Saudável ou instagramável? 8 locais cheios de luz e 4 de fazer crescer água na boca

Há um local em Lisboa cuja Luz é sempre ideal. Chova ou faça sol, a luz que entra pelo A Luz Ideal, em Benfica, é ideal para almoçar, lanchar ou, simplesmente, sentar a trabalhar. Já lá fiz reuniões de trabalho, entrevistei e trabalhei e o resultado é sempre… ideal. Para além disso, na Luz Ideal raramente há filas, a comida, seja mais ou menos saudável, é sempre ideal, o café é italiano e, por incrível que pareça, qualquer foto é incrivelmente… isso: ideal.

Há mais locais assim, em Lisboa e, cada vez mais, me apetece estar em casa. Sempre gostei de cozinhar mas convenci-me, durante demasiado tempo, que para ser urbanista teria de estar sempre à frente do tempo, a descobrir os locais mais trendy da cidade. Não só não tenho, como me cansei de ver e ser vista, decepcionei-me muitas vezes e, um dia, olhei para a bowl que tinha entre mãos e revoltei-me com o preço que estava a pagar por algo que, sendo muito saboroso, e estando muito bem apresentado, era bastante caro. Foi nessa altura que, estando já dedicada a um estilo de alimentação natural*, livre de químicos e ingredientes processados, decidi dar o passo seguinte e preparar o maior número possível de refeições em casa.

Talvez por isso me tenha tornado mais selectiva, com visitas esporádicas a locais que me inspiram e nos quais continuo a gostar de estar: sou bem tratada, sem os salamaleques de quem está mais preocupado com a fotografia para o instagram do que o sabor da comida; tenho tempo e espaço, sem filas intermináveis porque temos de ser “supé betas” e estar no sítio da moda, mesmo que sejamos apenas wannabees de smartphone na mão; há paz e pouco ruído, a comida é saborosa e o local exala tranquilidade.

Uma lista healthy cheia de luz

  1. A Luz Ideal (Estrada da Luz)

  2. The Therapist (Lx Factory)

  3. Foodprintz (Rua Rodrigo da Fonseca)

  4. Heim Café (Santos)

  5. Ela Canela (Campo de Ourique)

  6. Hello Kristof (Santos)

  7. Naked (Rua da Escola Politécnica)

  8. House of Wonders (Cascais)

Comecei por descrever a Luz Ideal porque foi lá que comecei a escrever este texto, pensando na forma como as nossas prioridades andam um pouco trocadas. O The Therapist, no Lx Factory faz parte do roteiro habitual, pelo capuccinno com leite de arroz e côco, o bolo de chocolate, o brunch de Domingo ou a esplanada com uma mesa corrida de madeira na qual apetece sentar e ficar a trabalhar. Não é tão ideal quanto a Luz Ideal porque lhe falta isso mesmo, luz natural, que compensa pela forma calorosa como nos recebem e a esplanada cheia de sol.

No Foodprintz o atendimento é assim-assim (talvez por serem estrangeiros) mas a luz é maravilhosa, os sumos deliciosos e as opções vegan são muito interessantes. É caro mas o preço justifica-se pelo tipo de produto utilizado e o trabalho que lhe está associado. É tão mais fácil e barato abrir uma embalagem de Nutella para barrar nas panquecas… Mas também é tão menos saudável e saboroso… No Foodprintz a comida é natural, biológica e local. Já disse saborosa? Juntando, à alimentação, a educação, tal como o The Therapist também faz, com cursos e actividades que nos ajudam a compreender melhor este universo da alimentação e como pode mudar as nossas vidas.

Em Santos há, actualmente, um leque variado de opções. Conheci o Botanista há pouco tempo e não o incluo nesta lista porque achei demasiado preço para tão pouca comida. Saudável sim, nas na versão nouvelle cuisine ou seja, pratos minimalistas, várias opções que incluem fruta seca (damasco, por exemplo) e conjugações vegan, mas tão vegan, cuja designação nem conhecia. É uma zona com um dos meus locais preferidos, o Fauna e Flora, que deixei propositadamente fora desta lista pelas filas e a cena instagramável que nos faz sentir de fora da tribo se não fotografarmos antes de comer. Por vezes só queremos paz, verdade?

O Heim café é um dos meus locais preferidos pela luminosidade e simpatia da proprietária. A comida é bonita e instagramável, também está sempre cheio de lentes e filtros mas continua a ter espaço para sentar e trabalhar, como qualquer coffee shop que se preze. Para além de bem empratada, a comida é saborosa e tem alguns dos hits que deixam qualquer feed de instagram mais bonito, mesmo que não seja esse, o motivo da visita.

O Ela Canela é mais ao estilo do Foodprintz e The Therapist mas com uma luz melhor. Numa esquina de Campo de Ourique com janelas enormes a toda a volta, o espaço é todo ele luz e opções saudáveis. Como o The Therapist, usa o pão da Gleba (nota 5 só por isso) e tem um menu sazonal assente em produtos biológicos locais. As panquecas de banana e quinoa são simplesmente… qualquer coisa!

O Hello Kristof está na lista porque o espaço é muito agradável para trabalhar, com café do bom e revistas independentes para consultar. É isto. O chamado KISS (keep it simple stupid) que funciona na perfeição.

Deixei muito locais bonitos, saudáveis, instagramáveis e outras designações fofinhas de fora porque esta, mais do que uma lista de locais a visitar é, principalmente, uma lista dos locais que visito, com propósitos diferentes. Para fechar, o Naked, que tem um serviço muito simpático, umas bowls muito nice e um bolo com sementes de papoila divinal. Também tem pratos numa lógica flexitariana mas com preços elevados, cujo sabor acaba por compensar. Agarraram-me no momento em que afirmaram aquilo que também ando sempre a apregoar: não comam nada que a vossa bisavó não reconhecesse como comida.

Em Cascais, o café galeria House of Wonders é dos meus locais preferidos, pela combinação de refeições leves, raw cakes e um buffet vegetariano delicioso e a um preço muito razoável. Merece a visita, especialmente porque se esforçam por nos satisfazer, mesmo quando pedimos uma tosta de queijo para os miúdos e o melhor que nos arranjam é pão sírio com o queijo cortado em pedaços… Valeu pelo esforço porque o resto, compensa tudo. Inclusivamente a vista no terraço, ao fim da tarde, no Verão…


Not that healthy mas que sabe mesmo bem?

  1. Ground Burger

    são os melhores burgers de sempre, com o melhor atendimento e um cuidado com o cliente como não há igual. Mais as batatas fritas e as cervejas. Pois.

  2. Casanova

    as pizzas são indescritíveis de tão perfeitas que são. Pode ter fila, há que saber o truque para chegar, sentar e comer.

  3. Landeau

    Há sempre um bolo de chocolate na nossa vida e este é, diz o New York Times, diabolicamente bom…

  4. Copenhagen Coffee Lab (várias localizações, a minha preferida é a Praça das Flores)

    O Copenhagen Coffee Lab é sempre um dos meus preferidos porque aprendi a gostar de café muito tarde e aprendi, de forma imediata, a gostar deste café com um sabor intenso, que descrevi em 2015 e cujo desenvolvimento da marca em Portugal tive o prazer de ir acompanhando |LER|. O pão, tipicamente escandinavo dá 10 a 0 à maior parte dos pães que conhecemos (excepção para o pão da Gleba, moagem e Padaria) e os cinnamon buns deixam-me sempre a pensar que não devia mas que é só desta vez…





*Para quem não sabe a que me refiro, não se trata de uma dieta vegan ou restritiva, mas de uma alimentação que deixa de fora todos os produtos que resultam de processamento industrial. Se tirar a casca às amêndoas é processar um alimento? É. Mas não chego tão longe. Refiro-me ao que podemos comprar, abrir a embalagem e comer, optando por frutas e legumes, cereais completos, frutos secos e outros alimentos que podemos comer na sua forma mais natural. As vantagens são óbvias, especialmente quando posso optar por ingerir os alimentos crus, potenciando o consumo de fibras, minerais, vitaminas, sem compostos químicos e tóxicos. Sim, as chuvas são ácidas e os solos estão contaminados, etc, etc. Sejamos razoáveis…

FOTO DE CAPA: @diogoduarte_89