atitudes

Medo?

Muito.  

Ontem li uma entrevista. Hoje li um artigo. Nada de novo ou interessante nesta afirmação. O importante é que dizem o mesmo - ou quase - de forma diferente. Medo. Resume-se (quase) tudo ao medo.

Estou cansada de tantas pessoas medrosas. Cansada de pessoas hipócritas que, por medo, sorriem quando deveriam dizer o que pensam. Pessoas que acenam com a cabeça enquanto, intimamente, nos criticam. Pessoas que se sentem ameaçadas por outras pessoas. Não pelo seu intelecto mas porque são mais altas, ou mais bonitas ou qualquer outro predicado igualmente subjectivo e inútil para avaliarmos alguém. Entre homens e mulheres o problema já assumiu o carácter de cliché. Piada fácil para explicar a razão pela qual tantos relacionamentos nem chegam a acontecer. O que me despertou neste artigo foi esta frase:

 "Continuas a dizer exactamente o que pensas e o que queres, disse-me ele. E isso assusta as pessoas, principalmente os homens".

Estou com a Helena. Medo?... Seriosly?!

Concordo com o que diz, quando afirma que:

"Não seriam a sociedade e as relações mais fáceis de se levar se todos fossemos honestos com o que queremos e o que sentimos?"

Aplica-se a tudo, incluindo o amor.

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Não entendo, nunca entenderei, a razão pela qual tantas pessoas optam pelo cinismo fácil, escondendo-se, concordando por falta de argumento, estabelecendo relações com base na falsa suposição de partilha mútua. Não temos de nos aceitar. Apenas respeitar. Ser capazes de conviver e, eventualmente, trabalhar em conjunto.

Não é mais fácil para todos afirmarmos que  determinadas características de alguém nos incomodam mesmo que tenhamos de partilhar algum tipo de contexto?

Não temos de ser amigos, apenas de ser civilizados e verdadeiros. Optamos, muitas vezes, por mostrar a mentira, socialmente mais segura e aceitável. Acontece por absoluta estupidez ou medo. Ostracismo será demais, convém respeitar o outro nas suas diferenças, reconhecer as suas competências e capacidades para trabalhar, em conjunto, no que tem de ser. Experimentem dizer a alguém exactamente o que pensam.

É libertador.

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O artigo, focado nas relações entre homens e mulheres, tem uma passagem interessante, que levanta cinco potenciais razões para que isto aconteça. Vou adaptar, porque se aplica a tudo. Especialmente às relações profissionais, num contexto como o de hoje, em que as mulheres poderiam facilmente dominar as principais posições nas organizações. Diz a autora que os homens precisam de estar com mulheres que considerem inferiores para se sentirem superiores. Eu diria que as pessoas, em geral, não gostam de se sentir inferiores porque a inferioridade é uma ameaça, tornando-as dependentes e incapazes de dominar as diferentes situações de qualquer contexto entre indivíduos. Sim, no geral, ninguém quer que se perceba a sua ignorância ou falta de inteligência.

From Abigail Keenan (abigailkeenan.com)

From Abigail Keenan (abigailkeenan.com)

Aplica-se às relações entre homens e mulheres. Como afirma, os homens têm medo que uma mulher inteligente acabe por perceber que eles não o são e, por isso, também receiam ser abafados. Pessoas capazes são sempre ameaçadoras. Quando a situação se coloca entre homens e mulheres, a nossa socialização, paternalista, machista e conservadora, transforma mulheres inteligentes e independentes numa verdadeira ameaça à sua masculinidade. Na maior parte do tempo, de forma inconsciente.

Pior se as considerarem bonitas.

Sabem o que dizia a entrevista

Que somos um país de medricas, de gente subserviente, assustada. 

É isto. 

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Sol não falta...

... Falta o resto. E o resto, é tanto. 

Estou lá e poderia estar cá. As notícias chegam à mesma velocidade, onde quer que estejamos. Na verdade, contaram-me que o Governo que não chegou a ser, já se foi. E que não falta o sol e calor em pleno Novembro, contrariando as paisagens outonais e as fotografias de chocolate quente - que já apetece - em Londres.  

Sempre que vou, raramente tenho pressa em voltar e não raramente tenho vontade de chamar os que ficam, para me encontrarem num aeroporto qualquer. Todos os países, hoje, têm problemas. A diferença está em saber viver com esses problemas, com sentido de Estado e o fervor da Nação que me parece ter-se perdido na terra do Sol e do bom tempo. São miúdos que não sabem jogar e se agarram à bola quando o xuto à baliza falhou por centímetros, rodeados de outros que em vez de separar os que se agarraram à bulha rodeiam e gritam "dá-lhe... dá-lhe... dá-lhe..." até um deles cair por terra. Afastam-se e procuram a próxima diversão, como voyeurs que são.

Dizem que estamos em suspenso à espera daquele que há-de chegar e que, sabemos, jamais voltará. Com ou sem nevoeiro. Preferimos viver na ilusão da possibilidade, a enfrentar os nossos medos, carpir mágoas e arregaçar as mangas para enfrentar um novo dia. Esse dia não chega porque vivemos repetidamente o mesmo, repisando todas as questões sem as resolvermos. Talvez estejamos a aguardar a réplica de 1755 para, de uma só vez, reconstruir tudo. Chama-se começar de novo e só nos faria bem. Independentemente de quem habitar o Parlamento, os tempos não estão para brincadeiras, recordações ou esperas. 

Esta manhã, por terras de sua Majestade, Cameron discursou para a Europa. O tom inflamado contrastou com o aspecto depurado e a voz aparentemente bem colocada, para gentilmente ameaçar bater com a porta.

A Europa, fragmentada e desfigurada, está ameaçada por dentro, uma força centrífuga que afasta o centro, descentralizando-o e dispersando as opiniões. Há refugiados encaixados em apartamentos no centro de Londres, cuja valorização ronda o milhão de libras. Alguns são vizinhos da Lady Gaga e não sabem. Dormem, provavelmente, em turnos, porque na mesma casa estão mais pessoas do que camas. Da Arábia não chega apoio nem se abrem portas, mas disponibilizam a totalidade do investimento necessário para a construção de mesquitas por toda a Europa. Nada contra, mas admitamos que a paisagem do velho continente vai mudar radicalmente.

E vai mudar também porque enquanto andamos aqui a brincar às casinhas e em lutas pueris pelo poder, o ártico derrete a uma velocidade nunca antes vista, ameaçando tudo e todos. Como sempre, estamos demasiado preocupados em olhar para o umbigo, sem ver largo e longe, sem antecipar o que por aí vem. E o que está para chegar, tem tudo para não ser bom.

Foto: Simon Schmitt (www.schmitt-simon.com)

Foto: Simon Schmitt (www.schmitt-simon.com)


Amor sem livro de instruções

Deitar cedo a um sábado por pura exaustão. E congestão (nasal). Saber que, ao chegar à cama, ele vai baixar o estore, correr as cortinas, desligar a luz e deitar-se sem mexer a cama. Acordar, mais cedo do que todos, e ficar na cozinha a ler.

Manual de instruções?!... Não existe para nada, a não ser electrodomésticos, menos ainda para o amor. 

O amor é lindo e outros clichés espalhados em 15 pontos. O amor realmente é lindo, mas não é exactamente assim. É quase assim. Não existe o homem dos nossos sonhos porque a vida não é um conto de fadas como (continuam) a querer fazer acreditar às meninas e às solteiras. Porque para ele ser "o dos nossos sonhos" nós temos de ser a "dos seus sonhos". Aí está o segredo do sucesso. Não existem relações unipessoais, menos ainda, unidireccionais por isso, com ou sem elogios, com mais ou menos beijinhos, com família misturada ou sem ela, cabe a cada mulher (e a cada homem) perceber o que funciona para si. O que aceita e até que ponto aceita, o que deseja e o que não deseja. Dizer. Ouvir. Esperar. Nunca atacar. Acima de tudo, saber que aquela pessoa é para sempre, sem checklist. Porque quando é para sempre, podem aqueles quinze pontos estar a falhar. Ontem, hoje, na certeza de que amanhã vão estar todos bem. Sem listas. Com intuição. Ou será antes, paixão?

Parece-me que falta amar mais e pensar menos...

Fugir da fila não é o mesmo que fugir da guerra...

 

Há quem não queira fila no supermercado. Há quem tente ignorar o que se está a passar. Eu preferia que tudo fosse como sempre, na nossa habitual pacatez. Mas não é. E, quanto a isso, só resta fazer alguma coisa. Tudo menos olhar para o lado e assobiar, como fazem os miúdos.

Há muitos pobres cá. Mas esta pobreza de espírito que teima em ignorar os pobres de lá é pior do que simplesmente ignorar uma mão estendida. Quem foge, não o faz por prazer. Os que escolhem viajar num veículo sem ar não o fazem pelo desafio. Quem se atira ao mar na esperança de chegar, não o faz por gostar de nadar.

Esta miséria não tem nada a ver com a miséria urbana que tem atirado milhares para a sopa dos pobres. Há pessoas a fugir para, apenas, tentarem continuar vivas. E nós, o que fazemos?

Não nos esqueçamos que "durante a Segunda Guerra Mundial, Oskar Schindler ou Aristides Sousa Mendes também não salvaram todos os judeus — salvaram os que puderam. Salvaram os que conseguiram. Infelizmente, a Europa, neste momento, nem sequer está a tentar"...

Confessem: há lá melhor maneira de acabar as férias?!...

#urbanistacares #urbanista #siria

Manias

Para eles, manias. Futilidades. Vaidade. Mesmo que depois gostem de ver. Ou que aquilo que podem ver seja o verdadeiro "turn on". Mesmo assim, manias. Cenas de gaja. Tempo perdido. 

Para mim, é tempo perdido, sim. Mas não passo sem esses 30 minutos semanais que me fazem sentir melhor. Unhas e sobrancelhas arranjadas são essenciais para ultrapassar um certo ar desmazelado e dar a qualquer look, por mais simples que seja, um ar mais sofisticado. De calções e tshirt ou de calças de seda e saltos, umas mãos bem tratadas com um verniz impecável são, para mim, fundamentais. Mesmo que isso nos roube 30 minutos e outros tantos para secarem...

Descobri a YMMA há 3 semanas. Adoro o conceito, mesmo que o serviço de manicure não seja o meu preferido(*). Em trinta minutos mãos hidratadas, cutículas retiradas e cores maravilhosas. Fui e voltei a Paris sentada nas Amoreiras, num espaço que, apesar de ser aberto tem a privacidade necessária para sentirmos que estamos naquele momento de mimo que só nós sabemos que merecemos. Eles, gostam de ver, mesmo que não percebam nada disto...

YMMA? You've got me...

#ymmanails #vanity #fun

(*) porque gosto (ou estou habituada) da manicure excessiva que empurra cutículas e as engole, que  pinta unha e dedo para depois limpar. Manias...

Bon chic, bon genre?...

Ignorância. Este é um dos maiores problemas da nossa sociedade.

Tudo começou com um elogio simpático o qual, rapidamente, se transformou num
comentário inconveniente sobre a minha aparência. Tão informal que... E
mais não digo porque não há código definido, sequer escrito. Na ausência de definição, cada qual assume- se nos domínios do bom senso e do bom gosto. Ou do bon genre? Também não há farda mas assume-se que a determinamos cargos e posições corresponde uma determinada aparência. A que desconstruo permanentemente porque me apetece. Porque me dá um certo prazer ouvir os seus comentários pequeninos no alcance e enormes na voz, enquanto passo. Depois de passar. Antes de me aproximar, quando já venho ao fundo, no corredor.
Porque é assim que gosto de me vestir e nada ou ninguém me impedirá de ser quem sou. Independentemente do que possa parecer. E sei que não parece mal.

Desculpem, que não pareço mal.