FITish

Correr serve para?

Pensar. Organizar. Queimar. Depurar. Refinar...

Também serve para fazer exercício físico e nos mantermos em forma.

Na verdade, correr tem muito de libertador e serve para tantas coisas... 

Só quem não corre, ou nunca correu, fica na dúvida em relação a esta afirmação. Correr é um acto altamente individual, mas não individualista, que serve, também, para sabermos estar sozinhos, para sermos capazes de gerir a nossa (suposta) solidão.

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Esta manhã, enquanto conduzia, ouvia o programa As Donas da Casa, na Antena 3. O entrevistado, João Gonçalves do Correr na Cidade (running blog), falava exactamente sobre a forma como organiza as suas ideias, tem novas ideias ou aproveita para resolver ideias aparentemente sem solução enquanto corre. Eu corro menos vezes, durante muito menos tempo (e quilómetros) do que ele e confirmo: as minhas melhores ideias tive-as a correr; libertei muita energia negativa a correr; mandei todos os que o mereciam àquela parte a correr (mas sem pressa, deliciando-me com subtil o prazer de o fazer); corri que nem louca para fugir dessa gente e das suas energias negativas; resolvi muitos bloqueios a correr, junto ao rio...

Por isso, havendo um problema, corram. Perante uma ideia que parece não se querer desenvolver, corram. Libertem as energias negativas e deixem-se invadir pelas positivas que o cansaço nos oferece. Porque o cansaço é apenas físico e nós somos capazes de o superar. Quando as pernas doem, continuem. Quando o suor parece impossível de aguentar, aguentem. Quando o coração vai sair pela boca, abrandem. Mas não párem. Nunca párem porque no fim da corrida está algo que ninguém nos tira: a satisfação pessoal.

E, muitas vezes, uma nova ideia. 

Corram.  

Dream it, wish it, DO IT!

Este é um daqueles casos em que, se me dissessem que seria assim, ficaria na dúvida. Sou de gargalhada fácil e sorriso difícil. Por nada em especial. Simplesmente é assim. Quando conheci a Mafalda, notei que também não era pessoa de muitos sorrisos. Depois percebi que temos mais em comum do que imaginei. A gargalhada solta, apenas para alguns. A resiliência, perfeccionismo e inquietude. A aparente extroversão que esconde uma imensa timidez. Aquela vontade de chegar sempre mais longe. A Mafalda, para além de oferecer aulas tecnicamente irrepreensíveis, com uma estrutura dinâmica, capazes de deitar ao chão quem acha que está na sua melhor forma, tem uma capacidade única para conhecer e interpretar cada aluna. Não precisamos de falar porque o corpo diz tudo por nós e, melhor do que ninguém, a Mafalda fala essa língua. Sabe reconhecer a vontade de cada uma, a capacidade de cada corpo e as resistências que cada uma também encontra para não deixar o corpo expressar-se, ou esconder a sua vontade. Se deixarmos, o método da Mafalda faz-nos aprender cada movimento e decorar cada sequência sem qualquer esforço ou impaciência. Se deixarmos o corpo fluir, numa lógica de entrega, é ele que nos irá conduzir os movimentos, ganhando amplitude, resistência, tonificação.

Não gosto de admitir mas, a Mafalda, através do seu método, consegue controlar-me apenas com o olhar, sabendo reconhecer, também no meu, aqueles dias ou momentos em que por mais que queiramos, o corpo não responde. Stress ou cansaço determinam grandemente a nossa capacidade física. E mesmo que este método - o método, portanto - seja altamente libertador pelos níveis de concentração que exige, há momentos em que não estamos lá. São esses os dias ou momentos que precisamos evitar. Não adianta malhar em ferro frio, sempre ouvi dizer e sei, por experiência própria, que consigo fazer deste ferro aquilo que quero e que o método me ensinou. E não foi pouco...

Foram dois anos de experiência, insistência e aprendizagem que agora continua, de forma consolidada e melhorada, num novo espaço. Mudança que muito me agrada porque junta a Mafalda a dois amigos com um amor à dança que consegue superar o meu. E, por isso, criaram a Jazzy, uma escola de dança com um propósito único e que agora passa a contar com o Método da Mafalda para ampliar e enriquecer a sua oferta. A partir de Setembro as aulas vão ser de frente para o rio com a luz a entrar para nos inspirar. Melhor? Não há.

Transverso o quê? Ignite your transverse...what?

São poucas as que o conhecem mas, quando isso acontece, nunca mais o largam. O transverso é aquele músculo muitas vezes ignorado, e outras tantas menosprezado, que aprendi a usar quando me dediquei ao Pilates. Depois, esqueci-me dele até a Mafalda, numa aula, ter chamado à atenção para esse músculo invisível que suporta a zona abdominal. O que é o mesmo que dizer que é o responsável por boa parte das "barriguinhas" que por aí andam.

Há muitos anos a mãe contou-me algo sobre a sua mãe que me ficou para sempre. Apesar da sua doença, a minha avó jamais se apresentaria desleixada e nunca deixou de andar com a barriga apertada. Por isso, manteve a elegância até ao fim. Herdei muito das minhas avós. A altivez de um lado e o aprumo do outro. Talvez por isso, mesmo quando me esqueço do transverso, não esqueço. Mesmo quando o quero ignorar porque simplesmente não me apetece o esforço, um olhar da Mafalda, numa qualquer aula faz-me perceber que é apenas isso que falta para lá chegar. Onde quer que seja. Normalmente, chegar e tocar o limite.

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Para usar o transverso não chega encolher a barriga. O transverso é um músculo profundo que, pare ser trabalhado - ou encolhido, se preferirem - obriga a recolher o ventre e apertar o períneo. Basicamente, lembrarmo-nos sempre daqueles instantes entre o estou aflita, não aguento mais e o outro, em que nos libertamos. Sabem do que estou a falar, não sabem?...

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Contrair o transverso tem vantagens para além da estética, porque a sua contracção mantém os órgãos arrumados e garante uma boa postura, obrigando a manter a coluna direita. O que significa que ganhamos verticalidade, traduzida naqueles milímetros que fazem a diferença entre parecemos aquilo que (não) somos ou termos um aspecto mais elegante. Descobri entretanto uma outra vantagem associada a este trabalho com o transverso, porque da sua contracção resulta uma melhoria do nosso humor. Ao estarmos conscientes do transverso estamos a agir sobre o centro de energia que se situa na zona do umbigo que produz serotonina. E a serotonina é o neurotransmissor que regula o nosso humor...

Não é à toa que, depois das aulas em que a Mafalda aplica o seu método e nos faz crescer aqueles milímetros a mais, saímos mais felizes. A responsabilidade, afinal, é do transverso!

Most of us don't think about it regularly and even among those aiming for the popular six-pack, the transverse abdominal muscle is often unconsidered. We know that our abdominal muscles allows us to perform many of our everyday tasks but how many of us take that in consideration while working for the desired beach-body?

The transverse is the basics. The fundamentals of every exercise and the one that hurt when we cough. Now you remember it, right?

I got introduced to transverse through Pilates and, again, I forgot about it until I reconnected through Mafalda's method, that makes us use it even if we never did. Or even if we don't care about it.

The transverse is more important than we think because when in contraction, it supports your internal organs, enhances muscular definition in our abs and prevents back pain while keeping an upright posture. Then, more elegant. Awesome, isn't it?

 The transverse acts as a muscular girdle around our waistline therefore, when contracted and exercised, makes us look thinner. Many times while exercising we are told to pay attention to our abs to protect our back. It´s true and the transverse has an important role in this. Along with all other core abs, it improves core strength and stability allowing us to really have a flat stomach. Guys included!

 

 

 

O método da Mafalda

Workshop MSB (foto  Maria Emauz )

Workshop MSB (foto Maria Emauz)

Não há outra forma de o dizer ou elogiar. Este método é único e é dela: da Mafalda.

Existe há mais tempo do que pensamos mas foi muito por nossa causa - sim nós, que praticamos diariamente - que se consolidou. Indecifrável ao olhar comum, muitas vezes apenas a Mafalda percebe que uma aluna precisa de se concentrar e a outra de tonificar, que aquela aluna deveria aprender a respirar e, a que está ao lado, trabalhar mais a força...

Um dia haveria de acontecer. Por isso, o workshop pensado para celebrar o Dia Mundial da Dança foi mais uma celebração do método da Mafalda, da sua singuralidade e capacidade em pegar num saco de batatas para o transformar num corpo com uma postura e formas definidas. Foi maravilhoso. Sistematizado depois de muitos anos de treino e interacção com muitas mulheres, a Mafalda Sá da Bandeira finalmente decidiu dar nomes às coisas e reconheceu que, de facto, tem uma forma única de trabalhar o corpo que a diferencia da generalidade da prática de fitness. Visto de fora até pode parecer fitness, mas não é. Para quem espreita pela janela até pode pensar que é ballet para adultos. Também não é. Quem está no estúdio, sabe o que é, mesmo que não o saiba definir. Diz a Mafalda que eu sei transformar o seu trabalho em palavras. Talvez saiba. Talvez tenha essa capacidade de traduzir por palavras os gestos e os movimentos que, dia após dia, vamos praticando, melhorando, insistindo, interiorizando. O método da Mafalda.

Sempre disse que o que mais detestava nas aulas BTS era o facto de se basearem numa sequência de exercícios repetidos durante cerca de 3 meses. Não posso dizer que no trabalho da Mafalda não há duas aulas iguais. Porque há. A grande diferença é que se repetem, não pela insistência em si, mas pela coerência. Porque mudamos o movimento e o tipo de exercício quando este se esgota. E só quando, de facto, percebemos a posição, postura e objectivo do mesmo, estamos preparadas para avançar. E o caminho é sempre a subir, escalando a dificuldade dos exercícios. Por isso é tão bom treinar com a Mafalda. Acima de tudo, ninguém invade o estúdio em Maio, como acontece na maior parte dos ginásios. Há, aliás, uma péssima assiduidade com a chegada do bom tempo. O trabalho duro, mas bom, ao longo do ano, permite que muitas se escapem para a praia assim que o sol aparece, sem problemas em mostrar o corpo. Ao longo dos meses e sempre a partir de Setembro, são atacados os pontos fundamentais na maior parte das mulheres, onde acumulamos mais, onde precisamos de tonificar e adelgaçar. E resulta. Não esperem milagres porque tudo depende também de nós, do nosso empenho e do que fazemos (ou não) fora do estúdio. Não esquecendo o que (e como) comemos...

Eu noto a diferença. Não tenho dúvidas. Maior elasticidade e flexibilidade, melhor postura, mais força, tonificação nos pontos cruciais e uns gémeos de fazer inveja a muitos atletas. Se comesse (ainda) melhor, e não passasse tantas horas sentada, estaria ainda mais satisfeita. Baseado em sete princípios fundamentais (concentração, respiração, consciência, força, postura, flexibilidade, energia), não tenho dúvidas de que este não é um método para emagrecer. É um método para sermos felizes.

Workshop MSB (foto  Maria Emauz )

Workshop MSB (foto Maria Emauz)

I don’t know what you think about it but I confess: I need to exercise to keep up with my over-scheduled routine, stay sharp and focused, to feel energetic.

Now,  a few years after my PhD, I know that it was the exercise that kept me going with good mood, motivated and able to work endless hours on my laptop.

I’ve tried almost all types of exercise, but it’s in between the ballet and the dance determination, but also the fitness diversity that I feel complete. It took me years to find it. In the case, to find her. I know many teachers, personal trainers, dancers and even fitness gurus, some of whom I respect and love but Mafalda’s method seems to be designed for me. I just miss the extra motivation of some very demanding dance moves. Besides that, it’s perfect. I feel energised, motivated, ultra-flexible. I’m as toned as possible, considering that I’m not spending my days at the studio… I am very sorry for those reading this post in English who might be very far away from Lisbon where Mafalda runs the MSBStudio, otherwise I would say: join us, you won’t regret!

2 segredos para não contar calorias. How to make calorias don't count?

Simples:

1. Não saber quantas calorias tem aquele alimento - a ignorância é uma benção...

2. Não contar (ponto)...

Só resulta se estivermos mesmo empenhados em não querer saber. Porque se nos interessa aquilo que comemos, mesmo que as calorias não sejam relevantes, calorias em excesso significam, na maior parte das vezes, sal, gordura e açúcar a mais. Outras tantas, ainda se juntam conservantes e aditivos à equação, que passa a ser terrível do ponto de vista da qualidade do que comemos, independentemente da quantidade.

No entanto, se não transformarmos os "dias de festa" na regra dos nossos dias, podemos ter aqueles momentos em que apetece abusar. Hoje é esse dia: as calorias não contam e a dieta, aquela das restrições, criada para emagrecer, fica no papel...

Logo agora que tomei decisões drásticas em relação à alimentação... Um dia não são dias, não é o que dizemos sempre?...

#diainternacionalsemdieta

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Seriously?... 

Now that I was super committed to a low fat, no sugar, clean diet, calories don't count?! Is this me against the world? Is it?!

#caloriesdontcount #internationalnodietday 

Pessoas normais.... Normal people...

... não fazem dieta. Comem e arrependem-se. Não pensam nisso esperando que os erros alimentares também não pensem neles. Aprendem a comer e arrependem-se menos vezes. O que fazer para comer bem? Comer bem dá trabalho. Implica pesquisas. Escolhas. Perserverança para dizer aos que nos rodeiam que decidimos fazer outras escolhas. Paciência para lhes explicar que somos o que comemos. Que nos impingiram ideias fáceis, para refeições ainda mais simples, que nos complicam o sistema, que o nosso organismo não está preparado para receber químicos e alternativas ao que é natural mas que, simultaneamente não entramos numa espiral paleo. Estamos, simplesmente, mais conscientes do que devemos comer. Não estamos em dieta mas o açúcar adicionado não nos faz falta. E que o sal deve mesmo ser q.b., sabendo que o baste fica muito distante daquilo que sempre pensamos que bastaria. Não nos tornamos vegetarianos mas precisamos muito dos vegetais para uma alimentação equilibrada, da mesma forma que a carne vermelha serve mais para entupir do que para alimentar. Por incrível que pareça à maioria, um bife de vaca do tamanho da palma da nossa mão, basta-nos uma vez por mês. Exacto. Uma vez. 

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Normal people don't diet. Normal people eat (a lot) and regret (also a lot). Normal people don't think about eating, hoping that every food mistake won't find them. Others learn to eat and regret fewer times. It's a worldwide trend with raw, organic, veggie and seeds getting popular. It's hard work but it is important to learn what do to, how to embrace a healthy lifestyle with healthy choices and healthy food.

Healthy food usually means research. Comparisons. Choices. Tenacity to explain the world that we made a commitment for life. Patience to explain to them that we are what we eat and our food choices have real consequences. Capacity to educate them against the easiness that we were told for decades with supposed to be quick and easy meals, which make our digestions a mess, clog our bodies and fill us with chemicals and artificial flavors. No need for paleo spiral but definitely we need to become conscious of what we are eating. We're not on a diet but too much sugar is not necessary. Salt? Always less than expected being the expected very far from what we are used to. We are not vegans but we sure need vegetables for a balanced diet. Red meat? Of course, once monthly palm-sized. For real.

 

 

 

Skinny and Curvy bitches: unite!

"Está gorda". "É gorda". "Estou gorda"

Oiço tantas vezes qualquer uma destas frases que decidi recuperar este artigo do Huffington Post (Women) publicado no início do ano. Depois dos excesso das festas, chegou a Páscoa com as amêndoas e, só a seguir, já no fim do mês, gritamos ao espelho: 

AHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHH

É o momento em que o pânico se instala para recuperar o corpo do Verão passado ou, pelo menos, minimizar o estrago... 

Para quem não gosta de dietas e menos ainda de ginásio, ainda menos da palavra exercício físico, é tempo de assumir os erros alimentares e, mesmo sem objectivos concretos para perder peso, reequilibrar o corpo. Pois e tal, conversa. Na verdade, dieta em si, não resulta. O que resulta é aquilo que chamo a Lei das Compensações. E exercício. Porque uma mulher em abstinência parece que tem TPM. O dia todo. Todos os dias. Tão bom que nem a própria se aguenta...

No início do ano, a Molly Galbraith foi alvo dos mais diversos comentários e críticas. Por isso, decidiu ir contra a corrente: publicou uma fotografia em biquíni assumindo uma postura anti resoluções de novo ano. Que nunca cumprimos à risca, em boa verdade. E que se arrastam até meio do ano. Na verdade, arrastam-se. PONTO.

A Molly é bodybuilder e personal trainer, trabalhando essencialmente ao nível da força e condicionamento físico. Não é bem o que eu faço - ou gosto de fazer - mas admiro que defende uma ideia e se auto-define através de uma missão: ad descoberta e aceitação  do corpo sem que as mulhjeres tenham de se matar para conseguirem um corpo de sonho.

Estamos a semanas de começar a mostrar os pés e as pernas, e a outras tantas para nos despirmos de preconceitos e assumirmos curvas e contracurvas na praia. Porque razão temos tanta dificuldade em assumirmo-nos como somos, deixando estereótipos de lado para procurar apenas o estar bem, o bem estar e a saúde? Seremos assim tão permeáveis às ideias que nos vendem as revistas, a web e a televisão?

Se nos sentimos bem comendo papas de aveia e bebendo sumos detox, ou com um copo de vinho ao fim do dia e um bife com batatas fritas, assim seja. Sou pelo respeito, desde que respeitem as minhas opções. E parece-me bem que estamos num caminho sem retrocesso, em que saudáveis e menos saudáveis se degladiam nos sites de redes sociais sem que isso traga quaisquer benefícios para qualquer uma destas opções. 

Torna-se um pouco mais esquizofrénico e ambíguo quando nos sentamos literalmente no meio, tratando de um hambúrguer com batatas fritas como se não houvesse amanhã, uma mousse de chocolate que sabe a pouco ou um copo de vinho branco que se transforma em dois ou três, compensando estes eventuais excessos com actividade física e uma alimentação regularmente saudável. Isso torna-nos o quê? Os arrojados que se definem na ausência de definição, posicionando-se numa linha que separa o bem do mal, ou os puritanos que se exigem a purificação depois da luxúria?

This is my body. This not a before picture. This is not an after picture.This just happens to be what my body looks...

Posted by Molly Galbraith on Friday, 1 January 2016

She's nothing but a freaking fat bitch. Some people think and some actually verbalize the thought, forgetting how hurtful it can be to know what people talk in our back while smiling at us.

It's true. Don't whistle because we've all been there. Somehow, somewhere...

Molly Galbraith is a bodybuilder and a personal trainer who devotes her time and effort to total conditioning and bofy strength increase. It's definitely not my thing but I respect her option. Above all, we all should respect each other's decisions and lifestyle, specially if that lifestyle aims to empower women to be more accepting and to love themselves for what they are, how they look like without killing themselves in order to reach some beauty ideal. Praise to that! 

On January 1, Molly decided to kick-start the year by making a kind of anti-New Year's Resolution. She shared a photo of herself in a bikini, along with a super empowering caption on Facebook. 

It's been four months and I bet your New Year's resolutions aren't t still completed or anywhere near to make a real change in your life. In a few weeks our legs and feet will be on the loose and sooner than you think so will our bodies, in bikinis and shorts. So I wonder, why are some of us so judgmental, with this body shaming attitude towards others? On the other hand, why do those being bullied give a F*** about this shameless behavior?

Issues emerge from skinny bitches having all kinds of seeds and oatmeal, combined with detox juices, while fat bitches are having a glass of wine, pizza and burgers everyday. If I don't ask you to share my oatmeal, why should you criticise me for having it my way? Furthermore, why do we have so much difficulty in being more accepting about who we really are, gnoring stereotypes, neglecting beauty standarts to focus on our well-being?

I feel like we lost control and forgot how to coexist. It's true and it happens more than we can imagine: one day I'm having white wine and chips and the next, fruit and oatmeal as it pleases me. Is our apparent schizophrenic ambiguity bothering others? I agree with the #guiltypleasures option combined with regular healthy food, conscientious choices and exercise to get rid of all excessive options one might have had. What does that make us? Undefined bold people over the thin line that separates good from evil? Or puritans demanding for purification after the lust?

I'm with Molly:

"This is my body (...) This is not a before picture. This is not an after picture."

Enjoy yourself. Enjoy life.

Why ballet?...

Ao contrário do que é habitual, comecei por escrever a versão em inglês do artigo de hoje. Por nenhuma razão em especial mas, provavelmente, por achar que seria tão fácil escrever em português que comecei pela versão mais difícil. Por vezes não é fácil escrever uma carta de amor. Não escrevo na qualidade de jornalista, que não sou, mas há um mínimo de rigor e objectividade nos artigos que publico. Mesmo quando a voz vem do coração e ignora a razão. Não esperem, por isso, um artigo, no Dia Mundial da Actividade Física, que se limite às vantagens do exercício na nossa vida. 

Decidi falar sobre o ballet. Porque dancei, esfarelei os pés muitas vezes, lesionei-me outras tantas, pensando que o corpo aguenta tudo e porque sempre tive tendência para desafiar as posições limite. Aprendi. As posições, o método, o rigor. As suas vantagens e os (meus) limites. Que continuo a desafiar até ao limite do "ainda não estou no limite". Treino menos do que gostaria e mais do que a maioria das pessoas. Não por uma questão de vício, dependência ou busca incessante do corpo perfeito. Porque simplesmente faz parte de mim e de quem sou. E não podemos passar um dia sem sermos verdadeiramente nós, não é?

Já vos contei que procurei, muito tempo, um local ou um professor que correspondesse exactamente às minhas expectativas e necessidades. Passei por locais espectaculares e conheci professores que continuam no meu coração. Ensinaram-me muito. Mas faltava-me este pequeno grande detalhe que o ballet - ou exercício inspirado no ballet - me dá, a transformação que provoca no corpo e o bem estar que proporciona. Para além daquela espécie de telepatia que conseguimos estabelecer com quem nos ensina e que faz com que não seja preciso falar. Eu sei quando me fita para esticar mais ou corrigir a posição e ela sabe quando não posso mais. Isso é único e não se consegue ao estalar um dedo ou indo de forma intermitente às aulas.

Deixamos muitas vezes que tudo interfira com o nosso bem estar. É um modo de vida que está errado. Se, porventura, não temos como o evitar (especialmente no trabalho), usemos o exercício - este exercício em especial - para transpirar e purgar os males da vida, enquanto tonificamos o corpo e o tornamos mais saudável. O que faço no MSBStudio é exercício inspirado no ballet e pensado para as mulheres: trabalho na barra, barra de chão, dança e aulas que parecem pilates, mas são preparadas para nos ensinar a respirar melhor e tonificar os músculos de sustentação do corpo. Promovem não só o condicionamento muscular como ampliam a nossa capacidade respiratória, a firmeza dos músculos, aumentam o equilíbrio e a flexibilidade. Melhora igualmente a postura e faz-nos imediatamente parecer mais elegantes - o que não quer dizer magras. A elegância nada tem a ver com a "dimensão" do corpo. Também ajuda a melhorar a nossa coordenação motora, aumenta-nos a resistência e dá-nos algo imprescindível para aguentar muitos dos fretes do dia-a-dia: disciplina e controlo mental. Como escrevi no artigo em inglês, "even when we think that we can no longer make it, our body has a lot of turnouts if we choose to use it" que é, simplesmente istomesmo quando pensamos que já não é possível, o nosso corpo muitas vezes surpreende-nos. Assim como o ballet...

 

Just because ballet rocks and totally rock your body. Let's keep it straight: everybody loves a fit body, meaning that as a nice looking, cool in attitude, healthy body. Even with curves.

I was honestly searching for "fit body meaning" and I just found the most astonishing - awkward supposed-to-be definitions on the web. But this one really got into me. It's not offensive, its positive and its true:

thin is not the same as muscular/in shape. This is a lack of muscle and a lack of fat. Fit means a lean and toned body. Well muscled with enough fat to give curve and soften the body so it does not feel like you are hugging a brick
— Radom guy on a dating forum

Truth is, no one likes to hug bricks. Or tree trunks. Their cold, rough and straight. No curves, no flat belly, no nothing. After all, as another guy defined, being fitted it does not mean "working on it" or "halfway to my goal" or "slightly over". For another contributor it means that you won't fall over dead if you have to climb a flight of stairs, won't pass out if by walking a city block and won't have to be resuscitated by an emergency crew if they have to jog a mile. I agree.

Being fit isn't necessarily a girls' business even if society strongly pressures women regarding their body and their looks. A toned guy, healthy and fitted is, of course, a more attractive guy. But, again, there are so many fatty girls and boys that can jog a mile or walk a city block... It all depends on your body shape and type. Above all, don't rely only on what your eyes can see, since it all depends on your personality and attitude. Seems like I'm contradicting myself but I'm not. As a Body Imagem Ambassador, I am part of a worldwide movement aiming to redefine and rewrite the ideals of beauty. We're on a quest for active a body positive image and for women to be more accepting of who they are and to prioritize health before beauty. But I decided, as the only Portuguese speaker in this group, to extend my approach to man and to consider this as an anti-prejudice or preconceptions movement, regarding our looks, bodies, attitudes, and values, referring to social acceptance and respect in contemporary society. 
As for ballet, contrary to general assumptions, you can learn ballet at any age. Better than dancing ballet, is the workout associated, at the barre or on the floor that takes our body to the next level. Even when we think that we can no longer make it, our body has a lot of turnouts if we choose to use it. As adults, we still can rotate our leg from the hip, causing our knee and foot to turn out, which is a good thing. The battement tendu (leg extended, toes on the floor, heel off, and stretching instep, sweeping round) is most of the time pure agony, but also an absolute pleasure to be able to make it, while dreaming about our ballerina body.


My workout happens in Lisbon at the MSBStudio with Mafalda Sá da Bandeira, who does really motivate you to achieve bigger and better results. Everyday. Ballet workout or ballet-inspired workout, it's a full body workout, toning all our muscles and making us leaner. It makes you sweat, but not that much, allowing you a 5-minute shower without blowing your hair. It's also very dynamic with no routine associated with the movements and exercises, that can be different every day, allowing you to de-stress. Your focus and attention must be there, the classical tunes you listen to and the high-intensity workout empty your mind from all the crappy business you get involved in all day long... Why ballet?...

dos dias em que ser mulher não chega

Em Março há um dia só nosso. Não chega. Nossos, são todos os dias, mesmo que o tentem ignorar.

Não é discurso feminista porque, como dizemos aqui, a palavra tem inúmeras conotações. Poucas boas. O feminismo não é um rótulo mas sim uma atitude. Um estado de alma. Felizmente, há muitos homens que também a assumem. Deveres iguais? Direitos iguais. Não somos iguais nem teremos de o ser, porque é essa a riqueza da humanidade. Há, contudo, muitas situações, contextos e desigualdades que devem acabar. Entre homens e mulheres. Entre mulheres. Entre homens.

O problema não é exclusivo das mulheres porque vivemos numa sociedade que, por um lado, resiste à luta pela igualdade de direitos e oportunidades e, por outro, nos limita em relação a todas as oportunidades que o mundo nos oferece. Na maior parte das vezes somos nós que nos auto-censuramos, limitamos e rejeitamos a ideia de mudança. Porquê?

A sociedade tem um peso demasiado naquilo que somos e como somos. Nem todos podemos ser Beyoncé's ou JLo's estratosféricas que sussurram e se fazem ouvir. Mas podemos tentar...

A JLo from the block tem a lot e a Beyoncé runs the world com as suas girls. Nós podemos ver, de longe, aplaudir e partilhar, ou arregaçar as mangas, adoptar uma postura mais proactiva e perseguir os nossos sonhos. Na maior parte das vezes refugiamo-nos na desigualdade e na falta de oportunidades, esquecendo-nos de as criar. Cruzei-me, há dias, com este artigo no Observador do qual retiro a melhor parte:

Zero F*ck Given

A receita é simples e pode significar a diferença entre ser feliz. Ou não.

A palavra não é bonita mas, em inglês, não soa tão mal quanto o seu significado. Na verdade, se não nos preocuparmos com o que os outros pensam - excepção feita para aqueles que importam, os que respeitamos e os que nos sabem fazer críticas construtivas - seremos incomensuravelmente mais felizes, simplesmente porque eliminamos da equação, seja ela qual for, o peso do olhar alheio. Isso liberta-nos. O escrutínio nas redes sociais torna-se irrelevante e o padrão transforma-se naquilo que entendemos ser o nosso padrão. Não é fácil, obriga a uma grande disciplina interior, um crescimento em relação a tudo o que durante demasiado tempo demos importância, rejeitando boa parte das ideias que nos serviram, até ao momento em que, simplesmente se tornam incómodas.

O Observador seleccionou oito coisas que nos preocupam e prendem os movimentos. Uma lista da qual devemos riscar a totalidade dos elementos, para sermos mais felizes: preocuparmo-nos demasiado com o que é adequado para "a idade"... Parece-me bem que importa apenas o bom senso e os limites (ou limitações físicas) que a idade possa acarretar. Limitarmo-nos em função do que os outros poderão pensar.  É, sem dúvida, o melhor exemplo para "I don't give a F*". O emprego.... Mesmo que nem o trabalho abunde, ser infeliz uma vida inteira para manter o estatuto social não pode ser uma opção. O medo. Todos temos. Há uns bonecos bons para isto. Chamam-se papa monstros e entregam-se às crianças pequenas para lá colocarem os seus medos. Querem um? Libertarmo-nos do passado, da atitude derrotista do "é a vida" e não pensarmos demasiado no futuro para sermos capazes de gerir expectativas, enquanto abandonamos a atitude interesseira de tantas pessoas, para aprendemos a dar sem esperar nada em troca. Acreditem que recebemos em dobro do que damos. Finalmente, os padrões. Definir quem somos e escolher quem queremos ser. Sem medos.

Aceitação social pode ser importante e valida-nos enquanto pessoas. Todos queremos essa aceitação.

 A que preço?

Comemos mal. E ainda gostamos.

Ignorei, propositadamente todas as opções saudáveis que vou partilhando no Instagram.

Escolhi hamburgers. Muitos hamburgers. E croissants. E muffins. Batatas fritas. Coisas com muita gordura. Com hidratos. Daqueles que nos fazem mal. Que se transformam em açúcar no processo de digestão e se acumulam no organismo, sem qualquer valor nutricional. Há também os conservantes e intensificadores de sabor que tornam certos alimentos mais apelativos e supostamente saborosos. Nada bom.

Calorias a mais, nutrientes a menos.

Diz o artigo publicado no Expresso que cada Português come por dois. Dizia-se (diz-se?...) muitas vezes a uma grávida que deveria comer por dois. Na verdade, uma grávida deve comer para dois. O que é radicalmente diferente. Também não precisamos comer muito para ficar satisfeitos. Precisamos comer bem. Acusamos a falta de tempo ou dinheiro para justificar as nossas escolhas e preferimos encher a barriga a comer. Há uma diferença muito grande entre matar a fome e ter uma alimentação cuidada. Estamos cada vez mais preocupados em matar a fome sem pensar muito nisso. As consequências começam quase imperceptíveis, revelando-se no nosso comportamento, no aspecto do cabelo, das unhas ou da pele. Estas, vão gradualmente assumindo outras proporções e são responsáveis por várias doenças (graves) que o Expresso enuncia.

Preocupo-me com a minha alimentação, o quando e o como. Onde compro, e a origem dos produtos. Já escrevi sobre canela e a sua suposta capacidade para nos emagrecer, a lei das compensações, a carne processada e o açúcar. O terrível açúcar. Na verdade, estou sempre a confrontar-me com a alimentação. Sem obsessões, compreendendo que não existem dietas mas sim, opções alimentares.

A minha é uma opção saudável com desvios à rotina que me dão prazer.

Os #guiltypleasures que todos temos e dos quais não devemos abdicar, porque nos fazem felizes. Moderação, será a opção correcta.

Eu respondo à pergunta: porque as leguminosas excelentes não são baratas e não estão nas grandes superfícies, os melhores morangos estão vendidos antes de serem colhidos, as melhores folhas não chegam à cidade ou, quando chegam, não chegam a todos.  Entre outros, de menor dimensão, existem excepções, como a fruta feia ou os mercados biológicos aos sábados de manhã. Mas não chegam. Por vezes, não chega o que levamos na carteira. O mal não está nos produtos. Estás nas carteiras cada vez mais vazias.

Há também o marketing agressivo das grandes cadeias de fast food e os aditivos que estes alimentos têm, provocando uma certa adição insconsciente que leva muitas pessoas a preferir pagar exactamente o mesmo, por uma refeição de menor qualidade. Como se escreve no Expresso, há uma insuficiente educação para a saúde e a economia familiar tende a ser responsável por estes hábitos, uma vez que como também refere o Expresso, são os mais pobres que se alimentam pior. E isso, não é bom.

just dance

Há dois filmes que me marcaram. Ou dois filmes de que gosto muito. Ou dois filmes de que me lembro imediatamente, sempre que me perguntam: "filmes preferidos?". Nenhum é o que queremos responder porque não são obras primas do cinema - um até terá sido, à época -, porque não são intelectualmente relevantes, porque há outros realizadores mais importantes. Porque... Porque respondemos raramente com a verdade e antes com o que os outros querem ouvir, ou com o que esperam de nós. 

Um ficará em segredo. O outro é Flashdance, esse momento inspirador para todas as meninas que sonharam, algum dia, em ser bailarinas. Eu tinha oito anos e, ainda hoje, gosto de o rever. Neste momento, a banda sonora toca e eu danço. Canto, de cor, as letras das músicas e abano os pés. Não poderá ser um artigo normal. Não é. É escrito a dançar, com o coração na ponta dos dedos, à espera do impossível.

No filme, o impossível acontece e, fora do tempo, da idade ou do método, ela consegue. Também eu poderia conseguir, pensaram muitas de nós, em surdina, no cinema. Outras choraram. Não sendo uma obra prima, é dos filmes mais populares da década de 1980, com uma crítica difícil de catalogar. À distância, o dinamismo das coreografias é algo exagerado, o guarda-roupa duvidoso, a narrativa pobre e a relação com a realidade pouco real. Mas que interessa isso quando o que queremos é sonhar? E dançar.

Defendo que dançar faz bem a tudo. Podem dançar altos e baixos, gordos e magros, porque a dança depende do corpo para se revelar, mas nasce cá dentro. Ou temos, ou não temos. Ela tinha.

Começo (quase) sempre a semana a dançar e termino da mesma forma. O que gasto em energia converte-se num outro tipo de energia para começar a semana, ou alienar todas coisas más que se vão acumulando ao longo dos dias de trabalho. Dancem. Vão ver que nada voltará a ser igual. Não sabem? Ela também não sabia. E conseguiu. Porque tinha aquilo.

Podemos aprender. Mas nunca é a mesma coisa. Podemos forçar e ser tecnicamente perfeitos. Mas, depois, falta a emoção. Aquilo.

A dança resulta de uma conjugação de factores e elementos: técnica; ritmo; emoção. O que significa que, para dançar, convém saber como executar os passos e movimentos os quais, em sequência, constituem um conjunto de elementos que criam uma coreografia. Para além da sua execução, há que saber colocá-los em sintonia com a música, que fornece a banda sonora e o ritmo para dançar.

O resto? O resto depende de cada um de nós e da forma como interpretamos o que tudo aquilo quer dizer. Porque a mesma coreografia, dançada por duas pessoas diferentes, jamais será igual. A mesma música pode ser interpretada de forma mais delicada ou agressiva, mais feminina ou masculina. Também pode ser nada mais do que um conjunto de passos de dança executados ao som de uma música. O que equivale a nada. Ou quase nada.

Dançar é trazer para o exterior muito do que somos, ou projectar uma personagem que nos pedem para criar. Dependendo da música, podemos ser sexy ou naive, dominadas ou dominadoras. Depende da interpretação. Mesmo quando aparentemente nada há a interpretar, há. A música conta uma estória que vamos representar através da dança. Tudo o resto são aproximações ao conceito. Dançar é isto. É o ritmo frenético que a Alexandra colocava nas pernas para treinar os músculos ao som de Maniac ou quando Laura Brannigan lhe cantava Imagination para dançar, à noite, no bar.

há-de ser... um dia...

... esse dia é hoje.

 Admitamos: não é uma, nem duas ou três vezes que pensamos nisto, sequer que o expressamos em voz alta. A vontade de sair daqui, abandonar tudo e usar havaianas todo o ano já nos invadiu. Da mesma forma, a necessidade urgente de férias. 

A Noelle pode, mas não é um exemplo. Sozinha e sem qualquer compromisso pessoal ou social, abandonou tudo. Partiu sem plano, fixando-se no paraíso que é St. Johns. A questão não é financeira. É maior e mais ampla, paradoxal e quase esquizofrénica. Ela tem razão. Esta urgência nas férias significa que estamos mal na nossa vida.

Não entendo a razão pela qual somos, desde a mais tenra idade, encarreirados num sistema que não conhecemos e com o qual não se sabe se queremos vir a pactuar. Tudo começa na escola com critérios de homogeneização e padronização para dar coerência a uma estrutura de avaliação. Já há escolas que apadrinham a diferença, com moldes menos rígidos mas, na generalidade, transformamos crianças em pequenos adultos, fardados, formatados, a pensar no seu futuro de sucesso. Por definição, as crianças não sabem o que querem ou o que é melhor para elas, pelo que estamos cá nós para decidir em seu nome. Questiono-me muitas vezes sobre estas decisões, o ritmo e o rigor que lhes é imposto. Oiço dizer muitas vezes que as crianças não têm tempo para brincar e que as suas agendas sociais se assemelham às de um adulto. Não concordo e não pratico. Mas cedi a uma lógica que a encaixa num sistema de ensino vocacionado para a produção de pequenos exemplos de sucesso, como se o falhanço tivesse sido riscado do dicionário. Falhar ajuda-nos a crescer e é, em si mesmo, uma forma de aprendizagem. Hoje, o verbo falhar é pronunciado entre dentes, como as palavras feias. Não nos podemos dar ao luxo dos falhanços porque esses estão reservados aos muito ricos com uma rede que os suporta durante a queda e ajuda a levantar. Vivemos numa sociedade de tal forma capitalista, liberal e competitiva que há outros verbos que passaram a ser menosprezados: compreender, ajudar, diferenciar. 

Os excêntricos têm estes devaneios de fuga. Os integrados adoram os seus fatos e as horas passadas nos escritórios, dos quais saem, qual autómatos, à hora do almoço, vestidos de igual, para uma refeição no restaurante da moda - para os neoyuppies - ou no centro comercial mais próximo, para os aspirantes a yuppies.

O termo nasceu algures em 1980 para descrever os young urban professionals que agora já não são tão young assim mas que mantém o padrão. Licenciados com carreiras nas finanças, profissões liberais ou consultoria, ganham bem e vivem melhor, com um estilo de vida urbano e cosmopolita.  Misturam-se com os preppys e, por  vezes, encontramos uma espécie de yuppie-preppy, verdadeiramente irritante, que deixa um rasto de perfume da moda, colocado em excesso, e nos atira palavras com dicção afectada que afecta a forma e o tom das palavras. Dialectos?

Mostram-se felizes com o tipo de vida que escolheram, igual à dos amigos, com férias partilhadas em locais comuns, numa perspectiva do mundo que se reduz àquilo que conhecem, sem reflectir muito sobre isso. Tal profundidade na análise iria mostrar a verdade, com a qual, provavelmente, não sabem lidar. 

Aplica-se a estes e todos os que se recusam a olhar para o que temos de forma crítica, praticando a #gratitude nos sites de redes sociais porque fica bem. Estarmos gratos pela vida confortável que temos e os filhos lindos, impecavelmente engomados na farda da escola é estarmos gratos por aquilo a que nos submetemos de livre vontade, traduzido num cansaço constante e necessidade de férias. Gratos pelo sol da manhã, o sorriso de quem amamos e saúde. Tudo o resto podemos construir. Ou destruir para fazer de novo, com um outro molde, outro ritmo e objectivos. Estaremos certos, encaixados em apartamentos modernos com vista para os vizinhos do lado, conduzindo carros de última geração mais tempo parados nos semáforos do que a circular, que nos levam para outros edifícios, aclimatizados, organizados e padronizados para acenar com a cabeça de um lado enquanto protegemos as costas do outro? Não estamos. Talvez uma galinha na banheira faça mais sentido, quando até um cão consegue ter mais aventura na sua vida do que a maior parte de nós.

 


     

Dietas? Façam-nas vocês.

Sai com uma missão: encontrar inspiração para novas receitas, reinventar pratos e formas de cozinhar alimentos. Depois de várias semanas num registo entre o gourmet e o alarve, as consequências são visíveis e sentem-se a cada vez que coloco um pé no Studio... Quando entro já sei que estou cansada e quando acabo, venho de rastos. O ritmo é o mesmo, eu é que estou enfartada em hidratos e açúcares. Not good. Prejudicam muito o rendimento. E não consigo voltar ao registo do equilíbrio com proteína e vegetais em predomínio e hidratos compostos para acompanhar porque... Não. 

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Entrei numa livraria porque sim. Não procurava nada disto mas quem resiste a um livro de dietas com pão de hambúrguer na capa? Será, no mínimo, divertido, pensei...

Diz a autora, com razão, que as dietas não são divertidas. Está provado que uma dieta demasiado restritiva tem resultados a curto prazo e consequências no médio prazo, além do indesejável efeito iô-iô. 

Afirma que ninguém quer passar o resto da vida só a comer alface. Eu sei que não quero. Mas preciso de inovar a minha cozinha que oscila entre o muito saudável e intragável e o muito apetitoso mas impossível de comer todos os dias. Quero coisas apetitosas, fáceis de preparar e apelativas todos os dias. Contrato o Jamie Oliver!?

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A ideia de petiscar substituindo o almoço não me parece coerente porque me arrisco a um ataque de fome ao fim da tarde para enfardar aqueles hidratos que, mal entram, transformam-se em açúcar, mas que sabem mesmo bem. Não sei. Fiquei com dúvidas...

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Do outro lado da bancada, a Ella, que tem uma doença que a obrigou a reinventar a sua alimentação, é uma inspiração. Não sei quanto tempo passa na cozinha e já tinha lido a sua história e algumas das suas receitas numa revista. O livro é lindo. Mas isso não significa que me convença a cozinhar. As receitas parecem saborosas. E tempo para isto?

O tempo é o que fazemos dele, pensei. Folheei o livro e, na ânsia de encontrar o que procurava tirei fotografias tremidas mas voltei inspirada. perdi uns minutos na sua conta do Instagram e vou fazer experiências. Dietas?! Façam-nas vocês. Eu quero é comer bem, sentir-me melhor e estar saudável.

Ponto (.)

Até pode ser parto natural, mas com epidural. E bolos? Também contam aqueles aos quais adicionamos leite e ovos ou isso é batota?...

Já era tempo de sermos menos preconceituosos, críticos, conservadores...

Menos, com menos, dá mais. Ficamos a ganhar!


To dance. To barre. To be.

Falo aqui muitas vezes da Mafalda e do MSBStudio. Não é promoção. É lá que pratico exercício físico, intercalado com umas corridas à beira rio. Ou running, para estar na moda. 

Oito da manhã. Saco às costas, galochas e blusão para enfrentar a chuva fraca. Troco as galochas pelos sapatos de dança, ainda sem saber se acordei. Oiço a música e sei que o aquecimento está a meio. Entro quando as ancas rebolam compassadamente da direita para a esquerda, da esquerda para a direita. Somos só mulheres, impera a descontração. Outra música, que conheço de cor, nestas aulas de dança. O corpo mexe, mesmo com o cérebro ainda a meio gás. O ritmo frenético deixa-me sem fôlego, logo hoje que não trouxe água. Passo os próximos minutos a pensar se saio para beber água ou se me aguento até ao fim. A música contagia-me. Não quero perder nada, quero dar o meu melhor e só me concentro na garganta seca. A aula acaba e eu quero mais. Mais ritmo, mais expressão, mais energia. Estou pronta para enfrentar outro dia. Ou quase. Deveria alongar, fazer trabalho de força. Estou cansada. Não posso. Tenho de concentrar as minhas forças num outro trabalho. E saio, de blusão e galochas, a pensar nas vezes em que decidimos seguir pela direita quando o caminho poderia ter sido pela esquerda...

No MSBStudio há técnica, força e expressão. As componentes essenciais para um treino que nos define o corpo, aumenta a auto estima e torna mais funcionais. Voltei aos treinos há quase um mês e ainda não é a sério. Sinto que estou em baixo de forma. A culpa é minha. Dos hambúrgueres e das waffles, dos donuts e das sandwiches. Não estou a queixar-me de peso a mais, apenas a revelar a importância que a alimentação tem no nosso desempenho. Voltei à alimentação "normal" há uma semana mas o rasto dos efeitos da outra perdura...

Simultaneamente sentia os músculos presos e a lombar desarticulada. Queria esticar-me e o corpo não respondia. Esta parte já resolvi. Viajar é maravilhoso mas tem um problema, a viagem. Desconjunta-nos e cria tensões musculares onde não deve. Já visitei o meu fisioterapeuta - quem pratica qualquer tipo de exercício reconhece a importância de "termos" alguém que conhece o nosso corpo ao ponto de antecipar lesões e resolver as imprevistas -. Em poucos minutos recuperei a mobilidade perdida por tantas horas sentada em bancos de avião. Mas não recuperei a elasticidade entregue aos açúcares e hidratos porque quando estico, sinto dor. E quando não sinto dor, sinto pequenos excessos acumulados na zona abdominal que teimam em não desaparecer. É hora de comer bem. Não há solução que a Mafalda, a Joana ou a Maria arranjem no MSBStudio ou massagem que o terapeuta João Pedro Fonseca possa inventar para deitar abaixo três semanas seguidas de excessos. A comida gulosa vicia e não apetecem refeições saudáveis... Pratico mais ou como menos?...

Salada e outras coisas assim para o saudável

Mistura Ibérica com mozarela, pesto, tomate e presunto (assim-assim saudável...) 

Mistura Ibérica com mozarela, pesto, tomate e presunto (assim-assim saudável...) 

Emagrecer sem fome. Emagrecer com fome. Emagrecer com hidratos. Emagrecer sem hidratos.

Os bons. Os maus. Os terríveis. Os doces. Decidi voltar ao modo saudável. Não é que necessite de me impor muitas regras porque, no essencial, já pratico a ideologia das papas de aveia, dos sumos, das sementes e de outras coisas que subitamente ascenderam à ribalta, tornando-se nos must do dos adeptos de um estilo de vida saudável. Parece que encontrámos todos, agora, o último Graal, evangelizando outros para esta espécie de religião através dos sites de redes sociais. Com o Instagram a liderar. 

Mea culpa. Também lá coloco fotografias de sumos, sementes e saladas. Compensadas com outras que dão (mesmo) água na boca. As regras servem para serem quebradas e não há regra que se preze que não possa dar-se a esse luxo que é o prazer de comer. Gosto de comer mas sou muito preguiçosa. E selectiva. Não havendo o que quero ou o que gosto, não como. E perseverante. Se é para saltar a sobremesa, salto. Se é para comer salada, como. Mas custa-me horrores. Não sei quanto a vocês, mas verdes no Inverno, só espinafres. Ou rúcula. Da que vem a enfeitar o prato. Tudo o resto me sabe a papel e dá azia. Depois, apetece comer um doce para compensar aquele mau estar no estômago. Mas, assim, lá se vai o efeito saudável da alface. Ou da mistura de alfaces. E do tomate. E do que os acompanha.

Estas coisas têm de ser feitas devagar, em pequenas doses até não sermos capazes de comer um cheeseburger. O problema é que somos sempre capazes de dar cabo de um cheeseburger. Ou de um bolo de chocolate. Mas tentamos. E começamos por uma salada apetitosa, mesmo que tenha presunto e pesto, contrariando subliminarmente a ideia da escolha saudável. Mas tentamos.

Amanhã tento outra vez. Mais um bocadinho. Devagarinho, para me esquecer das waffles, das frites, dos burgers, das pastas, dos donuts. Porque é que o pecado é tão bom?

Coisas que fazem pensar

... e não são os faqueiros. Ou as pensões vitalícias, embora seja uma renda vitalícia.

Vá.. quase vitalícia. 

E não são "aqueles dias do mês", não é "o chico", não são "dias chatos do mês" nem tem nada a ver com o "benfica jogar em casa". Chama-se menstruação feminina e acontece uma vez por mês. Ao que parece, há por aí quem pense que a higiene, para estes dias, é um luxo. Ora vejam., porque até Obama himself ficou surpreendido.

"President Obama had no idea that 40 U.S. states impose a tax on feminine hygiene products. Because, you know, they are 'luxury goods'.” Na revista Time, a citação está completa, pois Obama afirma que “I suspect it’s because men were making the laws when those taxes were passed.”

Aproveitou para levar a questão para o sistema de saúde nos Estados Unidos, afirmando que ‘The basic idea is that women should not be at a disadvantage in the health care system and this is just one more example of it, which I confess I was not aware of until you brought it to my attention.”

Quem serão os iluminados que decidem os impostos?

Em Portugal, tampões pagam IVA. A taxa mais baixa de 6%. Mas Barak Obama ser encostado à box por causa de tampões... É qualquer coisa! Ganha a casa que, neste domínio, está um passo à frente de vários países.

 

a malta gosta é..

... de comer.

Disso não tenhamos dúvidas. Comer e conversar, está no começar. E sim, tudo o que aqui aparece, comi. Ou provei. Não publico nada que não saiba o que é, que não possa descrever, que não conheça o paladar. Deveria engordar? E engordo. Mas, depois, voltamos ao início: à Lei das Compensações. "Mas isso é porque não tens tendência para engordar". Seja. Se vos faz sentir melhor, com inveja ou qualquer outro sentimento, pois que seja. Este artigo é sobre comida. Não sobre como a enganar para não nos engordar.

Nos Estados Unidos comi muito, com muita variedade, embora Itália tenha dominado as opções.

Por isso, os detalhes actualizados desse artigo, para ler aqui.

Hoje, a versão belga dos acontecimentos que nos juntam à mesa. As frites estão em quase todos os pratos e as waffles em cada esquina. A cozinha resulta de um fluxo de influências, dominado pela cozinha francesa. Será que hoje podemos verdadeiramente falar em gastronomias locais? Não estaremos todos demasiado ligados para garantir a uniformidade de um determinado tipo de cozinha? Há, efectivamente, locais que preservam a gastronomia de acordo com as suas origens. Alguns em Lisboa. Mas prefiro os fluxos e fusões que me trazem à mesa uma mistura por vezes difícil de decifrar, como este brunch, num restaurante japonês que decidiu experimentar abrir ao Domingo para servir uma refeição que tem tudo de original. Como qualquer brunch, mistura o pequeno-almoço com o almoço, numa abordagem oriental, com saladas baseadas na gastronomia japonesa, couscous que lembram o mediterrâneo, tsukimi soba, ramen de galinha ou arroz com legumes e frango, acompanhados de um pão de mirtilos ou, simplesmente, ovo mexido. Para além das waffles, este brunch...

Un jour à Antwerpen

Antuérpia não é a Bélgica. Na verdade, é. Mas não sei bem o que é a Bélgica - e tenho para mim que eles também não. Um dia conheci Bruxelas. A suposta capital da Europa, como a maior parte das capitais não é exemplo de um país. Depois, Leuven e pensei que era muito diferente da capital. A seguir aquele cantinho especial que é Ghent onde se fala mais neerlandês do que francês, no qual fiz mal figura expressando-me em francês para me responderem em Inglês. Por momentos enfiei-me num buraco pensando que a minha pronúncia seria para lá de má. Nunca tal me tinha acontecido em França. Mas há sempre uma primeira vez para nos meterem no lugar a que cada língua pertence, pensei. Ainda os achei arrogantes e insisti na prática, para depois perceber que falam melhor inglês do que francês e que o francês é uma coisa pouco praticada por aqui. Agora, em Antuérpia, confirmei o que já devia saber. Deixar o francês no bolso e sacar do meu melhor inglês, que todos falam e entendem. Porque neerlandês ainda não explorei. Não entendo e o que leio parece sempre algo que na realidade não é. Talvez um dia.

Neste dia em Antuérpia não vi muito mas gostei. Voltarei, certamente, porque é daqueles locais que nos acolhe sussurrando que devemos voltar para conhecer melhor. Não sou a melhor pessoa para o habitual sightseeing e já perdi a paciência para correr os pontos turísticos, tirar fotografias para as quais só voltarei a olhar quando arrumar pastas de fotografias (que nunca acontece, certo?) e selfies sem selfiestick que nos mostram em ponto grande, escondendo o cenário. Por isso, há muito que adoptei duas opções: guardar na memória o que vejo e ser romana em cada local que visito. Actuar e agir como os locais, percorrendo os seus percursos, frequentando os seus locais e as suas lojas é o melhor que podemos fazer. Naturalmente que nem sempre é possível mas, as partilhas na rede, as recomendações e os sites que contam os segredos das cidades são uma grande ajuda. Talvez por isso vá encontrando muitos (alguns) turistas em alguns locais supostamente "locals only" em Lisboa. É o preço a pagar. Eu pago.

Contam alguns belgas que Antuérpia é para compras. Venho convencida. Lojas maravilhosas,  algumas, de cadeias internacionais, só supostamente são iguais às nossas: escolheram imóveis históricos e mantiveram a traça original. O que lhes dá um toque muito especial, porque entramos para ver duas coisas, a arquitectura e as futilidades que têm para vender. Há bons saldos e variedade, apesar da afluência. Novamente, o preço a pagar. Há que partilhar, mesmo que alguns entrem naquela loucura dos saldos e invadam lojas como se o mundo fosse acabar e precisassem mesmo daquele par de sapatos. Não precisam. Mas o mundo pensa que sim.

Gosto sobretudo da descontracção destes países. Quanto mais a norte melhor. Menos presunção e mais individualismo, menos água benta e mais variedade. Comer na rua não tem a sombra do fantasma da ASAE - era mais perigoso e menos saudável, mas éramos um bocadinho, nem que fosse só um bocadinho, mais felizes antes desta agência tentar tornar as nossas vidas totalmente assépticas, não éramos? Eu acho que eles são. As waffles que se vendem na rua são maravilhosas e nos cafés, patisseries ou boulangeries, não sinto aquela pressão que existe sobre nós das regras e higienização. Para além de que em qualquer lugar podemos optar por "emporter" e acompanhar o nosso passeio de um saboroso cappuccino. Quente. Para aquecer as mãos.

Não é tudo bom e há muitas coisas que funcionam de forma diferente. Não necessariamente mal, mas diferente dos hábitos nacionais que não serão todos criticáveis. Seja como for... Antuérpia é local para estar muito mais do que um dia. Dos museus aos locais históricos, há muito para ver e pontos maravilhos para parar e comer. Não serei foodie, mas tenho uma veia de teller que me faria contar muitas estórias de comida. Porque aquilo que encontramos fora de portas é sempre diferente e digno de registo. Amanhã, estórias de fazer crescer água na boca, com sabor belga.