Dear Zara... Querida Zara?...

Há dias fui às compras.

Crucifiquem-me.

Entrei numa Zara para procurar aquilo que queria comprar:

. Umas calças de ganga de cintura subida (o yoga afinou-me a cintura a ponto das calças de ganga estarem todas folgadas)

. Umas leggings, daquelas confortáveis que servem para andar na rua sem parecer que acabámos de sair do ginásio (e que ainda podem servir para praticar yoga numa situação em que não temos tempo de ir a casa vestir a roupa mais adequada)

. Uma blusa branca (a must have

. Uma camisola de lã que não seja oversized 

. Um casaco de meia-estação num tom neutro para substituir um que está num estado lastimável (de velho)

E a remodelação quase total da roupa da Rita porque, de um ano para o outro, nada lhe serve. Antes desta loja já tinha espreitado outras ou passado por marcas mais tchan mas, os tecidos e o corte, não justificam a diferença de preço.

Isto para dizer que, depois, voltei para umas quantas devoluções (compro a mais e escolho com calma, em casa, especialmente porque a miúda não tem de passar horas nas lojas, prefiro que ocupe o seu tempo livre a brincar)  e foi então que percebi que os sacos pretos de plástico que  Zara distribui nos saldos, quando entregues na loja (por devolução ou troca do produto), vão  para o lixo comum ou seja, não são reciclados.

Começa assim esta cruzada, para substituir o saco de plástico dos saldos, pelo saco de juta que a Zara tem à venda para os seus clientes.

Alguns factos: 

 ❀ Os oceanos cobrem mais de 70% do planeta 

 ❀ Os oceanos controlam o estado do tempo e são um ecossistema para milhares de seres vivos. Também garantem a subsistência de outros milhares

 ❀ Os oceanos absorvem um quarto das emissões de carbono (H2O, ring a bell?... Hidrogénio + Oxigénio) que provocam a sua acidificação (hoje, mais depressa do que em 300 milhões de anos)

 ❀ Os oceanos acidificados resultam na degradação e morte de parte do seu ecossistema, principalmente bivalves e corais, a base da cadeia alimentar, o que quer dizer que também mata os peixes e acaba com o negócio de muito boa gente

 ❀ Os oceanos estão cheios de lixo, principalmente plástico de utilização única, como sacos, palhinhas, embalagens de iogurtes e garrafas

Há outros factores, como a exploração petrolífera, o excesso de navios e as comunicações marítimas que provocam alterações à vida marinha mas, estes, são os principais exemplos e um dos quais podemos ter um papel activo: os sacos de plástico.

Tenho esperança que resulte numa chamada de atenção a quem faz compras nas marcas de fast fashion mas, sobretudo, que leve a Zara a uma mudança de paradigma, levando os clientes a comprarem o seu saco de compras de juta.  

O não está garantido, da mesma forma que criticar quem compra nestas lojas, não contribui para mudar comportamentos.

Por princípio, o conceito fast fashion está errado, da mesma forma que os métodos de produção da indústria da moda são altamente questionáveis. Contudo, e se ao fast fashion dermos uma slow usage, ou seja, se usarmos os artigos durante anos, se os reutilizarmos ou modificarmos, se os trocarmos com amigos, se lhes dermos uma nova vida dando a quem deles precisa? Isto porque não consigo deixar de pensar que também eu compro Zara e, portanto, quero contribuir para a mudança mas... 

A Zara apareceu em Portugal no na minha adolescência. Lembro-me de as ouvir falar da Zara e não saber o que era, sem poder googlar para descobrir. Depois uma disse que tinha comprado aquilo na Zara. Uma loja de roupa, percebi, sem me desmanchar, na minha ignorância porque, nesta idade, vale tudo para não sermos colocados à parte. Mas eu fui colocada de lado no dia em que estavam a combinar ir à Zara e a loja era na Av. Guerra Junqueiro, no centro de Lisboa. Eu não fui e já não me recordo se era por ser longe ou por ser um programa que, lá em casa, não fazia muito sentido. Cresci com roupa à medida, peças únicas e outras a imitar as tendências, mas sempre perfeitas, porque eram feitas à mão, para mim. Aquilo do one size fits all só muito mais tarde começou a fazer sentido, quando percebemos que dava menos trabalho e ficava bastante mais barato comprar o “pronto-a-vestir”. Lá se foram as saias e as calças à medida mas não foram as decisões de compra pensadas ao pormenor: o alinhamento do tecido, o corte é o padrão, a qualidade do tecido e a sua composição. Agradeço a sabedoria e sensatez da minha mãe que me passou esse conhecimento fundamental para tocar num tecido e dizer que vai ganhar borboto ou que descose facilmente. A minha relação com esta marca nunca foi pacífica mas tenho peças que ultrapassam os vinte anos, porque o corte é intemporal, a cor não passa de moda e o tecido tem qualidade. A minha camisa de ganga preferida foi comprada na Zara do Funchal tinha eu vinte e poucos anos. Outras peças, já dei, troquei ou vendi. Por vezes crio pequenos grupos no Facebook e despacho umas quantas peças a preços simbólicos. Ganhamos todas: peças diferentes (novas para quem as recebe) a um valor irrisório e espaço no armário. Slow usage.

Tentemos perceber o que leva tantas pessoas a comprar roupa e acessórios nas lojas do grupo Inditex, porque tanto pode ser o preço como a comodidade, e actuemos de forma a mostrar que algo está errado na indústria da moda e que o maior erro é o nosso comportamento passivo, que não questiona, que compra mais do que precisa, que coloca de lado sem trocar, vender ou oferecer a quem precisa, que substitui rapidamente e se cansa de algo que faz parte da nossa identidade: a roupa que vestimos. Por isso, um apelo: enviem este e-mail à Zara. Pode não mudar nada mas não sabemos se não tentarmos, verdade? 

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(se alguém fluente nestas línguas encontrar um erro ou quiser sugerir melhorias, agradeço!)

 

comunicacion@inditex.com

 

An idea for Zara | Una idea para Zara

 

Dear Zara,

I'm writing to share an idea.

Most probably you don't care and you wont answer me, but I feel that I must share this with you.

You're one of my favorite fashion stores, as many other people's. But I have heavy concerns about your sustainability policy.

I found that In Portugal, plastic bags from costumers returning/exchanging items end up in the garbage (non reciclable).

So I have an idea:

instead of giving us a plastic bag, why not invite us to buy your jute shopping bag?

Maybe soon, Zara would be held responsible for creating an amazing trend of fashionistas strolling around with their Zara Shopping Bag.

Wouldn’t  it be wonderful?

And the ocean (all of us, actually) would be thankful.

Thank you so much for reading this.

Love, Paula aka Urbanista

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Holla querida Zara,

Estoy escribiendo para compartir una idea.

Lo más probable es que no te importe y no me respondas, pero siento que debo compartir esto contigo.

Eres una de mis tiendas de moda favoritas, como muchas otras personas. Pero tengo grandes preocupaciones sobre su política de sostenibilidad.

Descubrí que en Portugal, las bolsas de plástico de los clientes que devuelven / intercambian artículos terminan en la basura (no reciclable).

Así que tengo una idea:

En lugar de darnos una bolsa de plástico, ¿por qué no nos invita a comprar su bolsa de compras de yute?

Talvez pronto, Zara se haría responsable de crear una increíble tendencia de fashionistas paseando con su Zara Shopping Bag.

¿Sería maravilloso?

Lo océano (nosotros, en realidad) estaría agradecido.

Muchas gracias por leer esto.

Paula, aka Urbanista