10k. Now what?

Gosto muito da ideia de viver e aprender e, sobre este número, há muito a dizer…

10k é muito mais do que 10 mil seguidores, é um ponto de chegada e partida, um objectivo que se cumpre e o desafio de continuar um caminho que se renova a cada dia. Cada dia é diferente e também eu vou mudando com o tempo.

O urbanista começou de forma interessada e interesseira, para explorar um nicho que estava, na verdade, saturado, e desenvolver um caminho que não era o meu mas que, na altura, eu queria que fosse:

Paula Cordeiro, versão (lifestyle) blogger.

A história recua a 2014, quando comecei a pensar nisto e decidi que aquele seria o primeiro dia do resto da minha vida. Na verdade, olhando as imagens, começa mais cedo, com uma fotografia de um cruzamento de linhas de eléctrico, esse ícone da cidade de Lisboa que me despertou para a necessidade de percebermos a linha que queremos seguir. Aquela imagem perseguiu-me durante semanas. Depois, cortei o cabelo, um corte assim-assim radical, bastante curto.

Todos sabemos o que significa uma mulher cortar o cabelo. Meses mais tarde decidi passar a deslocar-me de scooter porque Lisboa começava a tornar-se caótica, sempre quis andar de mota e porque sim. Tinha três funções diferentes, e muito exigentes, em três organizações e locais diferentes, que me obrigavam a, no mesmo dia, estar em três pontos diametralmente opostos da cidade. Era quase esquizofrénico e eu não o percebia, nem quando, apressadamente, ia dar um medicamento à minha filha e ela me pedia para tirar uma fotografia. Foi também nessa altura que assumidamente me re-apaixonei pela rádio e decidi que o mundo inteiro deveria sabê-lo. Vivi durante anos emprestada a um outro universo e a rádio chamava por mim. Era tempo de voltar. Em 2014, quando o urbanista começou, estava em força na Europa, qual embaixadora da rádio portuguesa, participando em grupos de trabalho e conferências, tornando-me importante quando cá dentro poucos sabiam quem eu era.

Depois de ter sido a primeira mulher e a mais jovem no cargo de provedora do ouvinte, fui também a primeira a ser reconduzida no cargo, o que me fez explodir de orgulho, adiando, uma vez mais, o meu projecto urbanista. Fui a Marrocos, vi cores que nunca tinha imaginado e percebi o que queria para mim, encontrei a imagem do sítio onde queremos estar, mas não sabia como lá chegar. Fiz quarenta anos e percebi que a vida me estava a dar uma segunda oportunidade para ser (verdadeiramente) feliz, para não me limitar ao que parece e me focar naquilo que realmente importa: o ser em vez de parecer. Sorri. Muito, como se fosse uma despedida e nunca pensei que o caminho fosse tão duro. Queria estalar os dedos mas o som não se ouvia. Viajei demasiado, quase sempre sozinha, para depois ser capaz de voltar a casa. Foram momentos determinantes, de introspecção e percepção que aqui, no nosso dia-a-dia é impossível conseguir. Há quem vá para Índia encontrar-se. Eu andei pelos céus da Europa durante vários anos, mais intensamente neste período, transformei-me numa viajante irritantemente metódica, que analisa a fila na segurança antes de escolher onde vai depositar as suas cangalhadas, tirar o cinto, os sapatos e o casaco para depois seguir viagem. Trabalhei muito (demais) e percebi, à força, o significado da palavra limite. Era provedora e outras coisas, tiraram-me fotografias lindas e aconteceram coisas maravilhosas mas não era eu.

Também era mas, não.

O que mais desejava resumia-se a uma imagem entre tantas, na qual me fixava sempre que me sentia a perder o rumo. Perdi-o, muitas vezes. Editei mais um livro e senti que precisava saber quem era. Procurava-me, abusando do meu corpo, experimentava muitas coisas e acabava sempre por voltar onde já tinha sido feliz sem perceber o caminho. Fiquei doente muitas vezes, recuperei outras tantas, li livros e falei com pessoas. Continuava sem saber dizer não, mesmo quando já sabia o que não queria. Quase me deixei convencer por uma certa burguesia empedernida, aquela com a qual gozava na adolescência e para a qual olhava de lado na idade adulta. Poderia transformar-me naquilo que criticava? Olhava para algumas fotografias que ia tirando e não me reconhecia, num misto entre a pessoa que já não era e a que não queria ser, rodeava-me de palavras, ideias e imagens, para me inspirar. Tornei-me peça de museu e via constantemente onde queria estar sem saber como lá chegar.

Mudei radicalmente a minha alimentação e foi então que mudei tudo. Pelo meio conheci os Açores e foi ali, numa sala velha de janela aberta para o mundo que percebi o meu caminho.

Há sempre um momento e o meu foi onde tudo começou: um estúdio de rádio à moda antiga, mais analógico do que digital que me permitiria comunicar de forma orgânica e autêntica, sem os subterfúgios que o digital permite, ou a superficialidade da sofisticação.

Em Junho de 2016 ensaiei a primeira postura de yoga, sem a consciência que tal exige. Novo caminho. Procurei tudo o que era orgânico e natural, cortei novamente o cabelo, fotografei-me de jeans e all star. Esta sou eu e esta é a profissional que vão ter. Comecei a ser mais eu e a não pedir desculpa por isso.

Dediquei-me ao pilates de corpo e alma, estava em forma mas não estava feliz e adiava o urbanista porque… RTP e a ideia de que a provedora - professora não pode ser blogger.

Na verdade, eu não queria.

Nesse Verão passei 4 horas num supermercado. Li todos os rótulos, escolhi ao pormenor, depois agarrei-me a uma prancha e fiz-me às ondas. Estes foram mesmo os primeiros dias do resto da minha vida. Agosto de 2016.

Cansada de estilo e estilo de vida, percebi que era, outra vez, tempo de mudar. Foi a primeira vez que juntei fruta e pão, que transformei legumes num smoothie, comecei a minha re-educação alimentar.

Queria paz. O treino que fazia já não me completava. Ensaiava, novamente, posturas de yoga, sem sucesso. Nada mais fazia sentido, só fazer o que me dava prazer. Precisei ir a Amsterdão para o perceber.

Voltei a Lisboa e fiquei doente. O corpo sabe sempre enviar-nos sinais, se estivermos disponíveis para os receber. Andei mais uns meses a deixar andar, a pensar no que me apetecia mesmo fazer, e a fazer o que me diziam para ser. Deixei de ser provedora, já não era nem pró-reitora nem coordenadora. Lentamente abandonava a consultoria internacional.

Agora é ia ser, porque não queria ser blogger mas sim podcaster, continuar a ensinar tudo o que aprendi da melhor forma que sei, inspirar e ser inspirada.

Todos os dias.

Conheci pessoas maravilhosas, razão pela qual o urbanista se transformou num programa de rádio sobre pessoas, coisas e músicas maravilhosas, numa rádio que pode tudo, até ser maravilhosa.

Depois de uma vida num contexto profissional masculino e masculinizado, aprendi que as mulheres podem (mesmo) ser as nossas melhores amigas: juntei-me a chicas #mara, conheci abraços únicos, outros grupos e tribos, juntou-nos a voz do coração. São muitas, hoje, provando que somos nós que vamos mudar o mundo. São amigas para a vida e outras que não fotografei, mais as de sempre que nunca me abandonam. Tornei-me mais segura e confiante, tolerante e paciente. Passei por todas as fases, incluindo a que não aceita m*rdas e a que manda o mundo dar uma volta. Fiz t-shirts e tive ideias improváveis, voltei a deixar crescer o cabelo para o cortar no meio termo. Abracei o yoga e um estilo de vida minimal, descobri cabelos brancos e fui a Cuba perceber que há muito de Hemingway em mim (contudo, com o mesmo homem ao meu lado para todos os livros que escrever) e foi ali, em isolamento total do mundo, rodeada de amor e da família, que o yoga mudou a minha vida. Abandonei preconceitos que me limitavam e abracei as minhas convicções, certa de que, se soubermos onde queremos chegar, encontraremos o caminho.

O resto já sabem, foi mesmo rumo aos 10k, com técnica, método e paciência.

Estou grata, não apenas pelo número e o que isso representa no instagram, para validação e notoriedade mas, principalmente, pelas muitas pessoas bonitas, e sem filtro que este percurso me trouxe, provando que, afinal, aquilo que supostamente sempre esteve errado e, diziam, me impedia de atingir os meus objectivos - a minha timidez e dissimulada introversão - era o caminho certo para lá chegar porque, se assim não fosse, eu não faria um podcast, não me esconderia atrás do microfone para me descobrir, descobrindo outras pessoas, nem usaria o mesmo microfone como ferramenta de auto-ajuda e crescimento pessoal que serve, também, para ajudar os outros. Obrigada.

 

O que tem o fim do mundo a ver com o estado da nossa pele? Tudo.

Todos sabemos mas custa acreditar: o mundo está (mesmo) a atingir o limite da sua capacidade de auto-preservação e regeneração. Por vezes sinto-me uma espécie de paladino da desgraça em relação ao tema mas a verdade é que chega de empurrar com a barriga.

São muitas as notícias  dedicadas ao relatório da ONU sobre biodiversidade, baseado na pesquisa da União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN), que refere as espécies de animais e plantas em perigo de extinção. É um novo cartão vermelho ao nosso estilo de vida. A próxima espécie a extingir-se pode ser a nossa e levar garrafas para o vidrão já não chega.

Creio que a mensagem da sustentabilidade não passa, ou passa de forma deficiente, por uma razão muito simples: comunicamos quase sempre de forma abstracta, generalizando as consequências e o que, no futuro pode acontecer. Se pensamos numa perspectiva individual, o que tem o fim do mundo a ver com o estado da nossa pele? Tudo.

A pele é o orgão mais extenso do corpo humano, a nossa primeira barreira contra as agressões externas e o que, indirectamente, também contribui para manter o  equilíbrio do nosso organismo. Borbulhas, vermelhidão, pigmentação, pontos negros, pontos brancos, pele seca ou demasiado oleosa… os problemas não terminam. Ontem estive num evento em que se falava de alergias e da nossa pele e percebi que, apesar de existirem múltiplas afecções da pele relacionadas com questões hereditárias ou genéticas, o maior problema é o nosso estilo de vida.

À nossa alimentação, apressada e descuidada, junta-se a uma outra correria que nos leva de casa ao trabalho sem respirar no percurso, mas inspirando muita poluição e contraíndo grupos musculares que deveriam começar o dia relaxados. Depois, entramos num ambiente pseudo-asséptico, controlado por máquinas que não filtram ou renovam o ar. Absorvem-no, secam-no e podem colocar alergéneos em circulação.

Na maior parte das empresas, as janelas estão continuamente fechadas o que quer dizer que nem o ar do ar condicionado pode sair nem o ar exterior, que não sendo puro, pode entrar, traduzindo-se em elevados níveis de dióxido de carbono e um ar pouco saudável. Da mesma forma, a exposição diária da nossa pele e sistema respiratório a este tipo de ambiente provoca bloqueios no sistema de defesa natural do trato respiratório e das pestanas, deixando estas mucosas de actuar como filtro dos microorganismos. Acresce que a falta de manutenção dos sistemas de ar condicionado pode acrescentar a existência de pólen, ácaros, fungos e bactérias que entram em contacto com a nossa pele. Quando ontem  pessoas diferentes referiam problemas diferentes e demonstraram estar em ambientes semelhantes, a minha resposta mental foi apenas uma: sai daí, nem que tenhas de mudar de empregou ou profissão.

Contudo, não mudamos, seja por impossibilidade, falta de vontade ou necessidade do rendimento. Gostaria mas não tenho solução para quem gostaria de mudar de vida e menos ainda para os problemas do mundo mas sei que as radiações solares e a poluição afectam gravemente o estado em que se encontra a nossa pele e, consequentemente, o nosso organismo. Nós, mulheres, fazemos de tudo contra as borbulhas e imperfeições e, principalmente, maquilhamos o problema com as mais recentes inovações. Somos também nós quem tem maior capacidade para  mudar o mundo, sabiam?

Ao longo da história, o papel da social da mulher tem sido definido num segundo plano. Somos  biologicamente mais fortes e resilientes. Os números não mentem: estamos em maior número nas Universidades, vamos ganhando terreno no mercado de trabalho e em cargos de decisão. Em casa, continuamos a trabalhar mais do que eles mas também somos nós a tomar as principais decisões de consumo e a influenciar todas as outras.

Fala-se de uma revolução silenciosa e do poder da energia feminina para recuperar o equilíbrio no mundo... Pensemos nas mais recentes protagonistas: são jovens mulheres prontas para assumir o seu papel no processo de transformação social, por força de uma mudança na orientação das nossas vidas e da forma como as vivemos, procurando um propósito relevante, a razão pela qual cá estamos e o que aqui andamos a fazer. Por isso, mulheres e raparigas, o tempo é nosso e seremos nós a implementar a mudança. Começando lá em casa, começando pelas decisões mais básicas. Cuidar melhor do mundo, para que não seja necessário cuidar da pele. São produzidas mais de 120 mil milhões de embalagens por ano para produtos de cosmética. Estamos a falar de embalagens de plástico que incluem muitas vezes uma caixa de papel e celofane para embrulhar, numa diversidade de plástico que não chega a ser reciclado por desconhecimento ou preguiça. No Wc temos muitas vezes um pequeno caixote no qual despejamos de tudo um pouco, lixo que acaba no aterro sem ser reciclado. Ring a bell?...

O que vamos fazer?

  1. se é a mulher a tomar as principais decisões de compra, pode decidir comprar menos e melhor, fazer escolhas de compra sustentáveis e estar atenta ao pormenor - e nós, mulheres, temos essa capacidade única de analisar os detalhes: local e métodos de produção, comunicação da marca e relações laborais, publicidade e o que esta pretende transmitir. Nada nos pode (continuar a) escapar.

  2. gerir melhor o tempo e colaborar - e nós, mulheres, somos verdadeiras malabaristas da gestão: do tempo, das responsabilidades e da vida, no geral. Deixemos para depois o que pode ser adiado e deleguemos para nos envolvermos mais e melhor em causas maiores, dando o nosso contributo para dar voz ao que precisa de ser alterado. Falemos. Alto, para que possamos ser ouvidas.

  3. Ter voz é adoptar uma posição - e nós, mulheres, somos peritas nisso. Chega de nos mantermos em silêncio e em segundo plano, vamos ser activistas, mesmo que no sofá, e passar a mensagem a quem nos rodeia, mais informadas sobre o que verdadeiramente importa porque informação é poder e, da mesma forma que conseguimos descobrir tudo sobre o mais recente thread de sobrancelhas, também podemos dedicar a nossa atenção ao que podemos fazer para tomarmos decisões mais  informadas, participar em grupos de voluntariado ou contribuir, directa, ou indirectamente, para a causa de protecção do ambiente.


Como o vamos fazer?

É de beleza que hoje se fala por isso, pensemos nas pequenas mudanças que podemos introduzir no nosso quotidiano, alterando, por exemplo, o sabonete líquido por um vegetal, como o castile soap, que é multifunções, ou optar por um sabonete em barra. O mesmo para o shampoo que podemos fazer em casa,  recorrer ao shampoo sólido e sem embalagem [um exemplo | outro exemplo], e escolher marcas que já usam uma embalagem que substitui apenas a parte que contém o produto (Rituals, Lush e Kiehls’ por exemplo), aplicando o princípio a outros produtos que podem ter embalagem de vidro ou alumínio (pode ser reciclado e reconvertido indefinidamente). Na impossibilidade, colocar as embalagens no caixote correcto e trocar o nosso caixote por um que nos permita separar o lixo no Wc. Para a higiene diária dos dentes existem opções biodegradáveis de fio dentário e escovas de dentes que podem transformar-se num outro objecto, como é o caso das que a The Bam and the Boo produz. Também não precisamos limpar diariamente os ouvidos e, quando o fazemos, podemos usar a ponta da toalha depois do duche, da mesma forma que podemos substituir as cotonetes para os pormenores da maquilhagem por outras, de papel ou bamboo, simplesmente, enrolar um pequeno tecido de algodão numa pequena peça de madeira ou bamboo (ou usar canto do dedo e da unha…). Para limpar o rosto há opções que dispensam discos de algodão. Para quem não os dispensa, há uma opção maravilhosa de algodão que podemos usar muitas vezes. São extremamente suaves, podem ser usadas dos dois lados e lavadas na máquina: os discos desmaquilhantes em algodão bio. Finalmente: olhar os rótulos e conhecer as marcas, dando prioridade às que têm políticas de produção sustentável, as que usam ingredientes de produção sustentável, as que sabem como poupar água e as que são quase 100% naturais, eliminando os químicos da sua composição. Como na roupa, está completamente nas nossas mãos, na informação que procuramos e nas escolhas que fazemos. O preço não pode ser tudo, até porque, em última análise, quem sofre é a nossa pele…

Breve história do colibri hipócrita que teimava em tentar mudar o mundo: 5 verbos que fazem a diferença na nossa vida

Escrever é sempre uma catarse e, por muito que qualquer escritor afirme que nada daquilo é sobre a si, quem escreve tem sempre a mesma história nas suas infinitas abordagens, ângulos e pormenores. Mesmo quando pensa que não. 

Escrever também é um acto de coragem, a dos introvertidos que usam a palavra escrita para fazer passar a sua mensagem. Vocês não sabem mas há muito de Brené Brown em mim, que estudei a rádio e a este meio me dediquei, da mesma forma que a Brené se dedicou a estudar e trabalhar a vulnerabilidade: pela sua própria fragilidade e timidez.

Talvez por isso estou sempre a escrever, mesmo quando não estou. Faço longos romances e artigos que nunca chegam a ver a luz do dia porque ainda não inventaram forma de registar o nosso pensamento de forma automática. E é por isso que vos escrevo, porque nesta jornada de tomada de consciência em relação a uma vida mais natural, livre de plástico e de químicos, há muitos momentos em que estou a escrever apenas na minha cabeça, quando me sinto hipócrita por defender uma coisa e acabar trazendo mais uma embalagem para casa. Há dias, no supermercado, não consegui ignorar este diálogo interior, fruto desta tentativa de viver melhor, deixando uma marca menor da minha presença que, depois, se traduz em muito pouco.

- a sério?!... vais mesmo levar isso?... 

Tanta coisa com a alimentação e a pegada ecológica e agora vais comprar uma papaia que veio do Brasil por via aérea?...  Não sabes que se deixarmos de comprar deixam de exportar?... não te preocupas com o ambiente?... Estás a ser egoísta, a ceder a um impulso...  Estás a esquecer-te que isso deve estar cheio de antibióticos?...


- eu sei. É só hoje...

- isso diz quem usa palhinhas... 

 

- Tenho tantas saudades... Já não compro uma papaia desde Agosto, isso deve significar alguma coisa, não? 

 

- não. 

 

A consciência é f*dida.

Sai da loja com uma papaia que demorei a comer. O objectivo era retirar-lhe parte do interior, rechear com iogurte e beterraba, granola e kiwi. Porque sim.

A cada vez que abria a porta do frigorífico, olhava para a papaia, lembrava-me disto tudo ao mesmo tempo que tentava repetir em silêncio que, mais do que ter uma pessoa a fazer uma vida perfeita sem lixo é preferível ter mil pessoas a dar o seu melhor para produzir menos lixo. Será?

Tento todos os dias e falho muitas vezes, mesmo comprando de forma mais consciente, pegando em roupa nas lojas que não chega a sair do saco para ser devolvida porque é fast fashion, pedindo ajuda a quem sabe, experimentando novo produtos ou receitas, mudando hábitos e esperando que um dia o mundo acorde para a calamidade em que nos encontramos, mascarada de mudança climática. Da chuva gelada ao sol de trinta graus vão dois dias e isso deveria ser suficiente para percebermos que algo está errado. Na Antártida uma comunidade de Pinguim Imperador desapareceu. Nos Pirinéus o aparente granizo é plástico e contamina o ar e a água. A deflorestação na Amazónia cresceu 54% desde que Bolsonaro chegou ao poder e em Moçambique as chuvas estão a abrandar mas não há precedentes para o impacto do ciclone da mesma forma que Montreal, no Canadá, está em estado de emergência devido a inundações. Continuamos a confiar na sorte porque só acontece aos outros, até ao dia em que nos vai bater à porta.

Porque o mundo está (mesmo) a mudar e muito depressa, quero poder passar a comprar morangos a granel sem ouvir o comentário de que são muito frágeis ou sem ter de ir a um mercado de produtores bem longe do sítio onde moro. Poupo no plástico mas gasto combustível e aumento as emissões de dióxido de carbono e azoto. Nunca estamos bem, não há a opção certa e voltar à idade da pedra na verdadeira acepção da palavra é apenas uma ideia parva. Pensar que as grandes cadeias e marcas podem ser mais honestas e menos gananciosas para que, com o seu poder económico, em vez de esmagarem pequenos produtores e os tornarem dependentes para escoar a produção, obriguem outras marcas a eliminar as embalagens de plástico, da mesma forma podem contratar mais recursos humanos para garantir que frutos e legumes são cuidadosamente manuseados para serem entregues ao cliente, em vez de os protegerem, garantindo que o cliente se serve a si próprio sem interferência de um funcionário. Também gostava que a mercearia ao fundo da rua fizesse a diferença, que não fosse propriedade de uma dessa grandes cadeias de supermercados... Gostava, principalmente, que estivéssemos todos mais conscientes dos factos, para acreditarmos que, rejeitando algumas práticas comuns que nos prejudicam a todos e adoptando outras, podemos contribuir para a mudança. Porque sim, na sua hipocrisia, um colibri pode contribuir para a mudança.

Eis algumas medidas simples que podemos adoptar no nosso dia-a-dia, que servem tanto - verdade seja dita - para nos aliviar a consciência, como para dar um contributo para a mudança e a protecção do meio ambiente. 

Circular | Comprar | Aprender | Experimentar | Partilhar 

Circular: menos de automóvel, partilhar as viagens mais vezes e, sempre que tenhamos mesmo de conduzir, circular mais devagar, fazer menos acelerações à campeão. Todos somos campeões, não precisamos de o mostrar na estrada. 

Comprar: menos, procurar alternativas com o que já temos, tentar trocar coisas com os amigos e, nós adultos, podemos muito bem evitar o fast fashion. Para quem tem miúdos a crescer ao ritmo das ervas daninhas será difícil porque o ritmo de substituição das peças de roupa é muito intenso e o custo das mesmas elevado. Tentar trocar e doar a roupa, passar aos irmãos e aos amigos pode ser uma forma de amenizar o problema. 

Aprender: coisas novas porque na maior parte das vezes as nossas atitudes e comportamentos resultam de pura ignorância. Eu não sabia que o vinagre de cidra de maçã era um excelente amaciador de cabelo. Aprendi. Experimentei. Apaixonei. Também fui aprender a fazer shampoo em casa. Uma busca simples na web resolveu-me o problema e mostrou-me um admirável mundo novo de opções com o que já tinha na despensa. 

Experimentar: sem medo de falhar porque estamos juntos no processo. Aprender uma coisa nova supõe que a consigamos implementar no nosso dia-a-dia e só lá chegámos experimentando. O que é o pior que pode acontecer se o vosso shampoo caseiro não ficar perfeito? Deixar o cabelo mal lavado e terem de voltar ao shampoo normal. E o melhor? Nunca mais terem de comprar shampoo. Já pensaram na poupança, nas vantagens e no benefício? 

Poupamos dinheiro porque o shampoo não é barato. O investimento nos ingredientes  para fazer um shampoo é maior mas estes duram muito tempo. Poupamos o meio ambiente porque produzem menos espuma e a maior parte dos ingredientes usados é livre de químicos que poluem os oceanos. Deixamos de estar dependentes de grandes corporações cujo fim único é o lucro. Controlamos os ingredientes, alterando percentagens em função das características do nosso cabelo e temos o prazer de fazer algo por nós e para nós. Há lá melhor satisfação do que essa? 

Partilhar: o que fazemos e as dúvidas que temos porque do outro lado há respostas e ideias. Acreditem: senti-me parva ao perguntar onde poderia encontrar morangos e frutos vermelhos a granel, mas recebi várias dicas muito úteis. Da mesma forma sinto-me insegura ao escrever este texto e senti-me muito estúpida ao partilhar os vídeos sobre o shampoo que fiz, ao estilo “ninguém quer saber”, “ninguém te perguntou nada” e, pior, “deves achar-te muito por isso, quando há milhares de pessoas que o fazem há imenso tempo”. Enchi-me de Brenée Brown e c*guei no que os outros pensam porque eu comecei agora, posso ir atrasada mas não vou tarde porque ainda há esperança. Do outro lado do ecrã, pediram-me a receita.

Afinal, vale ou não a pena partilhar?

Agora critiquem-me à vontade por causa de uma papaia mas ficam a saber que não estou de consciência tranquila…

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O tempo não volta atrás e nós vamos perder o comboio...


Há muito que venho defendendo a ideia de retrocesso, muitas vezes associada à alimentação e à necessidade de uma vida (mais) saudável. As nossas avós não conheciam panrico ou panike, coca-cola ou ice tea. Tirando o facto de que havia privação e fome no tempo da Guerra e durante o Estado Novo, a ideia de adoptar uma despensa parecida com a das nossas avós procura recuperar práticas antigas, dos ingredientes sem embalagens e dos produtos não processados. Procura, igualmente, dar resposta à crescente necessidade de adoptarmos um estilo de vida mais simples porque, mesmo que teimemos em ignorar, tudo à nossa volta nos diz para parar, escutar e olhar, como fazíamos antigamente nas passagens de nível.

O nosso estilo de vida está a matar-nos, a vida desenfreada nas grandes cidades esgota-nos e os dispositivos electrónicos que nos acompanham, definindo o nosso dia-a-dia, contribuem para esse estado de permanente ocupação, como se estarmos assoberbados em tarefas nos tornasse mais eficientes ou fosse sinónimo de sucesso. Lamento: não é.

A palavra mudança está na ordem do dia, seja numa perspectiva individual, em busca de um propósito de vida, ou de grupo, relativa aos nossos comportamentos. Há uma certa urgência na mudança para evitar que sejamos consumidos pelo aparente idílio social que projectamos assente em estacas de madeira que estão, rapidamente a apodrecer: individualmente, nunca se venderam tantos ansiolíticos e anti-depressivos como agora [ler], o stress é a doença crónica do século. A combinação dos dois factores provoca apatia, uma falta de sentimento que nos torna indiferentes a tudo o que acontece à nossa volta. Vivemos mas é como se não estivéssemos lá, sem energia e vontade, prisioneiros de algo que não sabemos identificar. Talvez esta apatia, que o uso intensivo da tecnologia tem feito crescer, explique o nosso desinteresse por aquilo que está a acontecer no planeta, num aparente descrédito pelos factos que estão à vista de todos.

“Se for só eu a fazer, não adianta” é a maior mentira que dizemos e Greta Thunberg está aí para o provar.

O mundo está triste, falta paixão, falta (re)apaixonarmo-nos pela vida para quereremos fazer mais. Estamos defraudados, desiludidos, de coração partido, razão pela qual mantemos o foco na negatividade, desvalorizamos o nosso potencial e ignoramos, como diz a miúda de quem o mundo fala, que nunca somos demasiado pequenos para fazer a diferença. Greta tem discursado em diferentes assembleias e parlamentos, apresentando estimativas que prevêem o fim da nossa civilização. Baseia-se sempre em factos científicos, difíceis de refutar, a não ser pela apatia que invadiu muitos de nós.

Ingénuos como só na adolescência conseguimos ser, os jovens sairam à rua e ficou tudo na mesma, afirmou recentemente Greta Thunberg, a miúda sueca que está a inspirar o mundo a mudar. A sua presença impactante, palavras directas e mensagem simples deixam qualquer um sem resposta e os jovens continuam a fazer greves estudantis por todo o mundo para que os governantes percebam a dimensão do problema.

Resta agora actuar.

Em Portugal, os jovens vão voltar a sair à rua no dia 24 de Maio, juntando-se ao movimento internacional #SchoolStrikeForClimate, iniciado por Greta. Se vão mudar o estado das coisas? Não sei. Mas sei que também eu quero fazer a diferença, à minha maneira e à minha medida, comprando menos ou não comprando fast fashion, escolhendo produtos a granel, fazendo o meu próprio champô - porque afinal é mais simples do que parece [exemplos] -, recorrer ao vinagre de sidra para substituir o amaciador de cabelo (e resulta!), usando vinagre para limpar a bancada da cozinha evitando que a espuma e os químicos dos detergentes cheguem ao mar, mudando para uma casa energicamente mais eficiente, porque é mais pequena e com mais luz solar, mais perto dos transportes públicos que me permitem deixar o carro à porta ou implementando medidas (ainda) tão pouco habituais como a compostagem.

Se cada um de nós adoptar, pelo menos, uma destas medidas, não me digam que não vale a pena…


Imagem de capa:  Markus Spiske 

Dia da Terra e um certo retorno ao passado...

No Dia da Terra, data criada em 1970 com o objectivo de chamar à atenção para os problemas da contaminação, conservação da biodiversidade e todos os problemas ambientais que podem pôr em causa a vida no planeta Terra, nada melhor do que um episódio urbanista com os pés assentes no presente, os olhos no futuro e o coração no passado. Se pensarmos bem, o retro, o vintage e a recuperação de práticas antigas está em todos os domínios da vida contemporânea: na moda e nas tendências fashion, o retro style é o style do momento mas, também, nos filtros que usamos no instagram, no regresso da Polaroid e das filmagens ao estilo da década de 1970, dos skates e das longboard, os pavimentos das cozinhas e casas de banho, os azulejos que recuperam tradições marroquinas e as misturam com ares europeus mais contemporâneos, os caftans ao vento como se fossem novidade, os cabelos, a maquilhagem e em muitos outros aspectos, a vida grita um enorme pára e volta atrás. 

É assim o exemplo que hoje vos trago: uma casa à moda antiga, na qual a palavra família fala mais alto e o apego às tradições define o conceito daquela que é a Casa do Pico. Escutem a Carlota Appleton a falar com o coração sobre este projecto de família, e a mostrar-nos que, afinal, é fácil ser feliz com pouco: a luz que enche a Casa do Pico é metade do que precisamos para lá chegar.

 

Comer pelo prazer, chorar porque comemos. A montanha russa de emoções que a comida nos dá

Novamente, tudo começa assim, sem esforço, com a naturalidade mais natural que se possa imaginar. Conhecemo-nos no instagram e percebi imediatamente que tínhamos algo em comum: denunciava-nos o boné americano, pouco usual entre as mulheres como acessório statement, mas que define parte da nossa personalidade. Isso e a alimentação saudável. Não precisámos de mais para perceber que poderíamos juntar esforços, ideias e receitas. Temos ambas a abordagem keep it simple à vida e à alimentação. Mais para quê?

A Filipa é açoreana e vive na Noroega. Eu sou lisboeta com espírito escandinavo. Ela dá no ferro e levanta pesos, eu dedico-me à leveza de corpo e mente que o yoga nos dá. Ela é chef e health coach, eu tenho apenas ideias para comer bem sem ter muito trabalho. Por isso, juntámos as nossas vozes e ideias neste episódio do urbanista na NiTfm no qual partilhamos as nossas experiências, cruzamos opiniões e aproveitamos para falar sobre esse segredo bem guardado: a forma como as emoções dominam a nossa relação com os alimentos, as razões que nos levam a comer sem parar ou o que nos faz sentir parte do #team batatas fritas ou do #team chocolate e doces... tudo neste episódio com a Filipa Semião!

O trabalho: a maior das ironias da vida moderna e um exemplo contra a corrente

Ironia das ironias, a ironia maior do episódio urbanista desta semana está a passar ao lado da maior parte das pessoas que me escrevem, reconhecendo-o como um episódio cheio de graça porque, realmente, a Madalena Abecasis tem uma forma única de nos mostrar o mundo.

A ironia de que hoje vos falo também a mim passou despercebida até reparar num aparente pormenor deste episódio, sem o qual não haveria episódio: este é, afinal, sobre a ironia do trabalho moderno.  

Ficando em casa de baixa de maternidade e com pouco para se ocupar, deu largas à imaginação e em menos de nada estava na mira de Cristina Ferreira, que a levou para a sua nova casa, nas manhãs da SIC. No entretanto, já a pequena Júlia tinha nascido, já Madalena tinha voltado ao trabalho numa grande empresa e já o tinha abandonado em prol de uma causa maior: a sua paixão pela moda. Este é o primeiro aspecto que interessa, porque trocou aquilo que tantos ambicionam, um lugar estável numa grande empresa, por um trabalho multi-funções na sua área de experiência numa pequena empresa. Foi então que largou tudo isso para abraçar a sua outra paixão, dedicando-se à família e à sua capacidade única de comentar o quotidiano com um sarcasmo absolutamente maravilhoso. 

O que quer isto dizer?

De forma muito simples, quer dizer que somos, a maior parte de nós, umas grandes bestas quadradas, agarradas ao pouco que temos, sem coragem para dizer não e seguir um sonho.

Eu sei. 

Onde está o balão de oxigénio que paga as contas? 

Não está e não tem de estar, sabem porquê?

Porque enquanto pingar, por pouco que seja, por pior que possa ser, não temos disponibilidade (sobretudo mental) para darmos tudo pelo nosso sonhos. E sabem como e quando percebi isso? 

Quando o Fernando Esteves, que já esteve no urbanista, me contou que largou tudo, que tinha poupanças para viver durante 1 ano e que, depois disso, ou o seu projecto ganhava asas ou o pior dos cenários transformar-se-ia em realidade. Foi também isso que lhe deu a disponibilidade, a vontade e a tenacidade para dar tudo para o Polígrafo acontecer. Hoje, muito pouco tempo depois da nossa conversa, o Polígrafo já está, também, na SIC.  

O que aprendemos com o Fernando e a Madalena?

Fácil: os sonhos não podem ficar por realizar porque viver uma vida a trabalhar para (apenas) pagar contas deixa-nos infelizes e todos queremos sentir esse prazer que se chama satisfação pessoal. Para além disto, o ritmo da vida moderna está lentamente a matar-nos, seja pelo excesso de poluição à nossa volta e das suas consequências para a nossa saúde e bem estar, seja pelo facto do sistema social em que nos encontramos, que privilegia o sucesso material em detrimento da satisfação real.

O que quero dizer é que nada do que sentimos que resulte da relação que estabelecemos com bens materiais é real porque não se traduz num sentimento efectivamente forte e duradouro. A obsessão - que começou há muito tempo e hoje atinge proporções que nos prejudicam a saúde mental - por uma definição de sucesso medida em bens materiais tem vindo a destruir a nossa capacidade de abstracção. Nesta cultura do Eu, anónima e solitária, estamos demasiado preocupados com a forma como os outros nos percebem. Focamo-nos no irreal, definimos expectativas e metas inalcançáveis, ignorando o verdadeiro valor daquilo que se tornaram os pormenores da vida e que são, na verdade, aquilo que a vida tem de melhor. Essas abstracções filosóficas baseadas no sentir são a base da nossa noção de ser que o objectivo em ser o melhor, o mais famoso ou o mais rico tem destruído. Uma vez suprimidas as necessidades básicas, as necessidades de realização pessoal passam a assumir maior importância e como hoje não pensamos muito sobre o que de mais básico existe, concentramo-nos - erradamente - nessa realização pessoal sem antes percebermos o conceito de pessoa, ou seja, quem somos. Na ausência de definição de um propósito de vida, mantemos as aparências recorrendo ao que o dinheiro pode comprar para, novamente, sermos os melhores ou termos algo diferente dos outros. Ficamos esgotados. Simultaneamente, nas empresas, pouco importa se estamos bem ou mal, desde que estejamos, numa cultura desumana em que o bem estar financeiro das organizações se sobrepõe ao dos seus funcionários. A insegurança económica e laboral contribui para que estes funcionários aceitem ambientes tóxicos, más condições de trabalho e relações contratuais injustas, condicionados por uma oferta e procura de emprego muito desajustada, que deixa os profissionais das várias áreas numa situação submissa muito pouco digna. É aceitar. Ou aceitar, dar tudo sem questionar para, muitas vezes, acabar por perder tudo.

Como mudar?

Dizer não pode não ser solução pela tal necessidade económica de sobrevivência mas há muito que podemos fazer: dizer talvez, renegociar, renunciar, praticar o desapego para precisar de menos, organizar e gerir bem o tempo, definir prioridades e, se preciso, reinventar-se, como fez o Fernando e a Madalena.

Temos, principalmente, de reaprender a viver, abandonando essa necessidade de poder, fama, dinheiro ou reconhecimento para dar o salto, apesar da insegurança. O facto é que somos ensinados a sustentar a casa e a família, a termos independência financeira mas e quando para além de pagarmos contas, não há mais nada?

 

Terapêutico: muito mais que saudável é poder curar

Sabemos que alimentação é a base da nossa saúde mas não pensamos nisso vezes suficientes e lá vamos entupindo as veias, o fígado, o baço e outros órgãos com uma alimentação descuidada, apressada, pobre em nutrientes e rica em ingredientes negativos. A isso juntamos as muitas horas que passamos sentados, outras tantas inactivos, um scroll permanente nos social media e elevados níveis de stress porque o trabalho isto e a vida aquilo…

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É o que acontece a muitos de nós e quase me aconteceu mim. Aconteceu o quase, que é um enorme sinal de STOP antes das consequências graves aparecerem. Não contente com a primeira red fala ainda foi à segunda e depois parei para pensar no que andava a fazer, não sem antes o médico que conheço há mais anos me entregar uma prescrição cuja descrição se absteve de explicar dizendo para tomar sem questionar e acrescentando que, para além daquilo eu deveria simplesmente pensar no que andava a fazer. E pensei.

Já a Joana Teixeira, proprietária, mentora e tudo mais no Therapist, conta uma história diferente porque foi quando as consequências de um estilo e vida altamente apressado e desequilibrado se manifestaram que percebeu que tinha um problema. E resolveu-o. À sua maneira: pragmática, objectiva mas muito apaixonada.

Encontrou na medicina alternativa o que a medicina tradicional não tinha para oferecer e na alimentação a solução que muitos procuram e não encontram. Depois fez o que eu nunca (ou ainda) não tive coragem de fazer e criou aquilo que hoje conhecemos por Therapist, que começou por ser um plano para um Lx Factory da saúde e é hoje um espaço de alimentação saudável, terapias alternativas e partilha de conhecimento.

Gosto dela, falamos a mesma linguagem, somos sonhadoramente ambiciosas e pragmaticamente apaixonadas pela ideia de divulgar os benefícios de uma vida e alimentação saudável a todos com quem nos cruzamos. Eu, pela palavra, ela, sentando as pessoas à mesa e dando-lhes a provar combinações improváveis que resultam em pratos altamente deliciosos e extraordinariamente saudáveis. Tanto que podem curar. Ou contribuir para tal. Foi pela alimentação que a Joana curou um problema de saúde e foi, também pela alimentação, que eu me livrei do meu. Se isto não é o poder da comida, não sei o que será. Escutem a história toda e conheçam o Therapist, o projecto mais saudavelmente cool de que há memória!


Ser mulher é ser agente de mudança. As mulheres vão mudar o mundo.

 O mundo, como o conhecemos, está a implodir e nós continuamos preocupados com a superficialidade do dia-a-dia, as pequenas ofensas e as grandes conquistas. A nossa vida. Sabemos, contudo, que o mundo está em turbulência e quase nos obrigamos a estar gratos por aquilo que temos, porque sabemos que outros não têm, mas ficamos só mais um minuto no duche porque sabe mesmo bem.

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A Venezuela e Moçambique são os mais recentes exemplos do tumulto que nos assalta porque, em breve, quer o problema da economia e da sociedade, quer o problema das intempéries exageradamente exageradas vão estar aqui, junto à nós, impedindo os tais dois minutos a mais no duche. Já pensou nisso?

Publicado no Sapo24 [LER]

urbanista: o regresso a casa

A vida organiza-se em ciclos e quase tudo nasce, cresce e morre. Há, contudo, coisas na nossa vida que por mais que as tentemos “matar”, resistem. Assim é o urbanista.

Pensei durante meses no projecto e, dias depois de o criar, convidaram-me para permanecer  num cargo que, não sendo incompatível, sofria com o preconceito em relação à palavra blogue...

Os  dois primeiros anos do urbanista foram discretos, a testar modelos e fórmulas. Fui a primeira mulher no cargo de Provedora do Ouvinte, a mais jovem no cargo até à data, pelo que não havia urbanista que suplantasse esse orgulho e responsabilidade perante a rádio, os ouvintes e os seus profissionais.

Depois, assumi o urbanista de corpo e alma, sem esse estilo ingénuo de quem cria o seu espaço na rede para explorar a sua criatividade ou poder expressar-se. Acreditem ou não, isto de ser professor universitário também exige muita criatividade para conseguir estar actualizado, ensinar e informar de forma dinâmica. Com melhores (ou piores) avaliações por parte de alguns alunos, até poderia desistir mas há uma certa rebeldia que me faz continuar a querer dinamizar o pensamento, a abstração e a capacidade crítica dos que sentam nas minhas aulas. E é por isto que, apesar da minha vida profissional tomar muitos rumos diferentes, mantenho-se sempre na universidade, porque aprendo todos os dias.

Estarei sempre grata por isso.

No urbanista, é tempo de mudança. Dediquei-lhe três anos, o último ano e meio de forma intensa, com projectos e acções muito diversificadas. Cresci muito e aprendi outro tanto: na relação com as marcas e as agências, nos truques e pormenores do instagram, no adeus ao Facebook e tantos outros aspectos que me enriqueceram como pessoa, tornando algumas das minhas aulas mais interessantes (acho).

O Urbanista começou por ser um laboratório de experiências, transformou-se num podcast do qual me orgulho e que, não tendo chegado a número 1 do iTunes, foi parar ao Sapo 24, à Rádio Renascença e, finalmente à NiTfm.

Como não ficar feliz?

A mudança é simples: menos texto e mais áudio, diariamente, na NiTfm, entrevistando pessoas com histórias para contar. Em paralelo, mais histórias, porque o projecto tem vindo a transformar-se numa nano-empresa de storytelling, trabalhando com pessoas e marcas para contar a sua história nos social media. E nunca estive tão feliz como agora, juntando a palavra à voz e à fotografia, nessa missão de contribuir para um mundo melhor.

Abraço com todas as forças este desafio editorial na Nitfm porque, ao contrário do que me perguntaram há dias, não sei se quero fazer rádio a sério: o que é isso, de fazer rádio a sério?

Rádio online? Mas não queres fazer rádio a sério?... - disseram-me.

Como se a rádio online não fosse a sério ou, pior, uma rádio ainda mais a sério, por ser o presente da rádio. Estou feliz e é isso que importa.

Há um ano estive quase para acabar com o urbanista. Duas jovens pediram-me para fazerem um estágio. E continuei. Cresci em número de seguidores até ao dia em que o instagram decidiu mudar as regras do jogo. Foi também, nessa altura, que cresceu o número de subscritores no site, no podcast e na newsletter, provando que o instagram é só a ponta do iceberg.

(s*ck it Zuckerberg)

Obrigada a quem está desse lado, que acompanha este percurso que agora vai ter, cada vez mais sol e luz, plantas e verde, mar e ondas e uma abordagem descomplicada à vida para, juntos, sobrevivermos ao caos urbano.

O urbanista, as coisas maravilhosas e uma vida mais outdoor...

O mundo está cheio de pessoas, coisas e ideias maravilhosas. Ter decido focar a minha atenção nas pequenas maravilhas que me rodeiam foi uma excelente decisão, em parte, culpa do primeiro entrevistado desta nova vida do urbanista - antes “apenas” como podcast, agora como programa de rádio e podcast - o Ivo Canelas e da forma magnetizante como me fez pensar em todas as maravilhosas.

Escolher pessoas que mudam de vida sem olhar para trás ou pessoas com uma história inspiradora nunca foi novidade e, depois do urbanista, outros podcasts surgiram com uma abordagem semelhante. A verdade é que, de forma inconsciente, procurava pessoas que me inspirassem, para obter respostas para uma necessidade de mudança que cresceu dentro de mim a ponto de se tornar quase insuportável.

Foi então que abracei a ideia de que não temos de mudar de vida mas sim, de mudar a forma como vivemos a nossa vida. Mudei, gradualmente, aspectos sobre os quais nunca havia reflectido e que tinham grande impacto nos meus níveis de stress, satisfação pessoal e profissional, bem como no meu bem estar e da minha família.

Na verdade, estava a tentar ajudar os outros quando, na verdade, quem precisava de ajuda era eu. Mesmo estando a mudar as tais coisas pequeninas e que, juntas, são coisas enormes, havia mais a fazer. Toda a inspiração que aparentemente transbordava - que dizem que ainda transbordo - era, na verdade, uma tentativa, por vezes falhada, de me auto-motivar e inspirar. Uma mentira repetida muitas vezes torna-se verdade e a realidade é esta: depois destas pequenas mudanças, terão de vir as grandes mudanças, para as quais temo não estar preparada. Nunca estamos...

A vida encarrega-se sempre de nos apresentar as pessoas certas no momento exacto e não, nada acontece por acaso. Não terá sido acaso a decisão de fazer um podcast com entrevistas que me permitiu ampliar horizontes e conhecer pessoas novas todas as semanas, da mesma forma que não terá sido coincidência o monólogo “todas as coisas maravilhosas” ter estreado na semana de lançamento do urbanista na NiTfm.

O Ivo não sabe, mas estou-lhe grato e, mais ainda, a quem me permitiu fazer esta primeira entrevista. A ideia de coisas maravilhosas colou-se a mim de tal forma que segui esse caminho, passando a fazer os convites com o coração, independentemente da razão, escolhendo pessoas ou coisas em função do que estas me transmitem. Talvez por isso, encontrei, nas últimas semanas, pessoas incríveis as quais, com uma palavra ou uma frase, produzem um impacto enorme que também me empurra para essa mudança ou confirma que é este o caminho. Sei que outras pessoas maravilhosas estão por aí e quero muito descobri-las.

Foi o que aconteceu com o entrevistado desta semana: não só tem o mesmo nome de um grande amigo, como o seu projecto pessoal tem o nome da minha praia preferida de sempre (e de todas as que conheço, o Guincho), mas também se dedica a reinventar uma peça de lixo indiferenciado: os fatos de surf. Maravilhoso!

Conheçam o João Lourenço e a Guincho Outdoor, uma empresa que é também um projecto de vida que pretende ter impacto social e deixar o mundo um lugar melhor. Maravilhoso ♡

As Velhas mais Bonitonas do pedaço estão de volta ao urbanista e mais novas do que nunca!

Numa semana de rescaldo do Dia da Mulher, e das discussões em torno do tanto que ainda falta fazer para atingirmos a igualdade em tantas áreas da nossa vida, pensei que este seria um corolário do empoderamento feminino que este projecto de pintura tão bem representa mas, entretanto, a televisão privada portuguesa decidiu estrear dois programas concorrentes - e igualmente deprimentes -, que colocam em causa tudo o que o dia 8 de Março representa.

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No episódio urbanista desta semana não falamos sobre isto mas abordamos questões tão importantes como a de nos sentirmos bem na nossa pele e de como isso pode mudar a nossa vida, ao mesmo tempo que a Maria Seruya, a artista que dá vida a estas Velhas, explica a importância de nos focarmos no que é mesmo importante para conseguirmos concretizar projectos (e com isso sermos remunerados pelo nosso tempo, trabalho e investimento).

Obrigada Maria e vivam as Velhas Bonitonas

 

Mulheres exaustas, sacos de pancada, sonham com a liberdade ou a diferença entre fazer e ajudar. Assim são (estão) algumas portuguesas.

Os números da violência não mentem e apesar de 13 mulheres já terem morrido desde o início do ano, só não somos todas no título porque, felizmente, nem todas levamos porrada. Contudo, a pressão a que estamos sujeitas, a par com uma certa violência psicológica e intelectual, fruto de um machismo enraizado e dos tectos de vidro que nos fazem (quase sempre) remar contra a corrente é outra forma de levar porrada. Deles e especialmente delas, conservadoras que acham que isto de ser feminista (até) pode manchar a reputação de uma mulher. Assim, por todas as mulheres e em nome de muitas mulheres, cansei*.

A personagem de Clarisse Falcão (Mulheres, Porta dos Fundos) cansou de receber o que desejava. Nós estamos cansadas de fazer por ter sempre a despensa recheada, o cabelo e as unhas arranjadas, enquanto mantemos as aparências de uma carreira de sucesso às custas de um esforço altamente desvalorizado. Chama-se carga mental e ninguém sabe muito bem o que significa.

isso da carga mental…

O mais recente estudo da Fundação Francisco Manuel dos Santos revela que precisaremos de cinco a seis gerações para chegarmos a uma distribuição equilibrada das tarefas domésticas. Este trabalho de que raramente se fala é um dos maiores factores de pressão da mulher moderna porque ultrapassa - em muito - quem faz o quê, concentrando-se na preocupação em garantir que aparece feito. Há sempre uma percentagem superior atribuída à mulher sobre “as coisas a fazer” ou seja, a gestão doméstica, para que todas as necessidades familiares sejam satisfeitas. E quando não são? Quando a (merecida) pausa de uns é a permanente ocupação de outros?

Cansei, porque afinal eles trabalham sempre mais do que nós e o esforço de ir buscar os filhos à escola é um sacrifício que põe em causa o seu trabalho. O deles, nunca o nosso. Cansei de ouvir que se acabou o leite, como se apenas eu, que sou mulher, tivesse a responsabilidade de (re)abastecer a despensa. Cansei de ouvir que é preciso lavar a loiça ou engomar. Cansei de arrumar e colocar as almofadas no seu lugar como se apenas eu me sentasse no sofá. Na verdade, raramente acontece, sentar-me no sofá. Cansei de pensar nas refeições, de imaginar pratos diferentes, de planear a lista das compras, de ir ao(s) supermercado(s) - porque nunca se resolve tudo no mesmo local - de escolher e ficar na fila para pagar, de carregar os sacos, de arrumar a despensa, cozinhar e ainda ouvir criticas em relação às opções ou ao sabor. Cansei. 

“porque não pedes ajuda?”

Porque não tenho - não temos - de a pedir. O verbo - o princípio - está equivocado.

Há uma diferença muito concreta entre fazer ou ajudar: fazer é realizar, executar, agir com determinados resultados enquanto ajudar significa contribuir para que outrem faça alguma coisa. Sabemos a que outrem o verbo se refere, verdade?

Os números são claros: o mesmo estudo da Fundação Manuel dos Santos, com uma amostra de 2428 mulheres entre os 18 e os 64 anos, residentes em Portugal, demonstra que a mulher  ocupa 5h48m do seu dia com tarefas domésticas. Contas feitas, se trabalhar 8h e perder 2h em deslocações... ainda lhe sobra muito tempo, não é? Não.

O mesmo estudo revela ainda que estamos infelizes com o trabalho e que o emprego ideal iria permitir a conciliação do tempo para nos dedicarmos à família mas, também, para termos tempo para nós porque esse tempo - o tempo para cuidar de nós (e não falo de vaidade feminina mas de algo tão simples como dormir horas suficientes) é ocupado a trabalhar e, por isso, estamos exaustas. Eles vão responder que estão na mesma, que a pressão para os resultados é enorme e que não podem dar-se ao luxo de se dedicarem mais à família ou aliviar essa carga mental que tanto pesa sobre as mulheres sob pena de serem prejudicados no emprego. Verdade. Sem dúvida que é verdade, o que agrava, ainda mais, a situação.

e quando eles não podem fazer, quanto mais, ajudar?

Pouco adianta a cada mulher exigir maior equilíbrio ou instaurar uma pequena guerra doméstica para que ele assuma mais tarefas ou o seu planeamento, se ambos estiverem profissionalmente assoberbados para garantir que as contas são pagas. Há uma grande diferença entre o workaholic que se dedica por amor e o que trabalha disfarçado de workaholic porque tem um volume excessivo de tarefas ou acumula funções. E é, no fundo, isto que está errado.

Marcos Piangers diz, e com razão, que precisamos definir uma lista de prioridades e dizer não a tudo o que der para recusar porque, acrescenta, pode ser que a gente nunca fique rico mas tanta gente trabalha como condenado e também não fica. O problema é esta escravatura da camisa branca que não garante fortuna mas também não permite uma vida emocional, intelectual e espiritualmente digna. Nenhum tipo de escravidão, mesmo que (quase) voluntária, é digna.

Eles também estão cansados . O risco de burnout é cada vez maior. Se eu escrevesse o texto no masculino, também muitos deles estariam exaustos não apenas com o trabalho mas com a pressão da masculinidade perfeita ou do machismo que limita muitos homens em assumir frontalmente a defesa dos princípios feministas, especialmente no que à família diz respeito. Precisamos de colaboradores mais felizes em cada empresa e de empresas que respeitem a noção de tempo. Talvez a criação de incentivos fiscais para horários de trabalho adequados às necessidades dos indivíduos, considerando os ritmos familiares, possam incentivar à mudança, ao mesmo tempo que poderão contribuir  para melhorar a mobilidade na cidade. Horários diferenciados podem  ter consequências muito positivas para a vida de todos nós, da mesma forma que a criação de medidas que permitam mais formas de teletrabalho também possam ajudar.

Como mulher, cansei de ser quem marca consultas e leva os meninos ao médico quando estão doentes. Parece que a minha vida profissional pode ser colocada em suspenso porque o pai tem de trabalhar. Lamento. O pai tem de ser pai. 

Cansei, principalmente, de aguentar todas as bolas no ar, num desempenho profissional próximo do malabarismo e que, no final das contas, continua a ser mal pago, com um vínculo precário.

trabalho igual, salário igual?

Sobre a igualdade salarial, o mês de Fevereiro anunciava mudanças porque as empresas têm, agora, de demonstrar publicamente que os salários são definidos com base em critérios objectivos mas nós sabemos que, apesar das intenções, há muitas formas de manter o desequilíbrio enquanto as mentalidades não mudarem.

Cansei. Cansei mesmo de ser mulher e, por isso, de achar que consigo fazer isto tudo. Cansei, principalmente, de ouvir mães e avós dizerem-nos que afinal não temos de que nos queixar porque ele até ajuda em casa. Senhoras: se eles decidiram partilhar uma vida não têm de ajudar, têm simplesmente, de fazer pois se vivem aqui e sujam, devem limpar; se comem, têm de comprar, quem sabe até, cozinhar; se querem roupa nas gavetas e armários, pois têm de a lá colocar. Ajudar não chega.  O mundo mudou, nós e as nossas relações também. No trabalho exigem-nos o mesmo - normalmente um pouco mais - do que a eles, a remuneração que recebemos - muitas vezes inferior pelo mesmo trabalho - é fundamental para o equílibrio da economia doméstica pelo que não é tempo de ajudar mas sim de fazer. E se cada um fizer a sua parte, o mundo será um lugar melhor.

 

“homem não dá para confiar não! Cansei, não vou dar corda não…” é uma paródia com Clarice Falcão ao simbolismo do que tantas mulheres desejam: um conto de fadas no qual ele se apaixona, nos trata bem e pede em casamento…

Viver sem plástico na cidade: já é possível? Não.

Armei-me em repórter para a NiT e passei uma semana a recusar plástico em todas as situações de consumo. O resultado resume-se a duas questões:

- sim, estamos conscientes que o plástico vai acabar por acabar com isto tudo

- não, ainda não há muitas alternativas, especialmente no grande consumo  

Descobri, ainda, aberrações e grandes disparates que podem ler aqui 

 

Yoga: sobreviver ao caos urbano em 8 asanas fundamentais

Desejo: como seres humanos, temos todos o desejo de ser felizes, independentemente do que entendemos por felicidade

Realidade: a vida na cidade está a matar-nos aos poucos

Desejo: somos pessoas (muito) ocupadas, desejamos ter tempo  

Realidade: as nossas opções e estilo de vida não nos deixam tempo livre

Desejo: o que mais queremos  é estar bem

Realidade: má postura, muitas horas de trabalho, alimentação apressada, fumo e outros tóxicos, demasiada tecnologia dão cabo de nós  

Como sobreviver a isto ?

Eu diria “parar. sentir. respirar” o título do livro da Vera Simões que deu o mote à entrevista desta semana do urbanista na NiTfm. A verdade é que há muito nos esquecemos da importância que estes três simples passos têm na nossa vida: parar para percebermos o que estamos a fazer (e como estamos a fazer). Sentir, olhando para dentro de nós e ouvindo o que o nosso corpo tem a dizer, já que muitos dos problemas de saúde que temos são gritos de alerta do nosso organismos para nos fazer parar. Tendemos a insistir, resistindo, ignorando os pequenos sinais de alarme, que encobrimos com soluções rápidas e medicamentos que tratam o sintoma mas não resolvem o que lhe deu origem. Respirar porque entre a primeira e a última inspiração há uma vida que vivemos sem pensarmos na importância que a respiração tem na nossa vida. E o yoga pode resolver muitos dos nossos problemas.

Como evitamos pensar sobre tudo isto, também colocamos de parte a componente científica que sustenta estas afirmações, conotando este conhecimento milenar com uma espiritualidade hippie ou uma moda que teima em querer alinhar-nos os chakras e que depois fala em karma. Tudo misturado dá confusão…

A ciência comprova:

Estudos da Harvard Medical School provam que o stress, juntamente com outros factores emocionais podem deflagrar (ou piorar) problemas de pele [ler], nomeadamente o acne (e há cada vez mais adultos com acne, verdade?…), agravar as alergias [ler] e defendem que o yoga pode ser uma forma de tratar a ansiedade e depressão, bem como no tratamento da dor [ler].

A prática regular de yoga contribui para melhorar o estado físico e mental, diminuindo os níveis de stress e ansiedade. Através de posturas específicas também pode contribuir para melhorar o estado da pele. As posturas estão sempre associadas à respiração (asanas) que tem, também a capacidade de ajudar a desintoxicar o nosso organismo, por consequência, melhorar a digestão, ajudando o organismo a distribuir melhor os nutrientes dos alimentos melhorando, em última análise, o estado da nossa pele. O nosso estado, no geral.

Asanas para desintoxicar:

  • Pavanamuktasana 

  • Ardha Matsyendrasana

  • Parivrtta Trikonasana

  • Supta Matsyendrasana

Há outras asanas, igualmente simples e acessíveis à maior parte das pessoas que podem ser introduzidas no nosso dia-a-dia sem nos tornarmos yogis, vestirmos roupas justas ou muito largas todo o dia e sentarmos sempre de pernas cruzadas. Com base na minha experiência pessoal, de mais de 30 anos (credo!…) dedicados à ginástica, dança e fitness, não apenas como praticante mas recebendo formação em workshops e convenções que culminou com formação em pilates, consegui começar a praticar yoga sozinha para, rapidamente, perceber tratar-se de um admirável mundo novo sobre o qual nada sabia. Há um ano e meio que me dedico quase exclusivamente ao yoga, com incursões esporádicas na corrida e no surf. Posso dizer-vos que esta se trata de uma prática completa que activa todos os cantos e recantos do nosso corpo, por dentro e por fora, ao mesmo tempo que se estende a outros domínios da nossa vida. Se é certo que, por exemplo, com o pilates aprendemos a interiorizar uma postura mais correcta levando-a para o nosso dia-a-dia, com o yoga acontece uma transformação não só postural mas, principalmente, da forma como encaramos a vida, com reflexo na nossa postura física e mental. Aconselhar-vos a praticarem de forma autónoma seria um erro porque exige uma consciência corporal, noções de anatomia e fisiologia, bem como da respiração mas, independentemente da prática [oiçam aqui um podcast sobre as diferentes práticas de yoga] a introdução de algumas asanas é possível mesmo para quem nunca praticou.

Asanas simples que podem ser introduzidas no nosso dia-a-dia:

  • Vriksana

  • Bidalasana

  • Balasana

  • Savasana (a melhor de todas, garanto!…)

e , fundamental:

Pranayama (respiração): deitado de costas, para praticar a respiração completa (inspirar enchendo a parte inferior dos pulmões para depois os encher na totalidade; expirar deixando que os músculos respiratórios relaxem ao máximo, descendo esterno e as omoplatas, depois o arco das costelas e a barriga).

Pessoas normais praticam yoga e o livro da Vera Simões mostra isso mesmo, reproduzindo testemunhos de vários dos seus alunos, praticantes de Ashtanga Yoga: entre farmacêuticos, tradutores, veterinários, decoradores e designers, há também arquitectos, empresários e gestores, engenheiros e informáticos, pessoas que perceberam os benefícios desta prática e a abraçaram, introduzindo-a na sua vida, cada um ao seu ritmo e de formas diferentes. Só há um perigo na prática de yoga: a de nos apaixonarmos de tal forma que jamais deixaremos de praticar.

 

Mudar agora para o mundo não mudar amanhã (*)

Dizem-nos para poupar água, evitar utilizar o plástico, mas ninguém nos diz, exactamente, o que fazer ou o impacto que medidas pequenas e individuais podem ter na sustentabilidade do nosso planeta.


Acordar, levantar, abrir a torneira.

Imagine que um dia acordava, seguia a sua rotina habitual, mas não havia água. Paradoxalmente, na rua, a sua rua, aquela onde vive e onde está a sua casa, estava inundada. O alcatrão desapareceu, os passeios não se viam e os automóveis estacionados estavam quase submersos. Imaginou?

Em todo o mundo, milhões de pessoas vivem em zonas costeiras. Na lista de cidades em risco de ficarem submersas, cinco delas são na Flórida, nos Estados Unidos. Mais de dois terços da costa portuguesa sofre risco sério de erosão. Lisboa pode transformar-se numa espécie de Veneza do Atlântico, com inundações nas zonas baixas da cidade face à subida do nível do mar. Todos sabemos que as nossas cidades e vilas estão sob ameaça das alterações climáticas que afectam o estado do tempo e provocam fenómenos naturais extremos. Dizem-nos para poupar água, evitar utilizar o plástico mas ninguém nos diz, exactamente, o que fazer ou o impacto que medidas pequenas e individuais podem ter na sustentabilidade do nosso planeta.

Continuamos a achar que estamos sozinhos e que se for só eu não vale a pena. Surpreendemo-nos com mais um furacão, ficamos apreensivos com as vidas aniquiladas por uma inundação, sem palavras perante o solo queimado por incêndios devastadores. Sofremos de uma curiosidade natural em relação a estes fenómenos que acontecem um pouco por todo o mundo mas não nos preocupamos muito em saber que medidas estão os governos a tomar para assegurar que o mundo, como o conhecemos, se mantém mais uns anos.

O padrão de consumo e desenvolvimento actual é marcado por um comportamento de consumo pouco sustentável, criando as condições perfeitas para um futuro altamente imprevisível. Em 2017 foram vários os furacões que assolaram os Estados Unidos, com resquícios da sua força e potência a verificarem-se também entre nós. Este é o nosso presente e pode mudar, por completo, a forma como vivemos.

Imagina-se a ir de barco para o trabalho ou a não ter água para o duche matinal?


É nas cidades que mais sentimos os efeitos de alguns fenómenos extremos. Também em 2017 mais de 1.000 pessoas morreram e mais de 45 mil pessoas ficam sem casa por causa de inundações no sudeste asiático. Pensarmos que está longe de nós não vai resultar porque os subúrbios das principais cidades na Califórnia e no Rio de Janeiro também sofreram inundações ou derrocadas pela força da água, a par com incêndios sem equivalente na história que também aconteceram em Portugal. Cape Town, na África do Sul está em seca extrema desde 2015, a Sibéria conheceu esta semana um manto de neve negra, resultado da poluição, os Estados Unidos estiveram submetidos ao um frio extremo, resultado do vórtice polar e, por cá, desde o último Verão, já conhecemos a Leslie, a Helena e o Gabriel, tempestades que provocaram estragos, acompanhadas de temperaturas a rondar os 40 graus em Setembro ou ventos e agitação marítima a fazer manchetes e a deixar avisos laranja e vermelhos por todo o país antes do Natal.

O Thwaites é um glaciar no leste da Antártida que está a derreter mais depressa do que o previsto. É duas vezes o tamanho de Portugal e, quando derreter na totalidade, vai fazer subir o nível das águas em 80 centímetros. O que quer isso dizer? Nada. Excepto que já se pensa fazer uma barreira marítima para conter a água. Um muro no fundo do mar com 150 quilómetros e 300 metros de altura. Assim já parece importante, não é? Voltemos à ideia da água pelos joelhos à nossa porta ou da torneira sem água…

Todos somos responsáveis pelo modo de vida pouco sustentável que temos e todos somos afectados pelas suas consequências, pelo que está na mão de todos fazer alguma coisa para nos aguentarmos neste mundo mais uns tempos. O tempo parece infinito mas é relativo e, principalmente, absolutamente finito e, da mesma forma que foram os mais novos que ensinaram aos pais o que era isso da reciclagem, são também os miúdos de hoje que nos vão dizer o que fazer: o movimento começou na Suécia e está a espalhar-se a todo o mundo. Comunicam através das redes estão a mobilizar-se em torno de um movimento pelo clima que quer chamar a à atenção de Governos e governantes para a importância de agirmos enquanto é tempo. Planeiam uma greve como forma de protesto, inspirados em Greta Thunberg, uma jovem sueca que protesta pacificamente há mais de 25 semanas em frente ao parlamento sueco e já foi ouvida no Fórum Económico Mundial de Davos. Faltar às aulas é apenas o pretexto para serem ouvidos sobre aquilo que todos sabemos e queremos ignorar: a crise do clima e, principalmente, a urgência de medidas como a aposta séria nas energias renováveis, a monitorização da água dos rios e das descargas tóxicas, multas e impostos mais elevados para empresas que poluem mais, medidas que não implementamos lá em casa mas que o Governo pode, rapidamente, adoptar.

No dia 15 de Março  acontece a greve estudantil pelo clima em várias cidades de Portugal, uma espécie de ultimato, semelhante ao ultimato que cerca de 100 cientistas de 40 países diferentes, com base em 6.000 estudos científicos fizeram, no mais recente relatório das Nações Unidas que nos diz, tão simplesmente isto: ou mudamos, ou em 12 anos o mundo muda. E não vai ser para melhor.

(*) publicado no Sapo24



O saco de plástico foi apenas o começo: 3 medidas para mudar a nossa vida, já!

Gosto de acreditar na ideia das coincidências, mesmo sabendo que não existem. As coincidências são explicações que arranjamos para o que não sabemos explicar e que entendemos ser o universo a conspirar - muitas vezes contra nós, outras tantas a nosso favor.

Sei que, neste caso particular será provavelmente uma mera coincidência mas será, simultaneamente, o empurrão que faltava para acreditar que, se quisermos, podemos mesmo fazer a diferença.

Ontem a NiT publicou esta notícia:

Zara vai deixar de usar sacos de plástico nos saldos em Portugal

e no exacto momento em que leio o título confesso que tive aquela reacção interior de “wow!”, misturado com “what?”, seguido, na fracção de segundo a seguir, de um “como assim?…”, e um “ai não acredito!” para terminar como habitual “ não me digam que…”

Também sei o suficiente para saber que uma medida destas já estava a ser estudada mas reservo-me o direito de pensar que posso ter contribuído para acelerar a decisão ou a sua implementação porque, afinal, quando confrontadas, as diferentes funcionárias com quem falei nada sabiam sobre isto. Sim, também sei que a comunicação interna nas empresas é (quase) sempre deficiente e que os que dão a cara pelas marcas normalmente são os últimos a saber. Mas… posso ficar na ilusão? Obrigada!

Porque ficar nessa ténue ilusão inspira-me a continuar.

Na maior parte dos casos, é de uma ténue ilusão que se alimentam os sonhos.

E eu tive um sonho. Um sonho que me dava uma dimensão agigantada, que permitia ser tão alta a ponto de ter parte do corpo mergulhado no oceano e, ainda assim, ter altura suficiente para conseguir observar o mundo como se este fosse plano. E não estava mergulhada em água mas sim em plástico, vendo o mundo a tentar empurrar o problema para o país do lado sem grande sucesso.

Esta imagem acompanha-me desde então e, desde esse dia, implementei mais algumas medidas de protecção do meio ambiente e de redução do lixo. Foi assim que surgiu a “pequena cruzada” contra os sacos de plástico da Zara e é assim que hoje vos pergunto se querem juntar-se a esta ideia de produzirmos menos lixo e de reciclarmos aquele que produzimos.

Acredito que, ao contrário da ideia geral de que esta coisa da sustentabilidade e do lixo e coiso e tal, não pode continuar a ser vista como uma cena de vegans e fundamentalistas, menos ainda de hippies quarentões que não sabem o que fazer à vida. Sem ponta de hipocrisia, é assim que olhamos para aqueles que, muito antes do tema estar na ordem do dia já tinham aplicado estas medidas na sua vida, não é?

Eu sei, não adianta negarmos.

Eu não sou nem uma coisa, nem outra.

Também não tenho interesses financeiros na matéria porque não vendo produtos ou serviços que possam contribuir para uma vida mais verde. O meu único interesse é a minha filha, com 10 anos e um sorriso do tamanho do mundo. O meu interesse é esse, não quero que tropece em garrafas de plástico, que empurre o lixo com as duas mãos. E também sou eu, porque não quero sentir que o pé de pato enrolado num saco de plástico quanto estou no mar a praticar bodyboard. É esta a minha declaração de interesses e não poderia ser mais honesta. Juntam-se a mim?

Prometido é devido e, por isso, aqui ficam 3 ideias, produtos e acções para darem um pequeno contributo para mudar as coisas.

A primeira é usarmos a palavra NÃO.

Esta palavra tem um poder incrível, quando usada no momento certo. Dizer “não, obrigada” deixa muitas pessoas sem acção, quando recusamos uma palhinha na nossa bebida, quando dizemos que não precisamos de saco, quando dizemos que não queremos aquele produto porque está embalado em plástico e pedimos uma alternativa. Experimentem, nem que seja para verem a reacção. Garanto que se habituam e vão gostar…

A segunda é estarmos atentos.

Aprendemos a acreditar em estereótipos e crescemos a acreditar em sistemas que moldam a nossa mentalidade resultando numa dominância sobre a qual não reflectimos, com uma dimensão ética que não questionamos. Aplica-se a tudo, desde o machismo ao racismo ou à forma como tratamos os animais. Crescemos com o plástico e não o questionamos. Está em quase tudo o que nos rodeia e se, um dia, tomarmos consciência de que grande parte é de utilização única, se nos lembrarmos que esse lixo não se desintegra, que está no quintal do lado e que pode, também atingir o nosso, então mudamos.

O desafio é este: da próxima vez que forem ao supermercado, pensem na quantidade de embalagens de plástico desnecessárias e tentem encontrar uma alternativa. Recusem-se a pensar que não podem fazer nada porque o exemplo da Zara é esse: podemos.

A terceira é mudar.

Escova de Dentes

Trocam de escova de dentes com frequência, não é? E experimentarem uma de bambu? Freak? Não. Experimentei e estou muito satisfeita e não é porque dou um contributo para o meio ambiente mas porque a escova mesmo boa: macia, limpa em profundidade e sabem?… Aquela coisa dos filamentos assim e assado, que limpam aqui e ali? Bullshit para aumentar o preço do produto. Já usei duas marcas diferentes, ambas com os filamentos no formato mais tradicional e limpam com uma precisão que nunca imaginei.

Onde comprar e tal? Google it, há vária marcas que as enviam para nossa casa a custo 0 (free shipping)

Cotonetes

Precisam mesmo de limpar o ouvidinho todos os dias? Não o conseguem fazer com a ponta da toalha depois do banho? Pensem lá bem… Se precisam, há cotonetes com o suporte do algodão em papel e mesmo cadeias como o Pingo Doce já implementaram essa mudança. Go for it. Mas pensem que se calhar não precisam de o fazer todos os dias. Usam para limpar os cantos borrados quando estão a maquilhar? Usem a esquina da unha, funciona na perfeição!

Make up

Sem qualquer tipo de julgamento, podemos implementar a mudança e esta não será deixar de usar, é escolher marcas amigas do ambiente, que não testam em animais e que não usam químicos na composição dos seus produtos. Podemos, principalmente, fazer algo quase revolucionário e comprar discos desmaquilhantes de algodão. Usamos, lavamos, deixamos a secar e usamos outra vez. Ah e tal mas gastamos água… O impacto ambiental é muito menor do que o dos discos de algodão, tratamos melhor a pele e gastamos menos dinheiro, também. Adoptei esta medida há poucas semanas e recomendo!

Água, café ou chá

Água todos bebemos mas podemos passar a comprar menos garrafas de água, verdade? Ou recusar o copo no Starbucks porque passear de copo na mão perdeu parte da sua coolness. Verdadeiramente fixe é levarmos o nosso copo para transportar o café (ou chá) e mais cool ainda é termos uma garrafa só nossa para bebermos água durante o dia. Palavra de urbanista.

Sacos de pano

Sabiam que a cada secundo há 140.000 embalagens de plástico descartável que são descartadas para o meio ambiente? Esqueçam essa ideia de que são os hippies, os estudantes de artes e aquele pessoal meio esquisito que anda com um saquinho de pano ao ombro. Também não é coisa de pobre que não pode comprar uma Louis Vuitton. É coisa de quem está com atenção ao que se passa no mundo e que enfia um saco de pano no bolso do casaco ou no fundo da mala para usar sempre que for preciso. Como o copo para o café, estes sacos são a the next big thing e vocês não querem ficar de fora, certo?

Se levam marmita, news flash: há sacos de pano, pequenos e reutilizáveis, perfeitos para embrulhar a sandes ou qualquer outro alimento seco. Ao contrário dos sacos de plástico, estes sacos de pano deixam os alimentos respirar, o pão não fica seco como acontecia com aqueles sacos de pano que as nossas avós tinham para guardar o pão, são fáceis de fazer em casa e ainda mais fáceis de comprar porque já estão disponíveis em muitas lojas e mercearias que vendem produtos biológicos e/ou sustentáveis. Experimentem. Servem também para congelar e o resultado é surpreendentemente melhor do que usando plástico. Fiquei fascinada!

Finalmente, palhinhas

Eu sei que são adultos que lêem o urbanista e os adultos não usam palhinhas para beber o suminho, pois não? Palhinhas estão out. Até para a caipirinha. É sorver a bebida do copo e sentir o gelo refrescar o lábio superior. Somos adultos ou quê?….

Obrigada ♡




 

 

A idade não pode ser um tema. Os brancos ainda menos.

Há dias cruzei-me com um artigo da revista Glamour que falava nunca certa revolução que lentamente se instala, de aceitação dos cabelos brancos na mulher. A verdade é que tenho a sorte de ter poucos e de os ter estrategicamente por baixo dos outros. Foi nesse instante que percebi que o meu próprio pensamento estava errado: “tenho a sorte”.

Em primeiro lugar, os cabelos brancos nada têm a ver com sorte, apenas com a capacidade de produção de melanina, o pigmento que dá cor ao cabelo, que tendencialmente diminui a partir dos 30 anos. Contudo, esta não é uma ciência exacta e o aparecimento de cabelos brancos também está associado a factores genéticos, donde, nada a ver com sorte. Ou azar. E foi este pensamento que me levou a perguntar, a outras mulheres, que relação estabelecem com este processo natural mas que está, implicitamente, associado ao envelhecimento.

As respostas não poderiam ser mais simples: da auto-estima à pressão social e profissional, a maior parte das mulheres com cabelos brancos antes dos 40 anos pinta-os para se sentir melhor, para sentir a idade que realmente tem, por causa do contraste, para não ouvir os outros ou porque, simplesmente, o trabalho assim o exige (trabalham com a sua imagem).

 

Pinto o cabelo desde os 21 anos, tenho 46, atualmente o meu cabelo está praticamente branco. Nunca gostei, na minha família todos tinha o cabelo branco e nunca gostei, pareciam todos mais velhos. A minha mãe agora tem os aspeto da idade. Pinto pele auto estima e para parecer a idade que tenho! Ou menos 😉

G. Fernandes

Hoje tenho uma reunião importante e não me sinto confortável em ir com raízes até às orelhas, por isso acho que vou utilizar o único frasco que ainda tenho em casa para pintar, para não ir neste estado lastimável. Mas na realidade nem sei o que responder à tua pergunta. Acho que é uma questão de auto estima, misturada com o preconceito que eu posso ter e as outras pessoas ainda possam ter. Esta fase em que me encontro de raízes até às orelhas não é fácil e para a ultrapassar é necessária muita vontade.

V. Amante

 Uso o cabelo curto e tinha que pintar de 3 em 3 semanas. Em 2010 (43 anos) tive um mês complicado no trabalho e não tive tempo para pintar, saí desse trabalho e fiquei desempregada! Fui cortar o cabelo e praticamente saiu toda a parte que estava pintada e eu gostei... era verão e decidi pintar só depois de vir da praia! Quando cheguei de férias pintei o cabelo porque tinha que procurar trabalho e me diziam que não ia conseguir com o cabelo grisalho...

I. Alarico

 Sobretudo porque dá me um ar desleixado, para além de serem brancos contrastam com os restantes cabelos porque são mais grossos do que os restantes, e tenho o cabelo castanho muito escuro, o que evidencia ainda mais os brancos!

Cláudia M.

 Tenho 33 anos, um cabelo preto e adoro o meu cabelo e experimentei um método que é o “gloss” dá brilho e cor. Nunca tinha feito nada, pintado ou nada do género, não estava a gostar de me ver, talvez pela associação dos cabelos brancos à idade. Nem me sinto com 33 anos. Mas por exemplo, agora já tenho outra vez, pois fiz isto em agosto e não vou a correr fazer o gloss!

 J.M. Leitão 

 Para ser sincera começou por ser por uma questão de auto-estima. Os meus primeiros cabelos brancos apareceram quando tinha 15/16 anos (e o melhor, mesmo na parte da frente, super visíveis) e naquela altura foi um filme. Lembro-me que chorei imenso e obriguei a minha mãe a cortá-los porque não queria pintar o cabelo. Mais tarde, começaram a ser realmente muitos cabelos brancos e comecei a pintar mesmo por isso. É uma questão de auto-estima, porque não é algo homogéneo, tenho apenas cabelos brancos concentrados numa parte do cabelo e não acho que me favoreça. Porém, não pinto com muita regularidade e chego a andar com cabelos brancos durante algum tempo e já recebi comentários parvos e preconceituosos do género “ai tão novinha cheia de cabelos brancos” “ai existem uns sprays para disfarçar isso”. Enfim!!

D. Pinto

 Eu pinto o cabelo de ruivo desde os 18 anos. (Tenho 35) é algo que já está na minha rotina. Sei que um dia quero parar de pintar o cabelo e assumir os brancos, mas não já porque honestamente acho que não condiz com a minha idade mental, digamos assim. Adoro cabelos cinza e brancos mas acho que ainda não cheguei lá.

M. Pinto

 Pinto o cabelo porque tenho o cabelo todo branco desde os 15 anos. Pinto essencialmente por questões profissionais. Caso contrario não só não pintaria como assumia o branco.

J. Vieira

 Na verdade, estou a ficar com uma madeixa, tipo Susan Sontag e fico toda vaidosa ahahha lá está quando temos os role models certos até podemos ser carecas!!

M. Pereira

 

Auto-estima. Ver os cabelos brancos faz-me sentir mais velha e menos cuidada.

M. Guerra

 Há, também, quem consiga ignorar tudo isto e viver muito bem com as suas madeixas ou fios brancos, que se vão misturando com os outros...

 Eu acho que ficam engraçados e acho muito poderoso uma mulher aceitar o ritmo natural da vida.

F. Semião

A principal razão pela qual hoje em dia não pinto o meu cabelo é porque aprendi a aceitar-me como sou e procuro ser fiel a mim mesma todos os dias!! 😅 Mas atenção que eu já pintei o meu cabelo anteriormente, ADORO um cabelo bem pintado e sou tentada todos os dias pelas deliciosas cores que há por aí 😂 mas no fim do dia... nah gosto de mim assim!! 🤷

V. Lima

Tenho 29 anos e já tenho vários cabelos brancos, para aí uns 20, quase todos na mesma zona. Comecei a tê-los muito cedo, tal como a minha mãe, e cheguei a pintar o cabelo. Agora estou numa fase de me aceitar, já com cabelos brancos e estrias, e sou feliz assim. Uns dias mais segura que outros mas é normal. No futuro próximo não faço planos de o pintar, gosto dele assim, não sei como será daqui a vários anos mas logo se vê 😊

T. Cruz

Não pinto porque ainda não tenho muitos, e apesar de me dizerem para pintar e etc eu gosto de ver os brancos, é natural e dá um efeito bonito :)

C. M. Garcia

 A razão é simples: preguiça, preguiça de pintar, preguiça de manter. 

Carla S. 

 Considero que a tinta estraga o cabelo e só quando forem mais notórios é que ponderei pintar.

I. Parreira

 De momento ainda não tenho nenhum cabelo branco evidente, mas já decidi que não os vou pintar nunca e a principal razão prende se com o facto de aceitar a vida como ela é e todos nós vamos envelhecer e verificar as mesmas mudanças físicas. Tentar esconder isso é tornar a questão demasiado central e de algum modo deixar que isso controle o nosso bem estar ("oh não, nao posso ir para o escritório com estes brancos todos", please, a tua inteligência e simpatia valem bem mais)

Joana C.

 Pelas razões ecológicas. É absurda a quantidade de químicos usados para pintar, em relação ao tempo que a cor vai durar. Já nao pinto há dois anos. Não voltarei a pintar.

S. Costa

Resumindo, a ideia desta semana é simples:

Pode a idade ser um tema?

Não creio.
Podemos ser definidos pela nossa aparência?
Também acho que não.

Infelizmente, é que acontece.

Sem meias palavras, reconheçamos o impacto do nosso aspecto na relação com o outro e na primeira impressão. Contudo, talvez tenhamos levado isso ao extremo, impondo padrões de beleza a roçar o absurdo, com dois pesos e duas medidas para homens e mulheres.

Somos diferentes? Somos. Ainda bem.
Mas porque razão há-de o cabelo grisalho ser diferente neles e nelas?...

A definição da beleza e juventude da mulher é injusta, inglória e impossível de atingir.

Uma mulher não é nem uma Barbie, nem uma Cher e, menos ainda, uma velha por ter o cabelo grisalho.

MUITO OBRIGADA a todas as mulheres que ontem me responderam a questões nada simples e que provam o excessivo peso que o olhar do outro ainda tem na nossa auto-estima.

Estamos juntas, com ou sem brancos 🖤

Urbanista Yoga & Brunch: como tudo começou?

Começou como tudo começa. Com uma ideia que parece parva, a qual temos medo e vergonha de verbalizar mas, para a qual, a resposta é reacção é simplesmente uau.  

Um dia fui ao Therapist. Algum tempo depois pensei num local onde pudesse juntar algumas pessoas para celebrar o aniversário do Urbanista, numa acção conjunta com uma marca, e só me ocorria o Therapist. Enchi-me de coragem e perguntei. Assim foi. Depois disseram-me que seria boa ideia repetir e o Therapist concordou.

No entretanto, multiplicavam-se as minhas publicações sobre comida e cresciam as visualizações desses stories no instagram. Estava feliz. Enchi-me novamente de coragem e, de um sopro, perguntei se podia fazer mais um brunch urbanista. E fiz.

E, agora, outro. Mais pensado e estruturado, com um menu aprimorado, definido em função dos produtos e necessidades nutricionais desta época de Inverno.

Obrigada a todos os que me apoiam nestas ideias loucas!

A verdade é que sempre gostei de receber e juntar amigos à mesa. A única coisa que mudou foi o tipo de ingredientes que uso porque a paixão pelo sorriso de quem está a saborear, mantém-se. Se antes era mais ou menos inconsequente nas minhas opções, agora quero juntar a este prazer de juntar pessoas à mesa a possibilidade de ajudar algumas delas a fazerem opções alimentares mais conscientes e informadas sobre as características e valor nutricional daquilo que estamos a comer. Esse também é o princípio do Therapist, que nos vai receber no Sábado, dia 2 de Fevereiro com uma nova entrada, uma sala (ainda) mais bonita e acolhedora, numa abordagem descomplicada, base da minha vida e alimentação, que a Shine Superfoods, marca parceira do Urbanista, também defende.

Não poderia ter encontrado melhores parceiros!

O menu é todo baseado em opções porque, na verdade, não temos de gostar todos do mesmo e há sempre quem prefira os doces aos salgados ou vice versa. Começamos por desintoxicar o organismo com uma água morna e gengibre, para depois acompanhar umas Bruschettas com um Curcuma Latte de beber e chorar por mais, seguido de uns Egg Muffins de espinafres, queijo (vegan) e cogumelos (há opção Egg Muffins sem ovo, para ser verdadeiramente vegan).

As Bruschettas são deliciosas: imaginem pão de trigo alentejano, bem fermentado e amassado, cozido de forma tradicional, e aquecido para deixar o queijo (vegan) derreter, com umas folhas de rúcula ou espinafres, abacate no topo, temperado com um segredo urbanista ou uma versão igualmente apetitosa, cheia de energia, do mesmo pão, mas com Macacau (cacau, maca e açúcar de côco), banana cortada em finas rodelas e amêndoa torrada (ou côco por cima).

O que vos parece?

Depois acompanhamos os Egg Muffins com umas Chips de batata doce preparadas no forno e duas opções de Bowl: a famosa (e maravilhosa) Sopa de Abóbora Assada do Therapist ou a minha não menos saborosa Açaí Bowl, com a Granola urbanista (cheia de cereais e 0 açúcar) e kiwi. Uma opção mais fresca e igualmente multi-vitamínica.

Porque não dispensamos um doce, mas adoptámos o sabor natural do açúcar presente nos alimentos, vamos ter um Banana Bread with a twist, que é mesmo que dizer que um dia a receita me correu mal e inventei. O resultado foi maravilhoso e quero partilhá-lo com vocês. Como opção, Apple Crumble daquele que apetece mesmo repetir. Para acompanhar, o smoothie sensação deste Inverno: uma versão urbanista da receita da Princesa Markle que inclui vários ingredientes, destacando-se o poder anti-oxidante dos mirtilos.

Para além da comida, yoga. Porquê? Se mudou a minha vida também pode mudar a vossa. Há quem me faça perguntas e peça conselhos para começar a praticar, portanto, este é o momento. Juntamente com a Carla Ferraz, que é das melhores professoras que podem conhecer e que percebe mesmo disto, o urbanista yoga & brunch começa com uma sessão de yoga na qual iremos partilhar aquele pequeno pormenor que nos faz querer praticar todos os dias, bem como uma sequência simples e eficaz que todos, com mais ou menos prática, maior ou menor habilidade, muita ou pouca flexibilidade, conseguem por em prática todos os dias.

Namaste e… até sábado, para o urbanista yoga& brunch no The Therapist [como chegar] a partir das 11h.