Yoga: sobreviver ao caos urbano em 8 asanas fundamentais

Desejo: como seres humanos, temos todos o desejo de ser felizes, independentemente do que entendemos por felicidade

Realidade: a vida na cidade está a matar-nos aos poucos

Desejo: somos pessoas (muito) ocupadas, desejamos ter tempo  

Realidade: as nossas opções e estilo de vida não nos deixam tempo livre

Desejo: o que mais queremos  é estar bem

Realidade: má postura, muitas horas de trabalho, alimentação apressada, fumo e outros tóxicos, demasiada tecnologia dão cabo de nós  

Como sobreviver a isto ?

Eu diria “parar. sentir. respirar” o título do livro da Vera Simões que deu o mote à entrevista desta semana do urbanista na NiTfm. A verdade é que há muito nos esquecemos da importância que estes três simples passos têm na nossa vida: parar para percebermos o que estamos a fazer (e como estamos a fazer). Sentir, olhando para dentro de nós e ouvindo o que o nosso corpo tem a dizer, já que muitos dos problemas de saúde que temos são gritos de alerta do nosso organismos para nos fazer parar. Tendemos a insistir, resistindo, ignorando os pequenos sinais de alarme, que encobrimos com soluções rápidas e medicamentos que tratam o sintoma mas não resolvem o que lhe deu origem. Respirar porque entre a primeira e a última inspiração há uma vida que vivemos sem pensarmos na importância que a respiração tem na nossa vida. E o yoga pode resolver muitos dos nossos problemas.

Como evitamos pensar sobre tudo isto, também colocamos de parte a componente científica que sustenta estas afirmações, conotando este conhecimento milenar com uma espiritualidade hippie ou uma moda que teima em querer alinhar-nos os chakras e que depois fala em karma. Tudo misturado dá confusão…

A ciência comprova:

Estudos da Harvard Medical School provam que o stress, juntamente com outros factores emocionais podem deflagrar (ou piorar) problemas de pele [ler], nomeadamente o acne (e há cada vez mais adultos com acne, verdade?…), agravar as alergias [ler] e defendem que o yoga pode ser uma forma de tratar a ansiedade e depressão, bem como no tratamento da dor [ler].

A prática regular de yoga contribui para melhorar o estado físico e mental, diminuindo os níveis de stress e ansiedade. Através de posturas específicas também pode contribuir para melhorar o estado da pele. As posturas estão sempre associadas à respiração (asanas) que tem, também a capacidade de ajudar a desintoxicar o nosso organismo, por consequência, melhorar a digestão, ajudando o organismo a distribuir melhor os nutrientes dos alimentos melhorando, em última análise, o estado da nossa pele. O nosso estado, no geral.

Asanas para desintoxicar:

  • Pavanamuktasana 

  • Ardha Matsyendrasana

  • Parivrtta Trikonasana

  • Supta Matsyendrasana

Há outras asanas, igualmente simples e acessíveis à maior parte das pessoas que podem ser introduzidas no nosso dia-a-dia sem nos tornarmos yogis, vestirmos roupas justas ou muito largas todo o dia e sentarmos sempre de pernas cruzadas. Com base na minha experiência pessoal, de mais de 30 anos (credo!…) dedicados à ginástica, dança e fitness, não apenas como praticante mas recebendo formação em workshops e convenções que culminou com formação em pilates, consegui começar a praticar yoga sozinha para, rapidamente, perceber tratar-se de um admirável mundo novo sobre o qual nada sabia. Há um ano e meio que me dedico quase exclusivamente ao yoga, com incursões esporádicas na corrida e no surf. Posso dizer-vos que esta se trata de uma prática completa que activa todos os cantos e recantos do nosso corpo, por dentro e por fora, ao mesmo tempo que se estende a outros domínios da nossa vida. Se é certo que, por exemplo, com o pilates aprendemos a interiorizar uma postura mais correcta levando-a para o nosso dia-a-dia, com o yoga acontece uma transformação não só postural mas, principalmente, da forma como encaramos a vida, com reflexo na nossa postura física e mental. Aconselhar-vos a praticarem de forma autónoma seria um erro porque exige uma consciência corporal, noções de anatomia e fisiologia, bem como da respiração mas, independentemente da prática [oiçam aqui um podcast sobre as diferentes práticas de yoga] a introdução de algumas asanas é possível mesmo para quem nunca praticou.

Asanas simples que podem ser introduzidas no nosso dia-a-dia:

  • Vriksana

  • Bidalasana

  • Balasana

  • Savasana (a melhor de todas, garanto!…)

e , fundamental:

Pranayama (respiração): deitado de costas, para praticar a respiração completa (inspirar enchendo a parte inferior dos pulmões para depois os encher na totalidade; expirar deixando que os músculos respiratórios relaxem ao máximo, descendo esterno e as omoplatas, depois o arco das costelas e a barriga).

Pessoas normais praticam yoga e o livro da Vera Simões mostra isso mesmo, reproduzindo testemunhos de vários dos seus alunos, praticantes de Ashtanga Yoga: entre farmacêuticos, tradutores, veterinários, decoradores e designers, há também arquitectos, empresários e gestores, engenheiros e informáticos, pessoas que perceberam os benefícios desta prática e a abraçaram, introduzindo-a na sua vida, cada um ao seu ritmo e de formas diferentes. Só há um perigo na prática de yoga: a de nos apaixonarmos de tal forma que jamais deixaremos de praticar.