Apps de yoga, the magical, podcasts e o urbanista

Este é o primeiro episódio do resto da vida do urbanista porque, a partir de agora, ou sai de viva voz, ou não sai. O princípio do urbanista era este, criar um podcast. Na verdade, o princípio está lá tão longe que vou escrever sobre isso, para a minha apresentação do próximo sábado no Nomadismo Digital Portugal, na qual vou partilhar o que aprendi em 3 anos de blogging e a forma como este não é, necessariamente, o melhor negócio do mundo (inscrevam-se aqui). Entretanto, a vida aconteceu e dei por mim a fazer vários podcasts e a escrever. Muito. Chega.

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Less is more. Sempre.

Para celebrar o primeiro dia do resto da vida, nada como e começar pelo fim porque, como dizem os Smashing Pumpkins, the end is the begining is the end.

O yoga entrou há pouco tempo na minha vida. Mas, como um grande amor, foi arrebatador e chegou para ficar, com um poder transformador que me mudou para sempre.

Por isso volto ao yoga, porque tenho sido abordada por muitas pessoas que me perguntam se o yoga é para elas. Outras perguntam-se se conheço aplicações para praticar.

1: O yoga é mesmo para todos.

T O D O S (!)

Para quem corre, por exemplo, o yoga vai reduzir o impacto da corrida nos pés e nos joelhos, especialmente se corremos no alcatrão ou cimento, aumentando a flexibilidade e força a vários níveis, o que contribui para prevenir lesões. As posturas, neste caso, são simples e começam pelo famoso donward facing dog, um triângulo que alonga, por exemplo ombros, costas a zona anterior dos músculos das pernas. A este podemos juntar uma torção que alonga a zona lombar e terminar com uma postura ao estilo sapo para alongar gémeos e glúteos, para além dos restantes grupos musculares inferiores.

Não gostam de maratonas, a não ser as do Netflix? O yoga também é para vocês!

Imaginem que passam a assistir à vossa série preferida sentados no sofá de pernas cruzadas. Esta postura, se bem executada aumenta a flexibilidade das ancas e virilhas, mantém as costas direitas e deixa-nos mais felizes do que éramos antes. Não estou a brincar, resulta mesmo…

Mas também podem ver televisão no chão, deitados de barriga para baixo. Estão a ver aquilo que os miúdos gostam de fazer, ficar de barriga para baixo, no tapete da sala a comer pipocas? Tiram as pipocas, pressionam a zona pública contra o chão, apertam a barriga e ficam apoiados nos antebraços, assim ao estilo esfinge. Resulta!


2: Estou convencido mas não sei por onde começar.

Fácil.

Comecei por conversar com pessoas que percebem (mesmo) disto, a seguir contas no instagram que me iam inspirando. Algum tempo depois encontrei um pequeno flow, com posturas simples e uma duração de mais ou menos 10 minutos, que decidi experimentar. E assim fiquei, várias semanas, até me sentir confortável e segura nessas posições. Ao mesmo tempo fui lendo livros que me explicavam o que era o yoga e mostravam posturas deixando-me ainda com mais dúvidas, numa ânsia de aprender mais e mais. Foi quando percebi que isto - o yoga - era para sempre. Perdi a vergonha e comecei a praticar com quem sabe, sem nunca abandonar a minha prática individual e aquele flow inicial que, entretanto, evoluiu.

Para quem quer começar em casa, há umas aplicações que podem ajudar. Na maior parte dos casos não correspondem a uma prática “pura” de yoga, mas ajudam a aprender e a crescer. Muitas misturam yoga e pilates - o que não é necessariamente mau - e, outras, misturam yoga e fitness o que, para mim já é muito new age american style para ganhar dinheiro. Quase todas têm uma versão gratuita - que serve muito bem para começar - e uma versão paga. Na maior parte dos casos ainda nos enviam dicas por email ou notificações para não nos esquecermos de praticar. Mas eu sei que, quando é o momento e nos apaixonamos pela prática, jamais nos esquecemos de praticar, porque a magia do yoga é essa mesmo, a que acontece fora da sala de prática e se espalha pela nossa rotina diária.

Asana Rebel

★ ★ ★ ★ ☆

É uma das mais conhecidas, aparece sempre nas pesquisas mas é uma app de fitness ao estilo yoga inspired ou seja, não é exactamente yoga. Pode ser uma app de transição entre quem tem prática de fitness e quer começar a praticar yoga. Os planos vão dos 10 aos 30 minutos e tem muitos treinos que podemos experimentar. Tem uma versão gratuitas e outra paga. As explicações são detalhadas e apresentadas de forma bastante simples, permite acompanhar (quase) sem estar a olhar. Lembro-te de algumas variações interessantes, neste cruzamento entre yoga e fitness. Também permite criar um perfil para nos ligarmos a outros utilizadores mas, como habitualmente, esta comunidade é maioritariamente estrangeira.

Simple Yoga

★ ☆☆☆☆

O exemplo típico de uma aplicação de treino e do: isto é o que temos para oferecer, avança para a subscrição para te mostrarmos o pacote completo. A aplicação não é visualmente atraente. Não me agarraram mas têm sequências de 20 minutos a uma hora com acompanhamento para as várias posturas. E é apenas isso: posturas, sem grande ligação entre cada uma delas. Achei a narração e instruções agradáveis mas a modelo é qualquer coisa de… muito estranho!

Daily Yoga, workout & fitness

★ ★ ☆☆☆

Foi reconhecida como a melhor aplicação do género em 2017. Tem um programa de iniciação de 10 dias que apresenta os elementos base da prática e programas muito variados em termos de objectivos e duração, com uma área de meditação e, novamente, a comunidade, que partilha conteúdos sobre os seus progressos. Inspirador q.b.

Yoga Wave

★ ☆☆☆☆

Visualmente interessante, com vários programas de várias semanas. Tem a explicação da postura por escrito e com vídeo, que arranca em ecrã total. As explicações são agradáveis mas nem sempre a filmagem é muito boa… Também tem meditação e sugestões para um estilo de vida saudável mas, sinceramente, falta-lhe qualquer coisa. Apaguei.

Yoga Studio

★ ☆☆☆☆

Bastante profissional, começa imediatamente a perguntar se queremos pagar. Podemos usar durante 7 dias gratuitamente mas, para tal, temos de subscrever deixando os nossos dados na app para, depois, e só depois, se não gostarmos, cancelarmos. Nem experimentei. Free trial é isso mesmo, experimentar sem compromisso e não gosto do quase compromisso a que me quiseram obrigar.

Também segui a Amanda Bisk, Rachel Brathen (a.k.a. Yoga Girl), Kayla Itsines e a Elle Fit Active, esta última porque a história me inspirou. Das primeiras, fiquei-me pela inspiração das fotografias bonitas e das posturas atlético-acrobáticas que não servem para pessoas normais. Receio dizer que uma vez que visitarem a Kayla, para sempre Kayla porque vos persegue online com sugestões e anúncios. Uma espécie de praga que nem sequer é yoga, apenas fitness. Ou seja, entrei no site por engano e ainda recebo anúncios dos seus bikini prof workouts. Boring. Finalmente, gostei da história da Elle, com a qual me relacionei de imediato e dos seus guias de treino, baseados numa lógica de alongamentos que, não sendo yoga, ajudam a quem quer começar.

Conclusão?

Há uma razão para a popularidade da Asana Rebel: a aplicação funciona mas, se me permitem, não há nada como o poder do grupo e a energia de uma prática partilhada, orientada por quem sabe. Experimentem! Namaste ♡