urbanista: o regresso a casa

A vida organiza-se em ciclos e quase tudo nasce, cresce e morre. Há, contudo, coisas na nossa vida que por mais que as tentemos “matar”, resistem. Assim é o urbanista.

Pensei durante meses no projecto e, dias depois de o criar, convidaram-me para permanecer  num cargo que, não sendo incompatível, sofria com o preconceito em relação à palavra blogue...

Os  dois primeiros anos do urbanista foram discretos, a testar modelos e fórmulas. Fui a primeira mulher no cargo de Provedora do Ouvinte, a mais jovem no cargo até à data, pelo que não havia urbanista que suplantasse esse orgulho e responsabilidade perante a rádio, os ouvintes e os seus profissionais.

Depois, assumi o urbanista de corpo e alma, sem esse estilo ingénuo de quem cria o seu espaço na rede para explorar a sua criatividade ou poder expressar-se. Acreditem ou não, isto de ser professor universitário também exige muita criatividade para conseguir estar actualizado, ensinar e informar de forma dinâmica. Com melhores (ou piores) avaliações por parte de alguns alunos, até poderia desistir mas há uma certa rebeldia que me faz continuar a querer dinamizar o pensamento, a abstração e a capacidade crítica dos que sentam nas minhas aulas. E é por isto que, apesar da minha vida profissional tomar muitos rumos diferentes, mantenho-se sempre na universidade, porque aprendo todos os dias.

Estarei sempre grata por isso.

No urbanista, é tempo de mudança. Dediquei-lhe três anos, o último ano e meio de forma intensa, com projectos e acções muito diversificadas. Cresci muito e aprendi outro tanto: na relação com as marcas e as agências, nos truques e pormenores do instagram, no adeus ao Facebook e tantos outros aspectos que me enriqueceram como pessoa, tornando algumas das minhas aulas mais interessantes (acho).

O Urbanista começou por ser um laboratório de experiências, transformou-se num podcast do qual me orgulho e que, não tendo chegado a número 1 do iTunes, foi parar ao Sapo 24, à Rádio Renascença e, finalmente à NiTfm.

Como não ficar feliz?

A mudança é simples: menos texto e mais áudio, diariamente, na NiTfm, entrevistando pessoas com histórias para contar. Em paralelo, mais histórias, porque o projecto tem vindo a transformar-se numa nano-empresa de storytelling, trabalhando com pessoas e marcas para contar a sua história nos social media. E nunca estive tão feliz como agora, juntando a palavra à voz e à fotografia, nessa missão de contribuir para um mundo melhor.

Abraço com todas as forças este desafio editorial na Nitfm porque, ao contrário do que me perguntaram há dias, não sei se quero fazer rádio a sério: o que é isso, de fazer rádio a sério?

Rádio online? Mas não queres fazer rádio a sério?... - disseram-me.

Como se a rádio online não fosse a sério ou, pior, uma rádio ainda mais a sério, por ser o presente da rádio. Estou feliz e é isso que importa.

Há um ano estive quase para acabar com o urbanista. Duas jovens pediram-me para fazerem um estágio. E continuei. Cresci em número de seguidores até ao dia em que o instagram decidiu mudar as regras do jogo. Foi também, nessa altura, que cresceu o número de subscritores no site, no podcast e na newsletter, provando que o instagram é só a ponta do iceberg.

(s*ck it Zuckerberg)

Obrigada a quem está desse lado, que acompanha este percurso que agora vai ter, cada vez mais sol e luz, plantas e verde, mar e ondas e uma abordagem descomplicada à vida para, juntos, sobrevivermos ao caos urbano.