Queridas marcas, isto é tudo uma questão de saber contar uma história.

Queridas marcas: é assim que se faz: curiosidade,  sentido de oportunidade, cuidado no estabelecimento da relação e... sorte. Muita sorte. Ou, como se costuma dizer, não é sorte, é trabalho.

Hoje vou falar-vos de uma marca que não precisa de mim para nada mas que percebeu que, mais importante do que aquilo que se diz, é a forma como se diz e eu gosto de boas histórias e de dizer o que penso. Digo sobretudo que chega deste jogo do gato e do rato, da insinuação de engate e do jogo em que fazemos todos de conta que as marcas aparecem no feed do instagram, no blog ou em qualquer outro formato por mero acaso. A hipocrisia instalada começa por colocar marcas no feed para que as marcas percebam que estamos disponíveis para que essas mesmas marcas nos abordem. Afinal, é tudo tão autêntico e genuíno, mal não fará ser pago para comunicar um produto ou serviço que efectivamente faz parte da minha vida ou, no mínimo, receber produto para isso. Mas as marcas raramente pagam. Porque pagar envolve todo um outro nível de relação e investimento mais complexo.

As marcas estão atentas e entre os milhões de pessoas que o fazem, começaram, lenta e gradualmente, a juntar à sua lista pessoas cujo perfil faz match com a a identidade, o posicionamento e a missão da marca. O jogo continua com sorrisos e piscadelas de olho, numa nova hipocrisia que nos faz sorrir à marca quando esta nos envia amostras ou convida para um evento. A marca sorri de volta e considera-nos no orçamento de marketing: experimentação. Da mesma forma que há promotoras no supermercado que nos dão a provar um novo queijo, na era digital, as marcas enviam produto para que algumas pessoas possam experimentar e, se tudo correr bem, dizer maravilhas da marca. E as pessoas dizem, porque sabem que as relações dependem de confiança que demora a construir, e que, depois da amostra, virá a embalagem e, quem sabe, depois disso algum acordo financeiro. O que todas estas pessoas envolvidas se esqueceram é que a publicidade é uma técnica de comunicação paga da qual se conhece o emissor. Tudo o resto entra nesse domínio nublado e cinzento da promoção, em que as partes cinicamente coçam as costas uma à outra numa relação que vai crescendo ao longo do tempo mas sem nunca dar em nada. É como aquele gajo que telefona sempre às quatro da manhã a pedir colo. Ou outra coisa.

Hipocrisia da grande porque o que as marcas querem é fazer parte da nossa vida e nós, deste lado, com blogs e vlogs e podcasts e instagram queremos mesmo é receber alguma coisa pelo tempo que dedicamos à causa, sempre que cedemos tempo e espaço para colocar uma marca na nossa história. Do lado de lá, querem ser falados, revistos e comentados com o menor investimento possível, caindo no ridículo de enviar produto a uns e pagar pela comunicação desse produto a outros, convites para a festa e envio de imagens dessa festa a quem não recebeu o convite, num circuito em que todos se conhecem e falam uns com os outros, trocam impressões e continuam, cinicamente, à espera do seu lugar ao sol. Restam alguns que nada temem porque não fazem disto modo de vida e que escancaram as portas para deixar a luz entrar num sistema que começa, devagar, a tornar-se mais justo, coerente e profissional. Porque sim, dos dois lados já se percebeu o ridículo da coisa.

Então porquê a Siggis?

Mesmo (agora) fazendo parte da liga dos grandes, a Siggis continua a ser uma marca com uma história para contar. Continua a ser inspiradora e a ter cuidado na forma como chega a cada um de nós. Para vocês será sempre mais uma marca no linear do supermercado mas, para mim, vai ser sempre a marca que um gajo teimoso decidiu criar, que levou ao colo até ao momento em que percebeu que poderia chegar mais longe, que me fez acreditar que iria dar muito trabalho mas que poderia fazer sentido criar a minha própria marca de granola se eu assim o quiser. Mas tenho de querer muito e com todas as minhas forças, dedicando-me de corpo e alma a essa granola, como ele fez para criar este skyr, um produto parecido com o iogurte mas que não é iogurte, é leite fermentado quase sem açúcar e usando ingredientes naturais. Na apresentação da marca, Siggi demonstrou, com factos, o que faz o seu skyr ser diferente e convenceu-me. Depois experimentei e o sabor é realmente diferente, para melhor. Por isso sim, não só o produto é bom como a história é relatable. Siggis poderia ter continuado sozinho mas percebeu que, para levar este produto a mais pessoas, não teria de ceder no princípio mas, apenas, encontrar uma forma de acelerar os processos.  Encontrou uma rampa de lançamento para se atirar à Europa e cá está, com o seu icelandic inspired skyr que continua a saber melhor e mais natural do que os outros que já provei. Por isso mas, também, porque ele me inspirou, dou-lhes espaço e talvez por isso, também me tenham escolhido para os ajudar a passar a mensagem. Pode ser apenas mais um skyr mas eu, que evito ao máximo produtos lácteos, abro uma excepção para este, porque é do Siggi, aquele fulano desbocado, com o coração na boca e a boca na verdade, que conheci quando a marca veio apresentar-se a Portugal.