diversity

Igualdade? Yes we can

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Já aqui falei sobre "a lista". 

103 mulheres que devem estar no centro da discussão internacional sobre os media, segundo o site britânico Journalism.

executiva descobriu a lista e fez questão de falar comigo sobre igualdade de género, diversidade e inclusão nos media. Um daqueles artigos sérios, curtos e bem escritos que importa ler.

 

há-de ser... um dia...

... esse dia é hoje.

 Admitamos: não é uma, nem duas ou três vezes que pensamos nisto, sequer que o expressamos em voz alta. A vontade de sair daqui, abandonar tudo e usar havaianas todo o ano já nos invadiu. Da mesma forma, a necessidade urgente de férias. 

A Noelle pode, mas não é um exemplo. Sozinha e sem qualquer compromisso pessoal ou social, abandonou tudo. Partiu sem plano, fixando-se no paraíso que é St. Johns. A questão não é financeira. É maior e mais ampla, paradoxal e quase esquizofrénica. Ela tem razão. Esta urgência nas férias significa que estamos mal na nossa vida.

Não entendo a razão pela qual somos, desde a mais tenra idade, encarreirados num sistema que não conhecemos e com o qual não se sabe se queremos vir a pactuar. Tudo começa na escola com critérios de homogeneização e padronização para dar coerência a uma estrutura de avaliação. Já há escolas que apadrinham a diferença, com moldes menos rígidos mas, na generalidade, transformamos crianças em pequenos adultos, fardados, formatados, a pensar no seu futuro de sucesso. Por definição, as crianças não sabem o que querem ou o que é melhor para elas, pelo que estamos cá nós para decidir em seu nome. Questiono-me muitas vezes sobre estas decisões, o ritmo e o rigor que lhes é imposto. Oiço dizer muitas vezes que as crianças não têm tempo para brincar e que as suas agendas sociais se assemelham às de um adulto. Não concordo e não pratico. Mas cedi a uma lógica que a encaixa num sistema de ensino vocacionado para a produção de pequenos exemplos de sucesso, como se o falhanço tivesse sido riscado do dicionário. Falhar ajuda-nos a crescer e é, em si mesmo, uma forma de aprendizagem. Hoje, o verbo falhar é pronunciado entre dentes, como as palavras feias. Não nos podemos dar ao luxo dos falhanços porque esses estão reservados aos muito ricos com uma rede que os suporta durante a queda e ajuda a levantar. Vivemos numa sociedade de tal forma capitalista, liberal e competitiva que há outros verbos que passaram a ser menosprezados: compreender, ajudar, diferenciar. 

Os excêntricos têm estes devaneios de fuga. Os integrados adoram os seus fatos e as horas passadas nos escritórios, dos quais saem, qual autómatos, à hora do almoço, vestidos de igual, para uma refeição no restaurante da moda - para os neoyuppies - ou no centro comercial mais próximo, para os aspirantes a yuppies.

O termo nasceu algures em 1980 para descrever os young urban professionals que agora já não são tão young assim mas que mantém o padrão. Licenciados com carreiras nas finanças, profissões liberais ou consultoria, ganham bem e vivem melhor, com um estilo de vida urbano e cosmopolita.  Misturam-se com os preppys e, por  vezes, encontramos uma espécie de yuppie-preppy, verdadeiramente irritante, que deixa um rasto de perfume da moda, colocado em excesso, e nos atira palavras com dicção afectada que afecta a forma e o tom das palavras. Dialectos?

Mostram-se felizes com o tipo de vida que escolheram, igual à dos amigos, com férias partilhadas em locais comuns, numa perspectiva do mundo que se reduz àquilo que conhecem, sem reflectir muito sobre isso. Tal profundidade na análise iria mostrar a verdade, com a qual, provavelmente, não sabem lidar. 

Aplica-se a estes e todos os que se recusam a olhar para o que temos de forma crítica, praticando a #gratitude nos sites de redes sociais porque fica bem. Estarmos gratos pela vida confortável que temos e os filhos lindos, impecavelmente engomados na farda da escola é estarmos gratos por aquilo a que nos submetemos de livre vontade, traduzido num cansaço constante e necessidade de férias. Gratos pelo sol da manhã, o sorriso de quem amamos e saúde. Tudo o resto podemos construir. Ou destruir para fazer de novo, com um outro molde, outro ritmo e objectivos. Estaremos certos, encaixados em apartamentos modernos com vista para os vizinhos do lado, conduzindo carros de última geração mais tempo parados nos semáforos do que a circular, que nos levam para outros edifícios, aclimatizados, organizados e padronizados para acenar com a cabeça de um lado enquanto protegemos as costas do outro? Não estamos. Talvez uma galinha na banheira faça mais sentido, quando até um cão consegue ter mais aventura na sua vida do que a maior parte de nós.

 


     

Coisas que fazem pensar II

Sobre o feminismo e a política:

Se isto que podemos ver no vídeo é verdadeiro, então é maravilhoso. Se são palavras numa folha de papel, então, o Primeiro Ministro sabe o que deve dizer. E quando o fazer.

Anyway, you know it Mr. Trudeau!

Trudeau Urges Men to Be Feminists

"We shouldn't be afraid of the word 'feminist,' men and women should use it to describe themselves anytime they want." – Canada PM Justin Trudeau

Posted by AJ+ on Friday, 22 January 2016

Porque é que o Mr. Trudeau afirmou é importante?  

Não é por ser primeiro ministro. Nem por sê-lo no Canadá. Também não é pelo acesso facilitado à comunicação social, ampliando-lhe a  voz.

É por ser homem. E por saber que mais do que defender a ideia do feminismo, tem de educar o filhos do sexo masculino a respeitarem as mulheres. É também por ser um dos outros, porque isto de se afirmar feminista continua a resultar em olhares de esguelha. Se, por um lado, é muito hype assumir-se feminista, por outro, as que o fazem ainda são vistas como as reguilas da turma. As refilonas que questionam. Que opinam. Que, no fundo, lutam pelos seus direitos e que são tomadas de ponta pelo professor. As que vão sempre a exame e não desarmam. As escrutinadas, questionadas, adoradas em segredo e odiadas publicamente.

Porque muitas mulheres continuam a preferir o status quo pacificado do que uma mecha de cabelo fora do sítio. Por isso é tão importante serem os outros - eles - a dar a cara e a falar sobre esta questão. Por isso é muito importante que os homens adultos compreendam que o feminismo não é uma cena de ressabiadas de esquerda com a mania, mas uma causa transversal à sociedade. Se ensinarem os filhos a perceber a questão, já estão a ajudar. Se respeitarem e apoiarem, melhor ainda. 

Da mesma forma, é importante serem os outros - não sei como lhes chamar, eventualmente, os normais? - a trazer para a ordem do dia o tema da diversidade. Porque há muitas pessoas na televisão, mas são todas iguais. 

A diversidade - a falta dela, na verdade - não afecta apenas as mulheres. A mais recente polémica em Hollywood (#OscarsSoWhite) é disso  um bom exemplo. Hoje o The Guardian evoca a questão com exemplos da televisão. E, se pensarmos, a televisão mostra um mundo a preto e branco, asséptico e perfeitinho. Já há raças diferentes nos noticiários, no jornalismo em geral, na apresentação de programas e na ficção, mas este número está muito distante da dimensão real de cada grupo sub-representado. E as mulheres, também ficam de lado. Naturalmente.

The fact that men outnumber women two to one on television, that women disappear almost completely after the age of 50, that there are hardly any disabled presenters on air of any age, or that black men are only listened to about the industry’s lack of diversity once they’ve become really famous in America; none of it is all that funny.
Jane Martinson (The Guardian)