bodypositive

Amar é normal. Anormal é não amar

Usei, propositadamente, as palavras normal e anormal no título. Porque sempre achámos normal chamar anormal a alguém que é, apenas, diferente. Durante muito tempo o outro seria atrasado. Um anormal, deficiente, um mongo. Ou monga. Porque eram, dizia-se, mongolóides. Até me dói escrever isto mas era a verdade...

As pessoas com deficiência mental, especialmente Trissomia 21, foram, durante muito tempo, socialmente ostracizadas, maltratadas e, mesmo, desprezadas. Creio que estamos, hoje, mais informados, despertos para a importância de aceitar a diferença, capazes de compreender que isso de ser um mongo tem muito pouco a ver com a anomalia que provoca a deficiência mental e muito mais com a incapacidade que algumas pessoas (ainda) têm de ver para além do seu pequeno umbigo.

A APPACDM teve uma iniciativa maravilhosa: juntou vários jovens com algum tipo de deficiência mental e mostrou-lhes que são tão ou mais bonitos do que as outras pessoas. Essas outras para as quais também estes jovens olham de forma diferente por se sentirem, eles, diferentes. 

Não somos todos diferentes uns dos outros?

Somos.

Eu sei. As características físicas e, por regra, o desenvolvimento mental e intelectual torna-as diferentes do que se definiu como socialmente normal mas, sinceramente, acho-as muito especiais e muito pouco anormais. Foi o que o projecto do livro Um dia igual aos outros provou a cada um deles porque, em boa verdade, com maquilhagem e roupas bem escolhidas, ficamos TODOS sempre muito diferentes daquilo que o espelho mostra no dia-a-dia.

São muitas as pessoas que não se amam. Odeiam-se, e a cada milímetro do seu corpo, numa atitude que corrói a alma e destrói a sua relação com os outros. Não é fácil ser diferente num mundo que apela à uniformidade e que estabeleceu padrões de beleza quase inalcançáveis para o comum dos mortais: aqueles que acordam todos os dias bem cedo, enfrentam o trânsito e os transportes públicos, querem alimentar-se bem sem saberem como, cedem à tentação ou se deixam enganar por rótulos carregados de ilusões, chegando ao final do dia sem tempo, paciência, capacidade física e mental ou, simplesmente, dinheiro no bolso para cuidarem de si. A vida - a vida normal - é assim e só nós podemos mudar isso. Mas (ainda) não podemos, sozinhos, mudar a forma como o outro olha para nós e nos avalia, com impacto na ideia que fazemos de nós próprios. Estes jovens sentem, amam, aprendem como qualquer um de nós. Podem divertir-se, trabalhar e viver de forma autónoma se os incentivarmos. Porque amor é amar e também as pessoas com algum traço físico (ou mental) que as diferencie dos outros merecem sentir-se bem na sua pele não apenas por um dia, para um sessão de fotografias...

Afinal sou bonita, expressão de uma das modelos, foi a que mais me cativou porque as noções de feio e bonito estão de tal forma sugestionadas que perdemos a ideia de respeito e aceitação pelas diferenças que nos unem. Também eu olho ao espelho e, por vezes, me julgo, critico e trato mal. Quem nunca?... O segredo para nos sentirmos bem (ou, pelo menos, melhor) é aprendermos a aceitar que todos temos um #BadHairDay e olhar sempre para os nossos aspectos positivos. Porque todos, à nossa maneira, somos bonitos. Este projeto fotográfico deu a oportunidade de fazer estas pessoas sentirem-se bonitas. Muitas afirmaram que antes deste livro se sentiam feias. A maquilhagem, o cabelo e o trabalho final da fotografia fez com que muitos chorassem perante o resultado final e fê-los perceber que, afinal, são bonitos.

Além da imagem que mudaram de si próprios, fizeram amigos e provaram, a cada um de nós, que a beleza vem sempre de dentro e que somos nós que a moldamos do lado de fora. Com ou sem #makeup...


IMAGEM DE CAPA:

a inspiradora Madeline Stuart, a primeira modelo com Síndroma de Down

Skinny and Curvy bitches: unite!

"Está gorda". "É gorda". "Estou gorda"

Oiço tantas vezes qualquer uma destas frases que decidi recuperar este artigo do Huffington Post (Women) publicado no início do ano. Depois dos excesso das festas, chegou a Páscoa com as amêndoas e, só a seguir, já no fim do mês, gritamos ao espelho: 

AHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHH

É o momento em que o pânico se instala para recuperar o corpo do Verão passado ou, pelo menos, minimizar o estrago... 

Para quem não gosta de dietas e menos ainda de ginásio, ainda menos da palavra exercício físico, é tempo de assumir os erros alimentares e, mesmo sem objectivos concretos para perder peso, reequilibrar o corpo. Pois e tal, conversa. Na verdade, dieta em si, não resulta. O que resulta é aquilo que chamo a Lei das Compensações. E exercício. Porque uma mulher em abstinência parece que tem TPM. O dia todo. Todos os dias. Tão bom que nem a própria se aguenta...

No início do ano, a Molly Galbraith foi alvo dos mais diversos comentários e críticas. Por isso, decidiu ir contra a corrente: publicou uma fotografia em biquíni assumindo uma postura anti resoluções de novo ano. Que nunca cumprimos à risca, em boa verdade. E que se arrastam até meio do ano. Na verdade, arrastam-se. PONTO.

A Molly é bodybuilder e personal trainer, trabalhando essencialmente ao nível da força e condicionamento físico. Não é bem o que eu faço - ou gosto de fazer - mas admiro que defende uma ideia e se auto-define através de uma missão: ad descoberta e aceitação  do corpo sem que as mulhjeres tenham de se matar para conseguirem um corpo de sonho.

Estamos a semanas de começar a mostrar os pés e as pernas, e a outras tantas para nos despirmos de preconceitos e assumirmos curvas e contracurvas na praia. Porque razão temos tanta dificuldade em assumirmo-nos como somos, deixando estereótipos de lado para procurar apenas o estar bem, o bem estar e a saúde? Seremos assim tão permeáveis às ideias que nos vendem as revistas, a web e a televisão?

Se nos sentimos bem comendo papas de aveia e bebendo sumos detox, ou com um copo de vinho ao fim do dia e um bife com batatas fritas, assim seja. Sou pelo respeito, desde que respeitem as minhas opções. E parece-me bem que estamos num caminho sem retrocesso, em que saudáveis e menos saudáveis se degladiam nos sites de redes sociais sem que isso traga quaisquer benefícios para qualquer uma destas opções. 

Torna-se um pouco mais esquizofrénico e ambíguo quando nos sentamos literalmente no meio, tratando de um hambúrguer com batatas fritas como se não houvesse amanhã, uma mousse de chocolate que sabe a pouco ou um copo de vinho branco que se transforma em dois ou três, compensando estes eventuais excessos com actividade física e uma alimentação regularmente saudável. Isso torna-nos o quê? Os arrojados que se definem na ausência de definição, posicionando-se numa linha que separa o bem do mal, ou os puritanos que se exigem a purificação depois da luxúria?

This is my body. This not a before picture. This is not an after picture.This just happens to be what my body looks...

Posted by Molly Galbraith on Friday, 1 January 2016

She's nothing but a freaking fat bitch. Some people think and some actually verbalize the thought, forgetting how hurtful it can be to know what people talk in our back while smiling at us.

It's true. Don't whistle because we've all been there. Somehow, somewhere...

Molly Galbraith is a bodybuilder and a personal trainer who devotes her time and effort to total conditioning and bofy strength increase. It's definitely not my thing but I respect her option. Above all, we all should respect each other's decisions and lifestyle, specially if that lifestyle aims to empower women to be more accepting and to love themselves for what they are, how they look like without killing themselves in order to reach some beauty ideal. Praise to that! 

On January 1, Molly decided to kick-start the year by making a kind of anti-New Year's Resolution. She shared a photo of herself in a bikini, along with a super empowering caption on Facebook. 

It's been four months and I bet your New Year's resolutions aren't t still completed or anywhere near to make a real change in your life. In a few weeks our legs and feet will be on the loose and sooner than you think so will our bodies, in bikinis and shorts. So I wonder, why are some of us so judgmental, with this body shaming attitude towards others? On the other hand, why do those being bullied give a F*** about this shameless behavior?

Issues emerge from skinny bitches having all kinds of seeds and oatmeal, combined with detox juices, while fat bitches are having a glass of wine, pizza and burgers everyday. If I don't ask you to share my oatmeal, why should you criticise me for having it my way? Furthermore, why do we have so much difficulty in being more accepting about who we really are, gnoring stereotypes, neglecting beauty standarts to focus on our well-being?

I feel like we lost control and forgot how to coexist. It's true and it happens more than we can imagine: one day I'm having white wine and chips and the next, fruit and oatmeal as it pleases me. Is our apparent schizophrenic ambiguity bothering others? I agree with the #guiltypleasures option combined with regular healthy food, conscientious choices and exercise to get rid of all excessive options one might have had. What does that make us? Undefined bold people over the thin line that separates good from evil? Or puritans demanding for purification after the lust?

I'm with Molly:

"This is my body (...) This is not a before picture. This is not an after picture."

Enjoy yourself. Enjoy life.

Curly

Os cabelos encaracolados podem ser um problema. Podem. Os lisos também.

Os caracóis acordam, muitas vezes, rebeldes.  Aparentemente no ar, impossíveis de domar. Somos nós que os vemos assim.

Na maior parte das vezes o cabelo está apenas a precisar de uns toques com as mãos e um produto adequado para lhe dar aquele ar sexy de bed looks

É certo que poderão existir uns quantos verdadeiramente indomáveis que fazem ninhos de rato quando dormimos e, de manhã, quando acordamos, parece que o rato se enrolou em todos os fios de cabelo. Difícil. Não pensem que não sei do que falo porque sei. Nunca vivi tal experiência mas, ao meu lado, diariamente, a luta para manter praticamente liso um cabelo que não é liso. Dar-lhe um toque com o secador e a escova para simular as ondas que resultam de uma hora no cabeleireiro. A fuga da humidade para que o cabelo não encolhesse. Ou, em boa verdade, voltasse à sua forma natural. Não pensem, também, que um cabelo liso é melhor do que os caracóis. Não é. Não tem volume e, se tiver um remoinho, acordamos sempre com uma divisão no cabelo impossível de gerir com uma escova. Deitar com um cabelo fantástico e acordar com ele colado à cabeça como se o tivéssemos envolvido num saco de plástico. Na maior parte das vezes tem uma aparentemente vantagem: podemos acordar e sair sem usar pente ou escova. Tão liso, não se nota. Mas também podemos descer as escadas a ajeitar os caracóis e sair com um ar vitorioso, o statement da powerful woman que pode dar um cabelo encaracolado. Não fosse a mensagem que durante anos a indústria da moda enviou, perpetuada pela comunicação social, e todos olharíamos para os caracóis de uma forma muito diferente.

Dana Oliver : Executive Fashion And Beauty Editor, The Huffington Post

Dana Oliver: Executive Fashion And Beauty Editor, The Huffington Post

Poderosas

Gorda não pode isto. Gorda não pode aquilo. Gorda é gorda. Na verdade, as magras têm outras limitações. As assim-assim também. As boazonas. As de cabelo encaracolado. As de cabelo liso. As grandes. As petites. Querem mais?...

No ginásio, algumas "normal size" suam que nem porcas e não atingem metade da performance.

Se uma gorda incomoda muita gente? Não acho.

Acho mesmo que só incomodam as que se julgam as "donas do pedaço". Essas sim, incomodam. E não é pouco.

Venham as gordas todas. Simpáticas, de preferência. E sem complexos porque quando toca a praticar, estamos lá para isso, não para tirar medidas (I guess....).

http://adsoftheworld.com/media/tv/penningtons_yoga

48 coisas e nenhuma mentira

Para além destas, há mais. Muitas mais. Tantas quantas a imaginação quiser. Gosto particularmente das que têm a ver com a beleza e o corpo feminino, como se uma mulher bonita tivesse culpa de o ser, ou uma mulher considerada feia o seja, realmente. Um homem tem sempre outros atributos. Raramente é objectivamente feio. Menos vezes ainda, criticado por ser atraente. E nunca mal considerado por ser galanteador. Porque se galanteia, é porque ela é bonita. E boa. Tesuda. Uma brasa. Gira que até dói. Cheia de estilo. Se for inteligente e sorrir, um homem não tem como resistir. E a culpa é dela. Porque se não fosse assim, o galanteador não se lhe dirigia. Get a grip!

Afinal, "estava apenas a cumprimentar-te". Pois.

Há formas e formas de nos cumprimentarem e sim, sabemos quando esse cumprimento tem segundas intenções e não, não temos de nos derreter por cada um que nos aparece, ou aceitar todos esses "cumprimentos". Estamos, também, no direito de os ignorar. De não retribuir, de não nos deixarmos afectar por eles. Ou de os ouvir, sorrir e seguir, esquecendo-os (a eles e ao elogio). Por incrível que vos possa parecer, aprendemos a lidar com isso, cada uma à sua maneira. Sem que nos afecte demasiado o ego.

"És tão bonita". E então? Há algo que queiras acrescentar em relação àquilo que sou, ou ficamo-nos por aqui? Na verdade, há roupas que não devemos usar porque vão "distrair os rapazes". Curiosamente, eles, os rapazes, podem vestir-se como quiserem. Com excepção dos limites do bom senso, códigos de etiqueta e pudor pessoal, cada um - homem ou mulher - deve poder vestir-se como entender sem que isso leve ao típico "vestida assim, o que esperavas". Não tenho de esperar nada porque tenho o direito de usar calções, saias curtas ou decotes se assim o entender. É muito cansativo passar a vida a escolher a roupa em função de todas as determinantes (local, ocasião, estado do tempo, diferentes actividades que teremos ao longo do dia, humor e conforto), incluíndo outra, subreptícia, sempre presente e nunca enunciada, que elimina das escolhas qualquer elemento que possa, eventualmente, provocar. E que nos faz, tantas vezes, voltar a pendurar no roupeiro algumas peças de roupa. Umas porque mostram demasiada pele, outras porque são justas, outras porque... Não queremos que nos identifiquem como uma "p***" mas também não gostamos de parecer "virgens puritanas" a vida toda. Simplesmente "o que tinhas vestido" condiciona e determina muito do que acontece, mesmo quando o "que tinhamos vestido" nada tem a ver com aquilo que eles, os rapazes, são capazes de ver. Mesmo de gola alta e calças compridas. Até assim, podemos estar "a pedi-las".

Não, não estou a ser "emotional" e menos, ainda, "histérica", pese embora me apeteça dirigir ao mundo pedindo desculpa por existir e ser mulher, enquanto lhe grito que "não estou a chamar a atenção". Mas isso faria de mim uma "bitch" que é sempre "mal humorada". Ou mal interpretada. E garanto, mesmo "naqueles dias", não nos deixamos controlar pelas hormonas. Curiosamente, hormonas essas que conduzem o comportamento masculino na maior parte do tempo, fazendo-os comportarem-se como o vídeo enuncia. Não é à toa que não nos dizem que "pensamos com a cabeça de baixo"...

Depois, exigem-nos um pequeno esforço para sermos "bonitas" ou um "sorriso" porque nos tornaria mais belas. O paradoxo em cada instante, entre o facto de sermos atraentes e, portanto, disponíveis, ou a necessidade de nos tornarmos mais bonitas só porque sim. Para podermos receber os tais "elogios" que na maior parte do tempo são quase perseguições, porque se subentende que, por não sermos desagradáveis, estamos a retribuir. Não estamos. Não queremos é passar parte do tempo a mandar-vos àquele sítio. Porque isso é feio. E cansa.

Depois, há todo um outro conjunto que só nos faz chorar de tanto rir: as bebidas alcóolicas, a quantidade de comida, o desporto. A nossa determinação que mete medo aos meninos da mamã e a cereja no topo do bolo: olhamos o mundo como ele é, com direitos e deveres iguais, a objectividade nas palavras e nas acções para imediatamente nos perguntarem "és... tipo... feminista?!". Não... Deveres iguais, direitos iguais. Agora lava a loiça que eu cozinhei o jantar. Sem "treinos" porque nenhuma mulher quer viver com um animal amestrado que precisa de ser "treinado" para fazer o que, naturalmente, deve fazer. E isso, não é "dar uma ajuda", porque se a lógica é a da "ajuda", tal significa que a responsabilidade é nossa. E não é. É de ambos. Tal como todas estas frases também são, em boa medida, responsabilidade nossa, mais que não seja porque as ouvimos ao longo da vida e as aceitamos...

 

Tropeçar não é o mesmo que cair

Se há uma coisa que não entendo, é a violência.

Se há uma coisa que não admito, é a violência.

Se há algo que não aceito, é a violência.

Mesmo numa lógica de "quem vai à guerra, dá e leva", não compreendo.

Nathan Walker

Nathan Walker

A violência não é só aquela que se vê e deixa marcas. Há outra, mais profunda, enraizada no medo e na submissão, que impede muitas pessoas de viver. A violência doméstica ocorre sobre homens e mulheres, é certo, mas as maiores vítimas são elas. A maioria também são elas. Porque são fisicamente mais frágeis, porque foram ensinadas a serem submissas, a sujeitarem-se à vida.

"É a vida... É assim".

Não é. Por muito que possam pensar que é, não é.

Porque ninguém tem o direito de violentar o outro, seja de que forma ou porque motivo for. A violência exerce-se de diferentes maneiras e a violência psicológica é, de todas as formas invisíveis de violentar alguém, a pior.

Todos os anos, o mundo acorda para o drama da violência, no Dia Internacional pela Eliminação da Violência Contra as Mulheres.

Em 2015 e uma vez mais, o contexto de violência doméstica, a não-aceitação da separação, a atitude possessiva, os ciúmes e a compaixão pelo sofrimento da vítima representam 81% da motivação ou suposta justificação pela prática do crime.
— Observador (relatório do Observatório de Mulheres Assassinadas )

Não concebo que a paixão inclua violência. Com excepção para o amor violento e sexual, aquele que sabemos que só faz bem, que nos estimula e leva aos limites, qualquer violência deve ser levada em consideração. Palmadinhas afectivas não entram em jogo, excepção feita se essas palmadinhas forem o requisito do prazer. Pode ser um indício de muitas outras coisas. Adiante... A violência, doméstica ou não - chamem-lhe como quiserem - violência é sempre violência... Tem de acabar. O amor não supõe qualquer forma de violência.

As mulheres - algumas mulheres - acreditam que para serem amadas têm de ser violentadas. Eu acredito que não. Como também penso que, para deveres iguais, direitos iguais. Como também sei que teria sido uma sufragista se tivesse nascido no final do século XIX, no momento em que as mulheres recusaram a humilhação e desconsideração que a história lhes reservou. Se foram capazes de mudar a história, não seremos nós, capazes de mudar esta história?

Também sei que há, ainda, muitas mulheres que morrem por prática de crimes contra a sua integridade física. Outras são perseguidas. Mensagens, flores e comentários ao estilo Alex Forrest (Glen Close em Atracção Fatal) ou o suposto assédio sexual de Meredith Johnson (Demi Moore) no filme Disclosure, perante um Michael Douglas que inocentemente entrou no jogo. Curiosamente, o cinema inverte os papéis com frequência, colocando-as como perseguidoras tresloucadas mas que, em boa verdade, não ultrapassam a obsessão, sem qualquer consequência física, mostrando o lado maquiavélico tantas vezes associado ao sexo feminino. Estereótipos de género que o cinema tende a enraizar. Na verdade, não faltam eles diabólicos, que as entendem enquanto propriedade, numa possessividade sem limites e ciúme do próprio espelho. São relações tóxicas das quais qualquer um deverá fugir, especialmente as mulheres. Que se encolhem com medo. Que se deixam ficar, por medo. Que se anulam, por medo. Depois, há as que andam sempre a cair, que escorregam e batem nas esquinas dos móveis, mulheres muito desastradas que inventam para esconder murros e outros pormenores da sua vida íntima. Na rua, elas são também violentadas porque as calças eram justas, a saia curta ou porque estavam mesmo a pedi-las quando não pediram nada mas, também porque, de boca tapada por uma mão surpreendentemente grande, não gritaram "não" de forma convincente.  Não faltam estórias destas. Perante os dados que as notícias dão a conhecer, continuamos, sem dúvida, a ser o sexo mais fraco. Até quando?



Mamas. Este post é sobre mamas.

Não sei o que é, ou como é. Prefiro continuar sem descobrir. Mas nisto de mamas e cancro... estamos perante uma espécie de roleta russa. Cancro é uma palavra que evitamos dizer. Foi, durante muito tempo, uma sentença de morte. Os que resistiam ficavam para sempre com o estigma da doença oncológica. Ficarão, ainda?

O estigma persiste, mesmo que saibamos que não é contagioso. Ninguém quer doenças, muito menos esta, que se dissemina como se de um vírus se tratasse. Sabemos que a genética, o estilo de vida, alimentação e outros hábitos podem contribuir para nos fragilizar e expor mas, como em tudo na vida, preferimos pensar que só acontece aos outros. Depois, há os casos que surgem do nada. São todos maus (os tipos de...) e não se aproveita nenhum mas, por ser mulher, o cancro da mama assusta-me mais. Porque é cada vez mais comum, surge cada vez mais cedo e, simultaneamente, cada vez menos se morre por perder uma mama. Ou as mamas. Mas deve morrer-se um bocadinho por dentro se olharmos ao espelho e o reflexo for uma cicatriz, se rebolarmos na cama e a mama não incomodar, se já não ficar esmagada, se nos tocarem e o espaço estiver vazio. Não sei. Não quero saber. Nem eu, nem ninguém que goste de sentir as suas mamas. Mesmo quando as está a esmagar contra o colchão. Ou a areia na praia. 

Contudo, não adianta ignorar. Ignorarmos o potencial do cancro é também ignorarmos as mulheres que sofrem com o preconceito e a falta de estruturas de apoio para mastectomizadas. Uma palavra muito grande e muito feia. Mulheres a quem tiraram a mama. Ou as mamas. Mas que continuam a ser mulheres, mesmo que a sociedade as trate como mulheres diferentes, qualquer coisa que foi e já não vai voltar a ser, ou mulheres menos femininas do que as outras. Não é assim. Não pode ser assim. A história que hoje li conta aventuras em busca do sutiã perfeito para uma mulher com uma mama a sério e outra de substituição. De facto, não imagino a sensação que será olhar para roupa interior asséptica, sem cor ou graça. Porque isto de feminilidade tem muito que se lhe diga e não se resume a rendinhas ou babadinhos. Rosas inocentes, branco puro ou preto fatal. O único paralelo que encontro é o da roupa interior para praticar desportos de alta intensidade, reforçados em todos os lados, com costuras reforçadas e ausentes de graça. Mas não tem comparação...

Não faltam lojas de roupa interior. Marcas e cadeias internacionais que se dedicam a cuecas e sutiãs. Um não acabar de opões. Mas, ainda, sem opções para casos de uma mama só.

É urgente mudar.

#cancro #bodypositive #women

Eu redefino. Tu redefines. NÓS REDEFINIMOS.

Ontem política, hoje o corpo. Não posso ficar indiferente ao mundo ou às fotografias da miss Big Gal Yoga, ou Valerie Sagun, que faz aquilo que muitas de nós deveríamos fazer: enfrentar o mundo - enfrentarmo-nos ao espelho - sem medo.

Respeito muito aqueles que por qualquer razão são fisicamente diferentes da maioria. No caso, a Valerie é notoriamente grande e volumosa sem que isso, contudo, a impeça de atingir poses de yoga que muitas magras não conseguem. Porque não tentam. Porque não fazem esse esforço. Por não quererem ou por não terem a persistência e tenacidade que tal exige. Mais ainda se o corpo for, também ele, um desafio.

A sua presença na rede deu nas vistas e não terá sido pelo seu tamanho mas antes, pela capacidade e contributo para derrubar estereótipos. Porque as ideias que prevalecem são (quase) sempre as que, directa ou indirectamente, nos são inculcadas socialmente. No caso, um praticante terá sempre qualquer coisa de excêntrico ou metafísico, com uma aparência tranquila, corpo esbelto e em paz. Consigo e o mundo. Pode ser... Mas também pode ser qualquer um de nós porque, simplesmente, da mesma forma que são poucos os traços que identificam quem pratica natação, dança ou artes marciais, também os do yoga se misturam com quem somos e como somos, deixando pouco para adivinhar. Mesmo que constantemente queiramos recorrer aos modelos testados e padronizados através daquilo que parecemos ser. Nem sempre somos. O maior erro é não reconhecer isso, não dar espaço ao outro, julgando-o à primeira impressão a qual, tantas vezes, não passa das (supostas) aparências.

Não pratico, mas admiro a Valerie pela sua determinação e pela forma como poderá inspirar outras mulheres a seguir o mesmo caminho. Sozinha não mudará o mundo ou derrubará os preconceitos mas cada fotografia que publica contribui para o movimento!

#redefiningyoga #bodyimagemovement #bodyloving

das (s)enas que dão pano para mangas

Coisas da semana que passou....

A beleza está aos olhos de quem a vê, mesmo quando à nossa volta tudo grita feio. Não tenhamos dúvidas de que aquilo que percecionamos depende apenas de nós, das conotações que damos ao mundo e a forma como interpretamos o que está à nossa volta. No momento, preocupa-me mais a situação dos refugiados sírios perdidos por essa Europa ou o orçamento que (ainda) não temos, do que a miúda que lá nos antípodas resolveu acordar e perceber que andava a brincar ao faz de conta, bem como a outra que, na mesma altura (já dizia a Margarida Rebelo Pinto que não há coincidências), decidiu expor os objetivos da Socality Barbie.

Para ler no OBSERVADOR.

Afinal... Havia outra...

... Razão.  

www.letsbegamechangers.com

www.letsbegamechangers.com

Já lá vamos. Primeiro, sim, o título é também título de uma música da Mónica Sintra. Pirosa como tudo, com um ritmo e melodia das feiras e romarias, e uma letra de cortar os pulsos. Peeconceitos à parte, conta a estória de uma que pensava ser única até descobrir que, afinal, havia outra. No caso de Essena O'Neil, sobre o qual escrevi ontem, parece que, afinal, há outra. Razão para aquilo tudo. Escrevi sobre a Essena aqui, e num artigo que será publicado na revista BRIEFING, no qual me questionava sobre a verdadeira razão de ser daquela suposta tomada de consciência, argumentando o potencial de manobra promocional. Dizem as más línguas que, afinal, não me terei enganado. Será apenas inveja e má vontade?

O Mashable pegou nos dois lados da questão e eu inspirei-me para retomar o tema. Não tenho - não temos - como saber. Mas uma coisa sabemos: para o bem ou para o mal, a miúda chamou à atenção de algo que todos sabemos mas optamos por ignorar. E se, com isso, fez crescer o seu número de seguidores nos media sociais, se durante os dias ocupa tempo de antena nos media tradicionais expondo as manobras e técnicas de publicação online... So be it, não está a fazer mal a ninguém. Pelo contrário. Se, com isto, aproveita para se reposicionar e lançar uma nova abordagem trilhando um caminho do lado de lá, como uma espécie de grilo falante dos media sociais, também não me parece mal. 

Mas é mesmo chato quando alguém que conhecemos, cujo trabalho acompanhamos e que, no fundo, até era nossa concorrente sem se destacar ferozmente passa a ser o centro das atenções, isso é. Que a natureza humana não aguenta e activa os sensores de protecção, disparando inveja em todos os sentidos, isso também é verdade...

Nós por cá - e eu ainda menos - não somos nada de ir na corrente e publicar ou repassar o que já está a circular na rede, mas este tema é incontornável. E não é pelas razões que aparenta. 

Da denúncia à tomada de consciência e desta, ao buzz nas redes há duas questões mais importantes do que estas: a sua (aparente) percepção sobre aquilo que (também) são os sites de redes sociais; o apelo ao realismo na comunicação. Mesmo na comunicação mediática.

A Essena conta a estória...

"Want the story? It's simple. I spent 12-16 wishing I could receive validation from numbers on a screen. I spent majority of my teen years being self absorbed, trying desperately to please others and feel 'enough'.  Spent 16-19 editing myself and life to be that beautiful, fitspo, positive, bright girl online. I didn't talk about topics and interests of me, nor did I pursue my childhood talent for writing. I didn't find happiness in social approval, constantly edited and shooting my life. So I decided to quit, left humours educational captions meant to raise awareness, now I want to start something important".

O paradoxo está na sua cruzada contra a mentira que usa as mesmas ferramentas que utilizou para mentir - iludir, mais concretamente - e na necessidade de fugir dos holofotes, colocando-se ainda mais no centro do foco. Pensemos, contudo, de forma positiva porque é essa, no fundo, a mensagem que pretende passar: imagens mais reais, menos dependência da aprovação de terceiros, mais proximidade ao quotidiano e menor edição de imagens. Tudo ao contrário do que andamos a fazer, portanto...

 

#socialmedia #reallife #bodypositive

 

Demora. Mas aprendemos

Tal e qual como nos namoros: sedução, encantamento, projecção, realização, consciencialização, contestação, abandono ou dependência.

Não há meio termo. Depois de cedermos à paixão, depois de limarmos arestas, ou é para sempre ou acaba. No caso dos media sociais, o namoro é ainda curto, mas muito intenso. E muito provavelmente, vai acabar mal. A tomada de consciência vai-se fazendo com os detractores a afirmarem, em regojizo "eu não te disse", tal como nos dizem sobre aquela pessoa que não valia a pena mas na qual insistimos. Alguns cedem ao "tens razão". Outros  moderam as expectativas, aprendem a viver assim e, outros, simplesmente desistem. Afastam-se, intoxicados, e passam a fazer parte do grupo dos "eu bem te avisei". 

Nos media sociais não é tudo mau, mas quase. A Essena O'Neil percebeu isso e, subitamente, mudou por completo a sua perspectiva. Mais do que as lições e ilações teóricas que daqui possamos retirar, importa perceber o movimento que se vem criando em torno de um certo retrocesso sem que tal signifique, verdadeiramente, um regresso ao passado. A Kate Winslet, mãe de 3 filhos, apela ao uso do monopólio. Também eu acho que os dispositivos digitais podem ser excelentes ferramentas de aprendizagem, mas não podem subsitituir-nos e substituir a criatividade da infância, que lhes permite brincar ao faz de conta e subir às árvores como quem sobre ao Empire State Building. 

É a mesma Kate Winslet que se arriscou sem maquilhagem numa selfie que correu mundo para combater esta tendência de #bodyhating que por aí anda. A Essena, ao pé de mim e da Kate é uma miúda e é de louvar a sua tomada de consciência. Passou horas da sua juventude em frente ao espelho, reflectindo-o nos ecrãs para projectar uma vida perfeita quando todos sabemos que a vida não é assim. Mas, como nos filmes, deixamo-nos enganar. A diferença é que um filme dura aproximadamente 90 minutos e estas vidas desfiadas no instagram podem durar décadas. No mínimo.

A Essena apela agora, no website que criou para o efeito, a uma tomada de consciência em relação aos efeitos negativos dos media sociais (way to go girl!). Acima de tudo, critica a excessiva edição de imagem para provar o nosso valor ao mundo e sermos definidos pelos números que esse "mundo" regista. A maquilhagem, as tendências, o corpo esbelto, o cabelo louro... estereótipos que se acumulam e espelham aquilo que apenas uma tiny bit consegue. Há muitas louras, muitos cabelos compridos, muitas esbeltas, muitas com as últimas tendências, muitas maquilhadas. Tudo junto, numa só? Há poucas. E essas, alimentam ideias artificiais sobre aquilo que cada um deve ser. Acima de tudo, sobre a fantasia da vida online. Como explica, e bem, "when you stop comparing and viewing yourself against others, you start to see your own spark and individuality. Everyone has love, kindness, creativity, passion and purpose. Don't let anyone sell you something different". É isto. E aplica-se a todos nós.

 

#bodyloving #bodyimagemovent #consciousness

body cocooning

Descobri há dias uma iniciativa do portal feminino MdeMulher: conversas em formato vídeo entre um gay e uma gorda. Assim mesmo. Gay. Gorda. A primeira a palavra é comum, aceite e não incomoda ninguém. Acho. Mas se uma gorda incomoda muita gente, a palavra, expressa com todas as letras, incomoda muito mais. Suponho que nenhuma gorda goste de ouvir. Como o careca, o baixinho ou o quatro-olhos. Mesmo que se habituem. Por mais que queiramos encontrar formas carinhosas para designar uma mulher gorda, ela não deixa de ser gorda. Pessoalmente, gosto de gordas, roliças ou volumosas de bem com a vida, que aceitam o seu corpo e aprendem a viver com ele, barafustando contra pregas e refegos que por vezes impedem a roupa de aceitar tão bem como aos cabides - as magras - para quem a roupa é pensada. E também não gosto de aturar as magricelas a choramingar porque comem e não engordam. Get over it.

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A maior parte das mulheres não está de bem com a vida. Porque não está de bem com o seu corpo. Com as suas formas ou a ausência delas. O seu tom de pele ou a cor do cabelo. Os trejeitos, que são seus e as caracterizam. Esquecem-se que são estes aparentes detalhes que nos diferenciam, que criam uma identidade única, mesmo que sejamos um overbooked 38 ou que tenhamos tudo em comum com outras mulheres. Não temos. E vejo isso quando danço, quando caminho na rua, quando olho para mulheres que se escondem delas próprias e do mundo em geral. Não sou de mostrar o que pode esconder-se. A apologia "do que é bom é para se ver" tem muito (mesmo muito) pouco a ver comigo que prefiro esconder a mostrar. Contudo, esconder umas pernas com calças ou collants pretas  opacas não é o mesmo que estar escondida. Também não sou de exibicionismos ou de exacerbar movimentos, tiques e poses. Acredito na naturalidade dos actos e das pessoas, porque é essa naturalidade que torna tudo (ainda mais) interessante. Quando fazemos exercício, também devemos deixar que vença a naturalidade. Especialmente quando somos desafiadas a fazer aquilo que pensamos não saber. Ou conseguir. Nas aulas da Mafalda Sá da Bandeira o desafio é constante: para darmos mais de nós próprias, para esquecermos que há um limite, para sairmos da casca e deixarmos o corpo fluir. E flui, se o deixarmos, o corpo flui. Mais do que possamos imaginar. A libertação nesses momentos é única, mesmo sem sairmos de uma sala com chão de madeira, espelhos e paredes feitas de janelas, abertas para o interior do edifício. Durante alguns momentos esquecemos quem somos e o que ali fomos fazer. Extraímos desse instante o melhor que a dança e o movimento nos pode dar: um despertar do corpo e de quem somos, independentemente de como somos. Seja por conseguirmos deitar a barriga no chão, por esticarmos o braço mais um milímetro ou, simplesmente, por dançarmos até à exaustão... 

Baby Bod. So what?...

Só posso dizer uma coisa: as pessoas são tão parvas.

Já estive grávida. Senti-me radiante. Estava maior. Sentia-me enorme e, no fim, a barriga não dá jeito nenhum. Depois? Volta tudo ao sítio. Mais ou menos. Uma mais, outras menos. E então?...

M I N D

Y O U R

O W N

B U S I N E S S

PS: aos que vieram ao engano, não, não estou grávida. 

#bodyloving #bodypositive #babybod

You can('t) leave your make up on...

Podemos deixar o chapéu (you can leave you hat on, Joe Cocker) mas não, não podemos deixar a maquilhagem. Ou o que sobra dela.

Esta notícia está para a beleza como aquela, já com uns meses, sobre as barbas serem um ninho de ratos. As barbas podem ser sujas e cheirar mal quando há falta de higiene mas, (supostos) ícones de beleza que assumem atentados à beleza e higiene? Too much...

Não sei se alguém, alguma vez lhes explicou... A saúde das pestanas também depende da sua limpeza. Por outras palavras, restos, seja do que for, não nos tornam mais bonitas, fazem-nos ver o mundo com restos de qualquer coisa nos olhos. Ou estamos maquilhadas ou não estamos. Também gosto de me ver com o rosto que a maquilhagem consegue criar. Quem não gosta?... Mas, se não gostarmos do reflexo ao espelho quando acordamos, quem gostará? Se estivermos permanentemente escondidas ou transformadas com a maquilhagem, quem somos nós? A que acordou, ou a da maquilhagem?

Estas senhoras correm o risco de acordar com uma valente inflamação (+) que lhes vai colar as pestanas umas às outras e as deixar com restos de algo muito indesejável durante dias. Ou semanas... NOT!!

#cleanyoureyebrows #makeup #bodyloving

 

 

(+) não gosto que os textos sejam demasiado técnicos, longos ou entediantes e, de facto, escrever sobre saúde das pestanas não é coisa que me deslumbre. Mas a verdade é que as pestanas são barreiras (contra poeira ou qualquer elemento que nos possa prejudicar) e não apenas um pormenor estético que tendemos a transformar, aumentando em tamanho ou volume. Nada contra, desde que, ao fim do dia, voltemos a ser como somos. Ou, então, recorra-se à permanente e pintura de pestanas que nos deixa, durante algum tempo, com dream eyelashes. Se lhes juntarmos máscara de pestanas, então teremos (muito provavelmente) o efeito Adriana Lima. Nunca ninguém contou à Adriana como se faz?....

Deixar a máscara de pestanas pode provocar inflamação das pestanas por bactérias. Not good. Por outro lado, o uso constante de máscara de pestanas pode provocar a queda de pestanas. Os riscos, especialmente de inflamação, não compensam a beleza, especialmente porque as consequências podem levar à total ausência de beleza. Olhos inflamados não são confortáveis. Menos ainda, bonitos. Just saying...

Life without sugar. Yes, we can!

O relógio estava quase a bater na meia noite. Deitei-me na cama, depois de um duche. Ar quente, não soprava uma brisa. É Verão. Foi um dia de Verão. Amanhã, ou depois, logo se vê.

O ritual habitual, enquanto a cama não se preenche, de passar os olhos pelas notícias. Há muito que deixei de ter televisão no quarto. A rádio, à noite, já não apetece. Folheio a app do Observador para descobrir que passei o dia a comer disparates. 

Sou das que não usa açúcar para nada e que tem consciência (alguma, pelo menos) do açúcar desnecessariamente adicionado aos alimentos processados. Muitas vezes, quando como fora de casa, penso nos ingredientes que poderão ter sido utilizados, naqueles que são uma grande ajuda na cozinha, aceleram o processo e intensificam o sabor. Não perco a fome. Mas quase...

Não sei se conseguiria passar um ano sem açúcar. Aquele de que se fala no artigo. Porque "é realmente penoso pensar numa dieta sem bolachas, sem uma bola de Berlim na praia, sem um suminho ou umas batatinhas aqui e ali — porque estamos viciados em açúcar sem nos apercebermos". Muitos de nós poderão ser viciados sem saber: "não bebia Coca-Cola, não colocava açúcar no meu café, nunca tinha comido um donut e os gelados não me diziam nada. Mas, na verdade, escondia-me atrás dos chamados ‘açúcares saudáveis’ como o mel, o chocolate preto e as frutas". Ontem dei uns golos numa Zero. Como a Megan Kimble, cujo relato surge no artigo do Observador, também eu há muito que não bebia Coca-Cola. Confesso que não me soube bem. Nada bem. É uma questão de hábito e é possível desintoxicar o nosso corpo mesmo que haja "um período de desintoxicação, onde toda a gente se vai sentir um lixo" porque actualmente "há açúcar em tudo! Carnes frias têm açúcar. Mostarda, molhos, tudo tem açúcar. As empresas acrescentam açúcar e camadas de produtos químicos para fazer a comida durar mais tempo e ter melhor sabor", o que acontece ao fim de algum tempo é a rejeição do que é mau. Já aqui (e aqui) falei disso é comprova-se: "ao fim de um ano a alimentar-se exclusivamente de alimentos não processados, Megan comeu um cachorro-quente e uma Coca-Cola e simplesmente não gostou do sabor porque sabiam a químicos".

Por isso... If they can, we all can! 

Sou apologista de uma alimentação saudável com alguns #guiltypleasures porque acredito que, demasiadas regras nos podem fazer infelizes. Ou afastar de quem nos rodeia, perdendo-se aquele lado social da comida que é tão bom.

Há, no entanto,  (muitas) pequenas alterações que podemos introduzir na nossa rotina que podem fazer a diferença. Mas notem... Se querem mesmo emagrecer, esqueçam lá o pão. Especialmente a partir da hora do almoço, se não praticam exercício (intenso) ao fim da tarde... Desistam das carcaças, vianinhas, fofinhos e outros acabados em "inho", de farinha branca, muito refinada que se transforma em açúcar assim que o mastigamos. O pão, por definição, não engorda. O problema é farinha do pão e aquilo com que o recheamos...

#healtychoices #bodypositive #urbanistalowinsugar

Embaixadora. And proud to be

Primeiro o Observador. Agora a Lux Woman a fazer referência ao #bodyimagemovement, ao urbanista e ao facto de me ter tornado embaixadora deste movimento. Obrigada!

Não vou negar que sabe bem. Não! Sabe muito bem. Não. Mesmo bem! Não... Não é esta a melhor expressão. Qual será? Não sei, mas é fantástico perceber que há outros interessados no tema e que as mulheres, tal como são, serão cada vez mais. E mais fortes.

A história da Taryn tocou-me. Obrigou-me a pensar. A querer fazer parte. A passar a palavra. A mostrar que não somos o que parecemos. Ou que até podemos ser, mas não seremos apenas isso. Gradualmente, fui mudando o foco do urbanista. Adaptando-o em função daquilo que quero transmitir e desta necessidade de passar a palavra sobre nós, mulheres, a nossas piores inimigas e, tantas vezes, inimigas umas das outras.

Eles até podem ser grandes. Ou gordos. Escolham a designação que preferirem para designar um homem com peso a mais. Os amigos até lhes podem dizer "meu, 'tas gordo como o c*******". Mas nunca o fazem com os requintes de malvadez que permitem a uma mulher a dizer a outra "eu não usaria essas calças, mas tu é que sabes..."

Sim, serei sempre eu - no caso, cada uma de nós - a saber. Especialmente quando não vos pedimos opinião. O que acontece frequentemente. Mas também será cada uma de nós a querer maior aceitação e menor preconceito, maior auto-estima e menos crítica, maior partilha e menos inveja, maior empatia e menos bullying. Porque afinal, se os há de todas as alturas, porque não haver também, com saúde, maior diversidade de tamanhos sem que isso implique, sempre, um rótulo social? 

#happygirlsprettygirls #ihaveembraced #bodylove

#bim rockin' your body. Em Português ❤️

Über fun. Über fast. Über cool.

Já aqui dei conta da entrevista ao Observador a propósito do #bodyimagemovement.

Porque gostei do interesse demonstrado pelo tema, pelo facto de ser a primeira embaixadora em língua Portuguesa e pela forma como fui recebida. O resultado já está disponível na página do Observador e não poderia estar mais satisfeita. A edição acontece mas, ao contrário de tantas outras vezes, não há palavras fora do contexto ou ângulos infelizes. Hail to that, especialmente porque era sobre de body loving, body shaming e body positive de que se falava.

E, nem a propósito, fiz-me acompanhar de uma valente borbulha no rosto. O que só pode querer dizer que não há coincidências e temos mesmo de amar o nosso corpo tal como ele é... 

#happygirlsprettygirls #ihaveembraced #bodylove