alimentação saudável

Sinusite: "bye, boy, bye"! Como eu venci a sinusite em 3 passos

Sinusite: "bye, boy, bye"! Como eu venci a sinusite em 3 passos

Durante anos (muitos!) sofri de sinusite e, garanto, não era brincadeira. Anti-histamínicos com frequência, corticoides com fartura e antibióticos três a quatro vezes ao ano. Era vida? Não era mas eu não conhecia outra, os médicos diziam para tomar um anti-histamínico diariamente, como prevenção. Não tomava. Evitava até ao limite do (in)suportável. Vivi durante a maior parte da minha vida com uma ‘moinha’ na cabeça. Estava de tal forma habituada que só percebi que esta era altamente limitadora quando desapareceu.

A Lisboa moderna das casas bonitas e dos pequenos-almoços saudáveis

Aviso à navegação: gosto muito da cidade de Lisboa. Ponto final.

Contudo, esse amor tal não me impede de a observar objectivamente , elogiando-a e criticando-a, especialmente os seus disparates e, como numa relação de amor, sofrer a desilusão.

Lisboa está cada vez mais moderna, cosmopolita, cheia de vida e pessoas que circulam nas ruas, dando uma nova vida à baixa e outras zonas que, há pouco tempo, ameaçavam morte lenta. Isso deveria bastar para me deixar feliz. Ao contrário, deixa-me cada vez menos satisfeita por ser lisboeta e cá viver. A mudança foi rápida mas não aproximou a cidade dos que cá vivem e, menos ainda, a tornou mais característica. Somos exímios na arte de fazer parecer e numa outra, de criar castelos no ar. Lisboa está a tornar-se um imenso castelo no ar, sem as infra-estruturas necessárias ou, simplesmente, uma coerência que não deixe a ganância tomar conta disto tudo. A história dá-nos muito exemplos de como fomos confiantes na sorte sem criarmos as bases que permitem, no futuro, consolidar a estratégia que queremos desenvolver. De que falo? Desta urgência em mudar e remodelar para vender e arrendar, ganhar dinheiro sem perceber que isto do turismo também é de vagas e que, o que é verdade agora, pode não ser amanhã. Também é verdade que há cidades que são sempre referência e que conseguimos entrar para a liga dos campeões, ganhando prémios internacionais, atraindo eventos de grandes dimensões e recebendo cada vez mais visitantes. A que preço?

E se, repentinamente, Lisboa deixar de ser a the next big thing e os turistas se concentrarem, por exemplo, em Vilnius, essa cidade que, do nada, pode passar a ser a outra big thing, para o turismo e o investimento? O que faremos, então, a tantas tuk-tuk, como rentabilizamos as casas que antes eram de lisboetas, afastados à força para outras zonas  e, mesmo, para fora da cidade? 

Provavelmente não vai acontecer mas, como em tantos outros momentos da nossa história, ignoramos essa probabilidade.

Depois? Logo se vê.

A renovação dos edifícios não tem equivalente e a abertura de novas lojas mostra um dinamismo económico duvidoso. Sei, contudo,  que a cidade ameaça sobre-lotação, numa lógica que quer afastar os carros da cidade - e bem - mas sem criar as condições para que as pessoas abdiquem do automóvel. Ando muitas vezes a pé. Não me importo e aprecio a paisagem. Contudo, fico também mais consciente da poluição na cidade,  visual, do ar ou sonora porque ruído parece ser cada vez mais intenso.

Fui visitar o novo espaço Go Natural, a primeira loja de rua, no Chiado, e não consegui deixar de pensar nesta questão. Depois de provar as delicias saudáveis que a Go Natural propõe, dei por mim a pensar que ando preocupada com a alimentação e um estilo de vida saudável, optando por me deslocar a pé para a promoção da saúde e dar um contributo ao meio ambiente para, simultaneamente, estragar tudo com os gases poluentes que inalo durante o caminho.

Serei apenas eu a ficar incomodada com o som dos carros, as buzinas, os martelos pneumáticos, aviões - que nos dias nublados circulam literalmente por cima da nossa cabeça -, os materiais e as carrinhas da construção civil, autocarros e todo o ruído que está à nossa volta na cidade? Serei também apenas eu a sentir um certo ardor nos olhos que não tem outra explicação se não uma certa sensibilidade ao pó (das obras que estão em todo o lado) e o impacto dos gases poluentes na qualidade do ar? Também não consegui deixar de pensar que ando a cuidar-me por dentro para estragar tudo assim que saio à rua. Cuidados com a pele e o corpo, alimentação natural para, depois, sentir aquele cheiro que não é um cheiro mas não sei descrever de outra forma e que é, obviamente, o fumo dos carros, ou seja, monóxido de carbono e dióxido de azoto? De que me servem as opções saudáveis?

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Enquanto caminhava, esta manhã, no centro da cidade, pensava nisto, porque, efectivamente, Lisboa está entre as cidades que ultrapassam o limite de partículas finas inaláveis definido pela Organização Mundial de Saúde, com consequências graves para a nossa saúde. Não se vê, não tem cheiro mas tem impacto e raramente pensamos nisso. Sabem que tipo de doenças resultam da inalação de ar contaminado?... Serei, novamente, apenas eu, a sentir aquela espécie de bafo quente com um odor impronunciável, cada vez que um autocarro, carrinha ou camião passa por mim, na maior parte dos passeios exíguos desta cidade? 

Fala-se pouco nesta questão e ainda menos na implementação de medidas para banir os automóveis dos centros urbanos. Há muitos anos empurrámos as pessoas para caixotes nos subúrbios. Esquecemo-nos de que precisariam deslocar-se para a cidade. A área metropolitana de Lisboa é uma imensa extensão da cidade com acessos rodoviários e transportes, no mínimo, duvidosos. De volta ao centro da cidade, fiquei a pensar se adiantará evitar os automóveis e manter autocarros decrépitos, movidos a diesel, bem como as carrinhas de entregas e os restantes veículos pesados, mais os táxis cujo conta-quilómetros já deu a volta e uns quantos furgões que escapam à inspecção. Não tenho solução mas questiono-me sobre estas nossas opções bonitinhas que não vão ao cerne da questão. A dada altura do percurso, dei uma corrida para entrar num eléctrico cuja carreira regressou recentemente, para perceber que o bilhete me custaria tanto quanto uma ida de Uber, com a diferença que, no Uber, vou sozinha, mais confortável, com música e temperatura ambiente à minha escolha, até à porta de casa. O guarda-freio sorriu quando me disse o valor, intuindo a minha reacção:

- São 2,90€ menina...

- 2,90€? Vou a pé. Ou de Uber...

- Eu sei menina...

Segui a pé, pensando nisto tudo e na apresentação da Go Natural, com uma mesa cheia de coisas tão boas que apetecia comer todas. Gosto da marca desde sempre, desde que era a única opção saudável num Centro Comercial e o saudável era, por exemplo, um prato de rigatoni de trigo duro (massa normal, portanto) com salmão fumado e cebolinho. À época era um must, simultaneamente diferenciador, com sopas que levavam quase sempre um topping único, como amêndoa laminada ou queijo feta. Depois o Go Natural perdeu-se para, finalmente, se reencontrar, num processo simples de regresso às origens, actualizando a sua oferta em relação ao que hoje consideramos saudável.

A gigante Sonae compreendeu o capital da marca, optando por o promover a novos consumidores, consolidando-o junto dos fieis da marca, como eu. Dos novos pratos gosto particularmente do linguini preto com camarão, abacate e pimentos, que peço sempre sem sal e que, ao ncontrário do que acontece em outros locais de not so fast food, é respeitado. Hoje fiquei a conhecer novas opções que incluem bowls criadas em parceria com a Joana Limão e cujas receitas adoro. Destaco a smoothie bowl verde de laranja e gengibre com granola, morango e coco, em tudo semelhante às que faço em casa (e que podem seguir nos instastories urbanista) e o bolo de cenoura e laranja que é simplesmente delicioso. Os sumos são os que já se conhecem da marca e a melhor parte é que o brunch está disponível todo o dia, incluindo iogurte com granola e fruta, tosta de abacate e ovo e outras coisas que deixei de comer mas que eu sei, muitos do que lêem o urbanista gostam muito:  croissants e muffins

Talvez por isto, por ter passado uma parte do meu dia rodeada de produtos naturais, num ambiente em pleno coração da cidade que nos remete para a natureza e uma abordagem mais natural, não posso conformar-me com uma Lisboa que se descaracteriza de dia para dia, que se verga à lógica do que o capital, à ganância do dinheiro fácil e que, sobretudo, repete os erros do passado, investindo pouco numa estratégia que nos permita, a todos, sermos mais saudáveis e, sobretudo, felizes.

Lisboa, mudou a sua identidade, ignora a sua história e perde a sua alma e isso, não é bom.

 

 

Os mitos, as fraudes e as emoções alimentares: o que comer?

Estava eu na minha noite de sábado, sossegada em casa, a beber chá de hortelã e a dizer mal à minha vida porque... Eu já deveria saber. Mas, nisto de comportamentos alimentares, somos uns eternos miúdos e, por vezes, ignoramos o que o corpo nos diz e seguimos o que o ego quer.

O que, por outras palavras, quer dizer que comi o que não devia.

Para contextualizar, vou contar-vos uma conversa que tive, há muitos anos, com uma amiga farmacêutica... Na loucura das noites de Sábado dos vintes, raramente ficava em casa. Na ressaca de Domingo, lembro-me de um dia afirmar que não poderia continuar a beber bebidas brancas (#quemnunca?...) porque, no dia seguinte, ficava muito indisposta (de ressaca, portanto!) e que algo semelhante me acontecia quando comia cebola ou pimentos. E que se bebesse um galão (outros tempos, não critiquem...) ficava horas sem conseguir comer mais nada.
Também me lembro do seu ar preocupado, afirmando, de forma veemente, que deveria ir ao médico para fazer uma endoscopia e que, muito provavelmente, teria algum problema no estômago... Ficou um pouco ofendida com a minha resposta e não voltámos ao tema porque a desacreditei liminarmente: não só é mais simples não beber álcool como posso viver, sem qualquer deficiência nutricional, sem pimentos. Ou cebola.

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Esta passou a ser uma espécie de abordagem pessoal à comida: se não me faz bem, não como. Foi então que comecei a eliminar alimentos, a mudar gradualmente a minha alimentação e a procurar mais informação. Passei também a ser a esquisitinha do grupo, a única que, por sinal, na altura já sabia cozinhar, e a única que, não sendo da área de ciências, se preocupava com as consequências das suas escolhas alimentares. Era também a única que, sofrendo de um problema de saúde crónico, rejeitava medicamentos até cair à cama e pedir... socorro.
Dois ou três anos depois eliminei o leite e derivados. A seguir decidi eliminar a proteína animal e fiz o trilho das pedras de quem se inicia nesta aventura de questionar o paradigma dos almoços e jantares em família. Já vivia sozinha e tomava as minhas decisões mas houve muitos dias em que desesperei por não saber o que comer. Fui pelo caminho do vegetarianismo sem perceber que, para além da carne e do peixe, há muito mais para conhecer sobre aquilo que comemos.

Photo by  Trent Erwin  on  Unsplash

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Nunca fui radical ou fundamentalista e, talvez por isso, quando engravidei cedi à pressão, da mesma forma que também lhe cedi depois, muito por causa das escolas e, sobretudo, da pressão em torno de quem é diferente. Há quatro anos disse para mim que era chegado o momento, porque sentia que precisava, mesmo, de mudar. E mudei. Sem dramas, para além do que se possa imaginar que acontece quando se coloca um copo de sumo verde à frente de uma criança dizendo-lhe que “hoje não há sopa, há sumo”.
Não é fácil mas, não é impossível.

Eliminei bolachas, enlatados, sumos e qualquer alimento embalado que acrescente à sua composição algo que não seja natural. Leguminosas em lata? Sim. As que não têm conservantes, aplicando-se o mesmo princípio a qualquer outra coisa. Bolachas e afins? Acabaram-se. Cereais? Adoro. Mas não me lembro da última vez que comprei ou comi cereais das grandes marcas da indústria alimentar. Repito: não sou especialista ou radical, procurei e compilei informação e tento encontrar produtos naturais e não processados industrialmente. No caso de produtos embalados, procuro os que têm a composição mais simples e próxima do original, com baixo teor de açúcar e sódio e, principalmente, pouca gordura, o que não quer dizer que seja light. Fujam disso e do produtos sem açúcar porque, para terem sabor, têm qualquer outra coisa. E, essa coisa, não pode ser boa...

Como já antes publiquei, o que é que eu como?

Como de tudo como as outras pessoas, com a diferença que não como nada (ou evito até ao limite do possível) qualquer alimento com as palavras processado, hidrogenado, adicionado e outras semelhantes. Como muita fruta e legumes, mudei o paradigma das refeições porque nos ensinaram que comemos carne e peixe ao almoço e ao jantar quando, na verdade, quando comemos carne estamos, efectivamente, a comer uma de duas coisas:
 

  • Farinha, no caso dos animais criados em explorações agro-pecuárias;

  • Erva, no caso dos animais que são criados ao ar livre e no seu ambiente natural.

Erva, dirão?

A verdade é que há uma certa ironia nisto de sermos carnívoros porque, de facto, a proteína animal resulta da decomposição das enzimas da proteína vegetal que alimenta alguns destes animais, herbívoros por natureza. Os restantes? Pois imaginem o que poderão estar a comer, considerando que, quanto mais depressa crescerem, mais depressa vão para o mercado e mais rapidamente dão rentabilidade ao negócio...

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Todos sabemos e fazemos por ignorar as pequenas grandes fraudes da indústria alimentar a qual, como qualquer indústria, tem por objectivo ganhar dinheiro. Os processos de transformação dos alimentos através de processos industriais permite que estejamos permanentemente a comer gato por lebre, sem conhecermos os verdadeiros ingredientes daquela que é a maior das fraudes: a fraude alimentar. Queijo que inclui fécula de batata, mel que leva açúcar, sumos de fruta que só têm a polpa da fruta e muita água...

A lista é interminável e, muito por isso, optei por esta opção mais próxima da natureza, baseando-me em legumes, frutos, cereais e sementes. E sim, sei que as terras estão contaminadas, as chuvas são ácidas, as pragas que infestam as culturas tratadas com químicos e outros aparentes pormenores que transformam a nossa alimentação num verdadeiro desafio. A adulteração de produtos alimentares tem consequência graves para a nossa saúde. Não nos apercebemos do mal que nos causa até detectarmos novas alergias e intolerâncias ou, mesmo, doenças auto-imunes sem sabermos, exactamente, a sua origem. 

Photo by  Adam Jaime  on  Unsplash

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Fomos ensinados a encher o prato com hidratos, proteína animal e vegetais. Mas e se mudarmos isto e tivermos um prato cheio de fibras (cereais), proteína vegetal (em vez de a comermos reciclada através da proteína animal) legumes e frutos? E se o meu jantar for uma tigela de cereais, fruta e sementes? Fará sentido ter lanchado legumes? E se trocarmos as voltas a isto tudo e comermos o que fizer mais sentido para nós, de acordo com as nossas necessidades, aporte calórico, saciedade e satisfação e menos de acordo com o “que têm de ser”? Porque, na verdade, não tem. Por muito que vos queiram convencer do contrário.

Para além dos mitos alimentares que ainda prevalecem, a nossa relação com a comida tem muito de social, imitação e emoção.

Socializamos comendo e esse é um dos momentos mais difíceis num processo destes porque damos por nós a sermos os únicos a comer coisas diferentes. E, depois, percebemos que o problema não somos nós mas os outros, que rejeitam a diferença, não aceitando acolhê-la ou integrá-la, são os espaços que frequentamos, pouco adaptados a estás modernices das bowls, sementes e afins. Quando damos por isso, comemos mais vezes em casa, temos amigos novos e frequentamos sítios diferentes. Porque o paradigma habitual deixa de fazer sentido.

A imitação é outro processo, porque tendemos a repetir o que vimos os nossos pais fazer, a cozinhar como nos ensinaram e a questionar tudo isto para mudar. Novamente, não temos de ser nós contra o mundo ou a família mas, simplesmente, seduzir os mais renitentes com o sabor de refeições preparadas com amor e ingredientes naturais.

Finalmente, a emoção. Temos uma relação altamente emocional com a comida e décadas de um palato educado a sabores tão aparentemente inocentes como o do pão com fiambre. Para muitos, a comida é recompensa ou escape, aspectos que nos deverão levar a pensar nas razões pelas quais nos recompensamos através da comida, nos refugiamos comendo ou acalentamos algum tipo de mau estar.

Mitos? Quantos querem? 

  • come a carninha toda: não lhe conheço a origem mas sei que a proteína animal foi, durante muito tempo, um luxo que a industrialização massificou para, as Grandes Guerras Mundiais, voltarem a tornar um bem escasso. Foi principalmente a Segunda Guerra Mundial a que marcou uma geração que cresceu para nos passar essa ideia de que a proteína animal tem de ser valorizada porque, durante muito tempo e por falta de recursos financeiros, este elemento era um luxo na nossa alimentação.

  • O pão engorda (e, mais recentemente, tem glúten, faz mal): o pão, em si, não engorda. O que engorda é a farinha altamente refinada com que o mesmo é produzido, que se transforma em açúcar no processo digestivo, acumulando-se no nosso organismo. Aquela carcaça que antigamente comíamos ao lanche? Essa engorda. Mas o pão do ainda mais antigamente não engorda porque as farinhas usadas eram moídas a pedra, fazendo prevalecer as fibras e os nutrientes do cereal usado. Da mesma forma, o pão escuro, que lá muito no antigamente era o pão dos pobres passou a ser trocado por um pão branco, de trigo altamente refinado, com um miolo semelhante a algodão. Felizmente a moda é um eterno retorno e o pão escuro (centeio e outros cereais) está de volta, da mesma forma que surgem padarias que controlam o processo desde a produção, moagem e fabricação do pão. Não é barato mas até os intolerantes ao glúten deixam de o ser... Onde? Que eu conheça, aqui e aqui.

  • O leite faz bem aos ossos: não é o leite, é o cálcio. E um punhado de brócolos tem mais cálcio do que um copo de leite, ao azeda no estômago e ainda fornece vitaminas e minerais que o leite não tem. Azeda? Como assim? É isso. Nunca se perguntaram a razão daquela halitose quase imediata depois de bebermos leite? É que o processo de digestão desta bebida passa exactamente por... azedar, resultado da interacção com os ácidos do estômago.

A comida é energia, serve para permitir que o nosso corpo funcione de forma harmoniosa. Da mesma forma que um automóvel não circula sem combustível, também podemos olhar para os alimentos dessa forma, usando-os para nos servirem da melhor forma possível sem nos tornarmos escravos do que podemos, ou não podemos, comer. A grande vantagem de uma alimentação baseada neste princípio do que é natural é que não têm restrições porque é rica em nutrientes e pobre em gorduras e açúcar. Ou seja, se comermos mais do que o organismo consegue queimar, engordamos como em qualquer outro regime alimentar a diferença é que a quantidade do que teríamos de comer para tal acontecer é absurdamente superior ao que somos capazes de fazer porque entre as fibras, minerais, vitaminas, proteínas e hidratos de decomposição lenta que estes alimentos nos dão e o açúcar, sal, proteínas vazias e hidratos que se transformam em açúcar quando os começamos a digerir vai uma grande diferença que não se conta em calorias porque, simplesmente, não é comparável.

A balança é o nosso pior inimigo: 3 truques e 5 ideias para vencer a balança

Viver a vida dependente da balança é cansativo e inútil. Viver, passando fome ou com uma dieta restritiva só nos deixa infelizes. Este é um tema que nos afecta a todos  porque, como tantas outras pessoas, também passei parte da vida dependente da balança até perceber que o melhor que temos a fazer é ignorar a balança.

Porque não temos, todos os dias, o mesmo peso?

O nosso peso real varia ao longo do mês em função do ciclo menstrual que implica, também, maior ou menor retenção de líquidos. Na maior parte das vezes em que nos sentimos gordas estamos apenas inchadas ou com uma valente retenção de líquidos. Sal ou açúcar a mais, ovulação e menstruação são as principais razões para essas oscilações que, raramente, representam um efectivo aumento de peso.

É quase impossível sentirmo-nos bem quando ultrapassamos os dígitos que definimos para nós. Contudo, bem-estar é equivalente a uma vida feliz e saudável. E ninguém pode ser verdadeiramente feliz dependente da balança ou da percepção que tem do seu corpo, como se essa imagem definisse quem somos. Para estarmos bem, precisamos comer bem, tratar do corpo e da mente, independentemente da balança.

- a ideia de que as dietas funcionam de forma igual para todos é absurda e está errada -

Não há soluções únicas e temos de chegar ao que melhor se adapta a nós por tentativa e erro. No que respeita à nossa saúde e bem estar, consequentemente, o peso ideal, é melhor ignorar a corrida para o corpinho de Verão, cometendo os maiores disparates alimentares com dietas que servem apenas para remediar e nos deixar ainda mais infelizes. Porque são restritivas e restrições alimentares deste tipo... Não resultam a longo prazo.

O segredo para fugirmos da balança não é encontrar a melhor forma de perder peso mas, antes, encontrar uma forma de não aumentar o nosso peso. Como? Através de uma alimentação natural, saudável e equilibrada como esta que explico na última edição da Women's Health, quando me pediram para descrever uma semana da minha alimentação...

Ao longo da minha vida cometi os maiores disparates para perder ou não ganhar peso. Passei fome porque, supostamente, depois das seis da tarde o metabolismo desacelera e os hidratos são um pecado. Ignorem estas e outras verdades que são tudo menos... verdades inquestionáveis. Nisto da alimentação e da saúde há guias e orientações mas qualquer decisão tem de ser adaptada às necessidades do nosso corpo. Se não sabem quais são - e eu também não as consegui identificar durante muito tempo - terão de aprender a ouvir o vosso corpo porque, em boa verdade, envia-nos todas as mensagens de que necessitamos. Nós só não estamos preparados para as decifrar.

- ouvir o nosso corpo, reconhecer as nossas necessidades é o segredo do peso ideal -

Entre aquilo que nos faz bem, e o que nos sabe ainda melhor, há margem para pequenos pecados alimentares. Adoro queijo e faço dele um grande aliado, apesar de ter eliminado qualquer outro tipo de alimento com lactose da minha alimentação. Contudo, o queijo também é uma fonte de proteína e eu não tenho nenhuma intolerância real à lactose. Simplesmente, como a maior parte dos mamíferos adultos, não sinto necessidade de beber leite. O meu principal critério é preparar refeições que sejam simples, práticas, rápidas e saudáveis. Yeah, right... fácil dizer, difícil concretizar porque entre o que planeamos, e o que temos no frigorífico, vai uma diferença muito grande.

Truques para nunca ter a despensa ou o frigorífico vazio:

1. Congelados

2. Pré-lavados

3. produtos biológicos.

 

CONGELADOS

Photo by Sven on Unsplash

Vamos por partes porque os congelados não são refeições pré-preparadas mas, antes, embalagens de legumes congelados que podemos usar na ausência de ingredientes frescos. Há misturas interessantes nos supermercados que nos garantem uma refeição equilibrada, à qual só teremos de juntar uma massa integral para fazer qualquer coisa al dente, depois de saltearmos esses legumes numa wok com óleo de côco, por exemplo, juntando ervas aromáticas. Não têm? Podem usar das secas, ainda que o sabor não seja tão intenso e fresco. Da mesma forma, podemos ter frutos congelados que nos garantem um sumo revigorante ou uma tigela com papas de aveia rica em nutrientes e vitaminas. Gosto particularmente das framboesas congeladas para juntar à aveia e das misturas de legumes, às quais junto cogumelos, com quinoa e açafrão...

 

PRÉ-LAVADOS

Os legumes pré-lavados são a melhor das invenções dos últimos tempos. O seu método de produção, através de um sistema de arrefecimento, consegue prolongar o tempo útil de vida das folhas e, como já estão lavados, só temos de os incluir no prato, em saladas, tostas ou qualquer outra opção sem aquela parte desagradável das folhas molhadas... Além disso, se mantivermos a embalagem bem fechada conseguem aguentar vários dias no frigorífico, o que é uma grande ajuda para quando chegamos a casa sem tempo ou vontade de passar pelo supermercado.

 

PRODUTOS BIOLÓGICOS

Photo by  Kelly Sikkema  on  Unsplash

Para além e todas as vantagens - óbvias - e conhecidas dos produtos de agricultura biológica, como terem menor impacto ambiental, estimularem a economia local, terem maior sabor (porque têm menor teor de água e são produzidos na "sua" época), não usarem pesticidas, há um outro aspecto que, contrariamente ao que seria de esperar, vos poderá surpreender: têm uma duração maior e apodrecem à moda antiga, ou seja, de fora para dentro. Enrugam, murcham e degeneram com o tempo, envelhecendo gradualmente, não como acontece com outros produtos que, de um dia para o outro, estão impróprios para consumo.

 

Photo by  Ben Hershey  on  Unsplash

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- contar calorias cansa e por vezes é pouco útil, se pensarmos na quantidade do que comemos -

Para além da qualidade dos produtos que usamos para preparar as refeições, há outra regra que deverá ser adoptada a favor de um peso estável, consequentemente, maior bem estar: a quantidade em detrimento das calorias.

A ideia de restringir calorias é tão antiga quanto a luta contra o excesso de peso mas entre um prato cheio e pobre em calorias ou uma amostra rica em calorias, qual escolheriam? Por vezes poupamos nas calorias mas não na quantidade que ingerimos o que, por consequência, contraria o objectivo de perder ou manter o peso. Em relação aos alimentos, não é o peso que conta mas sim o volume daquilo que se ingere, razão pela qual, muitas vezes comemos os alimentos certos mas, como os ingerimos em quantidades exageradas, não emagrecemos, ou seja, exageramos nas poções de comida. E então?

O segredo das quantidades por ordem de volume no prato:

1. legumes e vegetais (crús)

2. Hidratos de carbono compostos (integrais)

3. Fruta (apesar do açúcar, pois este é natural)

4. Proteína animal 

5. Frutos secos

Maior volume para os legumes e vegetais, de preferência crús. Depois, os hidratos de carbono compostos, ou seja, integrais e não refinados, seguidos da fruta que, apesar de conter açúcar, é natural e não adicionado. Finalmente, a proteína animal e os frutos secos. Esta é a ordem, por quantidades, do que devemos comer: os principais vão saciar-nos porque têm fibras, vitaminas e minerais. Na maior parte das vezes, comemos sem parar porque escolhemos alimentos vazios, ou seja, sem riqueza nutricional e, portanto, vamos comendo até à sensação de saciedade, que ocorre mais tarde do que quando escolhemos alimentos nutricionalmente ricos e de baixa densidade calórica como os espinafres, courgetes, bróculos, cogumelos, tomate mas, também, frutos vermelhos, morangos, laranja, maçã; seguindo-se a batada-doce, feijão frade, milho, banana, arroz e massas integrais e, depois, ainda com grande riqueza nutricional mas com mais calorias, temos o abacate e os ovos, por exemplo, para atingirmos o topo - e portanto - ingerir em menos quantidade, o chocolate negro, as amêndoas ou amendoins e vários tipos de queijo, como o parmesão.

A equação é simples: menos densidade calórica, maior porção; mais calorias, porções menores, mesmo que sejam, inevitavelmente, estes os alimentos que nos apetece, mais vezes, comer!

2018

 

Saudável instagramável: (mais) novos locais saudáveis em Lisboa...

Eu sei que este artigo pode gerar muitos cliques, que talvez até se torne popular e que, meses depois de ser publicado, continuará a ser consultado como aconteceu com a sua primeira versão (ler aqui).

Este não é o texto que vocês precisam ler sobre alimentação saudável porque mistura o lado mais sedutor e apaixonado da comida com fotos no instagram e ingredientes que estão na moda. E que também são saudáveis. Mas, para falarmos de alimentação saudável, isso não chega. 

A comida ganhou um novo glamour depois do instagram. Há, aliás, para quase tudo na vida, uma era pré-IG e pós-IG ou seja, antes e depois do instagram. É válido, principalmente, para papas de aveia, sumos detox, tostas de abacate e, principalmente, panquecas. Bonitas? Apetitosas? De deixar água na boca... Sim! Não quer dizer que sejam saudáveis.

São instagramáveis, um conceito bastante diferente.  

Contudo, com ou sem fotos no instagram, eis um novo roteiro que poderão sempre consultar quando vos faltarem ideias de sítios cool - e saudáveis - em Lisboa. Alguns novos, outros assim-assim, incluindo repetentes da última lista, que podem consultar aqui. E sim, é impressionante a rapidez da multiplicação de novos espaços bonitos em Lisboa...

Amélia, a namorada no Nicolau

Rua Ferreira Borges, 101, Campo de Ourique, Lisboa [mapa]

Nunca a Ferreira Borges viu tanto movimento numa porta só. As filas são intermináveis e o sabor comprova a espera: irrepreensível, pois só assim se consegue servir e deixar o cliente a chorar por mais. Os sabores, texturas e aromas são mais ou menos os mesmos que encontramos no Nicolau, na Baixa, com um pátio quase secreto que nos fará esquecer a falta de luz na sala da Amélia e trair o Nicolau nas tardes quentes do Verão em Lisboa. 

La Boulangerie

Rua do Olival, 42, Lapa-Estrela, Lisboa [mapa]

Imaginem o seguinte cenário: Lisboa cinzenta, tarde fria de Inverno a pedir uma bebida quente. Foi o que aconteceu quando passei à porta da La Boulangerie e me sentei à janela com um chá e um pain au chocolat, uma espécie de guilty pleasure (para ler em inglês com sotaque francês) muito guilty que não evito sempre que me cruzo com uma padaria verdadeiramente francesa. Sim...  demasiada gordura e poucos nutrientes mas a vida não se faz apenas de coisas saudáveis. Por vezes molhamos o pão no molho do bitoque e, mesmo sabendo que nada de bom poderá dali resultar, comemos com prazer e satisfação. Felizmente não passo todos os dias à porta da Boulangerie...

 Bowls & Bar

Rua de São Bento, 51, São Bento, Lisboa 1200-815 [mapa]

Cabem todos os ingredientes que a imaginação ditar, numa taça ligeiramente maior do que o habitual, num espaço de janelas abertas para a rua, deixando a luz e o mundo entrar. É espaçoso mas acolhedor, as plantas dão-nos aquela ligação à natureza que esperamos encontrar mesmo quando sabemos ser impossível, e a mistura de sabores é, para além de original, muito deliciosa. E saudável, com ingredientes frescos dos mercados que resultam em opções diversas que nos deixam com vontade de voltar para repetir.

Fauna e Flora

Rua da Esperança, 33, Madragoa, Lisboa [mapa]

Amei instantaneamente porque me deu aquela sensação de deja vu. É muito parecido com um famoso brunch spot em Amsterdão. Também pode ser uma outra espécie de Nicolau mas será, principalmente, uma Bakers & Roasters  (roteiro completo de healthy food em Amsterdão aqui, para quando viajarem). Sem fundamentalismos mas com preocupações com a origem dos ingredientes usando mais verdes do que ingredientes de origem animal. Em Lisboa, o Fauna & Flora reúne os ingredientes certos: boa luz natural e iluminação, mesas para partilhar, opções muito saudáveis a qualquer hora do dia, um serviço nota 10 e um empratamento que não deixa ninguém indiferente. Perfeito para encher o nosso feed do instagram de coisas bonitas (saudáveis e saborosas!). 

Juicy Lisboa

Rua de S. Julião 70, 1100-048 Lisboa [mapa]

Juicy é sinónimo de sabor e prazer, se conjugado na versão do novo espaço de comida nova e saudável, sumos e cocktails deliciosos. Não sei se já será famoso, mas é seguramente candidato ao pão mais original de Lisboa: o flat bread é um pão plano integral, exclusivo do Juicy, cozinhado em forno de lenha e preparado diariamente com uma massa que mistura de especiarias do médio oriente (za’atar). É simplesmente delicioso e rico, com recheios que fazem crescer água na boca. Para além da questão instagram, todos os produtos são naturais e, na maior parte, provenientes de produtores locais. Não usam proteína animal, conservantes ou açucares refinados, zero gorduras trans ou outros químicos que podem melhorar o sabor mas têm aquele toque artificial que, definitivamente, aqui não conseguimos encontrar.

The Therapist

LxFactory, Rua Rodrigues Faria 103, Alcântara, Lisboa [mapa]

Sobre o The Therapist poderia escrever muitas coisas, sendo a principal o facto tão simples de me fazerem comer sopa sempre que lá vou. Não aprecio sopa mas tenho a dizer que a sopa do The Therapist é qualquer coisa de especial. Eu sei o segredo (vantagens de já ter partilhado a cozinha com a Chef, no brunch urbanista!...) e não vou contar porque é tão simples que faria perder a magia desta sopa. Desconheço o segredo do bolo de chocolate mas garanto que é dos mais saudáveis e saborosos que já provei, bem como os brigadeiros, ou qualquer outra coisa que esteja disponível num local cuja filosofia é a qualidade dos ingredientes, sem lacticínios ou açúcares refinados, associada à ideia de que podemos (devemos!) deixar o mundo um sítio melhor do que o que encontrámos quando aqui chegámos.

Friendly Flamingo

Rua 4 de Infantaria, 3A, Campo de Ourique, Lisboa [mapa]

Altamente instagramável com música nas paredes e o ambiente millennial empreendedor e freelancer que caracteriza os tempos modernos. Pode dizer-se que é saudável porque tem taças de iogurte ou açai com granola e fruta. Mas também tem bolo caseiro todos os dias ou waffles com tantos toppings quanto(s) desejarmos (ou conseguirmos comer. A verdade é que não conseguimos. E rebolamos, ou ficamos a vegetar no sofá enquanto o trabalho espera por nós.

Nicolau Lisboa

Rua de São Nicolau, 17, Baixa, Lisboa [mapa]

Não tem nada que enganar. É já um clássico na baixa lisboeta para comer e fotografar, conseguindo equilibrar muito bem a componente "é bonito para fotografar" com a composição de ingredientes saudáveis. Não desilude e tem sempre fila pelo que não podemos chegar cheios de fome porque é (quase) garantido que esperamos...

Naked

Rua da Escola Politécnica, 85, Príncipe Real, Lisboa [mapa]

Passei muitas vezes à porta até me decidir entrar. Dizem que santos da casa não fazem milagres e vamos sempre mais longe do que é necessário para descobrir novos locais. O Naked é pequeno e muito confortável, com um serviço dedicado e cuidadoso, opções verdadeiramente saudáveis e, simultaneamente, bonitas para o feed do instagram. Um dois em um que só peca pela localização absolutamente turística. Mas, isso, é Lisboa inteira, não há nada a fazer!

My Mothers Daughters

Largo de São Sebastião da Pedreira 49, 1050-010 Lisboa [mapa]

Como o Naked, elevado à potência. Não é para meninos que acham que isto de comer saudável é juntar ricota e salmão fumado nas tostas ou deitar umas sementes em cima de umas fatias de abacate. A mãe não brinca e as filhas seguem-lhe as pisadas. A comida é natural com ingredientes biológicos e sazonais, com sobremesas absolutamente divinais, num espaço pequeno e decorado de forma sustentável, reciclando materiais e aproveitando outros. Um segredo bem guardado no centro de Lisboa.

Tapioca Oca

Avenida Dom Carlos I, 124, São Bento, Lisboa [mapa]

Fans de tapioca, esta é a tapioca. Conhecem a expressão THE something? Pois é: na tapioca oca viajamos num estalar de dedos até ao Brazil para provar tapioca à maneira e sem manias. Usam e abusam do keep it simple, como deve ser uma tapioca, às quais juntaram sumos naturais divinais. O local é inesperado mas tem cada vez mais locais deliciosos para experimentar.

Deli

Rua da Imprensa Nacional, 116F, Príncipe Real, Lisboa [mapa]

Não é nem deixa de ser e tinha tudo para ser. Mas é só assim-assim. Para quem gosta de bagels, é uma boa opção mas não é aquela opção verdadeiramente saudável como outras desta lista. Digamos que é o primeiro degrau em direcção a uma alimentação saudável porque apesar dos ingredientes e da selecção ir além da que nos oferecem as pastelarias tradicionais, ainda não explora as opções não refinadas, sem lacticínios ou açúcares.

 

 


Ela Canela

Rua Azedo Gneco, 74B, Campo de Ourique, Lisboa [mapa]

Não me importaria de transformar o Ela Canela na minha sala de estar, mantendo a cozinha para poder estalar os dedos e aparecer algo delicioso. E saudável!. É assim o Ela Canela: lindo, luminoso, despojado e muito saboroso, junto ao Mercado de Campo de Ourique. 

URBANISTA: definições e categorias interessam? Afinal, o que é que tu comes?

Acho que tudo começou quando uma amiga me perguntou:

“mas... afinal, o que é que tu comes?...” e eu, espantada, respondi “tudo”...


Para, então, explicar que como de tudo, que barro as torradas com manteiga se me apetecer. Biológica e meio sal. Que uso leites vegetais, que escolho fruta da época, que compro quilos de morangos na época para os congelar e comer no Inverno, que prefiro carne de origem biológica ou de produtores honestos que não fazem as vacas crescer em seis meses, que uso mais cereais e grãos do que massas refinadas, que não como bolos de pastelaria mas que continuo a comer bolos, preparados com frutas e adoçantes naturais...
Perante o seu “ahhh”, que não era nem de espanto nem de surpresa, decidi partilhar mais. Mostrar os bastidores da minha cozinha para, rapidamente, dar por mim a responder a perguntas que me faziam e tentar ajudar todos os que me abordam com dúvidas sobre como melhorar a sua alimentação.

Entre tantas modas e opções alimentares, estive, durante muito tempo, bastante confusa e, muitas vezes enganada, em relação ao que devemos comer. Até ao dia em que me limitei a pensar o óbvio: no tempo dos nossos avós, a incidência de cancro, a obesidade e as doenças cardio-vasculares era menor portanto…  tentei retroceder aos tempos em que não existia comida rápida, fácil e altamente processada, para me alimentar da forma (o) mais natural possível. Simultaneamente, comecei a procurar informação para me documentar. O processo continua porque não sou nutricionista e, agora que sei que há quem siga as minhas ideias, não quero defraudar expectativas. No processo, descobri, por exemplo, um estudo sobre os tipos de cancro na China que revelava mais de oito mil associações entre a alimentação e doenças, nomeadamente uma ligação directa entre a proteína animal e as doenças crónicas. Exposto assim, parece que não podemos comer nada que seja de origem naimal mas, na verdade, o problema é que comemos demasiada proteína animal e, sobretudo, reduzimos a nossa ideia de proteína à carne.

E, assim, fui introduzindo alterações que têm feito grandes diferenças na minha vida e bem estar. Por isso as partilho, tentando divulgar a ideia que uma dieta cheia de restrições é tudo menos divertida e que, para comermos bem, não precisamos aprender fisíca quântica. Basta regressar às origens e aguentar as piadinhas dos que, por exemplo, ainda acham que as sementes são para os pássaros. Da famosa chia às outras sementes, não restam dúvidas de que uma colher de sobremesa oferece fibra, ácidos gordos e vitaminas liposolúveis (soluveis na água).

A proteína, animal ou vegetal, deve fazer parte da nossa alimentação. Não creio que tenhamos todos de eliminar a carne e o peixe da nossa alimentação mas podemos, todos, ter um comportamento mais consciente em relação ao que comemos. Os aminoácidos da carne são importantes mas os minerais dos vegetais também. Convém pensar na forma como muitos animais são criados, na aquicultura dos peixes, na crueldade associada à produção em massa de vacas ou galinhas, do impacto que essa produção tem no ambiente e na forma como hormonas de crescimento, antibióticos ou calmantes (os porcos ficam altamente stressados quando vão para o matadoro pelo que lhes injectam calmantes para evitar os ataques cardíacos) também terão impacto na nossa saúde. Querem um bife ou uma dose de químicos? E a soja? Gostam de trangénicos? Pois. Os vegetais também têm químicos mas é cada vez mais fácil encontrar produtores cuja prioridade é a qualidade e não a quantidade.

Sou adepta convicta dos cereais desde que abandonei o consumo de cereais refinados e açucarados. Antes consumia-os como um guilty pleasure ou espécie de sobremesa. Substituí-os por cereais integrais a granel e passaram a fazer parte da minha alimentação diária, incluíndo, ainda, os que podemos usar como acompanhamento nas refeições. Os meus preferidos - e mais fáceis de cozinhar, porque ficam sempre bem - são o bulgur, couscus e quinoa que são, também fontes de proteína, ou seja, podemos usá-los misturados com legumes ou vegetais crús e o resultados é simplesmente delicioso. Se juntarmos queijo feta?… Uma delícia! 

Sobre os legumes, como já antes vos contei, nunca gostei de vegetais e, legumes, só na sopa. Acontece que eu não gosto (e nunca gostei) de sopa. Portanto… não comia. Achava, mesmo, que uma folha de alface, de quando em vez, seria suficiente. A regra é ao contrário: mais é mesmo mais porque os vegetais são fundamentais numa alimentação equilibrada.

Como consegui passar a gostar? Na verdade gosto assim-assim, mas aprendi a conjugar os vegetais e legumes com outros alimentos de que gosto muito, mastigando-os ao mesmo tempo para misturar os sabores. Nunca conjugo mais de quatro legumes numa refeição por várias razões: a mistura de sabores torna-se caótica e dificil de perceber e, dizem os especialistas, é mais difícil a absoção dos nutrientes. Por isso, regra geral uso três e vou alternando entre refeições, misturando com as sementes, os cereais, os queijos, a proteína, as leguminosas e, por vezes, superfoods. Se já ouviram falar e não sabem bem o que são ou para que servem, não se sintam mal. Acho que ninguém sabe ao certo se resultam mas, por via da dúvida, já as inclui na minha alimentação, especialmente nos sumos e smothies: a maca fornece energia, o camu-camu reforça o sistema imunitário, a spirulina é uma proteína vegetal e a lúcuma, excelente adoçante. Por falar em smothies - que faço pouco, optando pela leveza dos sumos naturais - há muito que abandonei o leite de vaca. Mantenho o ritual para a Rita, em fase de crescimento (nunca viram um mamífero adulto beber leite, pois não?…) e, por consumir uma quantidade razoavelmente mais pequena, optei por leite biológico. Apesar do preço bastante mais elevado, como compro menos quantidade, acaba por equilibrar a conta final. Também uso bebida de arroz (leite de arroz, como habitualmente dizemos) ou de aveia. O meu preferido é o de côco mas, para além de ser menos consensual em termos de sabor, é bastante mais caro. Sobre o “então, e o cálcio?!” Tenho uma resposta simples, que me deu um ortopedista há muitos anos: “menina, um punhado de bróculos tem muito mais cálcio do que um copo de leite”. E nunca mais bebi leite de vaca.

Creio que terão lido, no parágrafo anterior, a palavra adoçar… Açúcar, esse Diabo recente que nos foi injectado directamente no cérebo sem disso nos darmos conta? Cortem. Especialmente aquele não se vê e que está presente em centenas de alimentos. Vejam a tabela nutricional e, por cada 100g não devem consumir mais dos que 5g de açúcar. Agora é só procurar. E desesperar porque a maior parte do que encontramos ultrapassa largamente esta quantidade ou, pior, substitui o açúcar por outro ingrediente que não é contabilizado enquanto tal para garantir o sabor doce sem que a percentagem de açúcar seja muito elevada. Chamam-se edulcorantes ou aspartame prefiro não usar… Recorram ao mel, agave, açúcar de côco, geleia de milho para irem educando o vosso paladar ao sabor natural dos alimentos.

Nota final: light? Não creio que cresça nas árvores ou brote da terra. Está tudo dito.

Para responder à questão inicial: É isto que eu como.

Há um clássico neste processo que me faz sempre rir: quando um dia me disseram que os meus smoothies eram saborosos mas muito 'pesados'. A minha expressão de surpresa levou à explicação... “sim... custa-me a digestão do leite”. Nada do que preparo inclui leite de vaca. Sempre água ou bebidas vegetais! Foi quando percebi que estava, de facto, a influenciar alguém. Ou outra mensagem, mais recente, que revelava a surpresa em torno da fantástica mistura entre o quente das papas de aveia e o frio das framboesas congeladas... Sorri, de satisfação.

É bom perceber que podemos ajudar os outros.
Por isso, pensei que seria boa ideia juntar aqueles que tantas vezes brincam comigo por causa das papas e das sementes, os que se interessam verdadeiramente e os que me dizem constantemente que querem conhecer melhor as minhas receitas. Desafiei o Celeiro para fornecer os produtos, a Iswari para complementar, e o The Therapist para me emprestar a cozinha e a magia aconteceu:
O brunch urbanista vai acontecer este domingo e eu não poderia estar mais feliz, celebrando à mesa mais um aniversário deste projecto que é um blogue mas também um podcast, partilhando opções saudáveis muito fáceis de preparar! Acompanham-me?

Fotografia: © The Therapist

Juicy: Lisboa nunca foi tão saborosa

Na verdade, juicy significa suculento mas a palavra, em português, não só tem uma grafia estranha como a sua sonoridade é, igualmente, pouco apetitosa... Ao contrário, juicy é sinónimo de sabor e prazer, se conjugado na versão do novo espaço de comida nova e saudável, sumos e cocktails deliciosos. Sim. Sumos e cocktails porque no mesmo espaço podemos viver de dia e de noite, sem que os conceitos se atropelem.

Criado por um empreendedor francês apaixonado pela música e pela ideia de que a alimentação saudável não tem de ser monótona, mudou-se de armas e bagagens para Lisboa e fundou o Juicy com base num princípio muito simples: criar um mode de vida simples, divertido e saudável.

O espaço, na baixa de Lisboa tem decoração de Joana Astolfi e transporta-nos para um ambiente psico-tropical, com fruta no balcão e uma cabine de Dj, ao fundo. As mesas e os bancos baixos remetem imediatamente para o médio-oriente e dão-nos aquela sensação acolhedora, para longas conversas entre amigos. O melhor chega a seguir: o flat bread, um pão plano integral, cozinho em forno de lenha e preparado diariamente com uma massa que mistura de especiarias do médio oriente (za’atar). É simplesmente delicioso e rico, com recheios que podemos definir ou embarcar na viagem de sabores que o chef Christian Mongendre definiu para nós. O flat bread é menos instagramável do que a maior parte das panquecas que encontramos no instagram mas decididamente mais saboroso e saudável.

Quando perguntei a razão do sabor intenso e, redundância à parte, tão saboroso, explicaram-me que todos os produtos são naturais e, na maior parte, provenientes de produtores locais. Também se preocupam com a pegada ecológica, o que me provocou um sorriso. Haja consciência. No menu não há proteína animal, nada de conservantes e açucares refinados, zero gorduras trans ou outros químicos que podem melhorar o sabor mas têm aquele toque artificial que, definitivamente, aqui não conseguimos encontrar.

A voltar. Sempre ♡

 

 

 

 

Pequenos-almoços saudáveis? Espreitem estas ideias

Sempre adorei cereais. Comi-os das mais variadas formas, combinações e às horas mais improváveis. Sei, agora, que nem sempre fiz as melhores escolhas, comprando caixas de cereais sem olhar para o rótulo, deixando-me seduzir pelas cores e as promessas na embalagem, ignorando a selecção dos ingredientes, a sua combinação, o método de produção… Fiz, muitas vezes, jantares à base de cereais e fruta, sem consciência de que o princípio não estaria errado, as escolhas que o concretizavam, sim.

Podemos e devemos comer cereais, aprendi ontem num workshop de pequenos-almoços saudáveis no The Therapist, baseado nos princípios da alimentação macrobiótica.

A dupla a 4 mãos, Inês De Limão e Francisco Rosário explicaram e demonstraram, cozinhando, algumas fórmulas de sucesso para integrarmos mais cereais na nossa alimentação sem esforço e com muito prazer.

 

 Alguns segredos:

 Compotas de frutas

Fruta da época

Geleia de arroz ou malte de cevada

1 pitada de sal

Casca de limão

Alperces secos


Aveia no forno

1 chávena de aveia

4 chávenas de bebida de aveia ou outra

1 pau de canela

Raspa de um limão

1 tira de alga Kombu

1 pitada de sal

1 colher de sopa de manteiga de amendoim / amêndoa

3 colheres de sobremesa de agar-agar em flocos ou em pó (1 colher de sopa)

3 colheres de sopa de amido de milho ou farinha de araruta

3 maçãs

 Creme de arroz integral servido com manteiga de frutos secos e amêndoas caramelizadas com malte de cevada

1 chávena de arroz integral

6 a 8 chávenas de água

1 tira de alga kombu

1 casca / raspa de laranja

Erva Doce

1 pitada de sal

Manteiga de amêndoa/amendoim

Malte de Cevada


Panquecas de Trigo sarraceno com romã

Farinha de trigo sarraceno

Bebida vegetal

1 pitada de sal

Malte de cevada

Manteiga de Amendoim

Gengibre

Puré de pêra

CPH: Copenhaga aqui tão perto

Se fizerem uma pesquisa no urbanista vão encontrar outros textos sobre o Copenhagen Coffee Lab. Não é favor, menos ainda por acaso. Sou fã confessa deste espaço desde que abriu, junto à Praça das Flores, em 2014.

Sobre o café, recupero a explicação publicada em 2015: 

 no Copenhagen Coffee Lab usam café vindo do Brasil, menos torrado do que o habitual, com um corpo leve e delicado, deixando um sabor torrado na boca. Na verdade, o cappuccino resulta numa explosão de sabores, entre o doce e o amargo, misturando o açúcar do chocolate, um toque acre de amoras selvagens e a acidez do limão. Não se reconhecem todos de uma só vez. É preciso saborear. Ou aprender a saborear, porque é impossível definir este cappuccino. É isso que o torna único. Para alguns, poderá ser apenas café queimado. Não é. A segunda impressão deixa-nos com vontade de beber até ao fim para atingir a definição da diferença. A temperatura é perfeita. Resulta da sensibilidade das mãos para aquecer o leite e fazer a espuma. Não tenho dúvida de que este é um dos melhores cappuccinos que já provei num local que, não sendo extraordinário, dá-nos uma sensação de tranquilidade como poucos conseguem.

Não será à toa o prémio recente de best coffee shop. Contudo,  como nem só de café vive uma coffee shop, há um novo CPH, desta vez na Rua das Escolas Gerais (Alfama) que inclui a panificação: é que para além do café excelente, da selecção maravilhosa de chás, o pão com um toque escandinavo é tão bom ou melhor do que o nosso. Se vos descrever os cinnamon buns, os bolinhos de côco ou os brownies, é coisa para vos fazer crescer água na boca.

O novo espaço é muito maior do que o habitual e é lá que se concentra a produção de pão e bolos. Com uma decoração nordicamente despojada, o local consegue ser simultaneamente prático, simples e acolhedor, com umas janelas que se abrem para um pátio interior onde as tardes de Inverno vão parecer Primavera. Não perguntem como, é algo que só os escandinavos são capazes de fazer. Como este café que, perdoem-me os produtores nacionais, é simplesmente espectacular.

 

Tibetanos: 40 anos a tornar Lisboa melhor

Ainda a alimentação saudável não era moda

e a ideia de não comer carne uma extravagância já o restaurante os Tibetanos servia refeições vegetarianas. Com uma história que se confunde com a da nossa cada vez maior curiosidade, abertura e reconhecimento da sabedoria da cultura oriental, os Tibetanos são muito mais do que um mero restaurante, assumindo-se como um ponto de encontro sagrado para os praticantes da filosofia Budista. Tudo começou há 40 anos, de forma mais ou menos espontânea e com a criação de um templo budista que atraiu pessoas muito diferentes, algumas das quais interessadas pela filosofia Budista e que, voluntariamente, se ocupavam de diversas actividades no templo que se assumiu, rapidamente, como um local de partilha um espaço que, ainda hoje, nos faz sentir como se entrássemos num mundo diferente, tranquilo e acolhedor.

O jardim de Inverno, com a sua luz natural, faz-nos esquecer que estamos no centro da cidade, o sorriso dos vários membros da equipa faz-nos sentir em casa e, à medida que a comida vai chegando à mesa, ficamos a pensar que gostaríamos de levar a Chef para nossa casa.

Participei, a convite do restaurante, na celebração do ano novo Tibetano (coincidência, ou não, aconteceu exactamente no mesmo dia do ano novo Chinês...) e, para além da história, descobri os deliciosos pratos vegetarianos deste restaurante. Voltei no dia seguinte, em família, e continuei a degustação, escolhendo os pratos mais populares da ementa. Não desiludem e há, de facto, uma razão para serem os mais pedidos: é que são mesmo bons! Os momos com seitan (uns pastéis típicos Tibetanos) têm a dose certa de picante, permitindo a quem não aprecia essa intensidade comer até ao fim. Os filetes de quorn, feitos no forno, à base de microcogumelos garantem um sorriso a quem não gosta destas modernices de comer ser carne. E a teimosia em afirmar que são feitos de frango. Não são. Mas são muito saborosos...

De resto, apesar da decoração acusar a idade, este é um local excelente para fugir à bonomia com sabor a pimento e cravinho de alguns restaurantes vegetarianos, num ambiente que nos faz sentir em casa.