ballerina

Why ballet?...

Ao contrário do que é habitual, comecei por escrever a versão em inglês do artigo de hoje. Por nenhuma razão em especial mas, provavelmente, por achar que seria tão fácil escrever em português que comecei pela versão mais difícil. Por vezes não é fácil escrever uma carta de amor. Não escrevo na qualidade de jornalista, que não sou, mas há um mínimo de rigor e objectividade nos artigos que publico. Mesmo quando a voz vem do coração e ignora a razão. Não esperem, por isso, um artigo, no Dia Mundial da Actividade Física, que se limite às vantagens do exercício na nossa vida. 

Decidi falar sobre o ballet. Porque dancei, esfarelei os pés muitas vezes, lesionei-me outras tantas, pensando que o corpo aguenta tudo e porque sempre tive tendência para desafiar as posições limite. Aprendi. As posições, o método, o rigor. As suas vantagens e os (meus) limites. Que continuo a desafiar até ao limite do "ainda não estou no limite". Treino menos do que gostaria e mais do que a maioria das pessoas. Não por uma questão de vício, dependência ou busca incessante do corpo perfeito. Porque simplesmente faz parte de mim e de quem sou. E não podemos passar um dia sem sermos verdadeiramente nós, não é?

Já vos contei que procurei, muito tempo, um local ou um professor que correspondesse exactamente às minhas expectativas e necessidades. Passei por locais espectaculares e conheci professores que continuam no meu coração. Ensinaram-me muito. Mas faltava-me este pequeno grande detalhe que o ballet - ou exercício inspirado no ballet - me dá, a transformação que provoca no corpo e o bem estar que proporciona. Para além daquela espécie de telepatia que conseguimos estabelecer com quem nos ensina e que faz com que não seja preciso falar. Eu sei quando me fita para esticar mais ou corrigir a posição e ela sabe quando não posso mais. Isso é único e não se consegue ao estalar um dedo ou indo de forma intermitente às aulas.

Deixamos muitas vezes que tudo interfira com o nosso bem estar. É um modo de vida que está errado. Se, porventura, não temos como o evitar (especialmente no trabalho), usemos o exercício - este exercício em especial - para transpirar e purgar os males da vida, enquanto tonificamos o corpo e o tornamos mais saudável. O que faço no MSBStudio é exercício inspirado no ballet e pensado para as mulheres: trabalho na barra, barra de chão, dança e aulas que parecem pilates, mas são preparadas para nos ensinar a respirar melhor e tonificar os músculos de sustentação do corpo. Promovem não só o condicionamento muscular como ampliam a nossa capacidade respiratória, a firmeza dos músculos, aumentam o equilíbrio e a flexibilidade. Melhora igualmente a postura e faz-nos imediatamente parecer mais elegantes - o que não quer dizer magras. A elegância nada tem a ver com a "dimensão" do corpo. Também ajuda a melhorar a nossa coordenação motora, aumenta-nos a resistência e dá-nos algo imprescindível para aguentar muitos dos fretes do dia-a-dia: disciplina e controlo mental. Como escrevi no artigo em inglês, "even when we think that we can no longer make it, our body has a lot of turnouts if we choose to use it" que é, simplesmente istomesmo quando pensamos que já não é possível, o nosso corpo muitas vezes surpreende-nos. Assim como o ballet...

 

Just because ballet rocks and totally rock your body. Let's keep it straight: everybody loves a fit body, meaning that as a nice looking, cool in attitude, healthy body. Even with curves.

I was honestly searching for "fit body meaning" and I just found the most astonishing - awkward supposed-to-be definitions on the web. But this one really got into me. It's not offensive, its positive and its true:

thin is not the same as muscular/in shape. This is a lack of muscle and a lack of fat. Fit means a lean and toned body. Well muscled with enough fat to give curve and soften the body so it does not feel like you are hugging a brick
— Radom guy on a dating forum

Truth is, no one likes to hug bricks. Or tree trunks. Their cold, rough and straight. No curves, no flat belly, no nothing. After all, as another guy defined, being fitted it does not mean "working on it" or "halfway to my goal" or "slightly over". For another contributor it means that you won't fall over dead if you have to climb a flight of stairs, won't pass out if by walking a city block and won't have to be resuscitated by an emergency crew if they have to jog a mile. I agree.

Being fit isn't necessarily a girls' business even if society strongly pressures women regarding their body and their looks. A toned guy, healthy and fitted is, of course, a more attractive guy. But, again, there are so many fatty girls and boys that can jog a mile or walk a city block... It all depends on your body shape and type. Above all, don't rely only on what your eyes can see, since it all depends on your personality and attitude. Seems like I'm contradicting myself but I'm not. As a Body Imagem Ambassador, I am part of a worldwide movement aiming to redefine and rewrite the ideals of beauty. We're on a quest for active a body positive image and for women to be more accepting of who they are and to prioritize health before beauty. But I decided, as the only Portuguese speaker in this group, to extend my approach to man and to consider this as an anti-prejudice or preconceptions movement, regarding our looks, bodies, attitudes, and values, referring to social acceptance and respect in contemporary society. 
As for ballet, contrary to general assumptions, you can learn ballet at any age. Better than dancing ballet, is the workout associated, at the barre or on the floor that takes our body to the next level. Even when we think that we can no longer make it, our body has a lot of turnouts if we choose to use it. As adults, we still can rotate our leg from the hip, causing our knee and foot to turn out, which is a good thing. The battement tendu (leg extended, toes on the floor, heel off, and stretching instep, sweeping round) is most of the time pure agony, but also an absolute pleasure to be able to make it, while dreaming about our ballerina body.


My workout happens in Lisbon at the MSBStudio with Mafalda Sá da Bandeira, who does really motivate you to achieve bigger and better results. Everyday. Ballet workout or ballet-inspired workout, it's a full body workout, toning all our muscles and making us leaner. It makes you sweat, but not that much, allowing you a 5-minute shower without blowing your hair. It's also very dynamic with no routine associated with the movements and exercises, that can be different every day, allowing you to de-stress. Your focus and attention must be there, the classical tunes you listen to and the high-intensity workout empty your mind from all the crappy business you get involved in all day long... Why ballet?...

Misturas

Não sou fã de misturas. Mesmo num cocktail, prefiro algo simples, fiel ao espírito da bebida de base. No desporto e, especialmente no exercício físico, mais ainda. Aquela ideia peregrina de misturar yoga com tai-chi, enquanto se alonga é isso mesmo: peregrina. Só serve a quem não conhece bem cada uma das práticas. Porque a mistura adapta, adulterando. Simplificando. Yoga é uma prática na qual nos podemos inspirar para exercitar o corpo. Mas duvido sempre de adaptações livres da prática de yoga. São, muitas vezes, ganchos para chamar a atenção e não a essência. Porque yoga, mesmo, é difícil. Exige uma mentalização para a prática. Que não se limita a posturas giras para o Instagram. Sobre tai-chi não me pronuncio. Mas sei que não é apenas aquele movimento de braços e mãos que mostram nos filmes. 

Quando misturam ballet com fitness... Posso falar. Trabalho na barra ou simplesmente a barra, no chão? Também. E fitness? Falta-me a teoria. Sobra a prática... Agrada-me a massificação do exercício físico. Se for por via do fitness, tanto melhor. Pois que se mexam. Criem-se ginásios e academias para o efeito. Da mesma forma que as artes marciais já serviram para criar modalidades de fitness, o boxe inspirou aulas que prometem matar calorias em barda, chegou a vez de dar uma nova popularidade ao ballet e trabalho associado. Não me choca. Nem surpreende. Porque, de facto, o corpo de uma bailarina, numa mulher normal, é invejável. Bonito de se ver. Uma bailarina profissional poderá estar demasiado seca e musculada por força do rigor que o ballet exige. Mas uma mulher que pratique e tenha alguns cuidados com a alimentação poderá ter um corpo muito bonito. Porque há uma diferença simples entre a maior parte das actividades de fitness e o ballet. Onde o fitness insiste para crescer, o ballet insiste para alongar. O que se traduz num conjunto de músculos mais definidos em extensão e menos em volume. Olhamos e vemos pernas definidas. Não vemos pernas musculadas. Ou musculadas q.b. Braços e ombros totalmente definidos, mas sem volume. E uma flexibilidade acima da média. Que dá muito jeito para as actividades quotidianas e mais ainda para outras. Deixo-vos imaginar. Ou praticar, para saberem de que falo.

Já aqui falei vezes suficientes sobre o tema para saberem qua boa parte da minha vida é isto. Já experimentei de tudo. Conheço a maior parte dos ginásios e cadeias de ginásios. Estou atenta à oferta e à comunicação de cada um deles. Não defendo uma lógica de bairro, menos ainda a das grandes cadeias. Gosto da especialização, de um acompanhamento que percebe as minhas necessidades, está atento aos meus objectivos e me faz superar todos os dias. Também já vos mostrei alguns locais e projectos que acarinho. E nunca desprezei qualquer operador neste mercado, que é o do desporto e do fitness. Mas há misturas de que não gosto (s.barre no VivaFit). Que não entendo. Talvez porque se as quisermos desenvolver com seriedade e a um nível avançado, sejam esquisitas. E se todos os dias ando entre barra (bar method), chão (barra de chão), pilates e aulas de alongamentos que nos ensinam a respirar e a adoptar as posturas correctas (breathing and core) , bem como técnicas de dança para dançar cada vez melhor, não sei como se mistura tudo isto numa aula só. Ainda por cima, nem é original. E já existe entre nós. O MSB studio já o faz há 2 anos. Mas, se é um sucesso nos EUA e no Brasil, quem sou eu para questionar. Gostamos mesmo é do que vem de fora, não é? E, afinal, sempre ouvi dizer que o desporto é para todos.... Vão. Que eu fico no MSBStudio, e visito a Jazzy, o O2, o Fitness&Friends ou vou à praia, com a equipa da FhitUnit.

Bar Method no MSBStudio 

Método. Moderno. Com resultados à antiga...

Compreendo quem não acorda cedo para sair de casa e fazer desporto. Mas não tenho dúvidas quanto ao impacto que estes dois actos, profundamente relacionados, têm no nosso dia-a-dia.

É um sacrifício sair da cama num dia frio e cinzento.  É... Tão grande que não serão poucos os que saltam diversas etapas na manhã por mais cinco minutos debaixo dos lençóis. Que se atrasam por aqueles cinco minutos. Que, durante meses, abdicam de um começo de dia com exercício. Depois, correm para compensar a inércia...  

Uma manhã que começa com movimento é melhor. Saltar da cama, abrir a gaveta da roupa de desporto, alinhar as peças em função do exercício, garantir a proteína e hidratos para melhorar os resultados,  caminhar até ao MSBStudio para uma hora na barra. O método não falha.

Não é ginástica. Para isso não faltam ginásios apetrechados. Não é cross fit que também já há de sobra. Nem um grupo de fitness, treino funcional, um clube de corrida ou uma escola de dança. Para qualquer uma das últimas hipóteses não faltam opções. Algumas dignas de (muito) respeito e das quais gosto muito. Tudo, em dias, e momentos diferentes. No entanto, uma opção que nos ensine mais sobre movimento e postura, que através desse trabalho vá criando uma maior consciência do nosso corpo e das suas características, ao mesmo tempo que ficamos com um corpo (mais) feminino, definido e tonificado, maior flexibilidade e força? Não tenho dúvidas de o ter encontrado com o método da Mafalda que, finalmente, decidiu assumi-lo em pleno quando reformulou o plano de aulas do MSBStudio, consolidando-o como um daqueles locais modernos com trabalho e resultados à moda antiga...

Aqui, não há ginástica. Embora o esforço seja igual. O empenho é equivalente e os resultados, melhores. Há técnica, que se aprende e re-aprende diariamente. Há conceitos explorados à exaustão e entusiasmo que, apenas quem está, entende. Há dor, daquela que gostamos de sentir, dos músculos a esticarem, a alongarem, a darem sempre um pouco mais. A barriga que queima, os gémeos que gritam, os braços que inexplicavelmente aguentam mais uns segundos. As costas ganham uma definição digna de revista, sem músculos a sobressair, mas tonificados como nunca antes estiveram. Os pés ganham milímetros sempre que se esticam, o pescoço cresce. As mãos, os dedos e cada pormenor das suas extremidades ganham outra beleza. Porque é de beleza que se trata. Como já uma vez afirmei, o treino da Mafalda é mais artístico do que qualquer outra coisa. E a arte, por definição, é bela.