eco fashion que é só assim-assim eco

No dia mundial do ambiente, o que fazemos nós para melhorar o ambiente em que vivemos?

Na maior parte dos casos, nada.

O alerta está amplamente divulgado, nas notícias, nas imagens que circulam na rede, no facebook e restantes sites de redes sociais. Contudo, alguns de nós continuam a ignorar a mensagem. Porquê?

Na verdade não tenho resposta a esta questão e imagino que serão mais os que acreditam verdadeiramente nada poderem fazer, como se o fim estivesse determinado e dele não pudéssemos escapar. Talvez não possamos mas, qual colibri na floresta que arde, mais do que aliviar a nossa consciência individual, serão muitas pequenas acções que poderão fazer a grande diferença.

O mundo está a arder e o fogo alastra rapidamente. Os estudos sobre o efeito das alterações climáticas (Climate Code Red) multiplicam-se, na proporção das notícias sobre o tema, numa espécie de alerta global sobre o que está a passar-se nesse imenso ecossistema natural chamado planeta terra. Tal como uma compulsão alimentar, não conseguimos parar porque já não sabemos viver de outra forma: sem o conforto do automóvel para as grandes e pequenas deslocações diárias, sem o ar condicionado para nos aquecer ou refrescar, sem uma enorme variedade de produtos que contribuem para o nosso bem estar mas são altamente perigosos para o meio ambiente, alimentando, também compulsivamente, um conjunto de indústrias que consomem recursos que, em muito pouco tempo, nos farão muita falta. O mesmo não podemos dizer da maior parte dos produtos que estas indústrias vendem os quais, na maior parte dos casos, não fazem falta nenhuma:

Precisamos mesmo de mais uma Tshirt que custa menos de 5€ e que não dura, sequer, uma estação?

Provavelmente não, mesmo quando contamos tostões até ao fim do mês, porque o princípio é sempre o mesmo: o barato sai sempre mais caro porque tem, por regra, menor qualidade e, consequentemente, resiste menos à passagem do tempo, ao excesso de lavagens e aos químicos usados nesse processo. No reino da fast fashion, a.k.a. Grupo Inditex, que é como quem diz, Zaras e suas congéneres, as diferentes marcas assumem uma postura cada vez mais verde mas que, continua a apelar ao consumo. O processo de mudança e defesa do meio ambiente não depende da compra de produtos feitos com materiais reciclados mas de uma atitude mais consciente que compra menos e melhor, ou seja, que compra produtos feitos a partir de materiais naturais e duráveis. Cientes de que o consumidor conhece cada vez melhor os seus métodos de produção e modelos de negócio altamente questionáveis, multiplicam os seus esforços para atrair os consumidores, incluindo os que as foram abandonando em busca de soluções mais eco friendly, impactando, simultaneamente, os que não abdicam da visita semanal à loja para ver (e comprar) novidades. As campanhas conscious, com roupas produzidas em massa, a baixo custo, invadiram as montras mas será que são assim tão conscientes do seu impacto ambiental?

As notícias sobre o tema são muito idênticas: começam por explicar que a indústria da moda, a seguir à do petróleo, é a que mais contribui para a poluição [mais] para depois apresentarem a nova colecção da H&M, feita com materiais sustentáveis e amigos do ambiente, os brilhos ecológicos de Verão da Primark ou a maquilhagem com embalagens de plástico reciclado, bem como a tentativa da Benetton para usar algodão 100% sustentável.

O gigante sueco da moda, a par com as restantes marcas, anda nisto há tempo suficiente para saber o que fazer e há muito que começou a trabalhar a sua mensagem para parecer melhor e mais amigo do ambiente aos olhos do consumidor. Há uns anos o The Guardian [ler] falou sobre uma medida da empresa, para recolher uma tonelada de roupa para reciclar. A questão é que se a marca produz uma tonelada de roupa em 48 horas, então a tonelada de lixo que se propunha a reciclar iria demorar muito mais do que 48 horas a ser usada. Seriam necessários 12 anos. Visto assim, parece muito diferente.

A questão da roupa resolve-se facilmente se nós, consumidores, quisermos: basta deixar de comprar ou, para começar, comprar menos. Muito menos. Trocar, comprar em segunda mão, recuperar (onde estão as máquinas que apanhavam malhas nas meias de vidro?...). Depois, comprar de forma mais consciente e pensar no que estará a ganhar quem produziu o algodão, quem cortou o molde e quem fabricou a Tshirt que nos custou 1,99€. Quanto vale uma hora de trabalho na indústria de produção das marcas de roupa no Bangladesh?

Como afirma uma das mais famosas criadoras de moda, Vivienne Westwood, buy less, choose welll, and make it last (compra menos, escolhe e fá-lo durar), para o bem de todos nós.