me da mesma forma  (Kate Moss e Caroline de Maigret)

#beyourself #bodyloving #fashionable

a plus size, anyway!

Não sou pelas gordas. Nem pelas magras. Sou pelo bom senso. Não sou como a Betty Faria a quem as gordas enojam e não penso que todas as magras sejam anorécticas. Simplesmente porque não penso nada. Não condescendo mas também não critico. Mesmo quando aquela vozinha interior está lá, bem no fundo (fundo, mesmo), a pensar que está ali uma muito gorda ou muito magra, sigo o meu caminho. E espero que sigam o delas, olhando para mim independentemente do cabelo, da estatura, dos pés, das unhas, dos sapatos ou de qualquer outro pormenor relacionado com a minha aparência. Porque todos olhamos. Oh, se olhamos...

Contudo, não podemos ignorar que a sociedade, no geral, caminha para a obesidade. Não por mero desleixo. Na maior parte dos casos, por inércia e muita ignorância. Por anos de instrumentalização em torno do que é mais fácil e saboroso que é, também, mais gorduroso, salgado, açucarado, processado. Só coisas boas, portanto...

O importante, aqui, não é o tamanho, volume ou estatura. É a mudança que se verifica, dia após dia, em torno da eliminação do estigma (dos estigmas?) social em torno das mulheres plus-size. Plus-size é a definição perfeita para estas mulheres cujo tamanho é acima da média e que, entre nós, ainda oscila entre o grande ou volumosa, para querer dizer simplesmente gorda. E todos sabemos isso.

Porque todas - mesmo todas - as mulheres têm direito a sentirem-se bonitas. Mesmo que a (ou parte da) sociedade ache que não. E, note-se, a mulher plus size não é obesa. É grande. Volumosa. Maior do que o 36 pelo qual todas sonhamos...

In project Runway First, finalist debuts entirely plus-size fashion show

In project Runway First, finalist debuts entirely plus-size fashion show

#not ou o outro lado do #vfno

Enchi o cesto. Que tem rodas. Coloquei os produtos no tapete. Rolante. Ouvi o pi de cada produto a passar na caixa. Coloquei-os no saco. Paguei. Carreguei o saco. Ao fim de 5 metros questionei-me sobre a razão pela qual, uma vez mais, o enchi demasiado. Perguntei-me porque razão estaria a carregar um saco de supermercado em vez de estar no #VFNO, a acontecer ali tão perto.

#not

A seguir pensei que pessoas verdadeiramente na moda (ou à frente do seu tempo) e com estilo (independentemente da nossa noção de estilo ou gosto pessoal) não precisam de lojas abertas fora de horas. Ou de andar na rua aos encontrões por causa de talões.

Não. Não "dei tudo" para o look de hoje. Que, por sinal, estava digno de um #VFNO mais cosmopolita do que o nosso...

A primeira vez, queria muito ir ao #VFNO. Mas estava numa conferência. Não troquei ou trocaria. Da segunda vez, estava a viajar porque a data é próxima do meu aniversário. Depois, estava novamente numa conferência. A seguir fui e decepcionei-me. Muito. 

Se gosto de um evento de moda que se assemelha a estar no metro em hora de ponta? Não. Gostam?... Vamos fazer de conta que acredito. Entretanto vou só ali cumprimentar o Pai Natal e já continuo a escrever.

Agora que já estamos sintonizados, podemos continuar. Critiquem-me por gostar de eventos sofisticados, exclusivos e cheios de glamour. Mas façam-no enquanto cumprimento o Pai Natal e faço que acredito que vocês gostam. Porque não gostam.

Também já tive 16 anos. E vinte. E 21. E também já achei que coisas destas são daquelas onde temos de estar para os outros saberem que fomos. Faz parte. Agora, I don't care. E logo hoje, que até tinha escolhido o calçado ideal... Não. Não são saltos agulha ou sandálias com os dedos à vista. O #VFNO traduz-se sempre numa caminhada e em eventuais pisadelas para alcançar a última Coca-Cola do deserto: amostras, promoções e ofertas nas lojas aderentes.

Descontos que vão subindo de tom à medida que mais lojas se juntam à iniciativa e que, ao que vi este ano, chegam aos 25%. Será bom, se pensarmos que a colecção acabou de chegar. Menos bom quando o desconto não se aplica a toda a loja, mas apenas a produtos seleccionados. Na verdade, são estes pormenores que não entendo. Em determinadas lojas, o desconto de 10% não é suficiente para o público que não é alvo e, para o alvo, 10% não são minimamente atraentes, se pensarmos que a animação nas ruas - também entendida como valente confusão - faz com que ou haja teletransporte, ou o transporte fique em casa. Seguramente #not, para alvos destes... 

Não estou com raiva de carregar um saco de compras em vez de carregar saquinhos de brindes rua fora. Estou apenas a pensar e a partilhar, pernas estendidas no sofá, a ouvir música da boa e a beber um copo de vinho (sim, do que acabei de comprar). Até estou grata por este evento existir. Fiz uma aula extra de ginástica, se considerarmos que carreguei o saco para o carro e o deixei estacionado tão longe de casa que vim a fazer exercícios de pesos, com o saco das compras, o da ginástica e aquilo com que transporto as minhas coisas: mala ou carteira, como preferirem, sendo que, pela sua dimensão, está bem mais perto de uma mala de viagem do que qualquer outra coisa.

O #not disto, para além do evento em si, que já perdeu a graça, foi ter deixado o carro em frente à melhor pastelaria da rua. Terei de sair mais cedo - porque o carro está longe - e para um croissant...

#notfun #vfno #urbanistaathomehavingablast

Flower Power. Or simply Power?...

hoje saiu-me em Inglês. Por nenhuma razão em particular, ou talvez porque escrevi no Instagram, ponto de partida de muitos artigos, no qual invariavelmente, penso e escrevo em Inglês. Não são manias, presunção e água benta ou qualquer outra coisa. Happens. São os filmes, a música, os livros, amigos e colegas aqui e ali que estimulam este saltitar constante entre línguas, que até me diverte. 

Caminhava pela rua quando parei para atravessar. Olhei em direcção ao chão e lá estavam as flores. Flores e mais flores nuns sneakers tão confortáveis que me poderia levar, a pé, ao fim do mundo. E pensei na roupa e nas pessoas. Nos códigos e nas (supostas) regras que aceitamos respeitar sem gostar. Pés felizes fazem pessoas felizes. Mas se não estivermos, também, felizes com o resto da roupa, estaremos mesmo contentes?...

image.jpg

Happy feet make happy people. Besides uniforms, I'm not happy anoitecer strict outfit rules. 

One day I decided not to follow the crowd and to keep up with styles that I wasn't identified with. I'm not a weirdo and I don't dress in any particular way. I'm not against styling definitions but I'm against a  supposed to be dress code that makes you unhappy. We're supposed to create our own style adjusting it to our daily appointments, time and places we find ourselves.

Unstylish people create rigid categories and dress codes for their tiny world to make sense. I do have a drawer with some formal dresses. That's where they belong. In a drawer...

#flowerpower #snearkers #fashionable

a relação perfeita.

Se querem ficar a conhecer um gajo, procurem casa. Se querem casar com ele, procurem casa. Se acham que é para sempre, arranjem casa. A seguir, mudem de casa. Correu bem? Não se esgatanharam, não gritaram coisas impossíveis de repetir? Ele chamou nomes à tua mãe, ao teu pai e a todos os elementos da família? Ainda o achas atraente? Então é para sempre.

A relação perfeita é aquela que não é perfeita. Relações perfeitas não existem. Sei que a minha não é. Aliás, qualquer coisa perfeita é sempre assim... a atirar para o entendiante... Pensando na relação perfeita - aquela que entendemos como perfeita, mesmo com todas as falhas que tem (deve ter) - nenhuma relação pode ser perfeita. Se for, não existem discussões e, sem discussões, não existem reconciliações. O que se significa que perderíamos de vista o maravilhoso make up sex, right?....

Eu cá já procurei casa. Arranjei casa. Mudei de casa. Voltei a procurar. A arranjar. A mudar. E já repetimos a dose. Só porque sim. Porque nem sempre se acerta à primeira. E tem corrido sempre bem. Com gritaria dos dois lados, mas sem nos esgatanharmos. Com nomes feios, mas sem envolver a família. Com atracção entre caixotes. Especialmente entre os caixotes. E se, tiverem a ideia genial de escolher um roupeiro que afinal é um closet - e que dá mais trabalho a instalar do que qualquer um que já tenham visto -, se ele o monta de ponta a ponta, refilando até afirmar que não pára enquanto não o acabar, então sim, missão cumprida. He's the one.

#happilyinlove #housemoving #newcloset

#rockthecrop

Esta é que me deixou de boca aberta...

According to O, The Oprah Magazine you can wear a crop top “if (and only if!) you have a flat stomach” 

Primeiro os cutt offs. Que não servem (ou devem servir) para mulheres acima dos quarenta. Agora os crop tops. Que só servem para mulheres de barriga lisa. Seriously?

Independentemente do volume da minha barriga, não tenho nenhum crop top. Hoje, à hora do almoço, entrei na Zara. Enquanto espreitava os restos dos saldos lembrei-me da ousadia do Director Criativo da revista Oprah, quando afirmou que crop tops são para flat stomach. Cenas de gajo que não tem noção de como é difícil uma mulher normal não ter barriga. Quanto mais ter um flat stomach. Escolhi um de cada e fui para o provador. O pior que poderia acontecer seria uma boa gargalhada, solitária. Muitas vezes são as melhores! 

Registei tudo, em imagens. Depois, fui almoçar e aproveitei para debater o tema com as meninas do Go Natural das Amoreiras. Na equipa há barrigas mais e menos flat. Houve que dissesse que, argumentar que uma mulher adulta livre e independente pode - e deve - decidir o que vestir, exibindo a minha barriga que, dizem, é como a que o outro defende, era humilhação para quem tem barriga. Porque, de acordo com estas miúdas maravilhosas, eu não tenho barriga. Quem quer saber de crop tops e de directores criativos quando o ego fica láaaaaa em cima? .... 

Pessoas com acesso aos meios de comunicação social têm obrigação de ter noção do eco que as suas palavras provocam. E mesmo que as redes se insurjam criando movimentos como o #RockTheTop o mal já está feito. As pessoas - independentemente do peso ou estatura - têm o direito de se vestirem como querem. Se lhes fica bem ou mal, isso é lá com elas e com o que vêem ao espelho. Se nós gostamos ou não, isso é connosco e com a nossa frontalidade para lhes dizer alguma coisa. Generalizar que só uma barriga lisa pode usar um crop top é ir longe demais.

Hail to our self esteem guys! Well done!

Só por causa disto, comprei um crop top. Não sei sei vou usar, mas é claramente um statement!

#loveyourbody #rockthecrop #croptop


#ThePowerofMakeUp

Porque há dias em que o au natural funciona muito bem e outros em que nos apetece estar fantásticas. Para nós. Não para os outros. Porque há dias em que acordamos cansadas, com olheiras, com marcas no rosto. Porque há outros em que as olheiras não estão lá. Ou estão, mas não as vemos porque nos sentimos maravilhosas.

A beleza vem de dentro, o que se faz por fora só ajuda a mostrar essa beleza. É o caso da roupa. Dos sapatos. Da maquilhagem.

"I feel like lately makeup shaming has become a thing. It's as if putting makeup on to have fun is a shame. Therefore, I thought it would be cool to show you the power of makeup. A transformation. Because makeup... is FUN!" NIKKIE

Não sabia desta tendência em torno de uma certa vergonha relativa à maquilhagem. Há muito que faz parte do meu dia a dia, num estilo keep it simple e look naturally good. Diariamente, ou quase - depende muito do exercício que pratico pela manhã - ataco o make up bag. Tenho uma bolsa pequena, com os básicos, que levo comigo para o ginásio:

concealer (corrector)

BB cream (em substituição da base por nenhuma razão em especial mas simplesmente porque inconscientemente penso que é "menos" make up do que a base, que é um creme com cor, que é mais líquido que algumas bases, que... um chorrilho de disparates que se resumem a pensar que coloco o BB cream e fico pronta. Conhecem o poder do placebo?... É isso!)

Rockateur blush (simplesmente fabuloso)

Rímel (nas pestanas superiores) e um batom hidratante com cor

Com mais uns minutos (ou pior aspecto) um primer depois do BB cream, pó bronzeador, gel nas sobrancelhas (brow-volumizing fiber gel), lápis ou eyeliner, bem como sombras e batom a sério.

O meu objectivo é olhar-me ao espelho e sentir que não estou com aquele ar deslavado de quem dorme pouco e não apanha sol. Não me envergonho do meu tom de pele, branco e desmaiado. Pelo contrário. Antes este que uma pele queimada - e marcada - pelo sol. Não me adianta expor-me ao sol sem regras ou cuidado. Não mudo de cor, não fico bronzeada - de acordo com os padrões da maioria. Fico com um tom saudável, uma cor dourada que me permite não usar BB cream durante uns tempos, sem ter aquela terrível sensação de... "já colocavas uma corzinha no rosto, não?"...

Independentemente de tudo, este é um excelente tutorial para um full make up package. Para dias em que looking good is not enough. Para dias em que precisamos de alguma awesomeness!

Será que a Nikkie se importaria de passar por cá de vem em quando?...

#ThePowerofMakeUp #LookingGood #MakeUp

Rock&Dior. Pourqoui pas?!

Adoro estas tees. O algodão é bom, o corte é adequado ao corpo feminino e não deformam com o uso (por enquanto...).

Usei-a pela segunda vez num dia em que subi ao segundo piso da torre Eiffel. Suei. Obviamente que suei, com trinta graus em Paris e uma subida que nos esgota as energias. Depois, ainda carreguei 20 quilos de gente durante quase dois quilómetros. Quando me olhei ao espelho, para além das marcas óbvias nos ombros, I was ready to go. Sorry, ready to rock!

#rockanddior #madmoisellestee #tee

Fruta: a boa, a feia e a má.

Para os que estavam à espera de encontrar um post #fashion, eu explico.

O que deveria ser #fashionable é a alimentação saudável. Leiam até ao fim, eu explico porquê.

E também vos explico a razão pela qual o artigo que estava pronto para publicar ficou pendente... Nisto de blogues, instagram e afins, é tudo muito natural. Tudo acontece por acaso e está sempre alguém a documentar as coisas que naturalmente acontecem. Acontece que naturalmente estava, de forma natural, com um outfit daqueles bem giros, num dia de sol aberto e, naturalmente, fotografaram-me, naqueles momentos completamente naturais e não fazemos, naturalmente, ideia que estamos a ser fotografados. Porque é tudo espontâneo e escolhemos aquela roupa e a posição perfeita de forma natural. Às vezes é assim. Naturalmente que na maior parte das vezes não. E, da mesma maneira que me transfiguro com uma peruca branca, também há outras fotografias pensadas para serem naturais. Mas hoje não está sol e não faria sentido uma fotografia de céu azul. Naturalmente, mudei de ideias.

Se havia plano B? Há sempre, mas o meu plano B mudou para o C quando, ao almoço, dei comigo a pensar que esta minha aparente obsessão com morangos pode custar-me caro. Há-de haver um dia em que, em vez de seguidores, ganho detratores e uns quantos deixam de ler o que escrevo. Corro esse risco. Sabem porquê?

Não é por gostar muito de morangos. É porque estes morangos são mesmo bons. Os morangos da foto têm uma semana. Sim, estão há uma semana cá em casa e, embora alguns estejam muito maduros, não há nenhum podre. Com bolor. Nenhum se desfaz daquela forma que outros se desfazem quando ultrapassam o limite do comestível. E isso, faz toda a diferença. É ultrajante andarmos a comer fruta sem qualidade, a pagar (caro) por fruta que esteve (sei lá quanto tempo) congelada e que vai para as bancas dos supermercados como se fosse fruta da época. É. De há duas épocas atrás, provavelmente. 

Esta pêra foi comprada no Domingo. Ontem à noite, descasquei outra destas pêras para dar à minha filha. Tive plena consciência de que lhe estava a dar um fruto para encher a barriga, pobre em vitaminas e minerais que, supostamente, são a grande vantagens em comer fruta. 

Isto acontece porque às vezes sou preguiçosa. Ou porque às vezes me apetece fazer outra coisa a um sábado de manhã e não vou ao mercado comprar fruta. Can I?!

Quando vou, compro o que há. Não havendo fruta nacional, não compro. Não havendo pêras ou maçãs, compro outra coisa. Mas quando entramos no supermercado - este supermercado em especial - está tudo tão arrumadinho, organizado, com tão bom aspecto, pronto a pegar e levar, em caixinhas, pesadas e marcadas, para não dar trabalho nenhum. A senhora que pesa a fruta é tão delicada e atenciosa que, mesmo sabendo que a fruta - aquela fruta - não vale o preço que pedem, compramos.

A preguiça paga-se cara. No bolso e na saúde. Por isso,  obrigada Quinta Branco's por estes morangos e por cabazes que também já sei que existem. Obrigada Fruta Feia por existirem. Obrigada Quinta do Arneiro pelos vegetais "da nossa Quinta" que têm um sabor maravilhoso. Sabem o que acontece às sopas que faço com estes vegetais? A miúda cá de casa diz que têm um sabor esquisito. Nós respondemos... Deve ter... são vegetais a sério, com azeite do monte (de um amigo) e pouco sal. Por isso, não é diferente, querida Rita, é saudável...

#frutaboafeiaemá #urbanistagoesorganic #healthychoices

 

 

(*) sobre a Fruta Feia há mais... Alguns dos meus alunos de CC no ISCSP fizeram trabalhos multimédia sobre esta organização que podem consultar aqui aqui e aqui

F*** the Unconscious Bias

Regra. Essa palavra que me cansa só de pronunciar. A norma. O exemplo. O modelo. 

Sempre tive uma certa tendência e habilidade para fugir à regra. Para a questionar. Para a confrontar, libertando-me do espartilho que tantas vezes nos querem fazer vestir. Naturalmente que não estou a falar de todas as regras. Naturalmente que, numa sociedade sem regra(s), seria impossível viver. Mas, parece-me, há regras a mais para o que não tem de estar regrado, e regras a menos para evitar que nos queiram subjugar a essas regras. Chama-se assédio moral, muito embora, na maior parte das vezes e dos casos, não seja reconhecido enquanto tal. É o olhar que começa nos sapatos e se encontra com os nossos olhos. O deles, reprovador. O nosso, desafiador. Questionando, sem palavras, a razão pela qual nos perscrutam de cima abaixo. É o comentário sobre uns sneakers num outfit tão trendy que até incomoda. É o sussurro sobre uns saltos aparentemente demasiado altos. Serão os outros assim tão baixos? Não estou, obviamente, a falar da sua altura.

Yassmin Abdel-Magied fala sobre isto e muito mais, numa abordagem tão simples e tão directa que até custa a engolir.

A verdade é esta. Também eu sou estas três supostas personagens. Todas elas a mesma pessoa. Porque é disso que se trata: pessoas.

De saltos. Aos saltos. Cabelos ao vento ou assertivamente compostos. Sempre eu.

#UnconsciousBias #Regras #Fashion

Bon chic, bon genre?...

Ignorância. Este é um dos maiores problemas da nossa sociedade.

Tudo começou com um elogio simpático o qual, rapidamente, se transformou num
comentário inconveniente sobre a minha aparência. Tão informal que... E
mais não digo porque não há código definido, sequer escrito. Na ausência de definição, cada qual assume- se nos domínios do bom senso e do bom gosto. Ou do bon genre? Também não há farda mas assume-se que a determinamos cargos e posições corresponde uma determinada aparência. A que desconstruo permanentemente porque me apetece. Porque me dá um certo prazer ouvir os seus comentários pequeninos no alcance e enormes na voz, enquanto passo. Depois de passar. Antes de me aproximar, quando já venho ao fundo, no corredor.
Porque é assim que gosto de me vestir e nada ou ninguém me impedirá de ser quem sou. Independentemente do que possa parecer. E sei que não parece mal.

Desculpem, que não pareço mal.

A realidade nem sempre é elegante

Há momentos em que acordo e penso que nada vale a pena, que somos todos um bando de egoístas e outras ideias sobre a chamada crise de identidade, em que nos questionamos sobre o nosso propósito de vida, ou o que andamos aqui todos a fazer. E, depois, seguem-se os pensamentos sobre o que temos, e valorizamos, para concluir que andamos todos equivocados sobre a verdadeira essência das coisas. Que damos importância ao que não é de valorizar, que perdemos tempo com o que pouco interessa quando, ao nosso lado, está tanto a acontecer. 

Olharemos para o lado? Quando o fazemos tentamos ignorar. 

Não estou a criticar. Apenas a reconhecer que também o faço. Embora não consiga ignorar. Não faz mim uma pessoa melhor do que qualquer outra. Quando posso, envolvo-me. Quando me toca não faço de conta que não vi. E todos os dias vejo o que preferiria não ver. No caso, é impossível ignorar pessoas que vivem na rua. Todos os dias passamos por elas, pelos seus pertences, pelos espaços que ocupam na rua. 

Optamos, quase sempre, por olhar em frente.

A Association Aurore não olha em frente. Olhou com olhos de ver para a situação dos sem abrigo em França e recorreu à moda, ao design e à elegância para dar a volta a estes conceitos, fazendo-nos olhar para o que habitualmente tentamos ignorar. 

“Tenham a elegância de ajudar aqueles que não têm nada”

Aurore é uma associação Francesa que luta contra a precariedade e exclusão social. Esta campanha pretende chamar a atenção para um problema que não está na moda mas afecta muita gente. E, por isso, em vez de modelos e vestidos, usa apelidos famosos, de criadores franceses, relacionando-os com a realidade dos sem-abrigo. Independentemente da dimensão do problema em França, para quem não quer virar a cara e  prefere encarar a verdade, os números em Portugal apontam para mais de cinco mil sem-abrigo. 

E serão certamente estes, os últimos a terem preocupações com o design ou estilo da sua roupa. Por isso me parece tão forte esta mensagem que nos chega de França. Porque a moda não é apenas sobre roupa e, quando é, pode querer dizer muito mais do que roupas bonitas. Pode ser um elemento de contraste, entre o tudo e o nada, apelando à solidariedade.

A questão dos sem abrigo não é recente mas tem ganho visibilidade pública. Tal não quer dizer que existam mais sem abrigo, como começava uma das notícias que li. Efectivamente, os dados são, a meu ver, preocupantes: Em 2014 o DN noticiava que a Santa Casa da Misericórdia de Lisboa saiu à rua para contar os sem abrigo, registando 852 pessoas (343 dos quais em centros de acolhimentos). Neste número incluíam-se também as 454 pessoas que responderam a um inquérito. Este demonstrava que 139 vivem na rua há menos de um ano e 21 têm estudos superiores.  Moda? Não. Flagelo social.

Também em 2014, com números do ano anterior, o Público escrevia que 4.420 pessoas viveram em jardins, estações de metro ou camionagem, paragens de autocarro, estacionamentos, passeios, viadutos, pontes e abrigos de emergência de Portugal. Este ano, o Observador, com dados de 2011 e 2012, publicou uma notícia na qual se pode ler que mais de um terço dos sem-abrigo em Portugal estão na região de Lisboa e Vale do Tejo.

Há uma semana a Santa Casa da Misericórdia de Lisboa procedeu à recontagem dos sem abrigo na cidade, concluindo que há menos sem abrigo. Boas notícias? Não, enquanto existirem pessoas que dormem na rua. Ao que parece, há menos 37 pessoas nesta situação, avança o Público mas, no entanto, há pessoas mais novas, casais e crianças, faz notar o DN. Eu sei que este não é um tema fashion, sequer um tema que interesse a muitas pessoas. Fica sempre nas páginas dos jornais e nos noticiários da rádio e TV como um tema obrigatório, um dos quais é fundamental abordar sem, contudo, se verificar uma verdadeira intervenção social. No Canadá, uma cidade conseguiu por fim ao flagelo. Exemplo a seguir? Quem sabe?... Focando-me em Lisboa, cuja realidade conheço melhor, há iniciativas várias da CML e das Juntas de Freguesia para um problema que ultrapassa, claramente, o domínio da autarquia. Como outros temas, é uma questão social que teimamos em ignorar, sentados no sofá a ver os números e as estórias de quem vive na rua. Quanto a vocês, não sei mas, para mim, não são apenas números. E a serem, são dos me que incomodam e suscitam a curiosidade sobre o podemos fazer para alterar o estado das coisas…

Imagens retiradas do site da Association Aurore - VER

#homeless #social #wecare

as paredes da cidade estão cada vez mais na moda

Saí para almoçar cheia de vontade. Local novo, tudo por descobrir. Gosto de experimentar restaurantes. Pela comida, mas também pela vibe do local. Tudo me desperta a atenção porque nem a melhor comida se salva com um mau serviço. Sobre o almoço, falarei outro dia. Podem espreitar no Instagram, para vos abrir o apetite. Saí, com a vontade possível às três da tarde e descobri um beco inimaginável em Santos... 

É verdade que tenho vindo a escrever muito sobre arte urbana. Não é por acaso. As coisas acontecem na nossa vida por uma razão e conheci a Urban Art, um projecto de arte urbana, na mesma altura em que comecei a escrever o urbanista. Uma amiga também o recomendou quando escrevi sobre a mudança, as casas e o impacto que mudar de casa pode ter nas nossas vidas.

Na verdade, percebi que a arte urbana - urban art; street art; graffiti ou o que lhe quiserem chamar - é muito mais do que aquilo que habitualmente conseguimos ver. Simultaneamente - e sem qualquer relação - um amigo mostrou-me como as paredes podem ser mais do que apenas isso. Com ele, aprendi a olhar para grafitti e descobrir uma certa semiótica urbana que abusivamente ignoramos. Depois, a Urban Art apresentou-se, e deu-me a conhecer as peças que faltavam, para compreender esta tendência que gigantes como a Ikea também abraçaram: arte que nos faz vibrar; que nos faz olhar e sentir. É assim a arte. Nas paredes da rua ou no museu.

Diz a Ikea que a casa é o reflexo de quem lá vive. Não tenho dúvidas que poderá reflectir melhor cada um de nós se abandonarmos rótulos e as convenções que determinam o que deve ser cada divisão. Da mesma forma, também podemos redefinir as nossas paredes. É esse o mote da Urban Art: trazer a arte da rua para dentro de casa. Parece-me genial e, pessoalmente, não me importava nada de ter uma parede assim na casa para onde vou morar...

#urbanart #fashion #trends

sexy in the cold

A maioria acha que não, mas sim, podemos ser sexy com camadas de roupa. A analogia não é perfeita mas, da mesma forma que um corpo nu desvenda tudo, também um corpo tapado pode deixar um homem em brasa. 

O frio instalou-se há mais de dois meses e, ao contrário do que é habitual em Lisboa. O que apetece é estar confortável e quente. Não são sinónimos de coerência e estilo. Já passou o dia dos namorados e imagino a ginástica que terá sido para puxar pela sensualidade num ambiente tão hostil.  

Sexy e sensualidade têm mais a ver com atitude do que com a roupa. Quantas vezes olhamos para mulheres ou homens que não são fisicamente bonitos mas emanam charme e sensualidade? É atitude. No caso da roupa, a palavra chave é harmonia: de peças, cores e tecidos. O meu guarda roupa é bastante monocromático, com uma base de neutros que me faz escapar a combinações ou sobreposições a dar para o desastroso. Na pior das hipóteses estou toda de negro. Da cabeça aos pés. Negro pode ser tudo o que quisermos. Mas não exageremos. No caso de estarmos mais tempo no exterior e se a peça fundamental, por ser a mais quente, é negra, podemos iluminar o look com o cachecol, sapatos e/ou carteira. Se vamos estar em ambiente relativamente aquecido, a concentração será na peça que fica visível todo o dia. E se fomos a correr aos saldos e só conseguimos um casacão de lã laranja, então a base de cores terá de ser quente ou neutra, assumindo-se como o ponto de cor. Com negro realça demasiado as duas cores, bastante contrastantes. Um detalhe de cor resulta sempre melhor do que a conjugação de várias cores (ou tons, dentro da mesma cor). Ou do que a preguiça de usar preto com tudo. O mesmo se aplica aos padrões (riscas, bolas ou animais).

Nas pernas, ou calças de polipele - aquela coisa que parece cabedal mas não é - ou collants microfibra com um mínimo de 100 den. Também há com uma felpa no interior. São quentes, mas não deixam a perna tão bem definida.

Para a maioria, o problema são os pés. Para mim também. Conforto e sensualidade nos pés não andam de mão dadas, mas há soluções originais que podem fazer que os pés sejam uma agradável fonte de sedução. Os ténis vieram para ficar (thank you GOD). São quentes e confortáveis. Dependendo da circunstância podem ser o detalhe surpreendente num ambiente formal (mas não demasiado). Há soluções interessantes para combinar ténis com vestidos, calça cigarrette ou de corte masculino e um sobretudo ou casacão glamoroso que anula qualquer hipótese de um look desmazelado ou de fim de semana. As botas  e botins permitem usar dois pares de meias, recorrendo à saia curta para mostrar as pernas, que aparecem discretamente por baixo de um sobretudo comprido. Se as botas forem de cano e salto alto, metade do trabalho está feito: poder, elegância e altura. Três ingredientes para qualquer mulher se sentir sexy.

E se chover?  Galocha é tudo menos sexy...

#sexy #cold # fashion

As imagens são do Stockholm Streetstyle. Se elas conseguem, nós também.