Tudo parece estúpido quando falha: o falhanço e os truques para uma vida feliz

Esta semana começo onde terminei quando escrevi sobre o meu eu de 20 anos porque, nessa altura, perguntei no  instagram, “qual o vosso sonho?”...

Fiquei sem reacção quando percebi que o sonho da maior parte das pessoas é “ser feliz”... não consegui deixar de voltar a sentir-me como o Monge que vendeu o seu Ferrari, infelizmente sem Ferrari, felizmente sem o ataque cardíaco.

Este é o título de um livro que tenho sempre presente: o poderoso advogado que quase morre por excesso de trabalho e um estilo de vida pouco saudável, para regressar, anos depois, visivelmente mais novo, despojado e feliz. E se?...

Um dia percebi que tinha direito a fazer as coisas à minha maneira, de acordo com a minha forma de ver a vida, independentemente da definição de papéis sociais ou da grande avalanche de acontecimentos em que, por vezes, se torna a nossa vida. Foi um certo adeus ao politicamente correcto que aceita o que a vida oferece com um sorriso, agradecendo todos os dias as oportunidades nos são apresentadas, mesmo que, por dentro, não consigamos reconhecer essa tal gratidão de que se fala ou sentir a felicidade que, supostamente, devemos sentir. E ficamos tristes.

Como escrevi no Instagram, aprendi mais nos últimos quatro anos do que nos vinte que os antecederam porque passei a viver de forma mais autêntica e genuína. Isto não quer dizer que tenha vivido uma mentira. Quer apenas dizer que temos várias formas de viver a mesma vida e, ao fim de quase vinte anos de profissão, escolhi vivê-la de uma forma diferente, mudando o ângulo à gestão do tempo, fazendo escolhas mais conscientes e alinhadas com a pessoa que sou. Foi precisa uma introspecção que não estamos acostumados a fazer, um tempo que normalmente nao temos sem, contudo, largar tudo e escapulir-me para a Índia ou qualquer outro país espiritual.

Como mudar sem sair do lugar?

  1. Acreditar que somos responsáveis pela nossa própria felicidade

Todas as escolhas importam. Quando escolhemos fazer ou não fazer, dizer ou calar, aceitar ou recusar, estamos a definir a nossa felicidade. As nossas acções contribuem para criar a nossa realidade ou a que queremos construir, sem esperar que sejam os outros - ou  a vida - a encarregar-se disso. Viver a nossa vida em função dos outros, tolerar comportamentos que nos deixam infelizes ou esperar que seja essa relação a fazer-nos feliz em nada contribui para a felicidade que depende (mesmo) de nós. Sim, é uma perspectiva um pouco egoísta mas, na verdade, é de nós que estamos a falar, não é?

2. Reconhecer a auto-sabotagem

Temos medo: do ridículo, da reacção dos outros, da nossa reacção e, por vezes, da nossa própria sombra. Acreditar no eventual julgamento dos outros antes deste acontecer limita-nos, impedindo-nos de avançar em direcção à vida que desejamos. É o eterno “e se pareço estúpido”, “e se falha” ou o perfeccionismo que faz arrastar um projecto que tem tudo para correr bem e só lhe falta arrancar.

 

3. Sermos os eternos cuidadores

Reconhecer a nossa individualidade e admitir as nossa necessidades é muitas vezes entendido como um acto de egoísmo e, talvez por isso, tantas pessoas acabam por colocar as necessidades dos outros em primeiro lugar, não investindo na sua educação e experiência, abdicando de tempo para desenvolver uma ideia ou perseguir um sonho. Investir em nós permite-nos atingir elevados níveis de realização pessoal, garantindo que, quando estamos bem, também conseguimos fazer os outros felizes.

 

4. O segredo é a consistência

Por vezes há sonhos que se concretizam estalando um dedo mas a regra não é essa. A regra é encontrar um método que nos permite ir trabalhando todos os dias no nosso sonho, na ideia ou no projecto, seja ele qual for. E, quando um dia tudo falha ou o tempo escasseia, é reconhecer que o tempo daquele dia não poderá ser recuperado, sem culpa ou julgamento. E continuar, no dia seguinte, num processo consistente, metódico e organizado que nos levará, seguramente, do ponto A ao ponto B. No matter what.

 

5. Pedir ajuda

Para além do medo, a vergonha é o outro sentimento que nos impede de avançar em direcção à felicidade, principalmente porque temos vergonha de pedir ajuda, de mostrar que não sabemos tudo e que temos um sonho para realizar. Vivemos numa cultura que, de facto, não privilegia a inter-ajuda, na qual quem está desempregado tem de dizer que está entre projectos para não ficar colocado no canto da última opção de contratação. Mas e quando estamos empregados e queremos mudar? Mudar é bom, faz-nos crescer, exige organização, resiliência e capacidade de adaptação: características que qualquer empregador reconhece como ideais num funcionário e que, sabemos, são fundamentais se queremos empreender em direcção à nossa felicidade. Então, porque não admitir que precisamos de ajuda?


O nosso maior falhanço pode ser o que determina o sucesso. Vou contar-vos a história do meu maior falhanço sobre a qual nunca falei, o qual demorei muito tempo a compreender, culpando o mundo pela minha incompetência.

Qual foi, então, o meu maior erro?

Nunca dizer exactamente o que sentia, não seguir a minha intuição e, principalmente não pedir ajuda a ninguém. E assim continuei, vários anos, neste equívoco de aceitar cargos e funções que não eram o meu sonho sem nunca revelar o que realmente desejava e achando que o mundo adivinharia o que me ia na alma, obrigando-me a reconhecer a imensa felicidade do que havia conquistado. Mas não estava imensamente feliz.

Finalmente consegui o equilíbrio: faço o que gosto, nos termos que defini para mim. Escrevo, estou de corpo e alma na rádio e continuo a ensinar, actividade (mesmo) muito gratificante.

Foi fácil?

Não. O peso de anos em posições altamente institucionais colou-se a mim como uma espécie de rótulo, dificultando a afirmação num sector profissional altamente dinâmico e criativo.

Aprendi a lição e foi aqui, no urbanista, que exorcizei muitos dos meus medos e vergonhas. Foi também através do urbanista que dei a conhecer uma faceta que muitos desconheciam e que (também) sou eu. Com este projecto encontrei o método que me colocou back on track, com a vantagem de que não é apenas rádio pela rádio mas a rádio pela comunicação, e a forma como posso influenciar outras pessoas a abandonarem medos ou vergonhas, para perseguirem o seu sonho e quem, sabe, serem felizes.

Obrigada a quem está desse lado ♡♡♡ mesmo!

E Feliz Natal!