bodyimagemovement

A balança é o nosso pior inimigo: 3 truques e 5 ideias para vencer a balança

Viver a vida dependente da balança é cansativo e inútil. Viver, passando fome ou com uma dieta restritiva só nos deixa infelizes. Este é um tema que nos afecta a todos  porque, como tantas outras pessoas, também passei parte da vida dependente da balança até perceber que o melhor que temos a fazer é ignorar a balança.

Porque não temos, todos os dias, o mesmo peso?

O nosso peso real varia ao longo do mês em função do ciclo menstrual que implica, também, maior ou menor retenção de líquidos. Na maior parte das vezes em que nos sentimos gordas estamos apenas inchadas ou com uma valente retenção de líquidos. Sal ou açúcar a mais, ovulação e menstruação são as principais razões para essas oscilações que, raramente, representam um efectivo aumento de peso.

É quase impossível sentirmo-nos bem quando ultrapassamos os dígitos que definimos para nós. Contudo, bem-estar é equivalente a uma vida feliz e saudável. E ninguém pode ser verdadeiramente feliz dependente da balança ou da percepção que tem do seu corpo, como se essa imagem definisse quem somos. Para estarmos bem, precisamos comer bem, tratar do corpo e da mente, independentemente da balança.

- a ideia de que as dietas funcionam de forma igual para todos é absurda e está errada -

Não há soluções únicas e temos de chegar ao que melhor se adapta a nós por tentativa e erro. No que respeita à nossa saúde e bem estar, consequentemente, o peso ideal, é melhor ignorar a corrida para o corpinho de Verão, cometendo os maiores disparates alimentares com dietas que servem apenas para remediar e nos deixar ainda mais infelizes. Porque são restritivas e restrições alimentares deste tipo... Não resultam a longo prazo.

O segredo para fugirmos da balança não é encontrar a melhor forma de perder peso mas, antes, encontrar uma forma de não aumentar o nosso peso. Como? Através de uma alimentação natural, saudável e equilibrada como esta que explico na última edição da Women's Health, quando me pediram para descrever uma semana da minha alimentação...

Ao longo da minha vida cometi os maiores disparates para perder ou não ganhar peso. Passei fome porque, supostamente, depois das seis da tarde o metabolismo desacelera e os hidratos são um pecado. Ignorem estas e outras verdades que são tudo menos... verdades inquestionáveis. Nisto da alimentação e da saúde há guias e orientações mas qualquer decisão tem de ser adaptada às necessidades do nosso corpo. Se não sabem quais são - e eu também não as consegui identificar durante muito tempo - terão de aprender a ouvir o vosso corpo porque, em boa verdade, envia-nos todas as mensagens de que necessitamos. Nós só não estamos preparados para as decifrar.

- ouvir o nosso corpo, reconhecer as nossas necessidades é o segredo do peso ideal -

Entre aquilo que nos faz bem, e o que nos sabe ainda melhor, há margem para pequenos pecados alimentares. Adoro queijo e faço dele um grande aliado, apesar de ter eliminado qualquer outro tipo de alimento com lactose da minha alimentação. Contudo, o queijo também é uma fonte de proteína e eu não tenho nenhuma intolerância real à lactose. Simplesmente, como a maior parte dos mamíferos adultos, não sinto necessidade de beber leite. O meu principal critério é preparar refeições que sejam simples, práticas, rápidas e saudáveis. Yeah, right... fácil dizer, difícil concretizar porque entre o que planeamos, e o que temos no frigorífico, vai uma diferença muito grande.

Truques para nunca ter a despensa ou o frigorífico vazio:

1. Congelados

2. Pré-lavados

3. produtos biológicos.

 

CONGELADOS

Photo by Sven on Unsplash

Vamos por partes porque os congelados não são refeições pré-preparadas mas, antes, embalagens de legumes congelados que podemos usar na ausência de ingredientes frescos. Há misturas interessantes nos supermercados que nos garantem uma refeição equilibrada, à qual só teremos de juntar uma massa integral para fazer qualquer coisa al dente, depois de saltearmos esses legumes numa wok com óleo de côco, por exemplo, juntando ervas aromáticas. Não têm? Podem usar das secas, ainda que o sabor não seja tão intenso e fresco. Da mesma forma, podemos ter frutos congelados que nos garantem um sumo revigorante ou uma tigela com papas de aveia rica em nutrientes e vitaminas. Gosto particularmente das framboesas congeladas para juntar à aveia e das misturas de legumes, às quais junto cogumelos, com quinoa e açafrão...

 

PRÉ-LAVADOS

Os legumes pré-lavados são a melhor das invenções dos últimos tempos. O seu método de produção, através de um sistema de arrefecimento, consegue prolongar o tempo útil de vida das folhas e, como já estão lavados, só temos de os incluir no prato, em saladas, tostas ou qualquer outra opção sem aquela parte desagradável das folhas molhadas... Além disso, se mantivermos a embalagem bem fechada conseguem aguentar vários dias no frigorífico, o que é uma grande ajuda para quando chegamos a casa sem tempo ou vontade de passar pelo supermercado.

 

PRODUTOS BIOLÓGICOS

Photo by  Kelly Sikkema  on  Unsplash

Para além e todas as vantagens - óbvias - e conhecidas dos produtos de agricultura biológica, como terem menor impacto ambiental, estimularem a economia local, terem maior sabor (porque têm menor teor de água e são produzidos na "sua" época), não usarem pesticidas, há um outro aspecto que, contrariamente ao que seria de esperar, vos poderá surpreender: têm uma duração maior e apodrecem à moda antiga, ou seja, de fora para dentro. Enrugam, murcham e degeneram com o tempo, envelhecendo gradualmente, não como acontece com outros produtos que, de um dia para o outro, estão impróprios para consumo.

 

Photo by  Ben Hershey  on  Unsplash

Photo by Ben Hershey on Unsplash

- contar calorias cansa e por vezes é pouco útil, se pensarmos na quantidade do que comemos -

Para além da qualidade dos produtos que usamos para preparar as refeições, há outra regra que deverá ser adoptada a favor de um peso estável, consequentemente, maior bem estar: a quantidade em detrimento das calorias.

A ideia de restringir calorias é tão antiga quanto a luta contra o excesso de peso mas entre um prato cheio e pobre em calorias ou uma amostra rica em calorias, qual escolheriam? Por vezes poupamos nas calorias mas não na quantidade que ingerimos o que, por consequência, contraria o objectivo de perder ou manter o peso. Em relação aos alimentos, não é o peso que conta mas sim o volume daquilo que se ingere, razão pela qual, muitas vezes comemos os alimentos certos mas, como os ingerimos em quantidades exageradas, não emagrecemos, ou seja, exageramos nas poções de comida. E então?

O segredo das quantidades por ordem de volume no prato:

1. legumes e vegetais (crús)

2. Hidratos de carbono compostos (integrais)

3. Fruta (apesar do açúcar, pois este é natural)

4. Proteína animal 

5. Frutos secos

Maior volume para os legumes e vegetais, de preferência crús. Depois, os hidratos de carbono compostos, ou seja, integrais e não refinados, seguidos da fruta que, apesar de conter açúcar, é natural e não adicionado. Finalmente, a proteína animal e os frutos secos. Esta é a ordem, por quantidades, do que devemos comer: os principais vão saciar-nos porque têm fibras, vitaminas e minerais. Na maior parte das vezes, comemos sem parar porque escolhemos alimentos vazios, ou seja, sem riqueza nutricional e, portanto, vamos comendo até à sensação de saciedade, que ocorre mais tarde do que quando escolhemos alimentos nutricionalmente ricos e de baixa densidade calórica como os espinafres, courgetes, bróculos, cogumelos, tomate mas, também, frutos vermelhos, morangos, laranja, maçã; seguindo-se a batada-doce, feijão frade, milho, banana, arroz e massas integrais e, depois, ainda com grande riqueza nutricional mas com mais calorias, temos o abacate e os ovos, por exemplo, para atingirmos o topo - e portanto - ingerir em menos quantidade, o chocolate negro, as amêndoas ou amendoins e vários tipos de queijo, como o parmesão.

A equação é simples: menos densidade calórica, maior porção; mais calorias, porções menores, mesmo que sejam, inevitavelmente, estes os alimentos que nos apetece, mais vezes, comer!

2018

 

Amar é normal. Anormal é não amar

Usei, propositadamente, as palavras normal e anormal no título. Porque sempre achámos normal chamar anormal a alguém que é, apenas, diferente. Durante muito tempo o outro seria atrasado. Um anormal, deficiente, um mongo. Ou monga. Porque eram, dizia-se, mongolóides. Até me dói escrever isto mas era a verdade...

As pessoas com deficiência mental, especialmente Trissomia 21, foram, durante muito tempo, socialmente ostracizadas, maltratadas e, mesmo, desprezadas. Creio que estamos, hoje, mais informados, despertos para a importância de aceitar a diferença, capazes de compreender que isso de ser um mongo tem muito pouco a ver com a anomalia que provoca a deficiência mental e muito mais com a incapacidade que algumas pessoas (ainda) têm de ver para além do seu pequeno umbigo.

A APPACDM teve uma iniciativa maravilhosa: juntou vários jovens com algum tipo de deficiência mental e mostrou-lhes que são tão ou mais bonitos do que as outras pessoas. Essas outras para as quais também estes jovens olham de forma diferente por se sentirem, eles, diferentes. 

Não somos todos diferentes uns dos outros?

Somos.

Eu sei. As características físicas e, por regra, o desenvolvimento mental e intelectual torna-as diferentes do que se definiu como socialmente normal mas, sinceramente, acho-as muito especiais e muito pouco anormais. Foi o que o projecto do livro Um dia igual aos outros provou a cada um deles porque, em boa verdade, com maquilhagem e roupas bem escolhidas, ficamos TODOS sempre muito diferentes daquilo que o espelho mostra no dia-a-dia.

São muitas as pessoas que não se amam. Odeiam-se, e a cada milímetro do seu corpo, numa atitude que corrói a alma e destrói a sua relação com os outros. Não é fácil ser diferente num mundo que apela à uniformidade e que estabeleceu padrões de beleza quase inalcançáveis para o comum dos mortais: aqueles que acordam todos os dias bem cedo, enfrentam o trânsito e os transportes públicos, querem alimentar-se bem sem saberem como, cedem à tentação ou se deixam enganar por rótulos carregados de ilusões, chegando ao final do dia sem tempo, paciência, capacidade física e mental ou, simplesmente, dinheiro no bolso para cuidarem de si. A vida - a vida normal - é assim e só nós podemos mudar isso. Mas (ainda) não podemos, sozinhos, mudar a forma como o outro olha para nós e nos avalia, com impacto na ideia que fazemos de nós próprios. Estes jovens sentem, amam, aprendem como qualquer um de nós. Podem divertir-se, trabalhar e viver de forma autónoma se os incentivarmos. Porque amor é amar e também as pessoas com algum traço físico (ou mental) que as diferencie dos outros merecem sentir-se bem na sua pele não apenas por um dia, para um sessão de fotografias...

Afinal sou bonita, expressão de uma das modelos, foi a que mais me cativou porque as noções de feio e bonito estão de tal forma sugestionadas que perdemos a ideia de respeito e aceitação pelas diferenças que nos unem. Também eu olho ao espelho e, por vezes, me julgo, critico e trato mal. Quem nunca?... O segredo para nos sentirmos bem (ou, pelo menos, melhor) é aprendermos a aceitar que todos temos um #BadHairDay e olhar sempre para os nossos aspectos positivos. Porque todos, à nossa maneira, somos bonitos. Este projeto fotográfico deu a oportunidade de fazer estas pessoas sentirem-se bonitas. Muitas afirmaram que antes deste livro se sentiam feias. A maquilhagem, o cabelo e o trabalho final da fotografia fez com que muitos chorassem perante o resultado final e fê-los perceber que, afinal, são bonitos.

Além da imagem que mudaram de si próprios, fizeram amigos e provaram, a cada um de nós, que a beleza vem sempre de dentro e que somos nós que a moldamos do lado de fora. Com ou sem #makeup...


IMAGEM DE CAPA:

a inspiradora Madeline Stuart, a primeira modelo com Síndroma de Down

Dilemas da vida moderna...

...Absolutamente inúteis e, por isso, divertidos. Apenas isso porque, de relevantes, não têm nada.

Dizem que o mundo mudou e que devemos mudar com ele. Acredito que sim, apenas em relação ao lado positivo deste suposto novo mundo. Reparem que digo novo mundo e não mundo novo porque este mundo está velho, gasto e maltratado a todos os níveis: ambientais, sociais, políticos, económicos...

Não sei se vos acontece acordarem cansados. Do mundo e do contexto em que vivemos, rápido, acelerado, com implicações para o que somos e queremos parecer, no qual sobra muito pouco da sua essência. Não creio numa sociedade rígida e intransigente, mas uma sociedade que aceita quebrar todos os seus modelos e paradigmas assente na valorização do eu não pode estar no bom caminho. Liberdade, desejo e satisfação pessoal. Acreditamos num Homem emancipado religiosa e ideologicamente, capaz de conduzir a sua história. A verdade não é essa. Somos manipulados por um contexto que mistura uma ideologia com o que ainda resta da crença religiosa, dependente do mercado, sobretudo os mercados, moldando a noção de família e, por inerência, os valores que determinam as nossas atitudes e comportamentos. Somos o que parecemos e parecemos aquilo que gostaríamos de ser. Na maior parte das vezes, não somos. Parecemos através do que possuímos e do que mostramos possuir, pelo que a selecção do que supostamente nos define se assume como a derradeira determinação.

Por isso, entrar nas lojas e fazer escolhas acaba por ser determinante para parecermos o que somos. Isso. Mostrar o que de facto somos e não o que devemos ou queremos parecer. Complicado? Nada.

Olhei, ontem, para a minha fotografia no cartão do cidadão. Em seguida, para a da carta de condução. Foi interessante verificar que uma mostra quem sou e outra aquilo que esperam que seja. Separam-nas três anos e a capacidade para assumir que, o que sou, depende mais de mim do que do que a pressão que possam (tentar) exercer sobre quem (verdadeiramente) sou. Vê-se na roupa. Mostra-se no sorriso e na liberdade que um rosto tem e que o outro hesita em mostrar.

Qual é, portanto, o dilema que queria abordar? Tão superficial e banal quanto o da escolha de um biquini ou fato de banho. Porque, na sua genialidade, representam exactamente este dilema da vida moderna que é a diferença entre o que somos e quem a sociedade espera que sejamos.

De uma pessoa como eu esperam, muitas pessoas, um apurado sentido de responsabilidade, maturidade, saber estar, sentido de realização social, pessoal, familiar e profissional, entre outros predicados igualmente maduros e responsáveis. Supostamente tudo isso se traduz na roupa que vestimos e comportamentos que assumimos, num estilo sóbrio e elegante, com um toque romântico e alguns (poucos) apontamentos sexy. 

Sobre a roupa - biquinis e fatos de banho em particular - parece-me que será mais o corpo e menos a idade a determinar as escolhas, juntamente com as proporções, tendências da moda e a capacidade para perceber o que é demasiado jovem - ou infantil - para uma mulher assim. E se a mulher assim* tiver um espírito mais jovem do que aquele que a sociedade lhe quer impor pela idade? Se for uma pessoa activa, com alma de desportista, com pouca paciência para ficar tardes inteiras numa espreguiçadeira à beira-mar, que goste de mergulhar, fazer mortais na água e carreirinhas nas ondas, brincar com uma prancha de skim board à beira mar e disputar um título com as raquetes de praia?

Há biquinis ou fatos de banho para ela, com estilo sem que tenha de estar permanentemente a ajeitar as alças ou a lateral ou a parte de trás?... Há. Mas procurar leva qualquer um à exaustão.

Especialmente se queremos conforto, qualidade e estilo. Há mais rendas, torcidos e babados que se possa imaginar. Há mais partes de cima desproporcionais em relação à parte de baixo do que eu pensei. Há secções inteiras pensadas para mulheres maduras que parecem fatos-de-banho criados para esconder o que durante meses andaram a acumular. Há outras dedicadas a quem não tem pudor em tudo mostrar. Cheguei a pensar que seria eu com o corpo ou a exigência disforme. Não sou. Há toda uma indústria criada para nos vender modelos para cada ocasião quando, na verdade, a ocasião, para mim, é sempre a mesma: estar na praia e não estar parada.

Consegui, ontem, encontrar o que procurei durante meses, com um preço aceitável. Porque como para tantas outras peças, também me recuso a gastar rios de dinheiro numa peça cuja volatilidade não justifica a maior parte do valor que nos pedem.

Não teria de ser mas este também faz parte dos dilemas da vida moderna. Vou criar a minha linha de biquinis e fatos de banho para mulheres activas: sporty posh bikini.

Há interessadas ou vou fazê-los apenas para mim?

image.jpg

* quarentona, realizada e reconhecida profissionalmente, com família e que escreve artigos de opinião no Urbanista

 

Correr serve para?

Pensar. Organizar. Queimar. Depurar. Refinar...

Também serve para fazer exercício físico e nos mantermos em forma.

Na verdade, correr tem muito de libertador e serve para tantas coisas... 

Só quem não corre, ou nunca correu, fica na dúvida em relação a esta afirmação. Correr é um acto altamente individual, mas não individualista, que serve, também, para sabermos estar sozinhos, para sermos capazes de gerir a nossa (suposta) solidão.

image.jpg

Esta manhã, enquanto conduzia, ouvia o programa As Donas da Casa, na Antena 3. O entrevistado, João Gonçalves do Correr na Cidade (running blog), falava exactamente sobre a forma como organiza as suas ideias, tem novas ideias ou aproveita para resolver ideias aparentemente sem solução enquanto corre. Eu corro menos vezes, durante muito menos tempo (e quilómetros) do que ele e confirmo: as minhas melhores ideias tive-as a correr; libertei muita energia negativa a correr; mandei todos os que o mereciam àquela parte a correr (mas sem pressa, deliciando-me com subtil o prazer de o fazer); corri que nem louca para fugir dessa gente e das suas energias negativas; resolvi muitos bloqueios a correr, junto ao rio...

Por isso, havendo um problema, corram. Perante uma ideia que parece não se querer desenvolver, corram. Libertem as energias negativas e deixem-se invadir pelas positivas que o cansaço nos oferece. Porque o cansaço é apenas físico e nós somos capazes de o superar. Quando as pernas doem, continuem. Quando o suor parece impossível de aguentar, aguentem. Quando o coração vai sair pela boca, abrandem. Mas não párem. Nunca párem porque no fim da corrida está algo que ninguém nos tira: a satisfação pessoal.

E, muitas vezes, uma nova ideia. 

Corram.  

Bronze no escritório? Segredos sem mãos cor-de-laranja | making the fake than (at) work

Chegámos àquela época do ano em que um tom de pele demasiado claro é questionado. Parece-me que essas pessoas não se questionam quanto à opção de não querer bronzear ou outra, sem opção, que é de não conseguir bronzear. 

Actualmente oscilo entre as duas, depois de ter retirado três sinais nas costas e a consciência de que algumas rugas vieram para ficar. O sol é bom e eu gosto mas não me adianta deitar e esperar que a magia aconteça. Não há magia. A tez clara, os cabelos entre o castanho claro e o ruivo não deixam dúvidas, muito embora durante demasiado tempo eu tenha achado que conseguiria contrariar a minha natureza. Rodeada de morenas, aquelas que passam uma tarde na praia parecendo que estiveram 15 dias de férias, fui sempre a do branco leitoso que não vestia biquínis brancos por não fazerem contraste. Até ao dia em que me aceitei. Que passei a valorizar o meu tom de pele porque é este que tenho e não há tarde de sol que o possa mudar. Também há muitos anos tentava de tudo para parecer bronzeada sem ter de apanhar sol. Porque para a maior parte das pessoas com a pele clara e sensível, o sol queima. Aquela sensação de estarmos a fritar, sentados na areia da praia, é tudo menos agradável. Mesmo com protector 50. Mesmo nas horas boas. Mesmo em movimento ou à beira da água... Nessas tentativas conheci de tudo e tive a sorte de nunca acabar com as mãos cor-de-laranja, mas lembro-me de estragar roupa, do cheiro que oscilava entre o caramelo e sérum de vitamina C. Das pernas manchadas porque usava hidratante com cor, esquecendo-me de que teria de passar horas sem me vestir ou sentar no sofá... Um não acabar de disparates até acabar por perceber que não me interessam os olhares dos bronzeados que já circulam por aí. Vou usar os meus vestidos com as pernas brancas, anyway. Caso contrário visto-os quando? Em Outubro, depois de alguns meses a apanhar sol?...

image.jpg

While in London I feel happy not to have that awakward attitude towards my pale skin. Have you been to the beach lately? You definetly need to get some sunbathing...  

These are common approaches to my non-existent glowing tan. Although a bit annoying, I've been able to move from a "I need to get a tan no matter what" to "I love to be fair skinned and I won't make a single effort to have a bronzed skin". 

Some years ago I was acting a bit crazy about it. I'm the palest among my girlfriends and I wanted to look like them: bronzed skin of well-holidayed young women who have got their act together. Even if all of them were spending an afternoon at the beach to look like it. Even if I'd stayed a whole month at the beach with a pretty lax attitude towards sun cream application, nothing would work. And I didn't had the time, neither the patience to do it. So I used all sorts of fake tan products with the most disappointing results. Fortunately never made that orange hands' mistake but still, fake tan always looked preposterous on me and all I ever wanted was that sunkissed glow that make us look healthier and happier... Yesterday I read this amazing review about Pre-Shower Tan (NDK SKN) which promises to work in ten minutes and continues to develop for the next six hours, meaning you can apply it, take 10 minutes to prepare dinner, shower and go to bed to look (almost) naturally tanned in the morning. A must try, definitely, specially if you spend your days inside with 30° on the outside...

#nomakeup means sem maquilhagem, ok?

Há duas coisas de que gosto no Verão: as sandálias e o tom dourado na pele para usar apenas hidratante no rosto.

Na verdade, há outras que também me agradam. No entanto, o frio não me assusta e ajuda-me a respirar. Só por isso gosto dos dias frios e secos. Com neve e aquele vento gelado que corta a pela. Adiante, que os dias estão bonitos... 

Gosto muito da Alicia. Oiço-a desde o primeiro disco e mesmo não sendo uma produção culturalmente elevada - seja lá o que isso for - é um R&B sedoso com uns toques de Pop sofisticada, um sentido Funk que quase não se nota e um espirito Soul que se pode confundir com qualquer outra coisa. Não se define porque é Alicia. É tudo isto e nada mais.

Não foi só agora que soltou a língua mas, desta vez, acertou: You nailed it girl.

Alicia fala sobre a perfeição e a pressão em torno da palavra. Do que nos impele para sermos perfeitas e o que nos pressiona para parecermos assim. Os padrões estão de tal forma definidos que se torna quase impossível contrariá-los, como se isso contrariasse, também, quem somos e o que parecemos. Ou o que desejamos parecer. Começa - e não acaba, explica Alicia - na escola, acompanha-nos e refina-se ao longo dos graus de ensino, como se estes correspondessem a degraus de exigência com a nossa aparência, vítimas do julgamento das outras raparigas que, supostamente, nos acompanham ao longo dessa escadaria rumo à eventual perfeição. Porque, como explica Alicia, o normal não é o tamanho normal e mal de quem não corresponde a esse tamanho. O plus size, ou o nosso XL, é o equivalente ao degredo social. Não vamos assobiar para o lado porque, efectivamente, é assim...

E o caminho continua, até àquele momento que pode nunca ter acontecido mas que nos assombraria a todas, tivéssemos nós paparazzi à espreita: ela é linda sem make up, canta o Agir porque sabe, como nós sabemos, que a ideia que nos vendem é a da mulher perfeita, com uma pele lisa e a tez ideal, olhos de gata e lábios carnudos. Alicia encontrou apoio na meditação, eu optei pelo I don't give a F*ck e, se estiver maquilhada, é porque me apetece, não porque vos apetece a vocês. Got it? Obrigada.

More about it at Lenny newsletter

 

 

Skinny and Curvy bitches: unite!

"Está gorda". "É gorda". "Estou gorda"

Oiço tantas vezes qualquer uma destas frases que decidi recuperar este artigo do Huffington Post (Women) publicado no início do ano. Depois dos excesso das festas, chegou a Páscoa com as amêndoas e, só a seguir, já no fim do mês, gritamos ao espelho: 

AHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHH

É o momento em que o pânico se instala para recuperar o corpo do Verão passado ou, pelo menos, minimizar o estrago... 

Para quem não gosta de dietas e menos ainda de ginásio, ainda menos da palavra exercício físico, é tempo de assumir os erros alimentares e, mesmo sem objectivos concretos para perder peso, reequilibrar o corpo. Pois e tal, conversa. Na verdade, dieta em si, não resulta. O que resulta é aquilo que chamo a Lei das Compensações. E exercício. Porque uma mulher em abstinência parece que tem TPM. O dia todo. Todos os dias. Tão bom que nem a própria se aguenta...

No início do ano, a Molly Galbraith foi alvo dos mais diversos comentários e críticas. Por isso, decidiu ir contra a corrente: publicou uma fotografia em biquíni assumindo uma postura anti resoluções de novo ano. Que nunca cumprimos à risca, em boa verdade. E que se arrastam até meio do ano. Na verdade, arrastam-se. PONTO.

A Molly é bodybuilder e personal trainer, trabalhando essencialmente ao nível da força e condicionamento físico. Não é bem o que eu faço - ou gosto de fazer - mas admiro que defende uma ideia e se auto-define através de uma missão: ad descoberta e aceitação  do corpo sem que as mulhjeres tenham de se matar para conseguirem um corpo de sonho.

Estamos a semanas de começar a mostrar os pés e as pernas, e a outras tantas para nos despirmos de preconceitos e assumirmos curvas e contracurvas na praia. Porque razão temos tanta dificuldade em assumirmo-nos como somos, deixando estereótipos de lado para procurar apenas o estar bem, o bem estar e a saúde? Seremos assim tão permeáveis às ideias que nos vendem as revistas, a web e a televisão?

Se nos sentimos bem comendo papas de aveia e bebendo sumos detox, ou com um copo de vinho ao fim do dia e um bife com batatas fritas, assim seja. Sou pelo respeito, desde que respeitem as minhas opções. E parece-me bem que estamos num caminho sem retrocesso, em que saudáveis e menos saudáveis se degladiam nos sites de redes sociais sem que isso traga quaisquer benefícios para qualquer uma destas opções. 

Torna-se um pouco mais esquizofrénico e ambíguo quando nos sentamos literalmente no meio, tratando de um hambúrguer com batatas fritas como se não houvesse amanhã, uma mousse de chocolate que sabe a pouco ou um copo de vinho branco que se transforma em dois ou três, compensando estes eventuais excessos com actividade física e uma alimentação regularmente saudável. Isso torna-nos o quê? Os arrojados que se definem na ausência de definição, posicionando-se numa linha que separa o bem do mal, ou os puritanos que se exigem a purificação depois da luxúria?

This is my body. This not a before picture. This is not an after picture.This just happens to be what my body looks...

Posted by Molly Galbraith on Friday, 1 January 2016

She's nothing but a freaking fat bitch. Some people think and some actually verbalize the thought, forgetting how hurtful it can be to know what people talk in our back while smiling at us.

It's true. Don't whistle because we've all been there. Somehow, somewhere...

Molly Galbraith is a bodybuilder and a personal trainer who devotes her time and effort to total conditioning and bofy strength increase. It's definitely not my thing but I respect her option. Above all, we all should respect each other's decisions and lifestyle, specially if that lifestyle aims to empower women to be more accepting and to love themselves for what they are, how they look like without killing themselves in order to reach some beauty ideal. Praise to that! 

On January 1, Molly decided to kick-start the year by making a kind of anti-New Year's Resolution. She shared a photo of herself in a bikini, along with a super empowering caption on Facebook. 

It's been four months and I bet your New Year's resolutions aren't t still completed or anywhere near to make a real change in your life. In a few weeks our legs and feet will be on the loose and sooner than you think so will our bodies, in bikinis and shorts. So I wonder, why are some of us so judgmental, with this body shaming attitude towards others? On the other hand, why do those being bullied give a F*** about this shameless behavior?

Issues emerge from skinny bitches having all kinds of seeds and oatmeal, combined with detox juices, while fat bitches are having a glass of wine, pizza and burgers everyday. If I don't ask you to share my oatmeal, why should you criticise me for having it my way? Furthermore, why do we have so much difficulty in being more accepting about who we really are, gnoring stereotypes, neglecting beauty standarts to focus on our well-being?

I feel like we lost control and forgot how to coexist. It's true and it happens more than we can imagine: one day I'm having white wine and chips and the next, fruit and oatmeal as it pleases me. Is our apparent schizophrenic ambiguity bothering others? I agree with the #guiltypleasures option combined with regular healthy food, conscientious choices and exercise to get rid of all excessive options one might have had. What does that make us? Undefined bold people over the thin line that separates good from evil? Or puritans demanding for purification after the lust?

I'm with Molly:

"This is my body (...) This is not a before picture. This is not an after picture."

Enjoy yourself. Enjoy life.

Curly

Os cabelos encaracolados podem ser um problema. Podem. Os lisos também.

Os caracóis acordam, muitas vezes, rebeldes.  Aparentemente no ar, impossíveis de domar. Somos nós que os vemos assim.

Na maior parte das vezes o cabelo está apenas a precisar de uns toques com as mãos e um produto adequado para lhe dar aquele ar sexy de bed looks

É certo que poderão existir uns quantos verdadeiramente indomáveis que fazem ninhos de rato quando dormimos e, de manhã, quando acordamos, parece que o rato se enrolou em todos os fios de cabelo. Difícil. Não pensem que não sei do que falo porque sei. Nunca vivi tal experiência mas, ao meu lado, diariamente, a luta para manter praticamente liso um cabelo que não é liso. Dar-lhe um toque com o secador e a escova para simular as ondas que resultam de uma hora no cabeleireiro. A fuga da humidade para que o cabelo não encolhesse. Ou, em boa verdade, voltasse à sua forma natural. Não pensem, também, que um cabelo liso é melhor do que os caracóis. Não é. Não tem volume e, se tiver um remoinho, acordamos sempre com uma divisão no cabelo impossível de gerir com uma escova. Deitar com um cabelo fantástico e acordar com ele colado à cabeça como se o tivéssemos envolvido num saco de plástico. Na maior parte das vezes tem uma aparentemente vantagem: podemos acordar e sair sem usar pente ou escova. Tão liso, não se nota. Mas também podemos descer as escadas a ajeitar os caracóis e sair com um ar vitorioso, o statement da powerful woman que pode dar um cabelo encaracolado. Não fosse a mensagem que durante anos a indústria da moda enviou, perpetuada pela comunicação social, e todos olharíamos para os caracóis de uma forma muito diferente.

Dana Oliver : Executive Fashion And Beauty Editor, The Huffington Post

Dana Oliver: Executive Fashion And Beauty Editor, The Huffington Post

I'm (not) a Barbie girl....

A Barbie nunca foi perfeita. Ou bonita. E a Barbie nunca foi, simplesmente, uma boneca. É uma representação e, como representação simbólica que é, assume-se como um ícone cultural de um certo pós-guerra capitalista e conservador.

Gosto de uma frase que já ouvi e li por aí, cujo autor desconheço, que afirma que passamos 10 anos da nossa vida a brincar com Barbies e outros 20 a querer ser como ela. Talvez por não ter brincado com Barbies, ainda que tenham sido um sucesso entre as meninas da minha idade, nunca me ocorreu que aquele fosse um exemplo de perfeição. Sempre a achei inexpressiva e com um corpo esquisito. Tinha uma Tucha de longos cabelos castanhos escuros a quem determinei um Bob para o resto da vida e uma Nancy desarticulada a quem poderia cair a cabeça, um braço ou uma perna num movimento mais radical. Na verdade, a Nancy era uma boneca articulada, que podia sentar, dobrar os braços e virar a cabeça. Mas os tempos não eram os da nanotecnologia. Era, por isso, uma Nancy desarticulada. Comprada em Badajoz. Cortei, muitas vezes, o cabelo aos Nenucos que se amontoavam aos pés da cama e a quem teimava em tapar, cuidadosamente, todas as noites antes de adormecer. Mas entendiavam-me porque não cabiam nas minhas casas de Lego nem os podia sentar nos carros que construía para circularem nas cidades de blocos coloridos.

A Barbie precisava reinventar-se como a Lego o fez há um par de anos. O mundo mudou, as crianças são diferentes e nós acompanhamos (ou tentamos) essa mudança. Uma boneca que representa a superficialidade da mulher, a sua objectificação, uma imagem corporal distorcida e sexualizada - ninguém tem aquela cintura - não consegue impor-se num contexto em que se criticam esses padrões e em que os padrões, em si, se alteram.

Mudamos devagar e nesse processo emergem movimentos que nos tornam mais conscientes dessa mudança, deitando por terra conceitos e preconceitos que nos tentaram definir como Mulheres. Já era tempo de a Barbie ser mais do aquilo que é. De ver o mundo a cores e diferentes dimensões. Se imita a mulher pois que tenha diferentes formas. Se reproduz o nosso make believe, que o faça como o believe realmente é. Se quer ser, de facto, uma representação social, pois que seja como a sociedade é: heterogenea e real. Só assim poderão ser estética e socialmente interessante. Talvez relevante.

To dance. To barre. To be.

Falo aqui muitas vezes da Mafalda e do MSBStudio. Não é promoção. É lá que pratico exercício físico, intercalado com umas corridas à beira rio. Ou running, para estar na moda. 

Oito da manhã. Saco às costas, galochas e blusão para enfrentar a chuva fraca. Troco as galochas pelos sapatos de dança, ainda sem saber se acordei. Oiço a música e sei que o aquecimento está a meio. Entro quando as ancas rebolam compassadamente da direita para a esquerda, da esquerda para a direita. Somos só mulheres, impera a descontração. Outra música, que conheço de cor, nestas aulas de dança. O corpo mexe, mesmo com o cérebro ainda a meio gás. O ritmo frenético deixa-me sem fôlego, logo hoje que não trouxe água. Passo os próximos minutos a pensar se saio para beber água ou se me aguento até ao fim. A música contagia-me. Não quero perder nada, quero dar o meu melhor e só me concentro na garganta seca. A aula acaba e eu quero mais. Mais ritmo, mais expressão, mais energia. Estou pronta para enfrentar outro dia. Ou quase. Deveria alongar, fazer trabalho de força. Estou cansada. Não posso. Tenho de concentrar as minhas forças num outro trabalho. E saio, de blusão e galochas, a pensar nas vezes em que decidimos seguir pela direita quando o caminho poderia ter sido pela esquerda...

No MSBStudio há técnica, força e expressão. As componentes essenciais para um treino que nos define o corpo, aumenta a auto estima e torna mais funcionais. Voltei aos treinos há quase um mês e ainda não é a sério. Sinto que estou em baixo de forma. A culpa é minha. Dos hambúrgueres e das waffles, dos donuts e das sandwiches. Não estou a queixar-me de peso a mais, apenas a revelar a importância que a alimentação tem no nosso desempenho. Voltei à alimentação "normal" há uma semana mas o rasto dos efeitos da outra perdura...

Simultaneamente sentia os músculos presos e a lombar desarticulada. Queria esticar-me e o corpo não respondia. Esta parte já resolvi. Viajar é maravilhoso mas tem um problema, a viagem. Desconjunta-nos e cria tensões musculares onde não deve. Já visitei o meu fisioterapeuta - quem pratica qualquer tipo de exercício reconhece a importância de "termos" alguém que conhece o nosso corpo ao ponto de antecipar lesões e resolver as imprevistas -. Em poucos minutos recuperei a mobilidade perdida por tantas horas sentada em bancos de avião. Mas não recuperei a elasticidade entregue aos açúcares e hidratos porque quando estico, sinto dor. E quando não sinto dor, sinto pequenos excessos acumulados na zona abdominal que teimam em não desaparecer. É hora de comer bem. Não há solução que a Mafalda, a Joana ou a Maria arranjem no MSBStudio ou massagem que o terapeuta João Pedro Fonseca possa inventar para deitar abaixo três semanas seguidas de excessos. A comida gulosa vicia e não apetecem refeições saudáveis... Pratico mais ou como menos?...

Poderosas

Gorda não pode isto. Gorda não pode aquilo. Gorda é gorda. Na verdade, as magras têm outras limitações. As assim-assim também. As boazonas. As de cabelo encaracolado. As de cabelo liso. As grandes. As petites. Querem mais?...

No ginásio, algumas "normal size" suam que nem porcas e não atingem metade da performance.

Se uma gorda incomoda muita gente? Não acho.

Acho mesmo que só incomodam as que se julgam as "donas do pedaço". Essas sim, incomodam. E não é pouco.

Venham as gordas todas. Simpáticas, de preferência. E sem complexos porque quando toca a praticar, estamos lá para isso, não para tirar medidas (I guess....).

http://adsoftheworld.com/media/tv/penningtons_yoga

Womenhood

from Brother/Sisterhood, para acabar com as diferenças e pensarmos mais em nós, mulheres, como um todo com problemas e objectivos comuns...

Sactuary Spa (Covent Garden)

Sactuary Spa (Covent Garden)

Pode ser publicidade. Mas a mensagem prevalece em relação ao serviço anunciado. Sim, uma tarde no spa dá-nos a sensação de nos devolver anos de vida, mesmo que não devolva. E o resto? E tudo o que vai ficando por fazer ou dizer porque nos menosprezamos em relação ao mundo? Os mimos de que abdicamos por causa das regras que nos impomos ou dos horários que nos impõem? Dos dias que não estamos e dos outros que não compensamos porque nos esquecemos disso. Porque nos condicionam de tal forma que desaprendemos o que é verdadeiramente importante, numa sociedade cuja indústria é o tempo e a moeda de troca aquilo que fazemos dele.

F*** NO! Sure I'm not perfect and I'm not intending to be.

Sejamos egoístas. Aos olhos dos outros. Sejamos egoisticamente capazes de não abdicar de nós para nos darmos mais aos outros. Aqueles que pouco nos importam em detrimento dos que importam. Por incrível que possa parecer, se nos focarmos em nós e nas nossas necessidades seremos capazes de uma maior generosidade e disponibilidade. Não é um contra-senso porque quando estamos bem, também estamos melhor para o outro. Porque a nossa relação com o outro supõe tempo e paciência, que não temos quando nos consumimos entre actividades que não são nossas mas que dependem de nós. Mesmo que isso signifique menor rendimento, vai traduzir-se num aumento do rendimento, a outro nível: produtividade, fazendo mais e melhor em menos tempo e com menos recursos; espalhando simpatia e empatia pelo mundo, recebendo em dobro o tempo para ouvir o outro, num processo em que a generosidade e entre-ajuda têm um V de volta, regressando a quem dá, com maior impacto; recebendo o carinho que se distribui, alimentando-nos o ego e massajando cada centímetro do nosso íntimo que esbanja alegria. Que nos deram. Que contagia.

Ficámos reféns da nossa história de submissão e super poderes, admitindo um escrutínio constante do que somos e das nossas decisões. Uma dependência que não existe. Não somos iguais (nem temos de o ser) mas teremos de ser iguais na tomada de decisão, transformando a interferência dos outros e dos seus juízos de valor em pormenores que aprenderemos a (in)aceitar.

Estas senhoras são mais velhas e a idade trás uma sabedoria pela experiência. Um dia decidi adiantar-me ao tempo para perceber do que me poderia arrepender. Não soube responder à simples pergunta sobre o que diriam os outros sobre mim, no aniversário dos meus noventa anos. Não era incapacidade de abstracção, mas uma impossibilidade concreta de me rever naquela que era a minha realidade. Se tal vos acontecer é tempo de reverem este vídeo, sentarem-se e pensarem bem no que aqui andam a fazer. Até porque estamos em tempo de renovação e tomada de decisões. Bom ANO! 

Just saying...

 

 

 

Instagram. Us and them.

Comecei por sorrir. Depois, comecei a rir. A seguir soltei uma valente gargalhada quando me vi ao espelho. Já não me lembro do último cappuccino que bebi sem antes, o ter fotografado. Mea culpa. O melhor de tudo, quando um vídeo destes nos confronta com os nossos próprios vícios é conseguirmos sorrir quando ele - o Instagram husband que, na verdade, é só husband e não nos fotografa propositadamente para um artigo sobre o tema - nos diz que o cappuccino está lindo. E afirma, em seguida, num tom interrogativo, se não o vamos fotografar. Não íamos. Porque tínhamos fotos de cappuccinos que chegariam para alimentar a conta do Instagram durante um mês sem voltar a beber um cappuccino; porque controlamos razoavelmente as vezes que o impedimos de comer (ou beber) para fotografar; porque decidimos estar de folga; porque não nos estava a apetecer. Porque. E, perante a interrogação, exclamativa, puxamos do telefone para, habilmente, escolher o ângulo e fotografar mais um cappuccino. Esta é, para mim, a melhor cena do vídeo. Porque admito já ter feito a mesma figura, impedindo a outra pessoa de comer, para fotografar. Porque está bonito. Porque poderá ser útil. Porque sim, passou a ser mesmo assim. 

 De resto, a caricatura é mesmo isso, uma caricatura que procura levar-nos à razão, pelo absurdo das situações. Homens pendurados em escadas à procura do melhor ângulo? Fotografias em sequências infindáveis por causa de uma bandeira? Não. A fotografia do nada, a qual ele tem, obrigatoriamente, de amar? Menos ainda.

Dependendo da abordagem e do método, no Instagram ou em qualquer outro site desta natureza, devemos depender apenas de nós, com alegres colaborações. Sujeitar o nosso sucesso a quem nos fotografa é injusto e, por vezes, cruel.

A fotografia de hoje aconteceu. E, por isso, tem graça e valor. Fui apanhada a fotografar o cliché da estação do Oriente: os arcos em metal, com o reflexo da luz do sol. Uau... Que original.... No entanto para quem, como eu, viaja mais de avião do que de carro, e mais ainda do que de comboio, teria a sua graça. Por isso, escrevo sobre o tema.

image.jpg

Os maridos do Instagram vieram substituir as viúvas do golf, as solitárias do surf ou qualquer outro tipo de categoria que associe um casal a um hobbie. O dele. Não só o Instagram contribui para inverter os papéis como, de certa forma, os posiciona como durante muito tempo nos pocisionaram a nós: um acessório de uma relação centrada neles. Esta inversão não estará correcta mas, efectivamente, quem boa cama faz, nela se deita. Pese embora uma relação dependa de respeito e equilíbrio, não lhes faz mal nenhum sentirem, de quando em vez, que são o nosso selfie stick pessoal, inimitável é insubstituível. Mesmo que seja, apenas, para as fotos do Instagram.

braless

Brooke Cagle  

Brooke Cagle 

Parece tudo menos aquilo que realmente é: isso. Esse reduto da liberdade feminina. Esse prazer único que, só quem as tem, sabe o que significa. Sem sutiã. Sem aros. Almofadas. Algodões. Sintéticos. Presilhas. Alças. Só pele e roupa em cima. Liberdade total. Mesmo que abanem. Mesmo que tal signifique algum desconforto, não há prazer maior do que aquele movimento tão nosso, de despir as mangas da camisola, colocar uma mão atrás das costas, voltar a vestir as mangas e, com a outra mão, puxar o sutiã que sai pela lateral da camisola como se fosse um intruso. Segue-se um suspiro em silêncio ou aquele movimento que também só nós sabemos fazer: ajeitar o sutiã. Na sua ausência, celebrar o momento de libertação, movendo ombros e omoplatas de forma muita rápida e em sincronia, como se estivéssemos a dançar.

Não é, mas o sutiã pode ser entendido como uma grilheta e a sua ausência a libertação final da mulher. Quantas vezes olhamos para um homem adivinhando-lhe os mamilos? Outras tantas pensando, em surdina, que bem precisaria de um sutiã. E nada acontece. Nem ouvem comentários lascivos nem estão a pôr-se "a jeito". Para quem não sabe ou prefere ignorar, o corpo é, todo ele, uma zona erógena. Os mamilos masculinos também.

Não foi à toa que (supostamente) as mulheres queimaram sutiãs. A luta das mulheres pelos seus direitos é longa e agudizou-se por altura da Segunda Guerra Mundial quando foram chamadas a substituir os homens, transformando a luta pela liberdade numa bandeira que ainda hoje, embora de forma mais discreta, persiste. O icónico momento em que decidiram queimar sutiãs foi mais simbólico do que pirómano, quando em 1968 as activistas do Women's Liberation Movement nos Estados Unidos sairam à rua para expor a opressão contra as mulheres, bem como a exploração da beleza feminina. Cansadas das conotações que lhes estavam (estão?) associadas, decidiram que era tempo de mostrar que poderiam ser mais do que donas de casa e mães de família, da mesma forma que toda a parafernália que destaca a beleza feminina (sutiãs, saltos altos, cintas, rolos de cabelo, pinças e afins) foi deitada à rua para deitar por terra os estereótipos. Não chegou, e hoje, continuamos a depender de uma série de artimanhas para realçar a (natural) beleza feminina. 

Muitas não queimaram sutiã nenhum, mas decidiram sair à sua sem sutiã o que, para a altura, terá sido mais do que uma acção simbólica para apoiar este movimento pelos direitos das mulheres. Terá sido uma provocação como ainda hoje é tantas vezes considerada. Uma mulher sem sutiã está a provocar, está a dar nas vistas, foge à normalidade que é tapar as maminhas. Muito embora às vezes apeteça mesmo sentir a liberdade de não ter nada que as segure. Mesmo que estejam tapadas. E o Inverno, lembra a Mashable, tem essa vantagem: as sobreposições escondem o que muitos consideram semi-obsceno e que é, simplesmente, o corpo da mulher.

 

Mamas. Este post é sobre mamas.

Não sei o que é, ou como é. Prefiro continuar sem descobrir. Mas nisto de mamas e cancro... estamos perante uma espécie de roleta russa. Cancro é uma palavra que evitamos dizer. Foi, durante muito tempo, uma sentença de morte. Os que resistiam ficavam para sempre com o estigma da doença oncológica. Ficarão, ainda?

O estigma persiste, mesmo que saibamos que não é contagioso. Ninguém quer doenças, muito menos esta, que se dissemina como se de um vírus se tratasse. Sabemos que a genética, o estilo de vida, alimentação e outros hábitos podem contribuir para nos fragilizar e expor mas, como em tudo na vida, preferimos pensar que só acontece aos outros. Depois, há os casos que surgem do nada. São todos maus (os tipos de...) e não se aproveita nenhum mas, por ser mulher, o cancro da mama assusta-me mais. Porque é cada vez mais comum, surge cada vez mais cedo e, simultaneamente, cada vez menos se morre por perder uma mama. Ou as mamas. Mas deve morrer-se um bocadinho por dentro se olharmos ao espelho e o reflexo for uma cicatriz, se rebolarmos na cama e a mama não incomodar, se já não ficar esmagada, se nos tocarem e o espaço estiver vazio. Não sei. Não quero saber. Nem eu, nem ninguém que goste de sentir as suas mamas. Mesmo quando as está a esmagar contra o colchão. Ou a areia na praia. 

Contudo, não adianta ignorar. Ignorarmos o potencial do cancro é também ignorarmos as mulheres que sofrem com o preconceito e a falta de estruturas de apoio para mastectomizadas. Uma palavra muito grande e muito feia. Mulheres a quem tiraram a mama. Ou as mamas. Mas que continuam a ser mulheres, mesmo que a sociedade as trate como mulheres diferentes, qualquer coisa que foi e já não vai voltar a ser, ou mulheres menos femininas do que as outras. Não é assim. Não pode ser assim. A história que hoje li conta aventuras em busca do sutiã perfeito para uma mulher com uma mama a sério e outra de substituição. De facto, não imagino a sensação que será olhar para roupa interior asséptica, sem cor ou graça. Porque isto de feminilidade tem muito que se lhe diga e não se resume a rendinhas ou babadinhos. Rosas inocentes, branco puro ou preto fatal. O único paralelo que encontro é o da roupa interior para praticar desportos de alta intensidade, reforçados em todos os lados, com costuras reforçadas e ausentes de graça. Mas não tem comparação...

Não faltam lojas de roupa interior. Marcas e cadeias internacionais que se dedicam a cuecas e sutiãs. Um não acabar de opões. Mas, ainda, sem opções para casos de uma mama só.

É urgente mudar.

#cancro #bodypositive #women

Eu redefino. Tu redefines. NÓS REDEFINIMOS.

Ontem política, hoje o corpo. Não posso ficar indiferente ao mundo ou às fotografias da miss Big Gal Yoga, ou Valerie Sagun, que faz aquilo que muitas de nós deveríamos fazer: enfrentar o mundo - enfrentarmo-nos ao espelho - sem medo.

Respeito muito aqueles que por qualquer razão são fisicamente diferentes da maioria. No caso, a Valerie é notoriamente grande e volumosa sem que isso, contudo, a impeça de atingir poses de yoga que muitas magras não conseguem. Porque não tentam. Porque não fazem esse esforço. Por não quererem ou por não terem a persistência e tenacidade que tal exige. Mais ainda se o corpo for, também ele, um desafio.

A sua presença na rede deu nas vistas e não terá sido pelo seu tamanho mas antes, pela capacidade e contributo para derrubar estereótipos. Porque as ideias que prevalecem são (quase) sempre as que, directa ou indirectamente, nos são inculcadas socialmente. No caso, um praticante terá sempre qualquer coisa de excêntrico ou metafísico, com uma aparência tranquila, corpo esbelto e em paz. Consigo e o mundo. Pode ser... Mas também pode ser qualquer um de nós porque, simplesmente, da mesma forma que são poucos os traços que identificam quem pratica natação, dança ou artes marciais, também os do yoga se misturam com quem somos e como somos, deixando pouco para adivinhar. Mesmo que constantemente queiramos recorrer aos modelos testados e padronizados através daquilo que parecemos ser. Nem sempre somos. O maior erro é não reconhecer isso, não dar espaço ao outro, julgando-o à primeira impressão a qual, tantas vezes, não passa das (supostas) aparências.

Não pratico, mas admiro a Valerie pela sua determinação e pela forma como poderá inspirar outras mulheres a seguir o mesmo caminho. Sozinha não mudará o mundo ou derrubará os preconceitos mas cada fotografia que publica contribui para o movimento!

#redefiningyoga #bodyimagemovement #bodyloving

Demora. Mas aprendemos

Tal e qual como nos namoros: sedução, encantamento, projecção, realização, consciencialização, contestação, abandono ou dependência.

Não há meio termo. Depois de cedermos à paixão, depois de limarmos arestas, ou é para sempre ou acaba. No caso dos media sociais, o namoro é ainda curto, mas muito intenso. E muito provavelmente, vai acabar mal. A tomada de consciência vai-se fazendo com os detractores a afirmarem, em regojizo "eu não te disse", tal como nos dizem sobre aquela pessoa que não valia a pena mas na qual insistimos. Alguns cedem ao "tens razão". Outros  moderam as expectativas, aprendem a viver assim e, outros, simplesmente desistem. Afastam-se, intoxicados, e passam a fazer parte do grupo dos "eu bem te avisei". 

Nos media sociais não é tudo mau, mas quase. A Essena O'Neil percebeu isso e, subitamente, mudou por completo a sua perspectiva. Mais do que as lições e ilações teóricas que daqui possamos retirar, importa perceber o movimento que se vem criando em torno de um certo retrocesso sem que tal signifique, verdadeiramente, um regresso ao passado. A Kate Winslet, mãe de 3 filhos, apela ao uso do monopólio. Também eu acho que os dispositivos digitais podem ser excelentes ferramentas de aprendizagem, mas não podem subsitituir-nos e substituir a criatividade da infância, que lhes permite brincar ao faz de conta e subir às árvores como quem sobre ao Empire State Building. 

É a mesma Kate Winslet que se arriscou sem maquilhagem numa selfie que correu mundo para combater esta tendência de #bodyhating que por aí anda. A Essena, ao pé de mim e da Kate é uma miúda e é de louvar a sua tomada de consciência. Passou horas da sua juventude em frente ao espelho, reflectindo-o nos ecrãs para projectar uma vida perfeita quando todos sabemos que a vida não é assim. Mas, como nos filmes, deixamo-nos enganar. A diferença é que um filme dura aproximadamente 90 minutos e estas vidas desfiadas no instagram podem durar décadas. No mínimo.

A Essena apela agora, no website que criou para o efeito, a uma tomada de consciência em relação aos efeitos negativos dos media sociais (way to go girl!). Acima de tudo, critica a excessiva edição de imagem para provar o nosso valor ao mundo e sermos definidos pelos números que esse "mundo" regista. A maquilhagem, as tendências, o corpo esbelto, o cabelo louro... estereótipos que se acumulam e espelham aquilo que apenas uma tiny bit consegue. Há muitas louras, muitos cabelos compridos, muitas esbeltas, muitas com as últimas tendências, muitas maquilhadas. Tudo junto, numa só? Há poucas. E essas, alimentam ideias artificiais sobre aquilo que cada um deve ser. Acima de tudo, sobre a fantasia da vida online. Como explica, e bem, "when you stop comparing and viewing yourself against others, you start to see your own spark and individuality. Everyone has love, kindness, creativity, passion and purpose. Don't let anyone sell you something different". É isto. E aplica-se a todos nós.

 

#bodyloving #bodyimagemovent #consciousness

body cocooning

Descobri há dias uma iniciativa do portal feminino MdeMulher: conversas em formato vídeo entre um gay e uma gorda. Assim mesmo. Gay. Gorda. A primeira a palavra é comum, aceite e não incomoda ninguém. Acho. Mas se uma gorda incomoda muita gente, a palavra, expressa com todas as letras, incomoda muito mais. Suponho que nenhuma gorda goste de ouvir. Como o careca, o baixinho ou o quatro-olhos. Mesmo que se habituem. Por mais que queiramos encontrar formas carinhosas para designar uma mulher gorda, ela não deixa de ser gorda. Pessoalmente, gosto de gordas, roliças ou volumosas de bem com a vida, que aceitam o seu corpo e aprendem a viver com ele, barafustando contra pregas e refegos que por vezes impedem a roupa de aceitar tão bem como aos cabides - as magras - para quem a roupa é pensada. E também não gosto de aturar as magricelas a choramingar porque comem e não engordam. Get over it.

12139811_1684111871811821_1557039554_n.jpg

A maior parte das mulheres não está de bem com a vida. Porque não está de bem com o seu corpo. Com as suas formas ou a ausência delas. O seu tom de pele ou a cor do cabelo. Os trejeitos, que são seus e as caracterizam. Esquecem-se que são estes aparentes detalhes que nos diferenciam, que criam uma identidade única, mesmo que sejamos um overbooked 38 ou que tenhamos tudo em comum com outras mulheres. Não temos. E vejo isso quando danço, quando caminho na rua, quando olho para mulheres que se escondem delas próprias e do mundo em geral. Não sou de mostrar o que pode esconder-se. A apologia "do que é bom é para se ver" tem muito (mesmo muito) pouco a ver comigo que prefiro esconder a mostrar. Contudo, esconder umas pernas com calças ou collants pretas  opacas não é o mesmo que estar escondida. Também não sou de exibicionismos ou de exacerbar movimentos, tiques e poses. Acredito na naturalidade dos actos e das pessoas, porque é essa naturalidade que torna tudo (ainda mais) interessante. Quando fazemos exercício, também devemos deixar que vença a naturalidade. Especialmente quando somos desafiadas a fazer aquilo que pensamos não saber. Ou conseguir. Nas aulas da Mafalda Sá da Bandeira o desafio é constante: para darmos mais de nós próprias, para esquecermos que há um limite, para sairmos da casca e deixarmos o corpo fluir. E flui, se o deixarmos, o corpo flui. Mais do que possamos imaginar. A libertação nesses momentos é única, mesmo sem sairmos de uma sala com chão de madeira, espelhos e paredes feitas de janelas, abertas para o interior do edifício. Durante alguns momentos esquecemos quem somos e o que ali fomos fazer. Extraímos desse instante o melhor que a dança e o movimento nos pode dar: um despertar do corpo e de quem somos, independentemente de como somos. Seja por conseguirmos deitar a barriga no chão, por esticarmos o braço mais um milímetro ou, simplesmente, por dançarmos até à exaustão... 

Baby Bod. So what?...

Só posso dizer uma coisa: as pessoas são tão parvas.

Já estive grávida. Senti-me radiante. Estava maior. Sentia-me enorme e, no fim, a barriga não dá jeito nenhum. Depois? Volta tudo ao sítio. Mais ou menos. Uma mais, outras menos. E então?...

M I N D

Y O U R

O W N

B U S I N E S S

PS: aos que vieram ao engano, não, não estou grávida. 

#bodyloving #bodypositive #babybod

Embaixadora. And proud to be

Primeiro o Observador. Agora a Lux Woman a fazer referência ao #bodyimagemovement, ao urbanista e ao facto de me ter tornado embaixadora deste movimento. Obrigada!

Não vou negar que sabe bem. Não! Sabe muito bem. Não. Mesmo bem! Não... Não é esta a melhor expressão. Qual será? Não sei, mas é fantástico perceber que há outros interessados no tema e que as mulheres, tal como são, serão cada vez mais. E mais fortes.

A história da Taryn tocou-me. Obrigou-me a pensar. A querer fazer parte. A passar a palavra. A mostrar que não somos o que parecemos. Ou que até podemos ser, mas não seremos apenas isso. Gradualmente, fui mudando o foco do urbanista. Adaptando-o em função daquilo que quero transmitir e desta necessidade de passar a palavra sobre nós, mulheres, a nossas piores inimigas e, tantas vezes, inimigas umas das outras.

Eles até podem ser grandes. Ou gordos. Escolham a designação que preferirem para designar um homem com peso a mais. Os amigos até lhes podem dizer "meu, 'tas gordo como o c*******". Mas nunca o fazem com os requintes de malvadez que permitem a uma mulher a dizer a outra "eu não usaria essas calças, mas tu é que sabes..."

Sim, serei sempre eu - no caso, cada uma de nós - a saber. Especialmente quando não vos pedimos opinião. O que acontece frequentemente. Mas também será cada uma de nós a querer maior aceitação e menor preconceito, maior auto-estima e menos crítica, maior partilha e menos inveja, maior empatia e menos bullying. Porque afinal, se os há de todas as alturas, porque não haver também, com saúde, maior diversidade de tamanhos sem que isso implique, sempre, um rótulo social? 

#happygirlsprettygirls #ihaveembraced #bodylove