O saco de plástico foi apenas o começo: 3 medidas para mudar a nossa vida, já!

Gosto de acreditar na ideia das coincidências, mesmo sabendo que não existem. As coincidências são explicações que arranjamos para o que não sabemos explicar e que entendemos ser o universo a conspirar - muitas vezes contra nós, outras tantas a nosso favor.

Sei que, neste caso particular será provavelmente uma mera coincidência mas será, simultaneamente, o empurrão que faltava para acreditar que, se quisermos, podemos mesmo fazer a diferença.

Ontem a NiT publicou esta notícia:

Zara vai deixar de usar sacos de plástico nos saldos em Portugal

e no exacto momento em que leio o título confesso que tive aquela reacção interior de “wow!”, misturado com “what?”, seguido, na fracção de segundo a seguir, de um “como assim?…”, e um “ai não acredito!” para terminar como habitual “ não me digam que…”

Também sei o suficiente para saber que uma medida destas já estava a ser estudada mas reservo-me o direito de pensar que posso ter contribuído para acelerar a decisão ou a sua implementação porque, afinal, quando confrontadas, as diferentes funcionárias com quem falei nada sabiam sobre isto. Sim, também sei que a comunicação interna nas empresas é (quase) sempre deficiente e que os que dão a cara pelas marcas normalmente são os últimos a saber. Mas… posso ficar na ilusão? Obrigada!

Porque ficar nessa ténue ilusão inspira-me a continuar.

Na maior parte dos casos, é de uma ténue ilusão que se alimentam os sonhos.

E eu tive um sonho. Um sonho que me dava uma dimensão agigantada, que permitia ser tão alta a ponto de ter parte do corpo mergulhado no oceano e, ainda assim, ter altura suficiente para conseguir observar o mundo como se este fosse plano. E não estava mergulhada em água mas sim em plástico, vendo o mundo a tentar empurrar o problema para o país do lado sem grande sucesso.

Esta imagem acompanha-me desde então e, desde esse dia, implementei mais algumas medidas de protecção do meio ambiente e de redução do lixo. Foi assim que surgiu a “pequena cruzada” contra os sacos de plástico da Zara e é assim que hoje vos pergunto se querem juntar-se a esta ideia de produzirmos menos lixo e de reciclarmos aquele que produzimos.

Acredito que, ao contrário da ideia geral de que esta coisa da sustentabilidade e do lixo e coiso e tal, não pode continuar a ser vista como uma cena de vegans e fundamentalistas, menos ainda de hippies quarentões que não sabem o que fazer à vida. Sem ponta de hipocrisia, é assim que olhamos para aqueles que, muito antes do tema estar na ordem do dia já tinham aplicado estas medidas na sua vida, não é?

Eu sei, não adianta negarmos.

Eu não sou nem uma coisa, nem outra.

Também não tenho interesses financeiros na matéria porque não vendo produtos ou serviços que possam contribuir para uma vida mais verde. O meu único interesse é a minha filha, com 10 anos e um sorriso do tamanho do mundo. O meu interesse é esse, não quero que tropece em garrafas de plástico, que empurre o lixo com as duas mãos. E também sou eu, porque não quero sentir que o pé de pato enrolado num saco de plástico quanto estou no mar a praticar bodyboard. É esta a minha declaração de interesses e não poderia ser mais honesta. Juntam-se a mim?

Prometido é devido e, por isso, aqui ficam 3 ideias, produtos e acções para darem um pequeno contributo para mudar as coisas.

A primeira é usarmos a palavra NÃO.

Esta palavra tem um poder incrível, quando usada no momento certo. Dizer “não, obrigada” deixa muitas pessoas sem acção, quando recusamos uma palhinha na nossa bebida, quando dizemos que não precisamos de saco, quando dizemos que não queremos aquele produto porque está embalado em plástico e pedimos uma alternativa. Experimentem, nem que seja para verem a reacção. Garanto que se habituam e vão gostar…

A segunda é estarmos atentos.

Aprendemos a acreditar em estereótipos e crescemos a acreditar em sistemas que moldam a nossa mentalidade resultando numa dominância sobre a qual não reflectimos, com uma dimensão ética que não questionamos. Aplica-se a tudo, desde o machismo ao racismo ou à forma como tratamos os animais. Crescemos com o plástico e não o questionamos. Está em quase tudo o que nos rodeia e se, um dia, tomarmos consciência de que grande parte é de utilização única, se nos lembrarmos que esse lixo não se desintegra, que está no quintal do lado e que pode, também atingir o nosso, então mudamos.

O desafio é este: da próxima vez que forem ao supermercado, pensem na quantidade de embalagens de plástico desnecessárias e tentem encontrar uma alternativa. Recusem-se a pensar que não podem fazer nada porque o exemplo da Zara é esse: podemos.

A terceira é mudar.

Escova de Dentes

Trocam de escova de dentes com frequência, não é? E experimentarem uma de bambu? Freak? Não. Experimentei e estou muito satisfeita e não é porque dou um contributo para o meio ambiente mas porque a escova mesmo boa: macia, limpa em profundidade e sabem?… Aquela coisa dos filamentos assim e assado, que limpam aqui e ali? Bullshit para aumentar o preço do produto. Já usei duas marcas diferentes, ambas com os filamentos no formato mais tradicional e limpam com uma precisão que nunca imaginei.

Onde comprar e tal? Google it, há vária marcas que as enviam para nossa casa a custo 0 (free shipping)

Cotonetes

Precisam mesmo de limpar o ouvidinho todos os dias? Não o conseguem fazer com a ponta da toalha depois do banho? Pensem lá bem… Se precisam, há cotonetes com o suporte do algodão em papel e mesmo cadeias como o Pingo Doce já implementaram essa mudança. Go for it. Mas pensem que se calhar não precisam de o fazer todos os dias. Usam para limpar os cantos borrados quando estão a maquilhar? Usem a esquina da unha, funciona na perfeição!

Make up

Sem qualquer tipo de julgamento, podemos implementar a mudança e esta não será deixar de usar, é escolher marcas amigas do ambiente, que não testam em animais e que não usam químicos na composição dos seus produtos. Podemos, principalmente, fazer algo quase revolucionário e comprar discos desmaquilhantes de algodão. Usamos, lavamos, deixamos a secar e usamos outra vez. Ah e tal mas gastamos água… O impacto ambiental é muito menor do que o dos discos de algodão, tratamos melhor a pele e gastamos menos dinheiro, também. Adoptei esta medida há poucas semanas e recomendo!

Água, café ou chá

Água todos bebemos mas podemos passar a comprar menos garrafas de água, verdade? Ou recusar o copo no Starbucks porque passear de copo na mão perdeu parte da sua coolness. Verdadeiramente fixe é levarmos o nosso copo para transportar o café (ou chá) e mais cool ainda é termos uma garrafa só nossa para bebermos água durante o dia. Palavra de urbanista.

Sacos de pano

Sabiam que a cada secundo há 140.000 embalagens de plástico descartável que são descartadas para o meio ambiente? Esqueçam essa ideia de que são os hippies, os estudantes de artes e aquele pessoal meio esquisito que anda com um saquinho de pano ao ombro. Também não é coisa de pobre que não pode comprar uma Louis Vuitton. É coisa de quem está com atenção ao que se passa no mundo e que enfia um saco de pano no bolso do casaco ou no fundo da mala para usar sempre que for preciso. Como o copo para o café, estes sacos são a the next big thing e vocês não querem ficar de fora, certo?

Se levam marmita, news flash: há sacos de pano, pequenos e reutilizáveis, perfeitos para embrulhar a sandes ou qualquer outro alimento seco. Ao contrário dos sacos de plástico, estes sacos de pano deixam os alimentos respirar, o pão não fica seco como acontecia com aqueles sacos de pano que as nossas avós tinham para guardar o pão, são fáceis de fazer em casa e ainda mais fáceis de comprar porque já estão disponíveis em muitas lojas e mercearias que vendem produtos biológicos e/ou sustentáveis. Experimentem. Servem também para congelar e o resultado é surpreendentemente melhor do que usando plástico. Fiquei fascinada!

Finalmente, palhinhas

Eu sei que são adultos que lêem o urbanista e os adultos não usam palhinhas para beber o suminho, pois não? Palhinhas estão out. Até para a caipirinha. É sorver a bebida do copo e sentir o gelo refrescar o lábio superior. Somos adultos ou quê?….

Obrigada ♡