dance

just dance

Há dois filmes que me marcaram. Ou dois filmes de que gosto muito. Ou dois filmes de que me lembro imediatamente, sempre que me perguntam: "filmes preferidos?". Nenhum é o que queremos responder porque não são obras primas do cinema - um até terá sido, à época -, porque não são intelectualmente relevantes, porque há outros realizadores mais importantes. Porque... Porque respondemos raramente com a verdade e antes com o que os outros querem ouvir, ou com o que esperam de nós. 

Um ficará em segredo. O outro é Flashdance, esse momento inspirador para todas as meninas que sonharam, algum dia, em ser bailarinas. Eu tinha oito anos e, ainda hoje, gosto de o rever. Neste momento, a banda sonora toca e eu danço. Canto, de cor, as letras das músicas e abano os pés. Não poderá ser um artigo normal. Não é. É escrito a dançar, com o coração na ponta dos dedos, à espera do impossível.

No filme, o impossível acontece e, fora do tempo, da idade ou do método, ela consegue. Também eu poderia conseguir, pensaram muitas de nós, em surdina, no cinema. Outras choraram. Não sendo uma obra prima, é dos filmes mais populares da década de 1980, com uma crítica difícil de catalogar. À distância, o dinamismo das coreografias é algo exagerado, o guarda-roupa duvidoso, a narrativa pobre e a relação com a realidade pouco real. Mas que interessa isso quando o que queremos é sonhar? E dançar.

Defendo que dançar faz bem a tudo. Podem dançar altos e baixos, gordos e magros, porque a dança depende do corpo para se revelar, mas nasce cá dentro. Ou temos, ou não temos. Ela tinha.

Começo (quase) sempre a semana a dançar e termino da mesma forma. O que gasto em energia converte-se num outro tipo de energia para começar a semana, ou alienar todas coisas más que se vão acumulando ao longo dos dias de trabalho. Dancem. Vão ver que nada voltará a ser igual. Não sabem? Ela também não sabia. E conseguiu. Porque tinha aquilo.

Podemos aprender. Mas nunca é a mesma coisa. Podemos forçar e ser tecnicamente perfeitos. Mas, depois, falta a emoção. Aquilo.

A dança resulta de uma conjugação de factores e elementos: técnica; ritmo; emoção. O que significa que, para dançar, convém saber como executar os passos e movimentos os quais, em sequência, constituem um conjunto de elementos que criam uma coreografia. Para além da sua execução, há que saber colocá-los em sintonia com a música, que fornece a banda sonora e o ritmo para dançar.

O resto? O resto depende de cada um de nós e da forma como interpretamos o que tudo aquilo quer dizer. Porque a mesma coreografia, dançada por duas pessoas diferentes, jamais será igual. A mesma música pode ser interpretada de forma mais delicada ou agressiva, mais feminina ou masculina. Também pode ser nada mais do que um conjunto de passos de dança executados ao som de uma música. O que equivale a nada. Ou quase nada.

Dançar é trazer para o exterior muito do que somos, ou projectar uma personagem que nos pedem para criar. Dependendo da música, podemos ser sexy ou naive, dominadas ou dominadoras. Depende da interpretação. Mesmo quando aparentemente nada há a interpretar, há. A música conta uma estória que vamos representar através da dança. Tudo o resto são aproximações ao conceito. Dançar é isto. É o ritmo frenético que a Alexandra colocava nas pernas para treinar os músculos ao som de Maniac ou quando Laura Brannigan lhe cantava Imagination para dançar, à noite, no bar.

To dance. To barre. To be.

Falo aqui muitas vezes da Mafalda e do MSBStudio. Não é promoção. É lá que pratico exercício físico, intercalado com umas corridas à beira rio. Ou running, para estar na moda. 

Oito da manhã. Saco às costas, galochas e blusão para enfrentar a chuva fraca. Troco as galochas pelos sapatos de dança, ainda sem saber se acordei. Oiço a música e sei que o aquecimento está a meio. Entro quando as ancas rebolam compassadamente da direita para a esquerda, da esquerda para a direita. Somos só mulheres, impera a descontração. Outra música, que conheço de cor, nestas aulas de dança. O corpo mexe, mesmo com o cérebro ainda a meio gás. O ritmo frenético deixa-me sem fôlego, logo hoje que não trouxe água. Passo os próximos minutos a pensar se saio para beber água ou se me aguento até ao fim. A música contagia-me. Não quero perder nada, quero dar o meu melhor e só me concentro na garganta seca. A aula acaba e eu quero mais. Mais ritmo, mais expressão, mais energia. Estou pronta para enfrentar outro dia. Ou quase. Deveria alongar, fazer trabalho de força. Estou cansada. Não posso. Tenho de concentrar as minhas forças num outro trabalho. E saio, de blusão e galochas, a pensar nas vezes em que decidimos seguir pela direita quando o caminho poderia ter sido pela esquerda...

No MSBStudio há técnica, força e expressão. As componentes essenciais para um treino que nos define o corpo, aumenta a auto estima e torna mais funcionais. Voltei aos treinos há quase um mês e ainda não é a sério. Sinto que estou em baixo de forma. A culpa é minha. Dos hambúrgueres e das waffles, dos donuts e das sandwiches. Não estou a queixar-me de peso a mais, apenas a revelar a importância que a alimentação tem no nosso desempenho. Voltei à alimentação "normal" há uma semana mas o rasto dos efeitos da outra perdura...

Simultaneamente sentia os músculos presos e a lombar desarticulada. Queria esticar-me e o corpo não respondia. Esta parte já resolvi. Viajar é maravilhoso mas tem um problema, a viagem. Desconjunta-nos e cria tensões musculares onde não deve. Já visitei o meu fisioterapeuta - quem pratica qualquer tipo de exercício reconhece a importância de "termos" alguém que conhece o nosso corpo ao ponto de antecipar lesões e resolver as imprevistas -. Em poucos minutos recuperei a mobilidade perdida por tantas horas sentada em bancos de avião. Mas não recuperei a elasticidade entregue aos açúcares e hidratos porque quando estico, sinto dor. E quando não sinto dor, sinto pequenos excessos acumulados na zona abdominal que teimam em não desaparecer. É hora de comer bem. Não há solução que a Mafalda, a Joana ou a Maria arranjem no MSBStudio ou massagem que o terapeuta João Pedro Fonseca possa inventar para deitar abaixo três semanas seguidas de excessos. A comida gulosa vicia e não apetecem refeições saudáveis... Pratico mais ou como menos?...

Método. Moderno. Com resultados à antiga...

Compreendo quem não acorda cedo para sair de casa e fazer desporto. Mas não tenho dúvidas quanto ao impacto que estes dois actos, profundamente relacionados, têm no nosso dia-a-dia.

É um sacrifício sair da cama num dia frio e cinzento.  É... Tão grande que não serão poucos os que saltam diversas etapas na manhã por mais cinco minutos debaixo dos lençóis. Que se atrasam por aqueles cinco minutos. Que, durante meses, abdicam de um começo de dia com exercício. Depois, correm para compensar a inércia...  

Uma manhã que começa com movimento é melhor. Saltar da cama, abrir a gaveta da roupa de desporto, alinhar as peças em função do exercício, garantir a proteína e hidratos para melhorar os resultados,  caminhar até ao MSBStudio para uma hora na barra. O método não falha.

Não é ginástica. Para isso não faltam ginásios apetrechados. Não é cross fit que também já há de sobra. Nem um grupo de fitness, treino funcional, um clube de corrida ou uma escola de dança. Para qualquer uma das últimas hipóteses não faltam opções. Algumas dignas de (muito) respeito e das quais gosto muito. Tudo, em dias, e momentos diferentes. No entanto, uma opção que nos ensine mais sobre movimento e postura, que através desse trabalho vá criando uma maior consciência do nosso corpo e das suas características, ao mesmo tempo que ficamos com um corpo (mais) feminino, definido e tonificado, maior flexibilidade e força? Não tenho dúvidas de o ter encontrado com o método da Mafalda que, finalmente, decidiu assumi-lo em pleno quando reformulou o plano de aulas do MSBStudio, consolidando-o como um daqueles locais modernos com trabalho e resultados à moda antiga...

Aqui, não há ginástica. Embora o esforço seja igual. O empenho é equivalente e os resultados, melhores. Há técnica, que se aprende e re-aprende diariamente. Há conceitos explorados à exaustão e entusiasmo que, apenas quem está, entende. Há dor, daquela que gostamos de sentir, dos músculos a esticarem, a alongarem, a darem sempre um pouco mais. A barriga que queima, os gémeos que gritam, os braços que inexplicavelmente aguentam mais uns segundos. As costas ganham uma definição digna de revista, sem músculos a sobressair, mas tonificados como nunca antes estiveram. Os pés ganham milímetros sempre que se esticam, o pescoço cresce. As mãos, os dedos e cada pormenor das suas extremidades ganham outra beleza. Porque é de beleza que se trata. Como já uma vez afirmei, o treino da Mafalda é mais artístico do que qualquer outra coisa. E a arte, por definição, é bela.

Ginásio? #not

Portugal poderia ser um país pequeno e, no entanto, muito grande. Mas não é. Escolheu ser pequenino, mesquinho, teimosamente retrógrado e muito invejoso. São poucos os que nos ajudam na subida e muitos os que regozijam com as quedas dos outros. Mesmo que signifique também a sua queda. Não há uma cultura de concorrência, de fazer mais e melhor do que os outros. Não, quando alguém faz melhor ou, simplesmente, diferente, a estratégia é simples: imitar ou aniquilar. 

Os pequenos imitam e ficam com as migalhas. Os grandes aniquilam e varrem as migalhas. 

Eu não frequento um ginásio. Isso faz toda a diferença. Porque na maior parte dos ginásios, especialmente os grandes, aqueles que todos conhecem, mesmo não os frequentando, tratam-me pelo nome e esboçam um grande sorriso sem saberem quem sou. Têm planos e esquemas de acompanhamento pagos a preço de ouro e aulas nas quais já dei por mim a bocejar ou a saber mais do que quem estava a ensinar. Not good. Fartei-me. Not good. Há excepções. Pessoas e professores fantásticos em locais aparentemente fantásticos e que servem principalmente para passear toalhas. Elas, perfumadas e maquilhadas. Eles, com o cabelo no sítio, a tonificação perfeita e a roupa cuidadosamente escolhida, como se fossem treinar e, simultaneamente, desfilar.

Nada contra. Não é o meu género. Não vou praticar o que quer que seja com as t-shirts velhas e desbotadas mas também não quero sentir-me o patinho feio num desfile de moda. Faço-o pela prática e pelo que esta me oferece. Para além da satisfação pessoal, o prazer de dançar, o corpo desenferrujado, a mente livre. Não tem preço, embora se pague. 

Já aqui vos contei que descobri o local ideal para o fazer e vou repetir. Somos só mulheres o que, por si, faz a diferença (nunca mais me preocupei com alças do soutien, calças justas ou transparentes quando molhadas de suor) e não há uma lógica de ginásio, de prestação de serviço. Há uma missão. A Mafalda Sá da Bandeira está lá para nos educar, melhorar e fazer perceber como uma boa postura pode mudar a nossa vida. Porque muda. Dificilmente encontramos isso num ginásio. Porque o MSB Studio não é um ginásio. Não é um espaço para a prática de exercício físico, embora o exercício também aconteça. Como o nome indica, é um studio (estúdio), um espaço de criação artística. Porque aquilo que ali acontece todas as manhãs, é arte. Pura arte.

 

image.jpg

Dançar faz bem a tudo. Cantar, também!

Hoje foi a última aula da temporada 14/15 no MSBStudio. Não havia uma aula especial ou festa de despedida mas todas, as que estávamos naquela aula, sabíamos que era diferente. Acho, até. que queríamos que fosse diferente. A diferença só depende de nós. Nenhum professor faz uma festa sozinho. E a Mafalda não esteve sozinha. Tímidas e contidas como habitualmente, mas soltas a ponto de me fazerem estar divertidamente a dançar. Cantei. Dancei. Suei como há muito não suava, com esforço inferior ao habitual. O corpo já acusa duas noites mal dormidas, mesmo que sejam de pura diversão.

Não fotografei. Menos ainda, filmei. Estava demasiado ocupada a dançar. As coreografias de sempre. As músicas de todos os dias. O esforço do último dia e a expectativa de um nova temporada cheia de coreografias novas e vibrantes. Porque só vibrando, se pode dançar... 

image.jpg

dance. dance. dance.

Não sei há quanto tempo os conheço. Mas sei que sempre partilhámos a paixão pela dança. Eles, mais do que eu. Eu gosto de dançar. Eles sabem dançar. E partilham essa paixão, todos os dias, com quem quer aprender. 

O exercício faz parte da minha vida, assim como a dança. Treinei e dancei até ao último dia de gravidez. O Álvaro acompanhou a maior parte desses treinos. Não estranhei, por isso, quando a minha filha, com poucas semanas, sorriu quando o conheceu. Achamos que lhe reconheceu a voz. Assim que retomei a actividade física, depois da gravidez, levava a Rita comigo para aulas de alongamentos. Nunca chorou. Olhava atenta para cada um de nós e deixava-se embalar pela música suave. Talvez por isto também ela já dance quando gosta da música. Talvez por isto a Jazzy seja tão especial para mim.

Lembro-me do projecto começar... Foi quando a minha filha nasceu, como poderia esquecer?... Também me lembro de como rapidamente cresceu e mudou de instalações. Maiores, mais atraentes. Não me esqueço de sair a correr das aulas para amamentar ou, mais tarde, quando a Jazzy abriu em Santos, de fazer a Marginal à noite, depois da Rita adormecer para uma aula de dança. Ou duas... Depois, lembro-me da Jazzy ficar outra vez maior, novamente mais bonita e ainda mais diversa. Também eu mudei de casa e deixei de fazer a Marginal. Passei a ir a pé. A correr, à ida, e lentamente a caminhar, no regresso, pernas desfeitas depois de uma hora de kuduro com a Blaya, na Jazzy. Aos sábados de manhã, depois de uma rápida passagem pelo mercado biológico, barra de chão. Às vezes, não sei como o corpo resiste.

Depois das férias, enquanto corria à beira-rio vi que a Jazzy se expandia. Mais espaço, mais estúdios, mais dança. Este crescimento da Jazzy deixa-me extremamente feliz, porque representa não só o crescimento da dança como de um casal que, inevitavelmente, tem feito parte da minha vida. Ontem fui conhecer a Jazzy no Saldanha. Mais aulas, novamente um espaço ainda mais bonito, agora no centro de Lisboa. Ainda estou com as pernas bambas e a cintura a tremer. Definitivamente, só não dança quem não quer...

Hoje embarquei num autocarro que circulou entre Santos e o Saldanha para celebrar o Dia Mundial da Dança. E é agora, que estou sentada a escrever, que penso como a dança pode mudar a vida das pessoas...

dançar

Danço por prazer, por alegria, por necessidade. Não sei se saberia viver sem dançar. Há os que cantam na banheira. Eu danço. Outros cantam a plenos pulmões no carro. Não danço, abano-me tanto quanto o banco permite. Na cozinha, uns usam a música para se inspirarem. Eu cozinho e danço. E, às vezes, caem limões ao chão. Há os usam auscultadores para ouvir música. Eu também. E danço. Às vezes, na rua (supostamente) deserta para depois encontrar um olhar surpreendido, baixar os olhos e seguir a caminhar, de mãos nos bolsos.

As pessoas esquecem-se de dançar. Talvez não saibam, mas dançar é tão bom quanto uma boa gargalhada. A maior parte das pessoas, na maior parte do tempo não sorri. Muito menos ri. Porque haveriam de dançar?... Não perco uma oportunidade para dançar. Esta foi uma semana em grande. Hoje é o Dia Mundial da Dança. Um dia que deveriam ser todos os dias. Dancem. Mesmo que troquem os pés, que tenham vergonha, que sejam descoordenados. Uma coisa é dançar, deixar o ritmo entrar em nós e sentir uma vibração que nos percorre o corpo e faz os pés, os braços, e tudo mais mexer. Outra é ser bailarino. Não somos todos cantores, pois não? Mas todos conseguimos acompanhar a música que toca na rádio. E isso, deixa-nos mais felizes...

#dance #fit #ballerina

cool kids

Para além de locais muito cool como o Lux, nunca tinha visto um Dj actuar. Os live acts não eram uma cena dos meus tempos de adolescente. As bandas davam concertos. Os Dj’s raramente saíam da cabina.

Também antigamente, quando os meus pais eram pais e eu era filha, não era nada cool os pais fazerem o mesmo que nós, adolescentes, fazíamos. Era uma regra. Os pais eram velhos e faziam coisas chatas. Os outros, menos chatos, eram raros e eram os pais hippies, artistas ou excêntricos. Mas, como a geração seguinte reage sempre à que a precedeu, criou-se uma certa tendência para fazer os filhos acompanhar os pais. E não estou a falar de jantares em família. Os pais de hoje tem um estilo de vida tão ou mais cool do que o dos seus tweenies ou adolescentes. A diferença está no poder de compra: é muito comum vermos pais e filhos, ou os pais e os filhos dos outros nos mesmos eventos. Não sei se nos recusamos a envelhecer ou se os 40 são mesmo os novos 20, gozados com mais estilo. Bons restaurantes de sushi enquanto eles vão aos de all You can eat e zonas VIP nos concertos enquanto eles estão na molhada. Comecei por estar na molhada e ainda gosto. Mas já me sabe ficar confortavelmente a curtir a música numa zona mais recatada. 

Só não entendo alguns pais que vejo nos concertos, sentados. Não conhecem a música, estão no Facebook e até o resumo do jogo de futebol conseguem a ver. No meu tempo o pai de alguém trazia dois ou três e o pai de outro vinha buscar. Agora ficam. Mas não curtem. Ou curtem à sua maneira… Há, de facto, uma razão para os putos terem migrado para o instagram e snapchat... Estão todos no Hardwell, com pais ao lado, mas em mundos diferentes....

#music #Hardwell #dance