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BookCast: life changing books, ou as histórias dos livros que sabemos que nos vão mudar a vida.

BookCast: life changing books, ou as histórias dos livros que sabemos que nos vão mudar a vida.

A expressão "life changing" aplica-se a quase tudo. Aos livros também, porque há leituras que fazemos que nos mudam para sempre. Assim é com algumas das escolhas que hoje trazemos ao BookCast, este pseudo podcast que nada mais é do que uma conversa de gajas, que gostam de ler, sobre os livros que andam a ler.

Apps de yoga, the magical, podcasts e o urbanista

Apps de yoga, the magical, podcasts e o urbanista

O yoga entrou há pouco tempo na minha vida. Mas, como um grande amor, foi arrebatador e chegou para ficar, com um poder transformador que me mudou para sempre. Por isso volto ao yoga, porque tenho sido abordada por muitas pessoas têm curiosidade e não sabem se o yoga é mesmo para elas, explorando algumas aplicações que ajudam a dar início à prática.

BookCast #9: uma espécie de BookFlix

BookCast #9: uma espécie de BookFlix

Duas mulheres com vida preenchidas e agendas cheias sentam-se, uma vez por mês para falar sobre os livros que leram, estão a ler ou planeiam ler. Regressam depois das férias para compilar ideias e apresentar novidades. Uma devora romances, outra vai pelo pragmatismo de uma espécie de auto-ajuda moderna à qual junta ensaios que lhe ensinam coisas sobre as quais pode, também sonhar. Românticas e sonhadoras, divertem-se no closet da Helena usando o microfone da Paula enquanto tiram fotografias desta aventura sonora para partilharem no Instagram. Querem ouvir?

Livros no cinema e o cinema nos livros: it's a match?

Esta semana estreia um filme cuja história se baseia na narrativa de um livro que, por sua vez, é, também ele, sobre livros: a sociedade literária da tarte de casca de batata (The Guernsey Literary & Potato Peel Pie Society) é sobre um clube de leitura no tempo da ocupação nazi no período da II Guerra Mundial. É um bom romance, com bons actores e uma história muito mais consistente e interessante do que o trailer deixa transparecer, com uma razão muito interessante para a designação, no mínimo, curiosa, sobre a sociedade literária da tarte de casca de batata... Faz parte da história do filme e não vou contar... Também por causa desta estreia e porque raramente as adaptações de livros ao cinema são boas surpresas, eu e a Helena decidimos fazer um episódio do #BookCast dedicado a histórias de livros adaptadas ao cinema.

Escolhi duas das minhas preferidas e que são, também, das melhores adaptações da história da relação entre livros e filmes: Gone with the Wind (e Tudo o Vento levou...) e Papillon, duas histórias muito diferentes que resultam em dois filmes muito longos. Talvez por isso sejam consideradas boas adaptações, porque respeitam o livro ao detalhe... Contudo, não sei se será essa a melhor razão para um filme ser uma boa adaptação ao cinema. São realidades diferentes, com uma estrutura narrativa muito própria... por vezes o livro serve apenas de inspiração e, por isso, também escolhemos algumas péssimas adaptações. Especialmente a minha primeira escolha, um filme ao estilo telefilme, de um romance assim-assim, que se relaciona com a minha vida de uma forma muito especial. Vão ter de usar este botão para descobrir que segredos esconde o Banquete do Amor...

Este dia é das mulheres. Não serão, todos os dias, dias das mulheres?

Este dia, esta semana, é das mulheres. Não serão, todos os dias, dias das mulheres?

Um pouco por todo o mundo celebra-se um dia que deveria ser todos os dias e, dessa forma, dispensaria um dia especial. Acredito que o empoderamento feminino tem de acontecer diariamente e que a discussão em torno do eterno feminino se deve fazer, também, todos os dias, com medidas e acções que, efectivamente, tenham consequências positivas para os direitos, liberdades e garantias da mulher sem, contudo, desprezar as do homem. Não faltam debates e discussões, mas ainda faltam soluções.

Espera-se que o 2018 seja um ano de mudança no que toca ao ativismo feminino. Espera-se que, depois de 2018, as mulheres deixem de sentir medo e que a igualdade, em termos de segurança, poder e remuneração salarial, se torne uma realidade.

É também esperado que este seja o ano em que se põe, finalmente, fim ao sexismo e ao assédio sexual. Não sei se já perceberam mas o capítulo sobre estas conquistas, resultado da união das mulheres em torno de uma causa maior, está a ser escrito e cabe-nos a nós - todas - ajudar a escrevê-lo. Contudo, não o podemos fazer sozinhas. Os homens podem - e devem - ser chamados à discussão. Mesmo os machistas, para perceberem que estão cada vez mais isolados na sua acção.

Boa parte da discussão pública sobre esta questão faz-se numa separação entre homens e mulheres quando, na verdade, me parece que o que precisamos é de maior união e reconhecimento das diferenças que podem - devem - ser complementares.

Juntos - juntas - seremos mais fortes e a integração do outro tem de começar exactamente por nós, mulheres, que tantas vezes fomos colocadas de parte em função disso mesmo: a diferença dos papéis de género. Não adianta discutir diferenças fisicas e biológicas porque, simplesmente, existem. Precedem, inclusivamente, toda esta discussão de carácter socio-cultural. Importa discutir os pequenos problemas que afectam todos os dias as mulheres, porque é nestes aspectos que reside parte da solução: ao ignorarmos onde se fundam as grandes questões não estamos, em nada, a contribuir para a sua solução porque se trata de uma maquilhagem do problema. Não vamos conseguir mudar o paradigma numa geração sem educar os nossos filhos e filhas para um mundo diferente, fundado numa lógica de aceitação e respeito pela diferença, de entre-ajuda e alteração da lógica inerente aos principais papeis sociais. Também estes precisam actualizados…

Podemos criar quotas na Assembleia da República ou obrigar as grandes empresas a integrar mais mulheres nos seus quadros de administração. Pouco mudará se não mudarmos a mentalidade que ainda baseia a estrutura social na mãe e mulher-que-é-também-profissional. Os nossos irmãos, maridos e amigos foram educados numa cultura machista e actuam, diariamente, em conformidade. Sem que disso se apercebam. Nós também, sempre que dizemos, deixa estar eu faço ou quando reproduzimos, em casa, o velho paradigma…

Quando duas pessoas decidem viver em comunhão, enquanto casal, estão a decidir partilhar a sua vida. Essa vida inclui almoços e jantares, roupa interior que deve ser lavada e pendurada no estendal, lixo carregado escadas abaixo, filhos com fraldas, outros que adormecem ao colo, TPC e reuniões de pais. Inclui também um plano alimentar definido e listas de compras no supermercado, bem como a planificação das tarefas de limpeza e arrumação da casa. Um frete, portanto, já que nem todas as mulheres de carreira podem suportar os custos de alguém que toma conta da casa.

É, normalmente, a mulher que assume a liderança da economia doméstica. Em 90% dos casos, a culpa também é sua, pelo tom paternalista que usar quando o acusa d não saber fazer as coisas. E, então, ele não faz. Perdemos todos porque continuamos desnecessariamente sobrecarregadas e o mundo não muda porque mantemos a ideia de que assim é que está bem. Não está. O tempo que ocupamos com acumulação de tarefas domésticas é tempo que eles ganham para progredirem nas carreiras.

Então e a nossa carreira?

Este texto inclui um podcast que podem ouvir aqui

 

 

Photo by Ahmed Carter on Unsplash

Bookcast: muito mais do que um podcast de livros, uma descoberta sobre o valor da amizade

Esta semana voltamos aos livros. Poderíamos ter escolhido o óbvio e apresentar as nossas autoras preferidas mas, na verdade, eu acredito que isto de empoderamento feminino tem de acontecer todos os dias e que a discussão em torno do eterno feminino se deve fazer todos os dias, com medidas e acções que, efectivamente, tenham consequências positivas para os direitos, liberdades e garantias da mulher sem, contudo, desprezar as do homem.

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Convidámos a Vera, que é mãe e momblogger (As Viagens dos V's), desafiámo-la a escolher livros para crianças e falámos sobre isso mesmo ao longo de várois minutos, partilhando experiências e ideias sobre os livros que escolhemos. Vocês não vão acreditar na excitação (minha e da Helena Magalhães!...) com a surpresa que a Vera nos trouxe: os livros da Anita (actual Martina...) e rir à gargalhada quando cantamos a "machadinha" (#priceless).

Quem mais adorava as histórias da Anita?!!

Para além da Anita incluímos, também, algumas escolhas pessoais na conversa e a Helena trouxe exemplos das suas recordações de infância. Este é mais do que um podcast de livros para crianças porque, depois disto, continuámos a conversar e a trocar ideias e, alguém que eu não conhecia, de quem nada sabia tem, afinal muito mais em comum comigo do que poderia imaginar. Esta é parte da magia dos podcasts: descobrir pessoas, criar relações e, sem querer, mudar um bocadinho o nosso mundo. Espero que ajude a mudar o vosso ♡

Os livros também falam de amor

Os livros contam histórias de amor e nestes episódios falamos do nosso amor pelos livros e as  histórias que os livros contam... Uma mistura que por vezes não sabemos exactamente onde começa ou acaba mas que se resume, de facto, à palavra amor. 

E é de amor que se fala esta semana no urbanista e no #BookCast, o podcast (muito divertido de fazer, por sinal) que partilho com a Helena Magalhães que é, também ela, escritora e autora de um romance que vos pode, muito bem, acompanhar no dia de hoje. É uma história sarcástica recheada de pequenas histórias que são assim-assim ficcionais e que relatam muito do que acontece nas nossas vidas amorosas...

Gravámos este episódio a pensar nos livros que contam histórias de amor e que, por alguma razão, nos apaixonam. Eu escolhi aqueles de que me lembro sempre que o tema são os livros da nossa vida. Falta aqui um autor, Eça de Queiróz, apenas porque já tínhamos falado sobre Os Maias e O Primo Basílio, os meus preferidos, num episódio anterior.

Podem recordar este episódio aqui.

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Escolhi livros que me marcaram ao longo do tempo e autores de que gosto muito, independentemente de tudo:

A Insustentável Leveza do Ser de Milan Kundera, que li talvez demasiado cedo e que a gravação do podcast me fez ter vontade de  reler.

Pedro Paixão. Há por aí leitores de Pedro Paixão?

Lembro-me de ler os seus livros de uma assentada só, sublinhando, copiando frases para um caderno e sonhando com o que ficava por dizer. Sobretudo que ficava por dizer, na brevidade intensa das palavras de Pedro Paixão, esse autor tão complexo quanto singular, que continua a apetecer sempre reler.

 

 

BookCast: os livros da nossa adolescência

Dizem que são os melhores anos da nossa vida e, provavelmente, são. Vistos a esta distância são anos de inocência, ingenuidade e descoberta, muitas lágrimas de raiva e amor, a vida vivida numa intensidade que só a adolescência conhece. Tudo é muito e não há limites para o que sentimos, entre aquele fervor da infância - porque somos umas miúdas, na verdade - e a aparente sabedoria de quem nada sabe. São anos de aprendizagem dura porque ninguém ensina nada. Tudo o que nos dizem nos parece idiota e somos nós que sabemos. E os amigos que também sabem tudo. Naquela ânsia de nos sentirmos parte do grupo fazemos e dizemos os maiores disparates. Perante a ideia de que somos mais do que meros adolescentes fazemos escolhas que hoje nos parecem ridículas e sofremos por amor. Todos os dias. 

Não fui a adolescente popular mas também não era a croma lá da escola. Era assim uma mistura estranha entre alguém que tinha boas notas e respondia sempre com um ar blazé que não tinha estudado. Porque marrar não era nada cool e cada um safava-se como podia. Mas, depois, não andava com os mais fixes lá da escola. Era medianamente normal, excepto no 9º ano, em que fiquei numa turma com mais repetentes do que putos de 14 anos e fui a mascote daquele grupo de young rebels. Nos furos da aulas saíamos todos de mota para casa de um deles e ficávamos na garagem a ouvir música, a comer bolachas e a fazer cenas. Às vezes os casais desapareciam, até ao dia em que a mãe desse rapaz veio a casa a meio do dia e interrompeu a nossa rotina Hollywoodesca dos filmes de Domingo à tarde. Arranjámos, obviamente, outro poiso e, quando demos por isso, o grupo estava fragmentado entre os que queriam mesmo era beijar e os outros que queriam ser só amigos. Typical right?....

Não me lembro se lia mais do que ouvia música mas, em qualquer dos casos, passava muitas tardes a imaginar que a minha vida seria bem mais fixe se fosse uma daquelas miúdas que estava sempre rodeada de amigos à beira da piscina. Não sei onde estão, hoje, essas miúdas, mas sei que não me arrependo de tudo o que li ou ouvi e que partilho neste #bookcast com a Helena Magalhães.

 

Livros e mais livros. Para ler e para ouvir...

Conhecem a Lei do Eterno Retorno?

Acredito que tendemos a repetir as nossas vivências, como Nietzsche descreveu, num jogo de sentidos em que as diferentes faces da mesma realidade se alternam. A filosofia de Nietzsche é complexa. A minha ideia é bastante mais simples, porque acredito que repetimos, quase à exaustão, o que já conhecemos, fugindo deliberadamente da mudança, para nos queixarmos permanentemente, reclamando que nada muda. Mesmo quando muda. Sim, é confuso e esquisito mas, na verdade, o eterno retorno é apenas uma metáfora para outro comportamento muito mais simples, porque regressamos sempre onde fomos felizes.

Aprender a dizer “não” é uma arma potente que devemos usar para nos guiarmos em função do que é melhor para nós, o que nem sempre corresponde ao que os outros pensam. Quando conseguimos compreender isso, tudo se torna mais claro e, simultaneamente, a vida (o destino, as coincidências ou o universo a trabalhar a nosso favor… como preferirem...) encarrega-se de nos mostrar o caminho, oferecendo-nos mais do que nos interessa e menos do tal “supostamente ideal para nós”...

Tudo isto para dizer que no último ano e, especialmente nos últimos meses, coisas maravilhosas têm acontecido, têm entrado pessoas fantásticas na minha vida e regressado tantas outras que “a vida”, ou seja, trabalho e manias de incompatibilidades, foram afastando. Tanta conversa  para vos contar que estou muito feliz por ter voltado à rádio, para fazer companhia à Carla Rocha todas as Sextas-feiras, nas manhãs da Renascença, por estrear um novo podcast com a Helena Magalhães, ávida leitora e mulher de opinião, para falarmos exactamente sobre os livros que andamos a ler e, last but not least, por regressar à a uma equipa que sempre me fez feliz e junta a palavra rádio com a palavra rock. Se isto não é uma espécie de eterno retorno, não sei o que será!...

Como explicar o podcast que hoje estreamos as duas? Não se explica. Foi uma daquelas ideias à qual nem dei hipótese de amadurecer. Enviei-lhe uma mensagem. Ela aceitou. E gravámos. Na verdade não foi bem assim porque fiz uma piada parva com os resumos das Publicações Europa-América e ela pensou que eu estava a falar a sério... como assim eu não li Os Maias, Helena?... E poderia ter sido o fim de uma belíssima amizade. Mas não foi e já temos dois episódios de uma coisa nova à qual chamei bookcast, porque não me ocorreu um nome melhor para juntar livros e podcast e, nisto, a língua inglesa bate-nos aos pontos. Preparem-se, portanto, para coisas sobre as quais nunca tinha ouvido falar, como um lobisomem que afinal é bonito, não sem antes dar baile à Helena sobre a mãe do Harry Potter que agora assina Robert Galbraith. E não, não foi sobre a história do Cuco ou a fantasia de Hogwarts. Foi, obviamente, sobre coisas tão simples como a escolha deste pseudónimo, porque é essa a minha missão: o lado pragmático da vida. Enquanto a Helena vos enche de sonhos e histórias de amor, eu vou fazer-vos apaixonar por tudo aquilo que a vida tem para nos dar...

Fiquem por aí que o melhor ainda está para vir...

Amor é tudo o que precisamos...

Neste caso, amor por aquilo que fazemos.

Eu sei que este é o tipo de artigo que no interessa à maior parte das pessoas. Porque muitas pessoas não interessam pelos bastidores da rádio. Manos ainda pela minha paixão confessa. Ainda assim, porque é dia do amor (namorados celebram o quê?...), acrescento algumas ideias sobre o dia de ontem.

O dia mundial da rádio foi sempre para mim um dia muito importante. Primeiro pela novidade (de criação de um dia dedicado à rádio) e vontade de celebrar este meio tão importante, depois pela responsabilidade de ter dado início a essas celebrações, pelo menos, em Lisboa. Que primeiro dia, deste Dia Mundial da Rádio!... Também por fazer parte de um grupo que tem levado muitas pessoas novas à rádio. Na verdade, por tantas razões que fazem deste, o meu dia. De tal forma que lancei um livro, que não é sobre rádio mas que também explora a rádio, neste dia, há um ano.

Desta vez, é diferente. Não sei se por já não ser provedora do ouvinte e sentir uma leveza na ausência da representação institucional que o cargo em si, encerra, se pela liberdade de poder ouvir o canal que me apetecer, ou pelo facto de saber que posso fazer tantas outras coisas na rádio para além de mediar a relação entre os ouvintes e a rádio pública. Talvez por isso e outras decisões do foro pessoal, com implicações profissionais, este dia, este ano, seja encarado de forma mais despreocupada. Talvez por isso não tenha perdido muito tempo a ponderar o que escrevo, porque escrevo com o coração. E, dizem, quando o fazemos, é tudo mais verdadeiro.

A verdade é que a rádio, o universo do audio, é a minha essência. Mesmo que me renda à evidência de um vídeo sem grande história com mais visualizações numa semana do que todos os podcasts que já publiquei no urbanista. Mesmo que as imagens (que nem sempre valem mais do que mil palavras) tenham resultados muito superiores às de qualquer audio. Mesmo que não tenhamos as mesmas ferramentas para promover um conteúdo audio, como temos para o texto, vídeo e imagem, o som será sempre especial. Mesmo com YouTubers como profissão ou instagrammers populares, numa escala incomparavelmente superior à de um podcaster.

Foi aqui que comecei porque quis muito começar aqui e será aqui que espero, um dia, terminar. Seguramente numa coisa à qual também possamos chamar rádio, um novo nome para um conceito que já mudou, sem que tivéssemos tomado a devida atenção. Como em todos os domínios da vida há sempre diferentes velocidades e a transformação acontece em simultâneo. Não comecem já com a abordagem que procura contrariar as minhas afirmações... O FM está para durar e os comportamentos de escuta não mudam assim tão rapidamente. Mas convém pensar no seguinte: se os jovens chegam à rádio principalmente quando começam a conduzir, se afirmam que a ouvem quando vão no carro e se defendem a necessidade de maior diversidade contra o excesso de repetição, que lugar para a rádio no futuro, quando uma nova geração para quem o vídeo vale mais do que qualquer outro formato, numa altura em que o parque automóvel terá outro nível de sofisticação, que a sincronização entre o smartphone e o auto-rádio se fizer automaticamente? Eles reclamam mais podcast, mais conversa connosco, sobre os temas que nos interessam. E diversidade. Não é de hoje. Há 15 anos que me dedico a tentar ensinar rádio. Todos os anos faço as mesmas perguntas e todos os anos recebo as mesmas respostas. Há lá melhor estudo de mercado sobre a relação entre os jovens e a rádio? É meramente empírico mas é continuado, entre os 18 e os 21 anos. Não tenho duvida: é a propriedade do automóvel que faz a diferença, mesmo quando dizem que gostam de ouvir a sua música, e que o rádio serve para variar. O problema é a sua ausência de variedade. O que querem eles da rádio? O mesmo que todos nós. O que quero eu? Uma rádio feita a sério, pensadas para o ouvinte independentemente daquilo que foi sempre o paradigma, do que eu, editor, penso que deve ser feito, do que sei fazer é sempre fiz. Já chega da conversa de que a rádio precisa de arrojo e interactividade.

Já percebemos. Agora façam.