NewYear

Sorrir faz bem

Nas redes, people moaning about the rain. Não se traduz a saudade com missing. Também não se traduz moaning com queixume. Embora possa. É isso, mas de uma forma diferente. São gemidos, é certo, mas também se pode entender de outra maneira menos sonora e mais verbal. Porque se lamuriavam (também é demais e não traduz o moaning) sobre o mau tempo. O Inverno, portanto.

O que é o Inverno senão tempo frio, tempestuoso? Dias e dias sem sol, com chuva, vento, água acumulada nos beirais e nas bermas das estradas, chuva mais ou menos intensa, aguaceiros que nos apanham desprevenidos mesmo quando ameaça chover desde o momento em que decidimos sair de casa. Temos a sorte de ter Invernos primaveris, a ponto de deixarmos alagar as ruas quando cai uma carga de água. E, quando o cinza se abate sobre nós durante uns dias é vê-los, nas redes, choramingar por dias melhores. Que hão-de vir. Que chegam sempre porque nada pode ser eternamente mau.

E, repentinamente, o sol. O rosa, o amarelo e outras cores de Verão em tons pastel que me chegam em imagens celebrando um dia - outro dia - de sol.

Também gosto dos dias frios e secos, com sol a queimar. Porque o sol de Inverno é diferente da luz de Verão e queima. Não no sentido do queimar para bronzear, mas queimar, queimando. Vermelho a pedir hidratante.

Gosto dos dias assim, para sair à rua sem a preocupação dos dias maus, na certeza de que também os outros terão um sorriso para oferecer. Sorriam. Mesmo que, com sol, a vida não vos corra bem.

Um sorriso arrasta sempre outro de volta. Que o diga quem arrisca coisas novas.

Por isso, sorriam e aproveitem para conhecer duas amigas que se decidiram por uma aventura a solo em 2016: a fotoGInica que fotografa melhor do que vocês e vos pode fazer sessões daquelas que nos tornam narcisistas. Vamos querer emoldurar todas as fotografias... E a miss Yoga&Stories que consegue fazer-nos rir enquanto adoptamos aquelas posturas que invejamos no Instagram. Para quem tem filhos, as propostas são de yoga divertido em família, ensinando yoga (quase) a brincar. No entanto, nenhuma está a brincar, levando estes projectos muito a sério, que podem conhecer aqui e aqui.

Por falar em projectos, qual é o vosso, para 2016?

Ano novo. Vida nova?

Não necessariamente. 

O primeiro dia do ano é sempre igual. Ressaca de festas, família ou viagens, corpo amassado por uma época feliz que nos deixa de rastos. No segundo dia acordamos do primeiro e enfrentamos o mundo esperando que tudo aquilo acabe depressa para voltarmos ao nosso aconchego.

Ao terceiro dia começa o ano. Para mim, o ano começa antes. Viro o ano em Setembro, depois de um sabático Agosto em que nada acontece. Ou tudo acontece e nada respeita a trabalho, ou o trabalho acontece e tudo muda sem darmos conta. Nova página, depois de umas quantas deixadas em branco, cuja única ocupação foi estar de barriga para o ar.

Em Setembro ainda cheira a Verão - e o Verão estende-se cada vez até mais tarde - não custa acordar cedo, fazer exercício logo pela manhã ou ao fim do dia, já sem sol. Resoluções de novo ano, tomadas em Setembro custam menos do que as nos expõem ao frio e à chuva (acho).

Por isso, quando começo a ver as imagens das agendas, as fotografias no Instagram das secretárias muita arranjadas, prontas para receber o ano que começa e desenvolver os planos desembrulhados depois do Natal, olho para a minha e parece-me feia, cheia de trabalho, projectos para acabar, outros para começar, papeis com anotações, notas em documentos, folhetos para ler, bilhetes de concertos para arquivar. E penso que deveria dizer "não" mais vezes, agarrar-me ao que verdadeiramente interessa - ou ao que me dá prazer - e arrumar a secretária, colocar plantas e sei lá mais o quê que está sempre naquelas fotografias de catálogo e que devem ficar descompostas no minuto em que alguém se senta para... trabalhar sem fotografar.

Não sei como vocês trabalham, mas despacho assuntos com a secretária assim ou assado, sentada aqui ou ali. Habituei-me a trabalhar entre coisas, às portas de embarque nos aeroportos, à micro secretária no lugar do avião, às camas de hotel com almofadas que fazem de tabuleiro. O local do qual me abstraio para fazer o que tem de ser feito ou, simplesmente, o que me apetece fazer. É esta abstracção que também me abstrai da secretária que é bonita mas não tem o glamour dos espaços de trabalho que me inundam o Instagram. É isto. Amanhã continuo a trabalhar porque, afinal, virou o ano, mas eu já vou praticamente a meio do ano. E, que chatice, preciso de uma agenda nova*.

* não sugiram, por favor, aquelas agendas para gente estranha cujo ano começa em Setembro. Gosto de sentir-me igual aos outros e insisto numa agenda que começa em Janeiro e termina em Dezembro. Afinal, mudamos de ano...