Natal mais verde, bonito e sustentável: 8 ideias para presentes inesquecíveis

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Quando me desafiaram para escrever sobre presentes de Natal, gelei. Presentes sustentáveis ou como ser mais eficaz nas compras deste ano?... Comprar presentes de Natal não é difícil, o difícil é escolher sem gastar muito dinheiro. Deixamos para a última porque não temos tempo, escolhemos sem grande intenção porque não temos tempo. O tempo, ou a falta dele, é a nossa maior desculpa para tudo. É fácil escolher as ofertas, basta escutarmos e observarmos a pessoa a quem queremos surpreender. O Natal é todos os dias, precisamos estar atentos aos pormenores, fazer listas para, antes da data, saber o que comprar.

Eu sei. Não temos tempo.

Como poupar?

Planificar antes de enfrentar as lojas porque, a partir do início do mês de Dezembro começa a romaria aos centros comerciais e mercados de Natal. Fazer uma lista do que queremos oferecer pode ser uma forma de encontrarmos soluções que, de outra maneira, iríamos ignorar.

Como escolher?

Acertar no presente ideal poupando dinheiro não é fácil e supõe voltar ao primeiro ponto: programar, para não perdermos horas em lojas repletas de produtos inúteis, a baixo preço e com uma pegada ambiental gigante ou optar por dar tempo, ou seja, oferecer experiências, como os vouchers do The Therapist que permitem desfrutar de uma refeição ou terapia ou seja, bem-estar. Por isso, a pergunta: será que precisamos mesmo de ter mais coisas? E, se comprarmos, precisamos mesmo de embrulhar?

O papel de embrulho e as embalagens são um problema. É tempo de mudar, alterar o paradigma e abraçar o meio ambiente. Há muito papel de embrulho que contém plástico, por isso não pode ser reciclado como papel. Como na maior parte das vezes não reconhecemos o plástico na sua composição, misturamos tudo e este acaba no lixo comum porque não foi reciclado.

Sugestões?

Usar restos de tecido, sobras de papel de embrulho ou papel pardo. Não têm tecidos? Todas as lojas vendem retalhos e, até na Ikea encontram retalho para venda. Papel pardo? Tão feio, dirão... Se tiverem crianças em casa garanto que estas terão o maior prazer em decorar o embrulho com desenhos. Coisa de pobre? Não. Coisa original. Fomos educados numa lógica de substituição, sem reparação ou reutilização. É urgente mudar. No chão das ruas há milhares de folhas de árvores que podem substituir os laços, da mesma forma que o sisal ou a ráfia substituem a fita-cola.

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Outra ideia para presentes de Natal são as próprias decorações, oferecendo produtos amigos do ambiente, para decorar a casa e a árvore (e, por favor, Pinheiro Bombeiro ou outra solução igualmente ‘verde’). Ignorem os bonecos e bonequinhos made in China, optem por produtores nacionais, alguns dos quais artesanais, nos mercados de rua e, principalmente, nas lojas à porta da vossa casa. Não têm essas lojas porque foram substituídas por um grande Centro Comercial? Comprem online ou produzam os vossos próprios presentes: doces caseiros, velas e sabonetes… há uma fonte de inspiração inesgotável através da hashtag DIY (do it yourself), no Instagram e no Pinterest. Se colocam um cartão de Boas Festas no vosso embrulho, também o podem criar em casa. E, mesmo que este seja um dos mais de mil milhões de cartões de Natal que acabam no lixo, é, pelo menos, menos um a sair das lojas.

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No que respeita a lojas deixo-vos uma selecção de marcas eco-friendly com presentes úteis, que podem mudar a vida de alguém. Para começar, nada melhor do que um kit zero waste que a Maria Granel criou, na versão banho, beleza, cozinha mas, também, para homem e mulher, um para quem não percebe nada (mesmo nada) de zero waste e para reduzir o lixo quando estamos fora de casa. Para além de vender online e expedir sem usar plástico, a Maria Granel tem duas lojas em Lisboa. Porque há sempre uma fashionista na família, a Naz, uma marca 100% nacional, minimal e confortável, que cria as suas peças de roupa com excedentes de outras fábricas têxteis. Vende online e na Fair Bazaar, nas Galerias de São Bento, no Antigo Talho, Sapato Verde e na Cais à Porta (Aveiro) e Selina (Porto). Para os bébés da família, a Naturapura, uma marca nacional e ecológica. Olhei para esta loja muitas vezes antes da minha filha nascer e não sabia muito bem se havia, ou não, de entrar. Não entrei. E arrependo-me porque a Naturapura utiliza algodão 100% biológico sem tingimentos ou seja, em tom cru ou bege. Ainda no capítulo têxteis, a Stro, em Lisboa, é uma loja linda, com produtos sustentáveis provenientes de comércio justo: mantas, boinas, cachecóis, chinelos… perfeito para um upgrade ao clássico par de meias...

Eu sei que estão a pensar que “é tudo (muito) caro”. Não é. Nas grandes cadeias internacionais é demasiado barato. Antigamente a roupa tinha maior durabilidade, quer em termos de tendência, ou seja, o que se está a usar, quer em termos da qualidade dos tecidos e do corte. Uma peça de roupa não durava sete lavagens como acontece actualmente. Também não era comum a produção a tão baixo custo que, em saldo, permite comprar camisolas de algodão por menos de 2€. Não, não é a produção sustentável que é cara. É a restante que é barata demais, por recorrer à exploração de mão de obra, materiais e técnicas de produção que prejudicam o ambiente e uma cadeia de valor que assenta no volume das vendas para assegurar a rentabilidade da marca. Pensem: precisam mesmo substituir a forra das almofadas da sala a cada estação ou as mantas que nos aquecem no Inverno? Multipliquem estes exemplos por tudo o que têm em casa…

Ainda assim, porque gostamos de comprar, mais sugestões:

No campo da cosmética e beleza começam a surgir opções muito variadas a preços aceitáveis: da Rituals à Body Shop, passando pela Organii, há também a The Green Beauty Concept que só vende online. Em comum, produtos naturais, biológicos e não tóxicos, amigos do ambiente e dos animais, porque não testam ou usam produtos de origem animal na sua composição. Experimentem. A pele vai agradecer. O ambiente também.

Para quem, como eu, não tem muita paciência para andar de loja em loja ou carregar sacos, a Fluffy é perfeita. Resultou de uma necessidade real, de criação de fraldas reutilizáveis, oferece produtos muito úteis, que não imaginamos que existem, mas que podem mudar as nossas vidas, mudando, também, a vida do planeta: fraldas ou pensos menstruais reutilizáveis fazem-nos voltar ao tempo das nossas avós mas, na realidade, preparem-se porque é bem provável que o mundo, como o conhecemos, acabe mais depressa do que pensamos… Numa de regresso ao passado: as vergas Toino Abel. Recuperam tradições antigas, usam fibra vegetal, o junco, que é natural, e processos de fabrico manuais, o que torna cada peça única. Em resposta à invasão do chinelo de borracha, a.k.a. Havaianas, As Portuguesas começam a conquistar o mercado com o seu conceito sustentável, em cortiça, numa versão de Verão e de Inverno: chinelo de enfiar o dedo e um botim em feltro com sola de cortiça. Único, original e sustentável.

Estas são apenas algumas ideias para um Natal diferente. Quando se sentirem perdidos e quiserem descobrir mais, explorem o Simbiótico um projecto sem fins lucrativos e sem publicidade, que reúne serviços, lojas e marcas sustentáveis em Portugal. E Feliz Natal.